Caro Chico,
Pois é, complicado entender tempo e mudança, pelo menos com o nosso aparato conceitual. Recomendei para a lista o artigo do Emiliano porque ele é muito claro ao mostrar as dificuldades principais já conhecidas.
Por exemplo, a dificuldade de pensar o movimento como uma soma de imobilidades, como o Emiliano apresenta (artigo citado, página 137):
"As we have seen, the source of the discomfort one feels when confronted with the arrow paradox is that one finds it hard to intuit
how the arrow could manage to get anywhere by a series of going-no-where’s. Part of the
appeal of the original (incoherent) understanding of infinitesimals was precisely that it
appears to alleviate this discomfort, since it allows us to conceive of any stretch of time
or space as composed of infinitesimal ‘line elements’, whose individual contribution to the
total advancement of the arrow, while infinitesimal, is not null. "
A teoria intuicionista na sua versão com nilquadrados e os princípios de microafinidade e de constância se encaixa, pelo menos aparentemente. Isso porque nesse caso o contínuo não tem partes destacáveis e nenhuma variação se resolve em uma série de constâncias. A ideia que um número real é como um ponto flutuante e todos os intervalos tem fronteiras borrada por flutuações infinitesimais vai na direção de uma solução intuitiva do paradoxo. É claro que essa teoria tem um modelo conjuntista, o que poderia anular a sua força já que os conjuntos são "imóveis". Mas acho que tem um ponto sim.
Abraço
Rodrigo