Planilha Custo de veiculo licitação de Transporte

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crys.unifesp

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Jan 18, 2016, 6:41:59 PM1/18/16
to NELCA - Núcleo de Apoio aos Compradores Públicos.
Pessoal, boa noite!

Estamos licitando transporte com a disponibilização de carro e de mão-de-obra.

A planilha de custos da mão-de-obra nós já temos um modelo, que é o da IN, porém a dos custos do carro, não.

Alguém teria, para compartilhar, um modelo de planilha de custos que contenha os insumos que compõe os custos do carro: combustível, seguro, óleo, pneu, etc?

Abraços, Crys
Unifesp Campus Osasco

Franklin Brasil

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Jan 18, 2016, 7:20:10 PM1/18/16
to NELCA
Oi, Crys.

A melhor referência que conheço sobre locação de veículos é o Caderno Técnico do CADTERC de São Paulo. São estudos bem elaborados e com ótima referência de preços. Você encontra o mais recente AQUI

Recomendo baixar o Caderno de Estudos, que fica disponível no final da página. Ou por AQUI 

Chamo atenção para alguns fatores fundamentais nesse tipo de contratação.

1. FRANQUIA

Quando a locação envolve a disponibilização do veículo em tempo integral, a franquia é inútil. Não vejo vantagem para a Administração em determinar uma quantidade mínima de serviço a ser paga, independente do efetivo uso. Veja que nas locações de veículos para particulares, as empresas oferecem o sistema de franquia para pequenas distâncias, sendo mais comum o formato de quilometragem livre quando o cliente precisa rodar bastante. 

Existem 2 tipos de custos na locação de veículos: fixos e variáveis. Os fixos se referem a dispêndios que ocorrem até mesmo se o carro ficar parado. São exemplos: depreciação, ipva, licenciamento, seguro. Portanto, se o carro rodar 1km ou 1000km, a empresa terá esses custos da mesma forma.  

O outro tipo de custo depende do uso efetivo do veículo. E aqui entram diversas variáveis como: tipo e condições de conservação da estrada onde o carro vai rodar, regime de uso, consumo médio do carro, etc. São exemplos de custos variáveis: combustível, lubrificantes, pneus, manutenção, lavagem. 

Se o veículo e o motorista ficarão o tempo todo à disposição do órgão, a esmagadora maioria dos custos serão FIXOS. Não importa se o carro rodar 1km ou 10.000km no mês. A franquia, nesse caso, pouco influencia na proposta. 

A quantidade estimada de km por mês pode ser usada para o licitante elaborar sua proposta, mas não precisa, necessariamente, ser usada como franquia.

Se a locação, porém, envolve a disponibilização episódica do veículo - leia-se: de vez em quando - aí a franquia pode ser interessante.

2. DEPRECIAÇÃO (E IDADE MAXIMA)

Este é possivelmente o item de custo mais elevado. Um carro Zero perde o valor de mercado muito rapidamente, só de sair da concessionária. A curva de depreciação de veículos é muito acentuada no primeiro ano.

Por isso, recomendo fortemente avaliar a idade máxima a ser permitida no contrato de locação. Minha sugestão é aceitar veículos com até 3 anos de uso. Explico.

Em 12 meses:
Veículo zero deprecia em torno de 20%
Veículo com 1 ano de uso deprecia cerca de 5% a 10%

Exemplo (com dados que pesquisei em julho de 2015). A Amarok CD 0 km 2.0 16 V TDI 4x4 Diesel. Zero é R$ 91.000,00. Mas uma 2014 cai para R$ 73.000,00. Depreciação de 20%. 

O mesmo veículo 2013 a FIPE diz que custa R$ 70.700,00. Viu? No segundo ano, a depreciação foi de apenas 4%.  

O que eu quero dizer com isso? Que pode sair muito mais barato comprar uma camionete de 1 ano, que já depreciou bastante o preço de mercado, mas ainda está muito bem conservada. 

E aí, com essa camionete de 1 ano, poderia ser cumprido o contrato. 

Aí, se for prorrogar, a empresa troca os carros por mais novos, para continuar atendendo a exigência de tempo máximo de 2 ou 3 anos de uso. 

A manutenção é mais cara? Não sei. O impacto disso pode ser bem menor do que o impacto da depreciação. 

Veículo que roda em estradas de terra perde muito valor de mercado. A depreciação é muito maior do que um veículo em condições normais.

Mesmo locadoras de veículos perdem muito mais em depreciação, porque todo mundo sabe que o veículo rodou muito e em condições adversas. 

Para cálculos de depreciação, deve-se usar a Tabela FIPE. O TCU decidiu que os preços de referência de veículos são aqueles divulgados pela FIPE (Acórdão 7502/2015-Segunda Câmara).

3. SUBSTITUIÇÃO DO VEÍCULO

Sobre a substituição do veículo quando quebra. Isso é exigência que deve ser cumprida se o carro tem 6 meses ou se tem 18 meses. Faz parte da política da empresa contratada avaliar se é melhor um carro mais novo com menor risco de quebrar ou um carro mais usado, que tem menor depreciação, mas pode dar mais manutenção e mais custo de reposição. Isso é gerenciamento da empresa!

A Amarok tem 3 anos de garantia e 100.000km para uso comercial. Isso significa que daria pra comprar uma com 1 ano de uso e cumprir um contrato de 2 anos com a garantia, dependendo de quanto se roda por mês. 

Por isso, exigir um carro com no máximo 2 ou 3 anos de uso me parece mais adequado, mas tem que deixar a empresa contratada decidir se compra carro zero ou com 6 meses ou com 1 ano ou com 18 meses de uso. Ela só vai ter que trocar o carro toda vez que ele chegar aos limite definido na licitação.

4. CUSTO DE MANUTENÇÃO

Nas páginas 84/85 do Caderno do CADTERC tem a referência de custos de manutenção. Eles consideram 1% do valor do veículo a cada 10.000km para peças + 0,2% a cada 10.000km de custo com equipe de oficina (1 mecanico e 1 ajudante). Dá um total de 1,2% a cada 10.000km com manutenção

Embora trate de caminhões para transporte de carga, este manual aqui dá algumas referências similares à do estudo de São Paulo: considera que o custo com peças, acessórios e material de manutenção é de 1% do valor de veículo (sem pneus) por mês. 

Este estudo aqui (http://www.scielo.br/pdf/jtl/v8n4/v8n4a09.pdf) considera adequado 1,5% ao mês para os custos de Peças, Acessórios e Material de Manutenção (pg 26)

5. COMPARAÇÃO COM OUTROS CONTRATOS

A comparação com outros contratos é bastante complicada.

Cada contrato tem sua peculiaridade e o valor R$/km é um parâmetro que deve ser relativizado. Diferenças como: tipo de rodovias a serem percorridas, frequência de uso no mês, finalidade do transporte, entre outros aspectos, podem impactar severamente os custos e os preços dos serviços. 

É possível usar, claro, como indicador, mas é preciso achar contratos com realidades similares. Se o contrato é de locação integral, ou seja, o veículo fica o tempo todo à disposição do contratante, por exemplo, somente contratos com essa característica servem como parâmetro de comparação. 

Se os contratos comparados tiverem outras diferenças (exemplo: fornecimento do combustível e motorista) então deve-se fazer o ajuste dessas diferenças nas planilhas de custo. Por exemplo: o seu contrato tem motorista, mas o outro não tem. Tira os custos do motorista do seu contrato para fazer a comparação. 

Espero ter contribuído.

Abraços.

Franklin Brasil
CGU-MT



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Crys Raviani

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Jan 18, 2016, 7:40:14 PM1/18/16
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Franklin, boa noite!

Sim, os carros ficarão à disposição do campus.

Vou conversar com o pessoal de Serviços amanhã.

Muito obrigada pelos links, pela ajuda e pelos esclarecimentos.

Um abraço, Crys

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