> Só queria lembrar, caso não tenha ficado super claro, que o dia de igualdade salarial marca simbolicamente até quando as mulheres precisam trabalhar no ano para ganhar o mesmo que os homens receberam no ano anterior, evidenciando a persistente diferença de remuneração entre gêneros. É a parte do ano que a gente trabalha "de graça" como dizem algumas.
Pois é, Valeria! Ao menos na academia, contudo, a situação brasileira
é bem distinta da estadunidense. Aqui, por lei, não pode haver
diferença salarial por gênero no mesmo cargo. É claro que a
desigualdade (indireta) entre gêneros persiste, contudo, mas ela se
reflete principalmente em distribuição desigual na carreira (mais
mulheres em posições iniciais ou temporárias do que em níveis mais
altos da carreira), além dos (baixos) percentuais de mulheres com
financiamento de pesquisa ou ocupando funções administrativas que
geram gratificações.
Nos EUA a coisa é bem pior, né? As desigualdades diretas existem, já
de cara, simplesmente pelo fato de que não há tabela salarial nacional
e os salários são tipicamente definidos por negociação individual...
E parece haver evidência de que neste sentido a situação por aí anda
inclusive piorando, recentemente, para as "minorias"? A polarização
absurda da sociedade certamente não ajuda...
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Uma coisa que precisa mudar com muita urgência no Brasil, e que pode
fazer toda a diferença, é a *representação política feminina*. Fiquei
muito impressionado, ano passado, em descobrir que no México as
mulheres ocupam aproximadamente 50% das cadeiras na Câmara dos
Deputados e no Senado (além de ocuparem atualmente a presidência da
República de forma exemplar, bem como muitas prefeituras e governos de
estado importantes). Como resultado, no México, muito mais atenção
tem sido dada em anos recentes à igualdade salarial, à violência de
gênero e aos direitos reprodutivos.
O Brasil tem um sistema formalmente inclusivo, com cotas de
candidatura, mas pouco eficaz (basta notar que hoje no Brasil há 15%
de mulheres no Senado e 18% na Câmara dos Deputados); nos EUA a
situação é na prática um tiquinho melhor e andava gradualmente
melhorando, mas não há cotas nem paridade.
Precisamos de avanços que possam se refletir em mudanças de agenda!
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[Achei importante comentar estas coisas em resposta à sua mensagem,
mas pessoalmente não pretendo prolongar essa conversa aqui na lista
para não ficar muito OFF.]
[]s, JM