Seminário aberto de Filosofia Política
O conceito de povo
Prof. Doutor Diogo Pires Aurélio
10 de abril a 26 de junho 2025
Faculdade de Letras da Universidade do Porto
Nos últimos séculos, o conceito de povo tornou-se, quer em teoria, quer na prática política, o principal eixo em torno do qual se organiza e pensa o funcionamento dos estados e das sociedades. Tanto nos regimes democráticos, como nos autoritários ou totalitários, o poder diz-se legitimado pela vontade do povo. Acontece que a vontade do povo remete para uma ficção - a ficção de uma vontade coletiva – na qual se alicerça o funcionamento do sistema. Daí que os poderes públicos se assumam, não diretamente como soberanos, mas como representantes que actuam em nome do povo, dando corpo, literalmente, a essa vontade fictícia, impossível de materializar sem ser através de uma qualquer mediação, seja a mediação feita pelo partido ou o líder, seja a mediação institucionalizada por representantes eleitos, como acontece nas democracias liberais. A complexidade do povo desdobra-se, assim, numa trilogia de conceitos interligados, qual deles o mais difícil de destrinçar: povo, soberania, representação. Se o conceito de povo se revela problemático, é precisamente na medida em ele se pensa como soberano, e tal só é possível mediante ao artifício da representação. Trata-se, em resumo, de avaliar o significado da soberania popular.
Neste seminário propõe-se uma exploração dos desenvolvimentos do conceito de “povo” em 5 pontos.
Sessão 5 | 26 de junho 2025
15h00 - 17h00 | Sala 202 (Piso 2)
Faculdade de Letras da Universidade do Porto
5 – Figurações do povo na Modernidade (Edmund S. Morgan, Inventing the People, 1989)
a) Mimesis, representação política e representação artística
b) "Os dois corpos do povo"
c) Imagens sem modelo: iconografia do “povo unido”
Diogo Pires Aurélio, investigador integrado do Instituto de Filosofia da Universidade do Porto e membro do Conselho Científico do Sive Natura – International Center for Spinozan Studies (Universidade de Bolonha), é doutorado em Filosofia Moderna, com Agregação em Filosofia Social e Política pela UNL, onde lecionou até à sua jubilação. Foi igualmente professor convidado no Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica, professor catedrático da Universidade Lusófona e professor visitante nas Universidades de São Paulo e de Santiago de Compostela. Desempenhou, entretanto, vários cargos públicos, designadamente Administrador da INCM, Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e Diretor da Biblioteca Nacional. De entre as suas publicações mais recentes, salientam-se Soberania Popular, 2024; O mais natural dos regimes - Espinosa e a Democracia, 2014; Maquiavel & Herdeiros, 2012; e Representação Política – Textos Clássicos, 2009. Traduziu e editou as principais obras de Espinosa – Ética, 2020; Tratado Político, 2008 (Prémio de Tradução Científica e Técnica FCT-União Latina) e Tratado Teológico-Político, 1988, assim como O Príncipe, de Maquiavel, 2008 (Menção honrosa do Prémio FCT-União Latina), todas elas publicadas e com várias reedições em Portugal e no Brasil.
Organização
RG: Reason, Politics and Society — Aesthetics, Politcs and Arts.
José Francisco Meirinhos — Raul Vasques
Instituto de Filosofia da Universidade do Porto – UID/00502
Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT)
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