Valorar e capacitar para além da empatia: duas tarefas éticas dos cuidados de saúde?
Resumo:
Com vista à melhoria da qualidade das práticas clínicas e hospitalares, as Humanidades Médicas, tal como a investigação em ética, insistem na importância da empatia e da compaixão. Reconhecendo a relevância fundamental destas disposições afectivas para os cuidados de saúde, este artigo de orientação filosófica procura, no entanto, entender os limites de ambas em contextos de constante exposição à dor e ao sofrimento, recordando as considerações da médica e filósofa Anne Fagot-Largeault, antes de assinalar o interesse que há em desenvolver um ethos do cuidar que passe pela capacitação de quem suscita o cuidado. Graças a uma leitura de trabalhos de Georges Canguilhem (médico e filósofo) e de Cynthia Fleury (filósofa e psicanalista), o artigo defende que o cuidado assume o carácter de invenção de normas e de afirmação de valores que tornem viável a singularidade de cada vida transtornada e transformada pela doença. A subjectividade e a imaginação dos parceiros desta tarefa, tal como os diferentes saberes e as possibilidades técnicas e tecnológicas de que dispõem, poderão assim aliar-se num conjunto de perspectivas que tanto as Artes e as Humanidades, como as Ciências Sociais, poderão enriquecer.
Críticas e comentários serão bem-vindos.
Atenciosamente,
Nuno Miguel Proença
Investigador. Colaborador do CHAM-Centro de Humanidades, FCSH-UNL.