Esta conferência analisa a relação entre marxismo, messianismo e utopia no pensamento de Walter Benjamin, destacando a forma singular como o filósofo articula elementos da tradição judaica com a crítica materialista da história. Partindo dos seus
escritos de juventude até às teses finais Sobre o Conceito de História, procura-se mostrar como o messianismo constitui um fio condutor do pensamento benjaminiano, atravessando domínios como a filosofia da história, a teoria da linguagem e a reflexão
sobre a tradução. Em oposição à conceção historicista e progressista da história, Benjamin propõe uma visão crítica que interrompe a linearidade do tempo e reorienta o olhar histórico para os “vencidos” e esquecidos do passado. Neste contexto, o messianismo
não deve ser entendido como uma expectativa religiosa tradicional, mas como uma categoria ética e política que sustenta a tarefa do historiador: resgatar a memória silenciada e abrir a possibilidade de justiça histórica. A conferência aborda ainda a conceção
benjaminiana da linguagem, centrada na ideia de uma língua pura e na potência simbólica do nome, bem como o papel da tradução como tarefa messiânica, capaz de revelar a unidade latente das línguas. Por fim, argumenta-se que o messianismo em Benjamin assume
um caráter profundamente crítico e revolucionário, articulando esperança, memória e redenção numa reflexão sobre o tempo histórico e a possibilidade de transformação política.