Grandeza de ânimo: o exemplo de Dilma

0 views
Skip to first unread message

Ulysses

unread,
Nov 11, 2010, 5:14:55 PM11/11/10
to 2009 - UNIVERSIDADE DO SABER
Quem dá o EXEMPLO é Dilma Rousseff, a candidata eleita Presidente do
Brasil. Em seu discurso de domingo à noite, logo após a publicação dos
resultados, disse textualmente: “ Dirijo-me também aos partidos de
oposição e aos setores da sociedade que não estiveram conosco nesta
caminhada. Estendo minha mão a eles.” Estas palavras têm MAIS FORÇA
QUE TODAS INJÚRIAS E DIFAMAÇÕES que a candidata recebeu durante a
campanha. Tornam ainda mais expressiva sua vitória. O artigo é de DOM
DEMÉTRIO VALENTINI

D. Demétrio Valentini

A hora é de magnanimidade. O momento é de respeitar, relevar, e
perdoar. Todos convidados para a grandeza de ânimo.

Publicados os resultados das eleições, urge festejar a democracia. Por
mais frágil que tenha se mostrado durante a campanha, ela acabou se
fortalecendo com esta eleição. Podemos fortificá-la mais ainda, se
soubermos levar adiante as muitas lições que esta campanha nos deixa.

Quem dá o exemplo é Dilma Rousseff, a candidata eleita Presidente do
Brasil. Em seu discurso de domingo à noite, logo após a publicação dos
resultados, disse textualmente: “ Dirijo-me também aos partidos de
oposição e aos setores da sociedade que não estiveram conosco nesta
caminhada. Estendo minha mão a eles.”

Estas palavras têm mais força do que todas as injúrias e difamações
que a candidata recebeu durante a campanha. Tornam ainda mais
expressiva sua vitória.

A nobre atitude do perdão, precisa vir acompanhada da lúcida
constatação dos fatos, e dos desafios que eles nos apresentam.

Na verdade, a candidata Dilma Rousseff PRECISOU ENFRENTAR uma
avalanche enorme de obstáculos, desencadeados sobretudo pela carga de
preconceitos, cuja virulência surpreendeu, e mostrou quanto a
sociedade brasileira ainda está impregnada de resíduos tóxicos da
ditadura militar.

O fato de uma candidata ter sido vítima da truculência do regime
ditatorial, em vez de SERVIR DE OPORTUNIDADE para lavar a honra de
todos os que foram presos arbitrariamente pela ditadura, acabou dando
o pretexto para muitos se acharem no direito de vestirem a carapuça de
torturadores, e descarregarem sobre a candidata o ódio destilado nos
porões do regime militar.

Esta pesada constatação nos coloca um grande desafio. Muitos assim
pensam e fazem sem terem culpa das motivações equivocadas que movem
seus preconceitos. Não sabem o que foi a ditadura militar. A anistia
foi pactuada. Mas de novo se comprova que ela não pode prescindir da
memória histórica, que precisa ser cultivada e trabalhada, para que
toda a sociedade, conscientemente, erradique no seu nascedouro as
sementes da ditadura, que foram plantadas com eficácia pelo regime
militar. Caso contrário, elas continuam germinando, e produzindo seus
frutos maléficos.

A ESCOLA PRECISA ENSINAR A VERDADEIRA HISTÓRIA DA DITADURA MILITAR.

Este trabalho só pode ser feito com sucesso, se vier acompanhado da
garantia do perdão e da superação de todo e qualquer tipo de vingança.
De novo, as circunstâncias apelam para a grandeza de ânimo, que não
significa timidez ou subserviência.

O EXERCÍCIO DA CIDADANIA, em tempos de campanha eleitoral, precisa
levar em conta as circunstâncias de cada um. O que se pede de todos é
o voto. Mas existe largo espaço de atuação, visando fornecer critérios
para o discernimento dos eleitores.

Atendendo ao apelo de minha consciência, também procurei dar minha
pequena contribuição. Agradeço as milhares de manifestações, públicas
ou particulares, que expressaram sua concordância com as ponderações
que fui fazendo cada semana, ao longo da campanha. Agradeço também aos
que sensatamente ponderaram suas divergências, às quais procurei
responder com respeito e atenção.

Por outro lado, recebi também algumas furiosas contestações, e alguns
ataques de caráter pessoal, carregados de ódio, e revestidos da
presunção de seus autores de se julgarem os justiceiros da ira divina,
para condenarem ao inferno todos os seus desafetos.

Pela exorbitância de suas acusações, devo avisá-los que mereceram
destino menos solene que o inferno. De modo que ainda podem contar com
meu perdão.

Além do mais, não me preocupo com julgamentos humanos. Como Davi,
também prefiro mil vezes cair nas mãos de Deus, do que ser julgado
pela justiça humana.

Mas o resultado dessas eleições nos convida a tirar muitas outras
lições, que, estas sim, nos motivam a deixar de lado condenações ou
represálias, e contribuir com tudo o que estiver ao nosso alcance para
levar em frente a NOBRE TAREFA DE CONSTRUIRMOS JUNTOS UM BRASIL JUSTO
E SOLIDÁRIO.

(*) Bispo diocesano de Jales



http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17168&editoria_id=4
Reply all
Reply to author
Forward
0 new messages