Oi Bruno,
Sua questão é interessante.
> Por outro lado, nós poderíamos nos questionar: as próprias normas da lógica (aquilo que pode ser formalizado com axiomas e regras de transformação em um sistema dedutivo) são também entinemas dos argumentos onde operam? Há razões para pensar que não.
…
> Esse é também o caso das instâncias de identidade?
…
> Enfim, acho que a questão que estou propondo aqui pode também ser formulada assim: quais são as consequências para o eventual caráter entinemático das identidades (informativas) que se pode inferir de uma teoria da referência direta dos nomes próprios?
A identidade é levemente diferente dos outros operadores lógicos porque nós ainda não nos decidimos sobre se a identidade é ou não um conceito lógico! Mesmo entre os clássicos há divergência. Alguns incluem a identidade na lógica, alguns não incluem.
Tirar a identidade da lógica não é matá-la. É apenas flexibilizá-la. Ao invés de impor-lhe um significado único, fixado nas regras da semântica formal, permite-se diferentes interpretações (teorias) da identidade sob a mesma lógica.
Bem, então se a identidade está na lógica, ela deve se comportar como os outros conceitos lógicos, com respeito aos entimemas. No seu exemplo, não faz diferença assumir ou não a identidade ‘j=j’ para comprovar a validade do argumento 3|=4, porque eu posso, a qualquer momento, em qualquer prova, afirmar esta identidade. Já a identidade ‘h=p’ no argumento 5|=6 precisa ser assumida ou como premissa explícita ou implicitamente, pelo menos na lógica clássica, caso contrário o argumento será formalmente inválido.
Agora, se a identidade não está na lógica, ela pode se comportar de outras maneiras. Muitas abordagens diferentes sobre a identidade ficam disponíveis. Neste caso, para avaliar qualquer argumento que envolva a identidade, você precisará sempre incluir nas premissas do argumento os axiomas da sua teoria da identidade. Nos contextos em que esta teoria da identidade está clara, você pode omitir seus axiomas, transformando seu argumento em um entimema.
O problema, no entanto, é mais complicado que isso. Eu estou assumindo aqui, para simplificar, a lógica clássica como lógica “base”. Mas nem todas as teorias da identidade são compatíveis com a lógica clássica. Você talvez não consiga axiomas clássicos que expressem o comportamento da identidade que você tem em mente. Precisará, então, de uma lógica alternativa. Neste caso, eu não recomendo deixar nada implícito. Melhor é evitar os entimemas e explicitar todas as teorias envolvidas com o argumento que você quer avaliar.
Saudações,
Daniel.
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Departamento de Filosofia - (UFRN)
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