Fwd: Lógica em acção

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Joao Marcos

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Jun 10, 2026, 10:43:53 PMJun 10
to Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de LOGICA
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From: Desidério Murcho <critic...@substack.com>

Sem esquecer o humor, instrumentos para pensar melhor
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Lógica em acção

Sem esquecer o humor, instrumentos para pensar melhor

Jun 10
 
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Caro leitor

Proponho-lhe hoje cinco leituras sobre lógica, mas sem a reduzir aos seus aspectos matemáticos. A ênfase, ao invés, é compreender a lógica e as suas aplicações. Começamos precisamente pela pergunta mais geral — o que é a lógica e para que serve? —, passamos depois para o ideal mais amplo do pensamento crítico, avançamos para algumas indicações práticas para aprender a argumentar melhor, e examinamos então os erros mais frequentes de raciocínio. Terminamos com uma divertida proposta de aplicação concreta de um poderoso instrumento lógico: o modus tollens.

Este texto introduz a lógica a partir da noção mais fundamental de raciocínio. Distingo aqui o raciocínio não-linguístico, envolvido em actividades como reconhecer rostos ou caminhar, do raciocínio discursivo, que usa a linguagem e é indispensável à ciência, à filosofia e à vida quotidiana. A lógica surge como a disciplina que procura compreender o raciocínio e distinguir o correcto do incorrecto. Explico ainda a diferença entre dedução e indução (que não é o que as IA dizem), relacionando a lógica com a própria possibilidade do conhecimento — dado que saber algo exige não apenas a verdade, mas também a justificação racional.

Depois de compreender o papel da lógica, este artigo alarga a discussão ao ideal educativo do pensamento crítico. Hansson analisa o aparecimento de cursos de pensamento crítico nas universidades e examina uma questão central: existirão competências críticas gerais que possam ser ensinadas independentemente das áreas do conhecimento? O texto mostra que há capacidades transversais — como avaliar provas, considerar objecções e raciocinar com imparcialidade — mas também formas específicas de pensar que dependem de cada domínio, como a ciência ou a história. O resultado é uma visão equilibrada do pensamento crítico como competência simultaneamente geral e especializada.

Guia Prático de Argumentação, de Anthony Weston.
Se a lógica fornece instrumentos e o pensamento crítico define um ideal intelectual, este clássico de Weston mostra como argumentar efectivamente. O texto apresenta a argumentação como um meio de investigação e não apenas de persuasão, insistindo na necessidade de examinar razões favoráveis e contrárias antes de formar uma opinião. O artigo começa pelos argumentos concisos do quotidiano, que constituem os blocos de construção dos ensaios argumentativos mais complexos. A ênfase está na clareza, na organização das razões e na capacidade de defender conclusões com base em provas e argumentos sólidos.

Depois de aprender a construir argumentos, é necessário aprender a detectar os seus defeitos. Este guia reúne e explica inúmeras falácias informais, como o apelo à ignorância, e a derrapagem ou “bola de neve”, entre outras. O interesse do texto está em mostrar que os maus argumentos raramente se apresentam como obviamente maus: pelo contrário, costumam parecer plausíveis, porque ocultam pressupostos problemáticos ou inferências injustificadas. Para cada falácia são oferecidos exemplos e estratégias de diagnóstico, tornando o texto um instrumento prático para reconhecer erros recorrentes no debate público e no raciocínio quotidiano.

Este artigo é um pouco a culminação dos anteriores, pois apresenta um instrumento específico de crítica racional: o modus tollens. Júlio Sameiro começa por fazer notar que o desenvolvimento do espírito crítico passa em grande medida pela capacidade de tentar refutar teorias, em vez de apenas procurar exemplos favoráveis. Usando exemplos simples e humorísticos, Sameiro mostra como funciona o esquema argumentativo “Se essa teoria fosse verdadeira, então aconteceria X; mas X não acontece; logo, a teoria é falsa”. O texto transforma um conceito lógico formal num poderoso instrumento intelectual para testar hipóteses, desmontar erros e compreender como progride a investigação racional, da matemática à ciência.

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Obrigado!


Gilberto Gomes

unread,
Jun 11, 2026, 10:00:56 AMJun 11
to Joao Marcos, Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de LOGICA
Bom dia a todos!

Obrigado, JM, pelo encaminhamento dessa mensagem! Li as apresentações dos textos, enviadas pelo Desidério, e pretendo ler os próprios em seguida, mas as apresentações já tocam num ponto que me parece fundamental, quando ele fala na lógica como "a disciplina que procura compreender o raciocínio". Situa-se, portanto, na linha do título do clássico livro de Boole, que trata a lógica como estudo das leis do pensamento, e contra o antipsicologismo de Frege e outros, que veio preponderar na lógica. Minha formação básica sendo como psicólogo (depois estendida à psiquiatria e ao estudo científico da consciência), é natural que minhas simpatias se encaminhem na direção apontada pelo Desidério.

Talvez alguém se interesse em saber como me aproximei da lógica. Lá pelo ano 2000, estava lendo um texto filosófico sobre o livre arbítrio, no qual o autor fazia um raciocínio baseado na definição do condicional material. Minha reação foi: Isto está errado! E eu me perguntei: O que significa 'Se A, então B'? A resposta que me pareceu lógica foi: Significa que é possível que A e B sejam conjuntamente verdadeiros, é possível que não-A e não-B sejam conjuntamente verdadeiros, mas é impossível que A e não-B sejam conjuntamente verdadeiros. Se A for verdadeiro, B não pode ser falso.

Passei então a buscar, em textos de lógica, a confirmação daquilo que eu tinha pensado (e a prova de que o raciocínio do autor que eu estava lendo estava errado). Para minha surpresa, não encontrei! Como sou persistente, continuei procurando. Encontrei discussões sobre condições necessárias e suficientes. Quando se pensa 'Se A, então B', a verdade de A aparece como sendo suficiente para a verdade de B. E em relação a B, podemos dizer que B é necessário para A? Aí as coisas se confundem um pouco e, ao tentar esclarecer essa confusão, acabei escrevendo um artigo, que publiquei no Australasian Journal of Philosophy. Aí já tinha entrado de cabeça nas questões da lógica!

Esse interesse pelos condicionais persistiu e acabou tomando o lugar do estudo da consciência e do livre arbítrio! No momento, estou trabalhando sobre os condicionais concessivos, como por exemplo: Se esta substância é um ácido, não é um ácido forte. É um tipo de condicional diferente, mas o pensamento humano frequentemente transita entre os dois.

Talvez alguém se interesse também em falar aqui um pouco aqui sobre como pensa a relação entre a lógica e o raciocínio humano, que busca, como diz o Desidério, "distinguir o correcto do incorrecto"... É o pensamento humano que busca se aproximar de uma lógica ideal, que existe no "terceiro reino" de Frege, ou é a lógica que busca expressar formas possíveis do raciocínio humano?

Abraços,
Gilberto

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LOGICA-L
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