Munique (LMU) e Cidade do México (UNAM)

37 views
Skip to first unread message

Marcos Silva

unread,
Jun 15, 2014, 7:35:48 AM6/15/14
to logical logical
Caros,

o evento de paraconsistência em Munique (LMU, 11-13/6) foi de altíssimo nível! Grande parte das apresentacoes foram de muito boa qualidade tecnica e filosofica. Bom para ver o estado da arte das diferentes escolas. Acho que a gente deveria promover este tipo de evento mais vezes no Brasil.

Fiquei positivamente impressionado com os trabalhos do Otávio Bueno, David Ripley, Zach Weber, Andreas Kapsner e Heinrich Wansing. Acho que a Itala D'ottaviano e o Joao Marcos representaram competentemente a escola brasileira respondendo à altura críticas (e provocacoes) dos dialeteístas. Ficou claro em alguns momentos a fragilidade filosófica de algumas abordagens. O que mostra que vamos ter, felizmente, ainda muito trabalho pela frente no desafio de desenvolver uma "epistemologia" de logicas nao-clássicas.

A organizacao e extrema gentileza do Peter Verdee e do Holger Andreas foram também um highlight. 

A propósito, lá  a Maria Martinez (UNAM) me pediu para divulgar a convocatória abaixo. Acho de grande interesse para os (jovens) pesquisadores brasileiros terem mais contato com os pesquisadores mexicanos, especialmente porque a UNAM desempenha papel cada vez mais relevante em discussoes internacionais em Filosofia. Além disso, sao muito engajados com a ALFAn.

Liebe Grüße,
Marcos Silva

_________


CALL FOR PAPERS

The Institute of Philosophical Research of the National Autonomous 

University of Mexico (IIFs-UNAM) invites graduate students to submit to:

The 1st IIFs-UNAM Philosophy Graduate Conference

To be held on 19-20 February 2015, Mexico City

KEYNOTE SPEAKER: STEWART SHAPIRO (OHIO STATE UNIVERSITY)

We will consider submissions of high quality in any area of analytic philosophy. Papers should not 

exceed 5000 words in length (excluding abstract and references), should be prepared for blind 

review, and should be written and presented in English. 

SUBMISSION DEADLINE: Submitted papers must be received as no later than 30th

(Accepted papers will be announced by 31st

 September 2014

 October 2014)

All submissions must be prepared for blind review. Please send the following as separate 

attachments in .doc or .pdf format to unam....@filosoficas.unam.mx

I) A cover letter containing the following information: 

- The topic area(s) of the paper (e.g. metaphysics, epistemology, ethics, etc.)

- Contact information (e-mail, phone number, mailing address) 

II) The paper itself, with a title page containing the title of the paper and an abstract of no more 

than 300 words. IMPORTANT: This file should be free of identifying information. 

Further information can be found at www.filosoficas.unam.mx 

All questions may be directed to unam....@filosoficas.unam.mx

Organizers: Aliosha Barranco, Cristian Gutiérrez, María Martínez, José Ramón Orrantia, Tatiana Salazar

-------------------------------------------------------

CONVOCATORIA

El Instituto de Investigaciones Filosóficas de la Universidad Nacional 

Autónoma de México convoca a todos los estudiantes de posgrado 

interesados a la:

1era Conferencia de Posgrado del Instituto de Investigaciones 

Filosóficas (UNAM)

Del 19 al 20 de Febrero del 2015, Ciudad de México

CONFERENCIA MAGISTRAL: STEWART SHAPIRO (OHIO STATE UNIVERSITY)

Se considerarán únicamente trabajos de alta calidad en cualquier área de la filosofía analítica. 

Los trabajos no deberán exceder el límite de 5000 palabras (excluyendo resumen y bibliografía), 

deberán ser escritos y presentados en inglés, y deberán ser preparados para un arbitraje ciego.

FECHA LÍMITE DE RECEPCIÓN DE TRABAJOS: 30 de Septiembre del 2014.

(Los trabajos aceptados se anunciarán a más tardar el 31 de Octubre del 2014)

Todos los trabajos deberán de ser preparados para un arbitraje ciego. Por ello, se les solicita 

enviar por separado los siguientes dos archivos en formato .doc o .pdf al siguiente correo: 

I) Una portada que contenga los siguientes datos:

- Las áreas principales del trabajo (e.g. metafísica, epistemología, ética, etc.)

-Información del contacto (correo electrónico, número de teléfono, dirección postal)

- Conteo de palabras del trabajo. 

II) El trabajo. Éste deberá tener una portada que contenga el título del trabajo y un resumen de 

no más de 300 palabras del mismo. IMPORTANTE: Este archivo no deberá tener ningún tipo de 

información que permita identificar la identidad de la autora. 

 Mayores informes en: www.filosoficas.unam.mx

Dudas y aclaraciones: unam....@filosoficas.unam.mx

Organizadores: Aliosha Barranco, Cristian Gutiérrez, María Martínez, José Ramón Orrantia, Tatiana Salazar

Décio Krause

unread,
Jun 15, 2014, 7:43:14 AM6/15/14
to logi...@dimap.ufrn.br
Marcos
Estou curioso para saber que provocações foram essas.
Obrigado pela notícia e pela convocatória, que repassei aos nossos alunos,de PG.
Abraço
Décio



------------------------------------------------------
Décio Krause
Departamento de Filosofia
Universidade Federal de Santa Catarina
88040-900 Florianópolis - SC - Brasil
------------------------------------------------------
--
Você recebeu essa mensagem porque está inscrito no grupo quot;LOGICA-L" dos Grupos do Google.
Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, envie um e-mail para logica-l+u...@dimap.ufrn.br.
Para postar nesse grupo, envie um e-mail para logi...@dimap.ufrn.br.
Acesse esse grupo em http://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/group/logica-l/.
Para ver essa discussão na Web, acesse https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CAGZ3pz%2BCU_6Dom2aRFm5m4ovQz9LRnZG37pgwtJqcXesq%3D_SUQ%40mail.gmail.com.

Abílio

unread,
Jun 15, 2014, 11:20:44 AM6/15/14
to Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de LOGICA, Marcos Silva
tbem fiquei muito curioso, especialmente com o comentario sobre a
epistemologia das logicas nao classicas.
abracos

Marcos Silva

unread,
Jun 16, 2014, 6:43:31 AM6/16/14
to Abílio, Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de LOGICA
Olá, Abílio e Décio,

uma coisa que me ficou claro nestes ultimos meses e mais ainda com o evento em Munique é que lógica nao pode ser desenvolvida na base da tecnicalidade e aversao à discussao de fundamentos. Isto sufoca discussoes, torna avancos meras respostas a necessidades da ordem do dia, exibe muita fragilidade filosófica e afasta novas geracoes informadas. Neste sentido, boas iniciativas podem morrer de inanicao filosófica.

Acho que a provocacao maior dos dialeteístas é o silêncio. E isto nao é uma questao de quantidade de producao em ingles. Isto é uma questao de substância filosófica. A má-vontade internacional com a paraconsistência, digamos brasileira, cobre a incrível má-vontade de alguns lógicos brasileiros influentes com a filosofia. Isto é um tiro no pé. Este problema me ficou claro quando o John Woods defendeu, com razao, que "some develop logic because they can, and others because they must". Este "must" é claramente filosófico e está na base das tradicoes mais influentes em lógica nos últimos tempos, desde o logicismo do Frege até o Dialeteismo do Priest, passando pelo intuicionismo de Brouwer, o formalismo de Hilbert, a polivalencia de Lukasiewics, o construtivismo de Erlang, a deducao natural do Prawitz, a Lógica Universal do Beziau. E em certo sentido, isto também é o caso da paraconsistência do Da Costa. Todos têm reconhecidamente um profundo respeito pela tradicao (filosófica), mesmo quando vao contra ela.

Certas ou erradas, sao motivacoes filosóficas claras, simples e muitas vezes anárquicas, com muito potencial para desenvolvimentos técnicos. Ter o desenvolvimento técnico, sem alguma base filosófica, me parece artificial e insatisfatório e nao faz justica à histórica e extemamente seminal interface entre Filosofia e Lógica. Vai acabar nao tendo fôlego para vencer os desafios do tempo e de novas geracoes.

O nosso desafio é acomodar estas lógicas nao-clássicas em um todo integrado com claros statements filosóficos (mesmo que se revelem errados no futuro). Isto é o que o "Zeitgeist" está impondo à nossa geracao, dentre outras coisas: O que significa poder mudar de lógica de base? O que significa poder combinar lógicas? O que significa construir uma nova lógica e provar algo como a (in)compledude dela? Até onde faz sentido ter uma abordagem puramente sintática de linguagens? Em que medida lógicas sao dependentes de práticas de uma comunidade?

Eu realmente acho que isto nos impoe abandonar uma base realista em filosofia da lógica. Nocoes como condicoes de verdade, preservacao de verdade e modelos parecem terminantemente inadequadas para entender a revolucao que está acontecendo agora. A própria nocao de verdade está sendo desafiada há muito tempo. 

Se alguém de fato quiser se engajar com o projeto quixotesco de UMA lógica só, vai ter que pensar seriamente na possibilidade de a lógica clássica nao ser esta lógica. O pluralismo lógico é uma realidade e deve ser desenvolvido. A nocao de jogos e de informacao me parecem ser as mais promissoras para desenvolver esta nova "epistemologia".

Mais um ponto que acho relevante: compreendo que alguns sao, com certa razao, contra a imagem de uma lógica sendo associada a um país, como a paraconsistencia brasileira ou a lógica polonesa etc. Esta idéia de uma "lógica sem passaporte" é perigosa em funcao das profundas assimetrias históricas. Me parece no fundo cobrir uma ideologia liberal. Nao temos tradicao filosófica como a Alemanha, Franca etc. TEmos alguma autoridade agora, depois do trabalho duro e competente de alguns apesar de muitos e muitos problemas. Isto nos gera uma responsabilidade grande: continuidade (com fôlego filosófico!). Nossa opiniao está finalmente sendo ouvida em diferentes setores, porque velhas saídas estao saturadas. "Ventos do norte nao movem moinhos". Isto é um momentum histórico. Tem que ser aproveitado. Temos que ajudar da melhor forma construir esta comunidade brasileira filosoficamente informada. Se nao pensarmos em uma comunidade onde novos vao ser educados para estes novos desafios e práticas, esta "boa vontade" internacional vai morrer quando os poucos que se aventuram nos desafios da internacionalidade se cansarem. Assim esforcos vao ser, infelizmente, perdidos. Eu sou a favor de se abracar a nocao de comunidade brasileira, sim, e de ocupar todo e qualquer espaco que nos for dado. Política de ocupacao! Mas a gente tem que se articular melhor para que interesses possam convergir e esforcos nao se percam.

Desculpem-me por escrever tanto. Estes ultimos meses têm sido fascinantes para mim. Venho apredendo muito.

Liebe Grüße,
Marcos Silva


Décio Krause

unread,
Jun 16, 2014, 8:34:26 PM6/16/14
to logi...@dimap.ufrn.br
Marcos’
Sobre o dialeteísmo, conheço o que está no review em anexo…


Kra_PriestReview.pdf

Marcos Silva

unread,
Jun 17, 2014, 7:41:02 AM6/17/14
to logical logical, Décio Krause
Obrigado, Décio. Vou ler com atencao a sua resenha.
abraco,
Marcos


2014-06-17 2:34 GMT+02:00 Décio Krause <decio...@gmail.com>:
Marcos’
Sobre o dialeteísmo, conheço o que está no review em anexo…



--
Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "LOGICA-L" dos Grupos do Google.

Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, envie um e-mail para logica-l+u...@dimap.ufrn.br.
Para postar neste grupo, envie um e-mail para logi...@dimap.ufrn.br.
Visite este grupo em http://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/group/logica-l/.
Para ver esta discussão na web, acesse https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/7E2F7285-5F7E-4B37-8D44-CC864DA5D960%40gmail.com.


________________________

Décio Krause
Departamento de Filosofia
Universidade Federal de Santa Catarina
________________________





Marcos Silva

unread,
Jun 19, 2014, 5:47:23 AM6/19/14
to logical logical, Décio Krause
Olá, Décio,

eu li a sua resenha de 2008 sobre o "Doubt Truth to Be a Liar" do Priest. Muito obrigado por ter me enviado por esta lista. Eu de fato nao a conhecia.

Eu admiro muito o seu trabalho e respeito muito a sua lideranca nesta comunidade "lógico-filosófica" no Brasil. Mas devo confessar que fiquei decepcionado com a sua resenha. Sobretudo, pelo tom dela. Eu tenho muito pouca experiência ainda, mas poucas vezes eu vi um tema com tanto potencial filosófico para articular seminalmente matemática, lógica, filosofia e história ser tratado de maneira tao polarizada. E isto me chateia. Voce é figura influente, nao deveria estimular esta polarizacao. Nao sei no que isto ajuda. Eu ainda acho que em verdade este "embate direto" atrapalha no final das contas, por acabar insularizando a discussao da "paraconsistencia brasileira" no Brasil e outros países da América Latina. Tudo acaba ficando local demais e pode afastar novas geracoes. Eu acho que tentar evitar esta polarizacao é essencial para nao condenar, no longo prazo, a continuidade e sobrevida de escolas por uma espécie de inanicao filosófica.

Alguma discussao foi de fato avancada depois da sua resenha? Acho que ela deve ter servido, dentre outras coisas, para subir o tom da discussao. Ela motivou de fato alguma resposta do Priest e de outros dialeteístas? Se sim, voce poderia me dar as referências?

Achei os dois ultimos parágrafos da sua resenha excessivos. Em certo sentido, esta espécie de "exortacao" ao Priest para uma réplica deve ter sido recebida, se é que foi recebida, como uma espécie de "declaracao de guerra". Mesmo que voce tenha defendido que o livro é, sim, relevante para discussoes sobre trivialismo, formalismos, racionalidade e revisao da emergência de lógicas nao clássicas, eu acredito que ao invés de estimular a réplica, deve ter afastado a possibilidade de diálogo. Este "tom acima" da sua resenha (com muita ironia em algumas partes) acaba por esvaziar um pouco seus pontos de crítica, muito relevantes e contundentes, com os quais eu concordo em maioria, como: leitura anacrônica de Aristoteles; a ausência de um claro "statement" do que seria o LNC; a falta de uma precisa caracterizacao das tais dialeteias; e críticas ao monismo do Priest. 

Quanto às tais contradicoes verdadeiras: eu acho isto tao abusivo e desencaminhador quanto defender tautologias falsas. Entretanto, o ponto positivo do Priest, o que torna a leitura atraente para novas geracoes, é nao só uma boa-vontade com filosofia mas a tentatva clara de articular aspectos técnicos com diálogo direto com filosofos influentes como Hegel, Meinong, Heráclito etc. (mesmo que equivocadamente). Ele está procurando o diálogo com a tradicao para desenvolver os fundamentos (mesmo que errados) das suas "novidades". Eu e muitos outros sentimos falta destas tentativas na "escola brasileira", que em muitas vezes adota uma postura de combate e/ou negligência com filosofia.
 
Em minha opiniao de leigo-curioso, algo está errado nesta discussao toda de paraconsistência. Nao só como a história da paraconsistência está sendo contada, mas mais como está sendo construída hoje em dia. Neste sentido, eu realmente acho o evento de Munique do Verdee e do Andreas um marco muito positivo. Este tipo de iniciativa mais plural e tolerante, integrando filosofia e técnica, deveria ser mais motivada no Brasil. Sem polarizacoes. 

Os próximos vinte anos vao ser muito importantes para determinar o que vai ter fôlego (filosófico).

Espero que nao me leve a mal, Décio. Repito admiro muito o seu trabalho!

abraco,
Marcos

PS. Olá, Tony, agora que eu vi o seu email anterior. As vezes eu me perco nesta selva de emails que a gente recebe. Concordo com boa parte das suas observacoes, outras nao, mas já escrevi demais por agora...

Joao Marcos

unread,
Jun 19, 2014, 8:42:26 AM6/19/14
to Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de LOGICA
Olá, Marcos:

Parabéns pela iniciativa de comentar aqui na lista sobre os últimos
eventos dos quais participou. Isto pode ser muito útil para boa parte
da comunidade, que não tem a oportunidade de estar presente em tais
eventos. Além do mais, é sempre extremamente saudável, do ponto de
vista filosófico, debater impressões e opiniões, e propor
interpretações. Permita-me de todo modo discordar aqui e ali do seu
relatório, já que por acaso estive nos mesmos eventos em Roma e
Munique, e a minha experiência me sugeriria em vários dos pontos que
você levantou uma leitura diferente da sua.

> uma coisa que me ficou claro nestes ultimos meses e mais ainda com o evento
> em Munique é que lógica nao pode ser desenvolvida na base da tecnicalidade e
> aversao à discussao de fundamentos. Isto sufoca discussoes, torna avancos
> meras respostas a necessidades da ordem do dia, exibe muita fragilidade
> filosófica e afasta novas geracoes informadas. Neste sentido, boas
> iniciativas podem morrer de inanicao filosófica.

Permita-me acrescer dois pontos:

(1) Desenvolver aspectos técnicos em Lógica não se opõe diagonalmente
à discussão de Fundamentos. De fato, hoje em dia qualquer discussão
sobre fundamentos sói ser, por default (por defeito?), profundamente
técnica.

(2) Dizer que a Lógica "não pode ser desenvolvida" desta ou daquela
maneira soa como dizer, por exemplo, que "a arte não pode ser
desenvolvida sem engajamento político". Há muita Lógica interessante
e importante sendo desenvolvida fora do contexto filosófico, e muita
arte de boa qualidade que é gestada para além de compromissos
políticos circunstanciais.

Dito isto, estou de acordo com você sobre o contrassenso que é
trabalhar com lógica filosófica relegando a própria contraparte
filosófica da mesma a segundo plano. Por outro lado, também acredito
que muitas vezes é preciso saber ler nas entrelinhas, já que há muito
sobre o que "não se pode falar". Além disso, muitos desenvolvimentos
técnicos (aqueles que realmente transcendem o nosso tempo?), se não
chegam a ser "filosoficamente neutros", são suficientemente flexíveis
para se ajustarem a várias leituras filosóficas diferentes, algumas
vezes até razoavelmente incompatíveis.

> Acho que a provocacao maior dos dialeteístas é o silêncio. E isto nao é uma
> questao de quantidade de producao em ingles. Isto é uma questao de
> substância filosófica. A má-vontade internacional com a paraconsistência,
> digamos brasileira, cobre a incrível má-vontade de alguns lógicos
> brasileiros influentes com a filosofia. Isto é um tiro no pé.

Concordo que a Escola Brasileira é responsável em parte por criar esta
má-vontade contra si mesma --- uma lebre que você levantou também na
sua análise do review feito pelo Décio do livro do Priest. De uma
maneira ou de outra, não é de supreender que compromissos
programáticos feitos a priori turvem a visão dos humanos neles
envolvidos.

> Este problema me ficou claro quando o John Woods defendeu, com razao,
> que "some develop logic because they can, and others because they must".

Falamos pessoalmente a respeito disso em Roma. Soou bem a frase do
Woods, mas teria sido melhor ainda se ele tivesse defendido melhor,
por exemplo, o "Grund" pelo qual ele agora achava um "must" trabalhar
pela "inconsistency robustness" com uma justificativa melhor do que o
fato de ele ter sido cooptado como "invited speaker" para uma
conferência sobre este tema neste mesmo verão.

> Este "must" é
> claramente filosófico e está na base das tradicoes mais influentes em lógica
> nos últimos tempos, desde o logicismo do Frege até o Dialeteismo do Priest,
> passando pelo intuicionismo de Brouwer, o formalismo de Hilbert, a
> polivalencia de Lukasiewics, o construtivismo de Erlang, a deducao natural
> do Prawitz, a Lógica Universal do Beziau. E em certo sentido, isto também é
> o caso da paraconsistência do Da Costa. Todos têm reconhecidamente um
> profundo respeito pela tradicao (filosófica), mesmo quando vao contra ela.
>
> Certas ou erradas, sao motivacoes filosóficas claras, simples e muitas vezes
> anárquicas, com muito potencial para desenvolvimentos técnicos. Ter o
> desenvolvimento técnico, sem alguma base filosófica, me parece artificial e
> insatisfatório e nao faz justica à histórica e extemamente seminal interface
> entre Filosofia e Lógica. Vai acabar nao tendo fôlego para vencer os
> desafios do tempo e de novas geracoes.

Você tem razão. De todo modo, uma educação formal mínima é
pressuposta para a compreensão de como o desenvolvimento técnico pode
afetar a apreciação filosófica de seu próprio alcance. Claramente,
todos os autores que você citou demonstraram ao longo de suas
carreiras possuir tal educação formal, e partilham este interesse
legitimamente filosófico. Isto não ocorre, contudo, em tantos outros
autores, que apresentam deficiências de formação técnica ou
desinteresse por aquilo que não é puramente técnico. Alguns
representantes desta segunda classe estavam presentes no evento em
Munique, por exemplo. Mas não acho que se deve condenar alguém por
ser míope ; ao invés, mais vale ajudá-lo a enxergar melhor!

> O nosso desafio é acomodar estas lógicas nao-clássicas em um todo integrado
> com claros statements filosóficos (mesmo que se revelem errados no futuro).
> Isto é o que o "Zeitgeist" está impondo à nossa geracao, dentre outras
> coisas: O que significa poder mudar de lógica de base? O que significa poder
> combinar lógicas? O que significa construir uma nova lógica e provar algo
> como a (in)compledude dela? Até onde faz sentido ter uma abordagem puramente
> sintática de linguagens? Em que medida lógicas sao dependentes de práticas
> de uma comunidade?

Você levanta questões importantes aqui, cuja plena compreensão
pressupõe saber em que consiste "construir uma nova lógica" ou
"demonstrar sua incompletude", bem como um acordo sobre o que
significa "uma abordagem puramente sintática" --- são todas questões
(técnicas) que valem a pena ser debatidas!

> Eu realmente acho que isto nos impoe abandonar uma base realista em
> filosofia da lógica. Nocoes como condicoes de verdade, preservacao de
> verdade e modelos parecem terminantemente inadequadas para entender a
> revolucao que está acontecendo agora. A própria nocao de verdade está sendo
> desafiada há muito tempo.
>
> Se alguém de fato quiser se engajar com o projeto quixotesco de UMA lógica
> só, vai ter que pensar seriamente na possibilidade de a lógica clássica nao
> ser esta lógica. O pluralismo lógico é uma realidade e deve ser
> desenvolvido. A nocao de jogos e de informacao me parecem ser as mais
> promissoras para desenvolver esta nova "epistemologia".

Sobre isto já conversamos pessoalmente, estes dias, e não vou me
alongar sobre o assunto aqui. Você sabe que eu tenho proposto
alternativas à noção de "preservação de verdade" há algum tempo, e que
as minhas motivações vão diretamente contra o establishment (embora eu
não as classifique exatamente como "anárquicas"). Não precisamos
todos concordar inteiramente, todavia, sobre questões como o impacto
(ou a ausência de impacto) ontológico, epistemológico ou metafísico de
uma dada noção de Lógica. Consigo de todo modo imaginar vários outros
motivos menos canônicos pelos quais alguém desenvolveria novas lógicas
para além do imperativo ("must") que você citou antes: porque é
divertido, porque é bonito, porque é desafiante, porque é sexy, porque
faz parte de uma certa Lebensform...

> Mais um ponto que acho relevante: compreendo que alguns sao, com certa
> razao, contra a imagem de uma lógica sendo associada a um país, como a
> paraconsistencia brasileira ou a lógica polonesa etc. Esta idéia de uma
> "lógica sem passaporte" é perigosa em funcao das profundas assimetrias
> históricas. Me parece no fundo cobrir uma ideologia liberal. Nao temos
> tradicao filosófica como a Alemanha, Franca etc. TEmos alguma autoridade
> agora, depois do trabalho duro e competente de alguns apesar de muitos e
> muitos problemas. Isto nos gera uma responsabilidade grande: continuidade
> (com fôlego filosófico!). Nossa opiniao está finalmente sendo ouvida em
> diferentes setores, porque velhas saídas estao saturadas. "Ventos do norte
> nao movem moinhos". Isto é um momentum histórico. Tem que ser aproveitado.
> Temos que ajudar da melhor forma construir esta comunidade brasileira
> filosoficamente informada. Se nao pensarmos em uma comunidade onde novos vao
> ser educados para estes novos desafios e práticas, esta "boa vontade"
> internacional vai morrer quando os poucos que se aventuram nos desafios da
> internacionalidade se cansarem. Assim esforcos vao ser, infelizmente,
> perdidos. Eu sou a favor de se abracar a nocao de comunidade brasileira,
> sim, e de ocupar todo e qualquer espaco que nos for dado. Política de
> ocupacao! Mas a gente tem que se articular melhor para que interesses possam
> convergir e esforcos nao se percam.

Você não estará sendo parcial, neste caso? Por curiosidade, no
congresso mundial de paraconsistência em Toulouse, há mais de dez
anos, a minha apresentação terminava justamente com a provocação: "so,
what next? to require a visa for some logics to travel from one place
to another?" Penso que esta é justamente uma consequência deletéria
da tal divisão "por escolas", e me parece que a sua própria
argumentação acima poderia ser usada para chegar à conclusão
diametralmente oposta, a saber, que as lógicas NÃO deveriam ser
associadas a este ou aquele país. Quando cheguei a Munique há duas
semanas escutei um par de piadinhas informais sobre a "escola
brasileira", e sobre paraconsistência em geral ; após a minha palestra
no MCMP (que não tratou de paraconsistência) e o evento de
paraconsistência na semana seguinte o que escutei foram elogios acerca
da qualidade dos trabalhos que apresentei (serei talvez um mau
representante da Escola Brasileira?), e recebi vários convites para
aprofundamento do diálogo.

O trabalho (de proporções demasiado modestas, de fato) de toda a minha
vida tem sido uma tentativa de contribuir para o *esclarecimento
conceitual* construído a partir de certos desenvolvimentos (técnicos).
Se na realidade temos alguns colegas que não dão a devida atenção ao
nosso trabalho, interpretam-no de maneira equivocada ou parcial, ou
insistem em mitos (técnicos) que vão contra todas as evidências
(técnicas), então o que nos resta a fazer é continuar trabalhando e
colocando o dedo na ferida. "So it goes."

Um bom filósofo é ao mesmo tempo herdeiro de uma tradição e o criador
de sua própria escola. Não vejo nada de "liberal" nisto (nem no
sentido tupiniquim nem no sentido ianque do termo "liberal").

> Desculpem-me por escrever tanto. Estes ultimos meses têm sido fascinantes
> para mim. Venho apredendo muito.

Seguimos todos aprendendo muito! E sempre resta muito o que aprender!
Joao Marcos

Marcelo Finger

unread,
Jun 19, 2014, 10:32:17 AM6/19/14
to logi...@dimap.ufrn.br
> por default (por defeito?)

Por falência ?

Por fracasso ?

Pela inexistência de prova em contrário ? (abr: ipeco, pronúncia : i-pé-co )

Taí, por ipeco!

Vamos criar um fórum para discutir Lógicas de Ipeco.

[]s

Marcelo
> --
> Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "LOGICA-L" dos Grupos do Google.
> Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, envie um e-mail para logica-l+u...@dimap.ufrn.br.
> Para postar neste grupo, envie um e-mail para logi...@dimap.ufrn.br.
> Visite este grupo em http://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/group/logica-l/.
> Para ver esta discussão na web, acesse https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CAO6j_LhEbWgXsN3xoZTGBww8yOht00H9tehPmyw_GGK1zj%2BKgg%40mail.gmail.com.
>



--
Marcelo Finger
Departament of Computer Science, IME
University of Sao Paulo
http://www.ime.usp.br/~mfinger

Walter Carnielli

unread,
Jun 19, 2014, 10:40:03 AM6/19/14
to Lista dos Logicos Brasileiros
"por falha" Mr. Finger! :-)

W.
> Para ver esta discussão na web, acesse https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CABqmzx1LN-y-vCkKKfnTseVtbCLx0mH_s3xbEbp13cVFkpJyiw%40mail.gmail.com.



--
-----------------------------------------------
Prof. Dr. Walter Carnielli
Director
Centre for Logic, Epistemology and the History of Science – CLE
State University of Campinas –UNICAMP
13083-859 Campinas -SP, Brazil
Phone: (+55) (19) 3521-6517
Fax: (+55) (19) 3289-3269
Institutional e-mail: walter.c...@cle.unicamp.br
Website: http://www.cle.unicamp.br/prof/carnielli

Marcelo Finger

unread,
Jun 19, 2014, 11:25:43 AM6/19/14
to logi...@dimap.ufrn.br
> "por falha" Mr. Finger! :-)
>
> W.

Por falha do quê?

E se v for estudas a Lógica das Falhas, o que é que v está estudando?
Pior, quem vai querer estudar Raciocínio por Falhas!

Sou mais Ipeco e não abro :-)

[]s
> Centre for Logic, Epistemology and the History of Science - CLE
> State University of Campinas -UNICAMP
> 13083-859 Campinas -SP, Brazil
> Phone: (+55) (19) 3521-6517
> Fax: (+55) (19) 3289-3269
> Institutional e-mail: walter.c...@cle.unicamp.br
> Website: http://www.cle.unicamp.br/prof/carnielli
>
> --
> Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "LOGICA-L" dos Grupos do Google.
> Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, envie um e-mail para logica-l+u...@dimap.ufrn.br.
> Para postar neste grupo, envie um e-mail para logi...@dimap.ufrn.br.
> Visite este grupo em http://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/group/logica-l/.
> Para ver esta discussão na web, acesse https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CA%2Bob58PmTW3yFVsoh1w3E9wyWw9DfStK0-xBh99TZyFZ4R%3Dvyg%40mail.gmail.com.

Famadoria

unread,
Jun 19, 2014, 10:48:11 PM6/19/14
to logi...@dimap.ufrn.br
By default: na falta de alternativa.

Sent from my iPhone
> Para ver esta discussão na web, acesse https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CABqmzx15QhZWcEUcqxKqM5MbuimXJ59O5HTZUOQ_HXGXw_LtCw%40mail.gmail.com.

Valeria de Paiva

unread,
Jun 19, 2014, 11:42:32 PM6/19/14
to Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de LOGICA
alo Joao Marcos e Marcos,


>> O nosso desafio é acomodar estas lógicas nao-clássicas em um todo integrado
>> com claros statements filosóficos (mesmo que se revelem errados no futuro).
>> Isto é o que o "Zeitgeist" está impondo à nossa geracao, dentre outras
>> coisas: O que significa poder mudar de lógica de base? O que significa poder
>> combinar lógicas? O que significa construir uma nova lógica e provar algo
>> como a (in)compledude dela? Até onde faz sentido ter uma abordagem puramente
>> sintática de linguagens? Em que medida lógicas sao dependentes de práticas
>> de uma comunidade?

>Você levanta questões importantes aqui, cuja plena compreensão
>pressupõe saber em que consiste "construir uma nova lógica" ou
>"demonstrar sua incompletude", bem como um acordo sobre o que
>significa "uma abordagem puramente sintática" --- são todas questões
>(técnicas) que valem a pena ser debatidas!

Pois e', concordo plenamente com o Joao Marcos. questoes tecnicas, que devem ser debatidas.
questoes tecnicas pra serem resolvidas no contexto de  abordagens bem definidas.

e nao, no que me concerne  logica nao precisa de passaporte nao e se 'logica brasileira' 'e logica paraconsistente, eu nao quero fazer logica brasileira, quero fazer logica de Prawitz, logica sueca?..
 nao vai funcionar, Martin-Loef tb 'e sueco.

mas tb concordo com

>Seguimos todos aprendendo muito!  E sempre resta muito o que aprender!

[]s
Valeria



--
Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "LOGICA-L" dos Grupos do Google.

Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, envie um e-mail para logica-l+u...@dimap.ufrn.br.
Para postar neste grupo, envie um e-mail para logi...@dimap.ufrn.br.
Visite este grupo em http://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/group/logica-l/.

Marcos Silva

unread,
Jun 21, 2014, 7:46:52 AM6/21/14
to logical logical, valeria...@gmail.com, Joao Marcos
Olá, Joao e Valéria
obrigado pelos seus comentários. Eu aprendo bastante com estas trocas. Esta lista promove bem isto.

Mais alguns comentários e eu paro, certamente voces têm coisas mais importantes para fazer. :)

1) sobre a logica nao poder ser desenvolvida sem filosofia e sem preocupacao sobre fundamentos. Claro que nao precisa se coisas forem pouco ambiciosas. Aliás esta sugestao de desenvolver formalismos porque é sexy foi puzzling para mim, Joao... :) Mas se de fato se quiser desenvolver uma Escola com fôlego para vencer geracoes sem morrer quando alguns se aposentarem ou se realmente tivermos pretensao que algo se torne um player internacional, acho que temos que ter um círculo forte em volta, um grupo plural e tolerante com filosofia (o que o Prawitz faz muito bem por sinal!). Neste sentido, meu ponto é que filosofia tem que ser fomentada, sempre. A distincao entre técnica e filosofia é muito mais porosa do que a gente usualmente acredita (e quer aceitar). Muitas coisas que pensamos serem "secularizadas" tem muita assuncao metafísica e filosófica escondida e operando como princípio regulativo. Por um lado, nao ter um caracterizacao clara ou precisa nunca foi impedimento para criacao de filosofias e escolas novas, por exemplo, vai entender o que Brouwer entendia por construcao mental no bizarro solipsismo dele, ou Hegel com o Geist que motivou e motiva "lógicas" e influiu profundamente o século XX, ou que Wittgenstein queria dizer com o provocativamente elusivo jogo de linguagem mas que influiu diretamente, por exemplo, o Erlanger Konstruktivismus. Alguns formalismos de hoje em dia feitos para responder demandas da ordem do dia  vao "morrer" em algumas décadas (se nao nascerem póstumos), mas estas "obscuridades filosóficas" como a de Brouwer, de Wittgenstein e de Hegel, por exemplo, ainda vao estar motivando muita gente por muitos séculos. Por outro lado, acho que o tal dialeteísmo está abusando. Nao ter um exemplo convincente do que seja contradicao verdadeira é um sinal que contradicoes só fazem sentido mesmo definidas no interior de sistemas formais. A la Dennet: The contradiction delusion! Muitas coisas que sao pensadas como contradicao em verdade nao sao, como o O. Bueno mostra bem nos trabalhos dele (sobre limitacao de domínio de aplicacao em ciências ou equivocacao de termos) e o J.Y. Beziau defendeu, por exemplo, no nosso Panel com o Ingolf Max em Fortaleza sobre formas da negacao: muitos exemplos de inconsistência sao exemplos de contrariedade e nao de contradicao.

2) A disputa histórica de quem criou uma idéia, um formalismo ou uma técnica nao desempenha papel relevante nenhum nas discussoes para o desenvolvimento e consolidacao de escolas e/ou comunidades. Isto nao foi ponto em Munique em momento nenhum. Lá, Priest foi muito criticado pela fragilidade filosófica do uso indiscriminada que faz de teoria dos modelos em sua matemática. O Berto fez uma apresentacao pífia na base do "se temos um problema filosófico, introduzimos um novo conceito e um operador novo!" Muito ad hoc e artificial. Mas eles estao tentando articular coisas técnicas com filosofia. Isto é atraente para novas geracoes. Aqui está o perigo grave: Existe uma geracao inteira agora sendo educada nos EUA e Europa pensando que paraconsistencia é dialeteísmo. Esta geracao será formadora de opiniao nas próximas décadas. Isto vai gerar um efeito cumulativo difícil de reverter. Discussao histórica sobre pionerismo e embates diretos certamente nao vao reverter isto. A estratégia deve ser mudada para dar fôlego filosófico para as LFIs. Mais uma vez: o problema nao é como a história está sendo contada, mas como está sendo feita hoje.

3) Sobre a questao do lógico sem passaporte. Nao defendo que lógico brasileiro seja paraconsistente. Ou que paraconsistencia deva ser brasileira. Nao tenho uma posicao definitiva sobre isto. Vejo a relevancia do ponto do Joao e da Valéria, mas tenho receio quanto ao esvaziamento de uma identidade nacional. Há uma assimetria grave histórica e social sendo overlooked. Nao temos história como suécia, alemanha, inglaterra, franca etc. têm. Tudo está sendo conquistado lentamente e muito duro no Brasil. Nós temos responsabilidades para promover novas geracoes de lógicos e filósofos no Brasil, senao esforcos vao ser perdidos. Temos que promover oportunidades que nos tivemos. Vita brevis Ars longa. Joao e Valéria estao certamente fazendo bons trabalhos, mas precisam de colegas e alunos para desenvolver coisas. Isto tem que se fomentado para melhores resultados no longo prazo. 

Desculpem-me. Venho lendo muito Brandom ultimamente, o que me deixa meio hegeliano als Nebenwirkung.

Agora eu parei. :)

abraco,
Marcos


--
Você recebeu essa mensagem porque está inscrito no grupo quot;LOGICA-L" dos Grupos do Google.

Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, envie um e-mail para logica-l+u...@dimap.ufrn.br.

Itala M. Loffredo D'Ottaviano

unread,
Jun 23, 2014, 12:56:16 AM6/23/14
to logi...@dimap.ufrn.br
Décio:

O Marcos Silva é recém doutorado, inteligente e muito bem intencionado.
Mas não sei de onde tirou a análise que está fazendo!
Creio que há, sim, falta de maturidade e desconhecimento de nossa história e
de nossas relações acadêmicas.

Itala
> Marcos’
> Sobre o dialeteísmo, conheço o que está no review em anexo…
>
>
>
> ________________________
>
> Décio Krause
> Departamento de Filosofia
> Universidade Federal de Santa Catarina
> www.cfh.ufsc.br/~dkrause
> ________________________
>
>
>
>
>
> Em 16/06/2014, à(s) 07:43, Marcos Silva <marcos...@gmail.com> escreveu:
>
>> https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CAGZ3pzJ-oUytjvhhLDbmpDieY4Hmb%2BCc%3DBOTDgvWfYgGuwFVwQ%40mail.gmail.com.
>
> --
> Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "LOGICA-L" dos
> Grupos do Google.
> Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, envie um
> e-mail para logica-l+u...@dimap.ufrn.br.
> Para postar neste grupo, envie um e-mail para logi...@dimap.ufrn.br.
> Visite este grupo em http://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/group/logica-l/.
> Para ver esta discussão na web, acesse
> https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/7E2F7285-5F7E-4B37-8D44-CC864DA5D960%40gmail.com.
> <html><head><meta http-equiv="Content-Type" content="text/html
> charset=iso-8859-1"></head><body style="word-wrap: break-word;
> -webkit-nbsp-mode: space; -webkit-line-break: after-white-space;"><div><div
> apple-content-edited="true"><div style="color: rgb(0, 0, 0); letter-spacing:
> normal; orphans: auto; text-align: start; text-indent: 0px; text-transform:
> none; white-space: normal; widows: auto; word-spacing: 0px;
> -webkit-text-stroke-width: 0px; word-wrap: break-word; -webkit-nbsp-mode:
> space; -webkit-line-break: after-white-space;"><div style="font-variant:
> normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align:
> -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal;
> widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-stroke-width: 0px; word-wrap:
> break-word; -webkit-nbsp-mode: space; -webkit-line-break:
> after-white-space;"><div style="font-variant: normal; letter-spacing: normal;
> line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px;
> text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px;
> -webkit-text-stroke-width: 0px; word-wrap: break-word; -webkit-nbsp-mode:
> space; -webkit-line-break: after-white-space;"><div style="font-family:
> Helvetica; font-weight: normal; color: rgb(0, 0, 0); font-style: normal;"><br
> class="Apple-interchange-newline">________________________</div><div><font
> color="#296bff" size="2"><i><br></i></font></div><div><i><font
> color="#296bff">Décio Krause</font></i></div><div style="font-family:
> Helvetica; font-weight: normal;"><i><font color="#296bff">Departamento de
> Filosofia</font></i></div><div style="font-family: Helvetica; font-weight:
> normal;"><i><font color="#296bff">Universidade Federal de Santa
> Catarina</font></i></div><div style="font-family: Helvetica; font-weight:
> normal;"><i><font color="#296bff"><a
> href="http://www.cfh.ufsc.br/~dkrause">www.cfh.ufsc.br/~dkrause</a></font></i></div><div
> style="font-family: Helvetica; font-weight: normal;"><span style="text-align:
> -webkit-auto;">________________________</span></div><div style="font-family:
> Helvetica; font-weight: normal; color: rgb(0, 0, 0); font-style:
> normal;"><br></div></div><br class="Apple-interchange-newline"></div><br
> class="Apple-interchange-newline" style="color: rgb(0, 0, 0); font-family:
> Helvetica; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal;
> letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align:
> -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal;
> widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-stroke-width: 0px;"><br
> class="Apple-interchange-newline" style="color: rgb(0, 0, 0); font-family:
> Helvetica; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal;
> letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align:
> -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal;
> widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-stroke-width: 0px;"></div>
> </div>
> <br><div><div>Em 16/06/2014, à(s) 07:43, Marcos Silva &lt;<a
> href="mailto:marcos...@gmail.com">marcos...@gmail.com</a>&gt;
> escreveu:</div><br class="Apple-interchange-newline"><blockquote
> type="cite"><div dir="ltr">Olá, Abílio e Décio,<div><br><div>uma coisa que me
> ficou claro nestes ultimos meses e mais ainda com o evento em Munique é que
> lógica nao pode ser desenvolvida na base da tecnicalidade e aversao à
> discussao de fundamentos. Isto sufoca discussoes, torna avancos meras
> respostas a necessidades da ordem do dia, exibe muita fragilidade filosófica e
> afasta novas geracoes informadas. Neste sentido, boas iniciativas podem morrer
> de inanicao filosófica.</div>
> <div><br></div><div>Acho que a provocacao maior dos dialeteístas é o silêncio.
> E isto nao é uma questao de quantidade de producao em ingles. Isto é uma
> questao de substância filosófica. A má-vontade internacional com a
> paraconsistência, digamos brasileira, cobre a incrível má-vontade de alguns
> lógicos brasileiros influentes com a filosofia. Isto é um tiro no pé. Este
> problema me ficou claro quando o John Woods defendeu, com razao, que "some
> develop logic because they can, and others because they must". Este "must" é
> claramente filosófico e está na base das tradicoes mais influentes em lógica
> nos últimos tempos, desde o logicismo do Frege até o Dialeteismo do Priest,
> passando pelo intuicionismo de Brouwer, o formalismo de Hilbert, a
> polivalencia de Lukasiewics, o construtivismo de Erlang, a deducao natural do
> Prawitz, a Lógica Universal do Beziau. E em certo sentido, isto também é o
> caso da paraconsistência do Da Costa. Todos têm reconhecidamente um profundo
> respeito pela tradicao (filosófica), mesmo quando vao contra ela.</div>
> <div><br></div><div>Certas ou erradas, sao motivacoes filosóficas claras,
> simples e muitas vezes anárquicas, com muito potencial para desenvolvimentos
> técnicos. Ter o desenvolvimento técnico, sem alguma base filosófica, me parece
> artificial e insatisfatório e nao faz justica à histórica e extemamente
> seminal interface entre Filosofia e Lógica. Vai acabar nao tendo fôlego para
> vencer os desafios do tempo e de novas geracoes.</div>
> <div><br></div><div>O nosso desafio é acomodar estas lógicas nao-clássicas em
> um todo integrado com claros statements filosóficos (mesmo que se revelem
> errados no futuro). Isto é o que o "Zeitgeist" está impondo à nossa geracao,
> dentre outras coisas: O que significa poder mudar de lógica de base? O que
> significa poder combinar lógicas? O que significa construir uma nova lógica e
> provar algo como a (in)compledude dela? Até onde faz sentido ter uma abordagem
> puramente sintática de linguagens? Em que medida lógicas sao dependentes de
> práticas de uma comunidade?</div>
> <div><br></div><div>Eu realmente acho que isto nos impoe abandonar uma base
> realista em filosofia da lógica. Nocoes como condicoes de verdade, preservacao
> de verdade e modelos parecem terminantemente inadequadas para entender a
> revolucao que está acontecendo agora. A própria nocao de verdade está sendo
> desafiada há muito tempo.&nbsp;</div>
> <div><br></div><div>Se alguém de fato quiser se engajar com o projeto
> quixotesco de UMA lógica só, vai ter que pensar seriamente na possibilidade de
> a lógica clássica nao ser esta lógica. O pluralismo lógico é uma realidade e
> deve ser desenvolvido. A nocao de jogos e de informacao me parecem ser as mais
> promissoras para desenvolver esta nova "epistemologia".</div>
> <div><br></div><div>Mais um ponto que acho relevante: compreendo que alguns
> sao, com certa razao, contra a imagem de uma lógica sendo associada a um país,
> como a paraconsistencia brasileira ou a lógica polonesa etc. Esta idéia de uma
> "lógica sem passaporte" é perigosa em funcao das profundas assimetrias
> históricas. Me parece no fundo cobrir uma ideologia liberal. Nao temos
> tradicao filosófica como a Alemanha, Franca etc. TEmos alguma autoridade
> agora, depois do trabalho duro e competente de alguns apesar de muitos e
> muitos problemas. Isto nos gera uma responsabilidade grande: continuidade (com
> fôlego filosófico!). Nossa opiniao está finalmente sendo ouvida em diferentes
> setores, porque velhas saídas estao saturadas. "Ventos do norte nao movem
> moinhos". Isto é um momentum histórico. Tem que ser aproveitado. Temos que
> ajudar da melhor forma construir esta comunidade brasileira filosoficamente
> informada. Se nao pensarmos em uma comunidade onde novos vao ser educados para
> estes novos desafios e práticas, esta "boa vontade" internacional vai morrer
> quando os poucos que se aventuram nos desafios da internacionalidade se
> cansarem. Assim esforcos vao ser, infelizmente, perdidos. Eu sou a favor de se
> abracar a nocao de comunidade brasileira, sim, e de ocupar todo e qualquer
> espaco que nos for dado. Política de ocupacao! Mas a gente tem que se
> articular melhor para que interesses possam convergir e esforcos nao se
> percam.</div>
> <div><br></div><div>Desculpem-me por escrever tanto. Estes ultimos meses têm
> sido fascinantes para mim. Venho apredendo
> muito.</div><div><br></div><div>Liebe Grüße,</div><div>Marcos
> Silva</div><div><br></div><div><br></div>
> </div></div><div class="gmail_extra"><br><br><div
> class="gmail_quote">2014-06-15 17:20 GMT+02:00 Abílio <span dir="ltr">&lt;<a
> href="mailto:abilio.r...@gmail.com"
> target="_blank">abilio.r...@gmail.com</a>&gt;</span>:<br>
> <blockquote class="gmail_quote" style="margin:0 0 0 .8ex;border-left:1px #ccc
> solid;padding-left:1ex">tbem fiquei muito curioso, especialmente com o
> comentario sobre a<br>
> epistemologia das logicas nao classicas.<br>
> abracos<br>
> <br>
> <br>
> 2014-06-15 8:35 GMT-03:00 Marcos Silva &lt;<a
> href="mailto:marcos...@gmail.com">marcos...@gmail.com</a>&gt;:<br>
> <div class="HOEnZb"><div class="h5">&gt; Caros,<br>
> &gt;<br>
> &gt; o evento de paraconsistência em Munique (LMU, 11-13/6) foi de
> altíssimo<br>
> &gt; nível! Grande parte das apresentacoes foram de muito boa qualidade
> tecnica e<br>
> &gt; filosofica. Bom para ver o estado da arte das diferentes escolas. Acho
> que a<br>
> &gt; gente deveria promover este tipo de evento mais vezes no Brasil.<br>
> &gt;<br>
> &gt; Fiquei positivamente impressionado com os trabalhos do Otávio Bueno,
> David<br>
> &gt; Ripley, Zach Weber, Andreas Kapsner e Heinrich Wansing. Acho que a
> Itala<br>
> &gt; D'ottaviano e o Joao Marcos representaram competentemente a escola<br>
> &gt; brasileira respondendo à altura críticas (e provocacoes) dos
> dialeteístas.<br>
> &gt; Ficou claro em alguns momentos a fragilidade filosófica de algumas<br>
> &gt; abordagens. O que mostra que vamos ter, felizmente, ainda muito
> trabalho<br>
> &gt; pela frente no desafio de desenvolver uma "epistemologia" de logicas<br>
> &gt; nao-clássicas.<br>
> &gt;<br>
> &gt; A organizacao e extrema gentileza do Peter Verdee e do Holger Andreas
> foram<br>
> &gt; também um highlight.<br>
> &gt;<br>
> &gt; A propósito, lá &nbsp;a Maria Martinez (UNAM) me pediu para divulgar
> a<br>
> &gt; convocatória abaixo. Acho de grande interesse para os (jovens)
> pesquisadores<br>
> &gt; brasileiros terem mais contato com os pesquisadores mexicanos,
> especialmente<br>
> &gt; porque a UNAM desempenha papel cada vez mais relevante em discussoes<br>
> &gt; internacionais em Filosofia. Além disso, sao muito engajados com a
> ALFAn.<br>
> &gt;<br>
> &gt; Liebe Grüße,<br>
> &gt; Marcos Silva<br>
> &gt;<br>
> &gt; _________<br>
> &gt;<br>
> &gt;<br>
> &gt; CALL FOR PAPERS<br>
> &gt;<br>
> &gt; The Institute of Philosophical Research of the National Autonomous<br>
> &gt;<br>
> &gt; University of Mexico (IIFs-UNAM) invites graduate students to submit
> to:<br>
> &gt;<br>
> &gt; The 1st IIFs-UNAM Philosophy Graduate Conference<br>
> &gt;<br>
> &gt; To be held on 19-20 February 2015, Mexico City<br>
> &gt;<br>
> &gt; KEYNOTE SPEAKER: STEWART SHAPIRO (OHIO STATE UNIVERSITY)<br>
> &gt;<br>
> &gt; We will consider submissions of high quality in any area of analytic<br>
> &gt; philosophy. Papers should not<br>
> &gt;<br>
> &gt; exceed 5000 words in length (excluding abstract and references), should
> be<br>
> &gt; prepared for blind<br>
> &gt;<br>
> &gt; review, and should be written and presented in English.<br>
> &gt;<br>
> &gt; SUBMISSION DEADLINE: Submitted papers must be received as no later than
> 30th<br>
> &gt;<br>
> &gt; (Accepted papers will be announced by 31st<br>
> &gt;<br>
> &gt; &nbsp;September 2014<br>
> &gt;<br>
> &gt; &nbsp;October 2014)<br>
> &gt;<br>
> &gt; All submissions must be prepared for blind review. Please send the
> following<br>
> &gt; as separate<br>
> &gt;<br>
> &gt; attachments in .doc or .pdf format to <a
> href="mailto:unam....@filosoficas.unam.mx">unam....@filosoficas.unam.mx</a>:<br>
> &gt;<br>
> &gt; I) A cover letter containing the following information:<br>
> &gt;<br>
> &gt; - The topic area(s) of the paper (e.g. metaphysics, epistemology,
> ethics,<br>
> &gt; etc.)<br>
> &gt;<br>
> &gt; - Contact information (e-mail, phone number, mailing address)<br>
> &gt;<br>
> &gt; II) The paper itself, with a title page containing the title of the
> paper<br>
> &gt; and an abstract of no more<br>
> &gt;<br>
> &gt; than 300 words. IMPORTANT: This file should be free of identifying<br>
> &gt; information.<br>
> &gt;<br>
> &gt; Further information can be found at <a
> href="http://www.filosoficas.unam.mx/"
> target="_blank">www.filosoficas.unam.mx</a><br>
> &gt;<br>
> &gt; All questions may be directed to <a
> href="mailto:unam....@filosoficas.unam.mx">unam....@filosoficas.unam.mx</a><br>
> &gt;<br>
> &gt; Organizers: Aliosha Barranco, Cristian Gutiérrez, María Martínez, José
> Ramón<br>
> &gt; Orrantia, Tatiana Salazar<br>
> &gt;<br>
> &gt; -------------------------------------------------------<br>
> &gt;<br>
> &gt; CONVOCATORIA<br>
> &gt;<br>
> &gt; El Instituto de Investigaciones Filosóficas de la Universidad
> Nacional<br>
> &gt;<br>
> &gt; Autónoma de México convoca a todos los estudiantes de posgrado<br>
> &gt;<br>
> &gt; interesados a la:<br>
> &gt;<br>
> &gt; 1era Conferencia de Posgrado del Instituto de Investigaciones<br>
> &gt;<br>
> &gt; Filosóficas (UNAM)<br>
> &gt;<br>
> &gt; Del 19 al 20 de Febrero del 2015, Ciudad de México<br>
> &gt;<br>
> &gt; CONFERENCIA MAGISTRAL: STEWART SHAPIRO (OHIO STATE UNIVERSITY)<br>
> &gt;<br>
> &gt; Se considerarán únicamente trabajos de alta calidad en cualquier área de
> la<br>
> &gt; filosofía analítica.<br>
> &gt;<br>
> &gt; Los trabajos no deberán exceder el límite de 5000 palabras
> (excluyendo<br>
> &gt; resumen y bibliografía),<br>
> &gt;<br>
> &gt; deberán ser escritos y presentados en inglés, y deberán ser preparados
> para<br>
> &gt; un arbitraje ciego.<br>
> &gt;<br>
> &gt; FECHA LÍMITE DE RECEPCIÓN DE TRABAJOS: 30 de Septiembre del 2014.<br>
> &gt;<br>
> &gt; (Los trabajos aceptados se anunciarán a más tardar el 31 de Octubre
> del<br>
> &gt; 2014)<br>
> &gt;<br>
> &gt; Todos los trabajos deberán de ser preparados para un arbitraje ciego.
> Por<br>
> &gt; ello, se les solicita<br>
> &gt;<br>
> &gt; enviar por separado los siguientes dos archivos en formato .doc o .pdf
> al<br>
> &gt; siguiente correo:<br>
> &gt;<br>
> &gt; I) Una portada que contenga los siguientes datos:<br>
> &gt;<br>
> &gt; - Las áreas principales del trabajo (e.g. metafísica, epistemología,
> ética,<br>
> &gt; etc.)<br>
> &gt;<br>
> &gt; -Información del contacto (correo electrónico, número de teléfono,
> dirección<br>
> &gt; postal)<br>
> &gt;<br>
> &gt; - Conteo de palabras del trabajo.<br>
> &gt;<br>
> &gt; II) El trabajo. Éste deberá tener una portada que contenga el título
> del<br>
> &gt; trabajo y un resumen de<br>
> &gt;<br>
> &gt; no más de 300 palabras del mismo. IMPORTANTE: Este archivo no deberá
> tener<br>
> &gt; ningún tipo de<br>
> &gt;<br>
> &gt; información que permita identificar la identidad de la autora.<br>
> &gt;<br>
> &gt; &nbsp;Mayores informes en: <a href="http://www.filosoficas.unam.mx/"
> target="_blank">www.filosoficas.unam.mx</a><br>
> &gt;<br>
> &gt; Dudas y aclaraciones: <a
> href="mailto:unam....@filosoficas.unam.mx">unam....@filosoficas.unam.mx</a><br>
> &gt;<br>
> &gt; Organizadores: Aliosha Barranco, Cristian Gutiérrez, María Martínez,
> José<br>
> &gt; Ramón Orrantia, Tatiana Salazar<br>
> &gt;<br>
> </div></div><div class="HOEnZb"><div class="h5">&gt; --<br>
> &gt; Você recebeu essa mensagem porque está inscrito no grupo quot;LOGICA-L"
> dos<br>
> &gt; Grupos do Google.<br>
> &gt; Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele,
> envie<br>
> &gt; um e-mail para <a
> href="mailto:logica-l%2Bunsu...@dimap.ufrn.br">logica-l+u...@dimap.ufrn.br</a>.<br>
> &gt; Para postar nesse grupo, envie um e-mail para <a
> href="mailto:logi...@dimap.ufrn.br">logi...@dimap.ufrn.br</a>.<br>
> &gt; Acesse esse grupo em<br>
> &gt; <a href="http://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/group/logica-l/"
> target="_blank">http://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/group/logica-l/</a>.<br>
> &gt; Para ver essa discussão na Web, acesse<br>
> &gt; <a
> href="https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CAGZ3pz%2BCU_6Dom2aRFm5m4ovQz9LRnZG37pgwtJqcXesq%3D_SUQ%40mail.gmail.com"
> target="_blank">https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CAGZ3pz%2BCU_6Dom2aRFm5m4ovQz9LRnZG37pgwtJqcXesq%3D_SUQ%40mail.gmail.com</a>.<br>
>
> </div></div></blockquote></div><br></div><div><br
> class="webkit-block-placeholder"></div>
>
> -- <br>
> Você recebeu essa mensagem porque está inscrito no grupo quot;LOGICA-L" dos
> Grupos do Google.<br>
> Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, envie um
> e-mail para <a
> href="mailto:logica-l+u...@dimap.ufrn.br">logica-l+u...@dimap.ufrn.br</a>.<br>
> Para postar nesse grupo, envie um e-mail para <a
> href="mailto:logi...@dimap.ufrn.br">logi...@dimap.ufrn.br</a>.<br>
> Acesse esse grupo em <a
> href="http://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/group/logica-l/">http://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/group/logica-l/</a>.<br>
> Para ver essa discussão na Web, acesse <a
> href="https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CAGZ3pzJ-oUytjvhhLDbmpDieY4Hmb%2BCc%3DBOTDgvWfYgGuwFVwQ%40mail.gmail.com?utm_medium=email&amp;utm_source=footer">https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CAGZ3pzJ-oUytjvhhLDbmpDieY4Hmb%2BCc%3DBOTDgvWfYgGuwFVwQ%40mail.gmail.com</a>.<br>
> </blockquote></div><br></div></body></html>


++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++
ITALA M. LOFFREDO D'OTTAVIANO
Centre for Logic, Epistemology and the History of Science - CLE
State University of Campinas - UNICAMP
Sergio Buarque de Holanda, 251 Street
ZIP CODE 13083-859 - Campinas-SP, Brazil
Fax: +55-19-3289-3269 -- Tel.:+55–19-3521-6517
www.cle.unicamp.br

Itala M. Loffredo D'Ottaviano

unread,
Jun 23, 2014, 12:59:08 AM6/23/14
to logi...@dimap.ufrn.br
Prezados Colegas:

Desculpe-me!
Minha mensagem deveria ter sido enviada só para o Décio e Marcos!

Itala
> Décio:
>
> O Marcos Silva é recém doutorado, inteligente e muito bem intencionado.
> Mas não sei de onde tirou a análise que está fazendo!
> Creio que há, sim, falta de maturidade e desconhecimento de nossa história e
> de nossas relações acadêmicas.
>
> Itala
>> Marcos'
>> Sobre o dialeteísmo, conheço o que está no review em anexo...
> Fax: +55-19-3289-3269 -- Tel.:+55-19-3521-6517
> www.cle.unicamp.br
>
> --
> Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "LOGICA-L" dos
> Grupos do Google.
> Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, envie um
> e-mail para logica-l+u...@dimap.ufrn.br.
> Para postar neste grupo, envie um e-mail para logi...@dimap.ufrn.br.
> Visite este grupo em http://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/group/logica-l/.
> Para ver esta discussão na web, acesse
> https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/29c176ea132cd295a0c39813b4928b9d.squirrel%40www.cle.unicamp.br.

Itala M. Loffredo D'Ottaviano

unread,
Jun 23, 2014, 1:03:03 AM6/23/14
to logi...@dimap.ufrn.br

Joao Marcos

unread,
Jun 23, 2014, 5:26:37 AM6/23/14
to Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de LOGICA
Viva, Marcos:

Você é um bom observador. Concordo com muitas das suas considerações.
Insisto contudo na seguinte provocação:

> 3) Sobre a questao do lógico sem passaporte. Nao defendo que lógico
> brasileiro seja paraconsistente. Ou que paraconsistencia deva ser
> brasileira. Nao tenho uma posicao definitiva sobre isto. Vejo a relevancia
> do ponto do Joao e da Valéria, mas tenho receio quanto ao esvaziamento de
> uma identidade nacional. Há uma assimetria grave histórica e social sendo
> overlooked. Nao temos história como suécia, alemanha, inglaterra, franca
> etc. têm. Tudo está sendo conquistado lentamente e muito duro no Brasil. Nós
> temos responsabilidades para promover novas geracoes de lógicos e filósofos
> no Brasil, senao esforcos vao ser perdidos. Temos que promover oportunidades
> que nos tivemos. Vita brevis Ars longa.

Você não acha que deveríamos aspirar ao Universal?

Considere o caso dos indivíduos A, M e V, nascidos no estado C do país
Z, que moram respectivamente nas cidades B, F e S, todas estas
situadas a algumas centenas ou mesmo milhares de quilômetros dos
lugares em que os primeiros foram educados. Qual o compromisso
científico que A, M e V deveriam ter para com B, F e S? Que tipo de
"identidade nacional" deveria ser esperada de A, M e V, com relação a
C ou às escolas filosóficas fundadas no país Z?

Concordo com o seu comentário sobre as nossas responsabilidades para
com as novas gerações. Estamos trabalhando nisto! A sua contribuição
será essencial nesta tarefa.

J

--
http://sequiturquodlibet.googlepages.com/

Julio Stern

unread,
Jun 23, 2014, 7:15:22 AM6/23/14
to logical logical


Caros Redistas: 

Acho que o Marcos toca em alguns pontos imortantes, 
e que alguns de seus argumentos, ainda que de forma modificada, 
devam ser considerados. 
   
Na minha opiniao, eh claro que Ciencia e Filosofia deveriam ser 
universais. Programas "nacionais" me lembram os idos tempos 
do Stalinismo, sua Ciencia e Filosofia "engajadas" e suas  
doutrinas programaticas. 

Por outro lado, eh muita ingenuidade pensar que as pessoas 
fazem ciencia (ex. um referee avalia um paper) sem olhar para 
o passaporte de quem o escreveu. Blind reviewing so serve para 
esconder os preconceitos do parecerista, pois eh sempre obvio 
identificar a origem do autor, se ele tiver identidade propria.   
  
Um dia eu fui visitar o C.R.Rao (Calyampudi Radhakrishna Rao) 
na Pen. State. Para quem nao sabe, ele eh uma lenda viva na area 
de Estatistica. Na epoca, eu estava muito chateado pela forma como 
eu estava sendo tratado por alguns referees.  Apos ouvir meus 
lamentos, ele me deu uma copia de sua pequena auto-biografia. 
Em um capitulo, ele conta como alguem submeteu um artigo 
ao Royal Journal of Statistics explicando o "significado" do 
Teorema de Rao-Blackwell. 
Entre as justificativas do autor para as explicacaoes, o simples 
fato de que - "Garotos Indianos sao muito bons para fazer contas, 
mas caberia a um Ingles explicar o verdadeiro significado..." 
 
Este caso exemplifica muito bem, a atitude a que Nos estamos sujeitos.  
Nos = Mundo todo --(Uniao Europeia +USA +Colonias Inglesas de povoamento)  
Ha tambem uma contrapartida introjetada deste preconceito: 
Um complexo de inferioridade coletivo que se manifesta frequentemente 
como uma tendencia a desvalorizar o trabalho do colega do lado. 
O Nelson Rodrigues denominava este fenomeno de "Complexo do Vira-Latas". 
  
Fugindo sempre dos ufanismos nacionalistas, eu acho muito saudavel 
valorizar oq eh nosso. Eu me lembro de aulas do Newton da Costa la na USP 
explicando o bem-sucedido esforco da Polonia no pos-guerra em concentrar 
recursos em um pequeno numero de areas onde ja havia resultados 
importantes de pesquisadores do pais, em especial a Logica. 
Nao sei se concordo com este tipo de politica feito de forma institucional, 
mas certamente concordo em ter esta politica como atitude pessoal. 
  
Eh assim que eu leio (partes) da mensagem do Marcos, 
e acho que vale refletir a respeito. 

---Julio Stern 

PS: Viva Santos Dumont! 
Os manos-Wright sao um embuste!   
   
 
        

 
 

     



> --
> Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "LOGICA-L" dos Grupos do Google.
> Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, envie um e-mail para logica-l+u...@dimap.ufrn.br.
> Para postar neste grupo, envie um e-mail para logi...@dimap.ufrn.br.
> Visite este grupo em http://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/group/logica-l/.

Décio Krause

unread,
Jun 23, 2014, 8:42:55 AM6/23/14
to logi...@dimap.ufrn.br
Julio, Marcos, e demais

Julio: "Na minha opiniao, eh claro que Ciencia e Filosofia deveriam ser 
universais. Programas "nacionais" me lembram os idos tempos 
do Stalinismo, sua Ciencia e Filosofia "engajadas" e suas  
doutrinas programaticas. "

Aqui na UFSC já propuseram ao conselho universitário que as pesquisas (todas) deveriam ser focadas no social. Devemos temer a volta do stalinismo, via sovietes.

Agora, Marcos: não sei de onde tirou que em minha resenha do livro do Priest seja ofensiva ou que defendo que haja ou que deva haver uma escola brasileira de lógica. Há bons lógicos aqui que fazem lógica "universal", ponto. Defendo qualquer trabalho que reputo como bom, em especial os daqui. Mas também creio na universalidade. Quanto à resenha, eu elogiei bastante o livro, e apontei aspectos que me pareciam dúbios ou mal explicados, como por exemplo os exemplos de contradições "reais" que ele aponta. Seria ridículo querer que o autor escrevesse o livro que eu gostaria de ver escrito. Conversei com Priest a respeito e pedi para que ele me explicasse isso de "comtradições reais". Ele se saiu com o paradoxo do mentiroso... Bom, uma vez que não sabemos nem o que é negação (há uma infinidade delas, não equivalentes), deveríamos ter em mente que também não sabemos ao certo o que é uma contradição. Mas eu adoraria ver uma contradição correndo pelas ruas...ou que provassem que uma lógica paraconsistente é mesmo necessária para se fazer ciência por exemplo, ou qualquer coisa que não seja de natureza filosófica. 

D




------------------------------------------------------
Décio Krause
Departamento de Filosofia
Universidade Federal de Santa Catarina
88040-900 Florianópolis - SC - Brasil
------------------------------------------------------

Manuel Doria

unread,
Jun 23, 2014, 9:50:08 AM6/23/14
to Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de LOGICA
Da Costa, Krause e Bueno (2005) atribuem à Priest teorias realistas e convencionais de verdade e existência. Disso, se o paradoxo do mentiroso exemplifica uma contradição de re, então há referentes extra-representacionais que fazem determinado enunciado contendo o paradoxo do mentiroso ser verdadeiro. Mas o que seriam? 

Todos os alegados exemplos `empíricos' de dialetheia que li são inócuos ou ininteligíveis. Hegel por exemplo propõe que todo movimento (e numa interpretação, ímãs) é intrinsecamente contraditório. Não sei o que isso significaria.

Abraços.


--
Você recebeu essa mensagem porque está inscrito no grupo quot;LOGICA-L" dos Grupos do Google.

Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, envie um e-mail para logica-l+u...@dimap.ufrn.br.
Para postar nesse grupo, envie um e-mail para logi...@dimap.ufrn.br.
Acesse esse grupo em http://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/group/logica-l/.

Famadoria

unread,
Jun 23, 2014, 12:00:27 PM6/23/14
to logi...@dimap.ufrn.br
Só um ponto: publiquei pilhas de artigos com o Newton , e só dois sobre paraconsistência. 

Sent from my iPhone
--
Você recebeu essa mensagem porque está inscrito no grupo quot;LOGICA-L" dos Grupos do Google.

Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, envie um e-mail para logica-l+u...@dimap.ufrn.br.
Para postar nesse grupo, envie um e-mail para logi...@dimap.ufrn.br.
Acesse esse grupo em http://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/group/logica-l/.
Reply all
Reply to author
Forward
0 new messages