Qual a resposta para a pergunta "Micromobilidade Urbana: Há Espaço para todos?"?

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André Geraldo Soares

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Mar 28, 2023, 10:34:52 AM3/28/23
to ag-c...@googlegroups.com, GT Pesquisa UCB
Olá, AG+CD e GTPesq,


Após ser aprovado pela Diretoria e pelo grupo de coordenadora/es de projetos da UCB, vou, pela segunda vez, representar a UCB no evento C-MOVE Sul - Congresso da Mobilidade e Veículos Elétricos da Região Sul,que será realizado aqui em BC/SC.


O tema do meu painel é "Micromobilidade Urbana: Há Espaço para todos?"

Não poderei usar recursos visuais, só o gogó.

Estou construindo um desenho do que vou falar, mas gostaria de ouvir opiniões de vocês, sobre como eu posso responder essa pergunta me sentindo representante do coletivo que nos congrega (a comunidade de cicloativistas reunidos/as na UCB).

A resposta é livre, mas que quiser fazer uso também de elementos da temática do seu GT (no caso de membra/os do CD), também será enriquecedor.

Pretendo marcar que minha resposta foi construída coletivamente.


Saudações,

André Soares
GT Pesquisa


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Luis A S Peters

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Mar 28, 2023, 3:17:22 PM3/28/23
to GT Pesquisa UCB

Há espaço para todos.

Para isso é preciso que a Engenharia Rodoviária e o Urbanismo interajam visando a emergência da consciência de que as ruas são locais de circulação e encontro públicos, desde o seu surgimento. Essa função das ruas tem sido esmagada pela preferência concedida aos cidadãos em veículos automotores cada vez maiores, em detrimento do cidadão na escala humana. Esse fenômeno ocorre pela indução de demanda, por abundante infraestrutura e por mudanças culturais forçadas.

A micromobilidade se dá na escala humana.

Na Holanda (Países Baixos), nos anos 70 foi iniciada uma política geral de reduzir essa preferência pela escala sobre-humana. Hoje é uma referência mundial. Paradoxalmente, esse país é considerado um dos melhores para se dirigir, segundo pesquisas de aplicativos de geolocalização (Waze). Hoje, até veículos motorizados inadequados a uma boa convivência estão sendo  removidos das vias ciclísticas, usadas também para atender pessoas com deficiência.

Além dos Países Baixos, existem muitas outras experiências localizadas onde a redução do uso do automóvel particular leva a melhor qualidade de vida de todos os cidadãos. É preciso expandir essas experiências.

O carro elétrico precisa ser contido em sua tendência de aumento de dimensões e de consumo de eletricidade. Há uma tendência de se impor aos condomínios a possibilidade de recarga de baterias de alta capacidade, tornando esse uso significativo a ponto de não poder ser considerado de uso comum. Querem que o condomínio se equipe para reabastecer de eletricidade os carros particulares. É como se cada condomínio tivesse que ter seu próprio posto de abastecimento de combustíveis, pensando nos motores a combustão. Por essa analogia, vê-se o quão absurda é essa imposição.


É o que me ocorre.

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Felipe Alves

unread,
Mar 28, 2023, 3:23:52 PM3/28/23
to gt-pesq...@googlegroups.com, ag-c...@googlegroups.com
Dizem que não se deve responder uma pergunta com outra pergunta, mas neste caso me parece inevitável questionar: qual a definição de micromobilidade?

Uma busca rápida na internet traz várias definições que a meu ver são problemáticas, com termos como "veículos alternativos", "complemento para a mobilidade urbana", ou "novas tecnologias". Sei que existem esforços de uma definição um pouco mais técnica - como a do guia.micromobilidadebrasil.org/definicoes/ - mas acho este um ótimo ponto para iniciar o debate.

Fora esta questão inicial, o debate sobre espaço pode ser visto por vários pontos de vista:
  • Pedestres e ciclistas já existiam antes do automóvel, os primeiros foi que perderam espaço para priorizar carros, e praticamente não conseguimos reaver este espaço nas cidades.
  • Se concordarmos que devemos separar/segregar espaços para cada modo, quais deveriam ser os critérios para definição do espaço de cada um? Não faz sentido reverter a lógica atual e dar mais espaço para transportes mais sustentáveis, menos perigosos, que transportem mais pessoas, que sejam mais benéficos para a economia? (parece até pergunta retórica, mas a lógica atual ainda é invertida neste sentido)
  • Importante citar a questão da demanda reprimida quando se oferece cada vez mais espaço para carros, trazendo mais carros para as ruas, junto com todos os problemas envolvidos, e não resolvendo os problemas de congestionamento, que dizem ser sempre o motivo disso.
  • Em matéria de segurança viária, além de fazer mais sentido reservar mais espaço para modos mais seguros (e protegê-los dos mais perigosos), a redução de espaços para motorizados nas ruas também tem uma fator importante no controle das velocidades, talvez até mais que placas ou radares.
  • Talvez nem precise entrar neste ponto, mas existe uma outra falácia de que se retirar espaço que atualmente é para carros, a cidade vai simplesmente virar um caos. Não é o que acontece quando se precisa realizar alguma obra e se interdita um trecho de via, criando desvios para tal caminho. Sempre é possível se adequar a estes desvios, é fácil ver exemplos práticos disso em qualquer cidade. Se for intervenção de longo prazo, as pessoas até se acostumam ao novo caminho e esquecem como era anteriormente...
Acho que são alguns pontos possíveis, sigo atento se quiserem debater mais por aqui.

Abs

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André Geraldo Soares

unread,
Apr 14, 2023, 8:53:13 AM4/14/23
to ag-c...@googlegroups.com, GT Pesquisa UCB

Bom dia,



Agradeço imensamente pelas contribuições recebidas.


Foram excelentes e incorporadas ao roteiro da minha fala que ocorrerá logo mais, às 14h.


A seguir, para que toda/os possam aproveitar, encaminho o conteúdo de todas as contribuições.



Saudações,


André Soares



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Em ter., 28 de mar. de 2023 às 16:23, Felipe Alves <alves...@gmail.com> escreveu:

Dizem que não se deve responder uma pergunta com outra pergunta, mas neste caso me parece inevitável questionar: qual a definição de micromobilidade?


Uma busca rápida na internet traz várias definições que a meu ver são problemáticas, com termos como "veículos alternativos", "complemento para a mobilidade urbana", ou "novas tecnologias". Sei que existem esforços de uma definição um pouco mais técnica - como a do guia.micromobilidadebrasil.org/definicoes/ - mas acho este um ótimo ponto para iniciar o debate.


Fora esta questão inicial, o debate sobre espaço pode ser visto por vários pontos de vista:

  • Pedestres e ciclistas já existiam antes do automóvel, os primeiros foi que perderam espaço para priorizar carros, e praticamente não conseguimos reaver este espaço nas cidades.

  • Se concordarmos que devemos separar/segregar espaços para cada modo, quais deveriam ser os critérios para definição do espaço de cada um? Não faz sentido reverter a lógica atual e dar mais espaço para transportes mais sustentáveis, menos perigosos, que transportem mais pessoas, que sejam mais benéficos para a economia? (parece até pergunta retórica, mas a lógica atual ainda é invertida neste sentido)

  • Importante citar a questão da demanda reprimida quando se oferece cada vez mais espaço para carros, trazendo mais carros para as ruas, junto com todos os problemas envolvidos, e não resolvendo os problemas de congestionamento, que dizem ser sempre o motivo disso.

  • Em matéria de segurança viária, além de fazer mais sentido reservar mais espaço para modos mais seguros (e protegê-los dos mais perigosos), a redução de espaços para motorizados nas ruas também tem uma fator importante no controle das velocidades, talvez até mais que placas ou radares.

  • Talvez nem precise entrar neste ponto, mas existe uma outra falácia de que se retirar espaço que atualmente é para carros, a cidade vai simplesmente virar um caos. Não é o que acontece quando se precisa realizar alguma obra e se interdita um trecho de via, criando desvios para tal caminho. Sempre é possível se adequar a estes desvios, é fácil ver exemplos práticos disso em qualquer cidade. Se for intervenção de longo prazo, as pessoas até se acostumam ao novo caminho e esquecem como era anteriormente...

Acho que são alguns pontos possíveis, sigo atento se quiserem debater mais por aqui.


Abs



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Em ter., 28 de mar. de 2023 às 16:17, Luis A S Peters <lapete...@gmail.com> escreveu:

Há espaço para todos.

Para isso é preciso que a Engenharia Rodoviária e o Urbanismo interajam visando a emergência da consciência de que as ruas são locais de circulação e encontro públicos, desde o seu surgimento. Essa função das ruas tem sido esmagada pela preferência concedida aos cidadãos em veículos automotores cada vez maiores, em detrimento do cidadão na escala humana. Esse fenômeno ocorre pela indução de demanda, por abundante infraestrutura e por mudanças culturais forçadas.

A micromobilidade se dá na escala humana.

Na Holanda (Países Baixos), nos anos 70 foi iniciada uma política geral de reduzir essa preferência pela escala sobre-humana. Hoje é uma referência mundial. Paradoxalmente, esse país é considerado um dos melhores para se dirigir, segundo pesquisas de aplicativos de geolocalização (Waze). Hoje, até veículos motorizados inadequados a uma boa convivência estão sendo  removidos das vias ciclísticas, usadas também para atender pessoas com deficiência.

Além dos Países Baixos, existem muitas outras experiências localizadas onde a redução do uso do automóvel particular leva a melhor qualidade de vida de todos os cidadãos. É preciso expandir essas experiências.

O carro elétrico precisa ser contido em sua tendência de aumento de dimensões e de consumo de eletricidade. Há uma tendência de se impor aos condomínios a possibilidade de recarga de baterias de alta capacidade, tornando esse uso significativo a ponto de não poder ser considerado de uso comum. Querem que o condomínio se equipe para reabastecer de eletricidade os carros particulares. É como se cada condomínio tivesse que ter seu próprio posto de abastecimento de combustíveis, pensando nos motores a combustão. Por essa analogia, vê-se o quão absurda é essa imposição.

É o que me ocorre.


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Em ter., 28 de mar. de 2023 às 13:27, F Priscila Edra <fe...@id.uff.br> escreveu:

Olá André, boa tarde!


Dei uma olhada na programação... basicamente todas as falas antes da sua focam a eletrificação de veículos e, pelo menos ao meu entender, nenhuma delas fala sobre micromobilidade (ativa), por exemplo. E, para mim, sempre foi importante bikes elétricas e VLT, por exemplo... porque entendo que em determinados percursos, devido às condições físicas e/ou meteorológicas, a ideia de bicicleta e caminhada, deslocamento puramente mecânicos, não atendem a determinadas realidades.


Por outro lado, entendo que se por um lado e por um tempo se levantou a bandeira da micromobilidade em paralelo à mobilidade ativa, estamos correndo o risco de todo o trabalho realizado até então "ir por água abaixo".


Um dos motivos se baseia no fato de que muitos discursos para as bicicletas estão relacionados ao meio ambiente. Neste caso, a eletrificação resolve grande parte (já escutei isso em eventos que participei quando colegas apresentaram trabalhos sobre bicicletas). 


Assim, creio que é importante mostrar a importância da eletrificação sim, mas se restringirmos o foco somente a isso, vamos continuar tendo diversos outros problemas que o rodoviarismo trouxe, partindo desde os mais simples como espaço mínimo para pedestres, menos pessoas nas ruas e mais insegurança... até mesmo aos problemas de saúde provenientes de vidas sedentárias, mais tempo nos deslocamentos, este principalmente porque tem sido as principais causas para diversos outros problemas sociais.


Então, penso que você pode indicar como importante a eletrificação, sem desconsiderar os avanços urbanos que privilegiam pedestres, ciclistas, transportes públicos... de repente, até apresentar um cenário prospectivo do que seria a substituição do rodoviarismo mecânico e automático para o elétrico sem que os avanços da micromobilidade sejam mantidos em ascensão.


Espero ter contribuído.


Fátima Priscila Morela Edra

     PPGTUR/FTH/UFF



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Em ter., 28 de mar. de 2023 às 15:01, jesse das Bicicletas <abcicli...@gmail.com> escreveu:


Voce e favoravel andre das motos elétricas  nas ciclovias???



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Em ter., 28 de mar. de 2023 às 11:34, André Geraldo Soares <ags...@gmail.com> escreveu:

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Felipe Alves

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Apr 14, 2023, 9:21:53 AM4/14/23
to gt-pesq...@googlegroups.com, ag-c...@googlegroups.com
Na torcida para que a fala e o debate sejam bem proveitosos!

Abs

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André Geraldo Soares

unread,
Apr 14, 2023, 4:35:14 PM4/14/23
to ag-c...@googlegroups.com, GT Pesquisa UCB
Olá,

Voltei do evento.

Foram novamente receptivos e pude criticar.

Não deu pra seguir o roteiro da fala porque o estilo era de resposta a perguntas do moderador, mas deu pra explorar algumas coisas.

Coloquei o roteiro e as contribuições integrais de vocês neste documento, em que (em cima), está o roteiro da apresentação feita há dois anos atrás: https://tinyurl.com/22cv3ts9

Neste ano tinha mais carro e moto do que no ano passado no evento.

Tinha uma Hammer de 3 milhões.

Sim, eles vão dominar o mundo.


Saudações e agradecimentos,

André Soares


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