Caro Francisco,
Eu não usaria a expressão "gente erudita", não que seja contrário a
que, digamos, Aristóteles contribua na Wikipédia, mas talvez seja
pedir demais.
Eu diria que artigos científicos, filosóficos, etc., têm de ser
escritos por especialistas (pesquisadores, etc.) no tema, porque faz
diferença. E tem de aparecer o que é consenso na maioria da comunidade
científica da especialidade, embora possam ser colocadas também
posições dissidentes, minoritárias, etc.
O debate da erudição é complicado por muitas questões. Tipicamente, de
um lado tem uma pessoa que compreendeu muito pouco, mas pensa que
sabe, e do outro alguém que realizou, durante muitos anos, um estudo
aprofundado, que vê um abismo entre o seu conhecimento precário de
antigamente e o atual. Nessa situação está todo dado para começar um
guerra entre eruditos e leigos, que como toda guerra, cria posições
antagônicas irreconciliáveis, radicaliza a morte. Essa guerra mata
toda humildade e toda modéstia. Ninguém reconhece mais ou seus
limites, a sua sã ignorância, etc. Mas todos, ou quase todos, saem
prejudicados.
Vc pensará que o problema fundamental está nos que pensam que sabem,
mas sabem pouco, quase nada. Eu penso que isso é somente uma cara da
moeda, um aspeto de um problema complexo. Também não vou negar que os
meios de difusão tentam constantemente enganar as pessoas fazendo
acreditar que já sabem o suficiente para a vida. Para tirar vantagem,
muitos outros tomam o mesmo trem, inclusive universidades privadas,
enganando aos alunos, fazendo de conta que os estão formando. Claro
que também muitos políticos e religiosos tentam se beneficiar dessa
maneira.
A outra cara da moeda são pesquisadores e especialistas sinceros e
humildes, que acreditam que depois de uma vida inteira de estudos,
também sabem muito pouco. Sim, sim, poderíamos dizer, mas um milésimo
é muito mais que um trilionésimo, o que é verdade, mas tudo dá em
frações, todo ser humano é limitado e todo o que ele faz, poderia ter
sido melhor feito.
A metáfora do bazar não deve ser mal entendida: não é um lugar no qual
só é vendida porcaria. Entre os desenvolvedores de Linux têm muitas
pessoas que eu considero entre os melhores programadores do mundo,
muito longe de um irresponsável dando palpites na lista de discussão
do kernel. Mas, incluso esses últimos, são suportados nas listas de
discussão, se a situação não passar dos limites. Por outro lado, eu já
participei de projetos de software no quais as pessoas não tinham nem
ideia da complexidade de algumas coisas e das suas próprias
limitações, propondo-se tarefas que jamais poderiam concluir.
Se a Wikipédia têm administradores arbitrários e arrogantes, isso
forma parte dos trabalhos colaborativos. Eu reconheço, inclusive, que
algum administrador pode estar fazendo mais dano que bem na Wikipédia.
Mas se eu tivesse saído de um emprego cada vez que tinha um chefe
insuportável, não teria trabalhado quase nada na vida (ou teria
morrido de fome). Vc vai adorar um velho ditado argentino:"El que sabe
sabe y el que no sabe es jefe".
https://www.google.com/search?source=ig&hl=en&rlz=&q=%22El+que+sabe+sabe+y+el+que+no+sabe+es+jefe%22&oq=%22El+que+sabe+sabe+y+el+que+no+sabe+es+jefe%22&aq=f&aqi=g-K1&aql=&gs_l=igoogle.12..0i30.871.871.0.2467.1.1.0.0.0.0.209.209.2-1.1.0...0.0.eADdtwoRgww
Carlos
> --
> fad
>
> ahhata alati, awienta Wilushati