O QUE É O AMOR? Texto apresentado pelo aluno SERGIO (2º ANO A - CURSO de DIREITO - matéria de FILOSOFIA) - SEGUNDO PLATÃO em BANQUETE - Eros, a Força do Amor na Paidéia de Platão.

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ARMANDO CAMARGO PEREIRA

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Oct 1, 2010, 2:11:38 PM10/1/10
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O QUE É O AMOR? Texto apresentado pelo aluno SERGIO (2º ANO A - CURSO de DIREITO - matéria de FILOSOFIA) - SEGUNDO PLATÃO em BANQUETE - Eros, a Força do Amor na Paidéia de Platão.

Todos já ouvimos falar em amor platônico e presumimos que está relacionado com a filosofia de Platão. Mas o que é isso exatamente?

O amor platônico é o mais incompreendido de todos os conceitos de Platão. As pessoas pensam, que amor platônico significa amor ascético ou assexuado, não é verdade. Em O BANQUETE, Platão apresenta o amor sexual como um ato natural, mas com raízes infinitamente mais profundas.

Para Platão o amor é um princípio cósmico, é uma escada com sete degraus, vão do amor por uma pessoa até o amor pelas realidades superiores do universo.

Diz ele: mesmo quando alguém se apaixona por uma pessoa, atraído por qualidades, fixar-se exclusivamente nessa pessoa é permanecer no primeiro degrau de uma escada que possui muitos outros.

O passo inicial nesta escada ocorre através do amor físico, diz Platão que “o ser humano busca a imortalidade através da pessoa amada por meio da reprodução, fixar-se neste primeiro degrau é permanecer parado, em comparação a tudo que uma pessoa possa vir a ser”.

Isso não quer dizer que Platão negue o corpo ou o amor físico, apenas afirma que, se alguém deixar de ampliar esse relacionamento e não subir até os outros seis degraus vai permanecer estagnado. Os passos seguintes fazem parte de um desdobramento natural da condição humana.

Segundo Platão, Aristófanes disse que todas as pessoas têm corpos duplos e dupla face, portanto vivem na busca de sua outra metade.

Haveria três tipos de humanos no mundo, homem/homem, mulher/mulher e homem/mulher, seria uma figura andrógena. Trata-se na verdade de uma fábula, um mito, destinado a revelar um ponto muito profundo.

Segundo Aristófanes, esses seres duplos cometeram transgressões contra os deuses, como castigo, foram divididos ao meio. Sob essa perspectiva, o amor é a busca da outra metade.

Essa fábula tem implicações muito abrangentes em termos da metafísica e da ética de Platão. É um outro modo de afirmar que não somos seres completos, e que os movimentos do amor são uma busca de complemento.

Ele tem uma visão muito exaltada do amor entre os sexos e emprega o termo loucura para se referir ao primeiro degrau, sob a influência da paixão física, perdemos de vista perspectivas e prioridades.

Quando um indivíduo está apaixonado, é como se o universo estivesse concentrado na outra pessoa. Platão diz que, em certo sentido, o universo realmente está nessa pessoa. O indivíduo precisa transformar essa dimensão e ver não apenas a pessoa, mas o universo nela.

Tudo o que ele disse em O BANQUETE – ao amar uma pessoa você está amando o universo e vice-versa – relaciona-se ao amor genuíno, sem egoísmo. Ele jamais apóia o relacionamento físico apenas para obter prazer.

Seria correto dizermos então que, o relacionamento sexual significa mais que um impulso instintivo, porque poderia colocar a pessoa na senda do amor autotranscendente, desde que seja uma paixão genuína, carinhosa e abrangente.

O amor platônico é tão amplo que, embora comece como amor pela forma bela, termina como o amor pela própria beleza, um princípio eterno do universo.

Platão emprega constantemente o termo beleza; as belezas das idéias tornam-se tão ou mais reais que a beleza física. A medida que progride, o indivíduo sente por todas as formas belas a espécie de exaltação que experimentou quando se apaixonou pela primeira vez.

Quando permite que o amor o leve para frente, saindo do particular para o múltiplo, percebendo que a beleza da mente é mais maravilhosa que a beleza da forma.

Platão afirma que o indivíduo se apaixona pela qualidade da mente de uma pessoa mesmo que sua forma física não seja tão graciosa, é uma progressão do concreto para o imaterial, sob a influência e inspiração do amor.

O passo número dois é amar todas as formas físicas belas, o terceiro, é amar a beleza da mente, independente da forma física à qual ela está associada.

O quarto passo da escada do amor é a ética – o amor pelas práticas belas. Envolve integridade, justiça, bondade e consideração.

É uma passo mais abrangente e universal, conduz ao degrau número cinco, é o amor pelas instituições belas.

Este quinto estágio diz respeito ao modo como a sociedade funciona quando suas instituições estão em equilíbrio e harmonia.

Desse ponto a alma ascende para o sexto degrau da escada, é uma curva gigantesca para o alto, em direção ao universal e ao abstrato. A isso Platão chama “ciência”, o seja, conhecimento e compreensão.

Os mistérios maiores do amor (os degraus cinco, seis e sete) evoluem na direção da visão universal, entre os passos seis e sete, passamos quase imperceptivelmente do mundano para as realidades superiores do universo. Depois de passarmos por todos os degraus, ocorre, no sétimo passo, uma diferença de gradação onde o indivíduo vê não a
manifestação da beleza, mas a beleza em si. Apaixona-se pela essência que torna bela todas as coisas.

Segundo o discurso de Diotima em O BANQUETE, “apenas em tal comunhão, mirando a beleza com os olhos da mente, o homem será capaz de suscitar não projeção de beleza, mas realidades, entronizando não uma imagem, mas uma realidade, produzindo e nutrindo a verdadeira virtude para tornar-se o amigo de DEUS, um ser imortal”.

Portanto no sétimo degrau da escada do amor, apaixonar-se é unir-se à origem do ser. É uma espécie de doutrina mística do amor, e esse é o amor platônico. Trata-se de um ponto de vista comovente e inspirador, que transcende enormemente a idéia de ficar de mãos dadas com alguém.


Referência: Eros, a Força do Amor na Paidéia de Platão.

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