Caro Walter,
Muito obrigado por indicar o trabalho do Frank Vega. Diferentemente do trabalho do Lev e Hermann, que tem muitos pontos positivos, a proposta do Frank Vega está totalmente errada - caso ele esteja aqui na lista, lamento pelo tom áspero! :)
Primeiro, o Vega errou na estimativa da complexidade do problema ODDPATH-HORNUNSAT. Não está errado dizer que ele está em NP, mas a razão é que esse problema está em P. Ou seja, se ele estivesse certo, teria provado o extraordinário resultado de que P = PSPACE. Para ter uma noção disso - detalhes, como sempre, ficam como exercício para o leitor! -, note que HORNSAT é P-completo e, portanto, HORNUNSAT também. Adicionar a exigência de verificar se o número de nós na interpretação de HORNUNSAT em termos de grafos é par não muda isso pois pode-se registrar a quantidade de nós em qualquer dos algoritmos usuais que resolvem esse problema. Depois basta aplicar divisão módulo 2 com, por exemplo, o algoritmo euclidiano. Não teremos um problema P-completo por conta da exigência das reduções serem logarítmicas para P-completude, mas não sairemos de P.
Segundo, num gesto de benevolência, se lemos a tentativa do Vega de reduzir GEOGRAPHY à ODDPATH-HORNUNSAT, nota-se que justamente no passo em que deveria ter feito os cálculos da complexidade ele apela a regra de dedução miraculosa: "But, what does this mean?". E não apresenta as contas. Se ele tivesse feito alguns exemplos dos grafos que se propôs a analisar, teria visto que ao aumentar o número de nós, eles rapidamente não cabem mais na folha de papel. O que, pelos razões óbvias, é uma evidência (empírica?) de que PSPACE não é P!
Apesar de eu não gostar do mainstream e ter cedido ao argumento do Marcelo - apelando ao mainstream, Marcelo? Quem diria?! :) -, o meu ponto foi sugerir uma estratégia para o Hermann que talvez possa ajudá-los. Reduções entre problemas completos para diferentes classes são, na verdade, interpretações, ou seja, você precisa associar estruturas com linguagens diferentes; algo complicado. Uma redução é um homomorfismo e, portanto, um caminho mais viável. Por exemplo, se você consegue interpretar k-SAT em alguma estrutura de grafos, 2-SAT e HORNSAT também será interpretável. No entanto, será mais palatável compreender a relação entre k-SAT, 2-SAT e HORNSAT porque eles estão na mesma linguagem, os dos últimos são reduções.
Abraços,