Já conhecem este livro?

59 views
Skip to first unread message

Petrucio Viana

unread,
Jul 10, 2021, 7:16:37 PM7/10/21
to Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de LOGICA
Boa noite,
acredito que a maioria já conhece este livro:


Eu não conheço (só vi a propaganda hoje).
Acho que pode ser do interesse de quem nunca tinha ouvido falar (como eu)...

abraços
P

Joao Marcos

unread,
Jul 10, 2021, 11:04:51 PM7/10/21
to Petrucio Viana, Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de LOGICA
Estou com a _outra_ maioria (a que não conhece o livro). Mas acabei
de ler o review curtinho e esclarecedor (e empoderador?) que a Mary
Tiles publicou em 1992:
https://onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1111/j.1468-0149.1992.tb00668.x

Talvez seja um bom tópico para discussão na sessão sobre "Logic and
representability" (ou qualquer outra sessão) do *Day of Inclusive
Logic*, nesta 2a-feira?
https://sites.google.com/view/logicsupergroup/inclusive-logic

%%%

O início da descrição do livro acima me fez lembrar deste artigo beeem
mais antigo, que conheci não faz muito tempo através da Valeria:

Women and Logic
by Edward E. Hale
https://www.jstor.org/stable/25120063

(Deixo aqui o link por imaginar que também possa ser do interesse de
membros desta lista.)

%%%

JM

Cassiano Terra Rodrigues

unread,
Jul 11, 2021, 1:46:37 PM7/11/21
to LOGICA-L, Joao Marcos, Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de LOGICA, Petrucio Viana
Camaraders, 

A autora teve um livro traduzido há muito tempo no Brasil e está fora de catálogo, mas tem na biblioteca do Putin (e em outras tb, pelo q me contou o divino Google): 
Eu tive esse livro e ele se perdeu em alguma república da vida. O livro de história da lógica, pelo q entendi, vai no mesmo caminho, mas o oráculo dessa vez não me trouxe informação sobre onde encontrá-lo além das vendas cuja moeda está mais cara do q aquela em q ganho meu salário. 
Olhando o índice, acho q há coisas mais atualizadas, não? Não é retórica a pergunta, estou por fora mesmo; mas, considerando o livro sobre filosofia e a época, acho q o livro traz um pouco a marca do tempo, um pioneirismo q abriu caminho para outras narrativas, mas ainda considera Frege como o principal eixo da lógica moderna. Seja como for, eu gostaria muito de lê-lo. 
Não lembro onde vi outro dia uma palestra online sobre Christine Ladd-Franklin, que estudou com C.S.Peirce na Johns Hopkins e em 1882 publicou a uma proto-tabela de verdade (chamemos assim, para não provocar muito) neste livro aqui: https://books.google.com.br/books?id=V7oIAAAAQAAJ&printsec=frontcover&source=gbs_ge_summary_r&cad=0#v=onepage&q&f=false
O volume em si é interessante por vários elementos, mas o trabalho da Christine Ladd-Franklin me parece exemplar de como a misoginia e o etnocentrismo podem atrapalhar o conhecimento. Ao q me consta, ela reclamou prioridade no tema das tabelas de verdade mas não foi ouvida, e demorou mais de 40 anos para obter um diploma apenas por ser mulher. Ela tb estudou na Europa com Helmholtz e desenvolveu uma teoria evolucionista da cor a partir desse trabalho. A página da Wikipedia em inglês sobre ela é instrutiva: https://en.wikipedia.org/wiki/Christine_Ladd-Franklin, acho q muita gente aqui a conhece, mas acho q há muita gente q tb não a conhece e vale a pena conhecer.
 
Abraços e bons domingos,
cass. 

Petrucio Viana

unread,
Jul 11, 2021, 2:15:13 PM7/11/21
to Cassiano Terra Rodrigues, Joao Marcos, Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de LOGICA
Apenas um pequeno adendo a msg do Cass...

No livro "Studies in Logic" está a, que é considerada, primeira "definição" de um quantificador, elaborada pelo O.H. Michel (On a new algebra of Logic), também aluno do Peirce.

Esse livro tem borocoxô...

abraços
P

Valeria de Paiva

unread,
Jul 11, 2021, 4:09:04 PM7/11/21
to Cassiano Terra Rodrigues, Joao Marcos, Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de LOGICA, Petrucio Viana
oi Cassiano,
a palestra sobre a Christine_Ladd-Franklin talvez tenha sido a da Sara Uceklman, no Logic SuperGroup aqui https://www.youtube.com/watch?v=xJBqBnP2BUg

Christine_Ladd-Franklin foi tema de um dos meus Ada Lovelace posts ha alguns anos atras em 2011 https://logic-forall.blogspot.com/2011/10/ada-lovelace-day-2011-christine-ladd.html.

e sim eu ja' tinha ouvido falar no livro da Andrea Nye, mas nunca vi um exemplar não. e não consigo ler a empoderadora review, pq a Wiley nao deixa.

abs
Valeria

--
Você recebeu essa mensagem porque está inscrito no grupo "LOGICA-L" dos Grupos do Google.
Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, envie um e-mail para logica-l+u...@dimap.ufrn.br.
Para ver essa discussão na Web, acesse https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/349e9c1e-01a7-4716-9e93-a7f903150372n%40dimap.ufrn.br.

Cassiano Terra Rodrigues

unread,
Jul 12, 2021, 11:29:44 AM7/12/21
to Valeria de Paiva, Joao Marcos, Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de LOGICA, Petrucio Viana
Oi Valéria, obrigado por me lembrar, foi essa palestra mesmo. Excelente! 
Obrigado por mandar o teu post tb. 
Eu consegui ler a resenha enviada pelo JM, contrariando a vontade da Wiley com a ajuda da Alexandra Elbakyan, não foi muito difícil. Não sei se usaria os mesmos adjetivos q o JM usou, mas é uma boa resenha. A palestra da Sarah Uckelman me parece melhor.
Os trabalhos de Christine Ladd-Franklin foram precocemente notados na Espanha, pelo matemático Ventura de los Reyes Prósper. Mando anexo o fascículo de El Progreso Matemático onde apareceu a publicação, a linguagem da época é notável. Mas acho esse dado interessante mais pq serve para lembrar q há pensamento em outros impérios além do monotônico anglo-germanófono. O Jaime Nubiola escreveu um artigo sobre essa recepção: https://www.unav.es/users/Articulo31.html
Abraços, 
cass. 

--
Cassiano Terra Rodrigues
Prof. Dr. de Filosofia - IEF-H-ITA
Praça Marechal Eduardo Gomes, Nº 50 
Vila das Acácias
São José dos Campos
São Paulo, Brasil
CEP: 12228-970
Tel. (+55)-12-3305-8438
- Sala F0-206 - 
--
lealdade, humildade, procedimento
El Progreso matemático. 20-12-1891.pdf

Walter Carnielli

unread,
Jul 12, 2021, 11:45:56 AM7/12/21
to Cassiano Terra Rodrigues, Valeria de Paiva, Joao Marcos, Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de LOGICA, Petrucio Viana
Oi Cassiano,
Obrigado pelo artigo, que se lê rapidamente. Chamar Christine
Ladd-Franklin de Cristina vá lá, mas
Charles Sanders Peirce de Charles Santiago me parece bem engraçado.
Por que não Carlos Santiago? :-)
Abs
Walter

Em seg., 12 de jul. de 2021 às 12:29, Cassiano Terra Rodrigues
<cassian...@gmail.com> escreveu:
>
> Para ver essa discussão na Web, acesse https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CALYh6%2BueNLYHvH%2BFKoMGL38R%3DfdWadC3h3%3DtZJUVNdcL8iZ0dg%40mail.gmail.com.



--
===========================
Walter Carnielli, Professor
Centre for Logic, Epistemology and the History of Science and
Department of Philosophy
University of Campinas –UNICAMP
13083-859 Campinas -SP, Brazil
Phone: (+55) (19) 3521-6517
Institutional e-mail: walter.c...@cle.unicamp.br
Website: http://www.cle.unicamp.br/prof/carnielli

Cassiano Terra Rodrigues

unread,
Jul 12, 2021, 12:05:20 PM7/12/21
to Walter Carnielli, Valeria de Paiva, Joao Marcos, Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de LOGICA, Petrucio Viana
Oi Walter,

Carlos Santiago Sandro Peirce gostava de multiplicar referências mesmo, não parecia ser muito afeito a navalhas:


Abraços,
 Cass. 

Ricardo Pereira

unread,
Jul 15, 2021, 11:25:01 AM7/15/21
to Petrucio Viana, Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de LOGICA
Bacana!
Obrigado pela dica!
Já baixei aqui, graças ao pessoal do Libgen, mas gostaria de
aproveitar pra perguntar aos membros como vêem o equilíbrio entre a
busca pela verdade e as questões morais/tribais, principalmente no
campo da esquerda (onde me incluo).

Tem a ver com o tema do relativismo cultural e com a verdade, mas se
acharem que será off-topic pra além da conta, podem mandar no privado.

Explicando um pouco...

Desde que iniciei meu contato com a filosofia, sinto-me um tanto
dividido a esse respeito, tendo estranhado bastante a percepção de uma
hostilidade nítida não apenas em relação à ciência, mas à própria
racionalidade e até mesmo à verdade (talvez por ter vindo da
engenharia).

Sempre pensei que isso passaria com o tempo e que aos poucos
entenderia por que as coisas eram assim, sendo que meu chute inicial
era que eu estava estranhando porque não levava em conta que as
pessoas estavam discutindo num contexto acadêmico muito restrito,
enquanto eu estava contaminado pelo absolutismo do senso comum.

O problema é que hoje eu vejo que muito do relativismo e das
conclusões extremas em relação à negação da verdade e da razão estão
muito além dos muros da academia e do debate contextualizado, sendo
possível perceber inclusive em posturas de alunos do ensino médio (sou
servidor técnico-administrativo do IFRN).

Só esse ano acabei lendo The Two Cultures (C. P. Snow)¹ e Higher
Superstition (Paul R. Gross and Norman Levitt)², que explicam bastante
coisa e teriam me ajudado MUITO a me situar, se tivesse tido contato
com eles lá pelos idos de 2010, quando entrei no mestrado em
filosofia.

Quem quiser ver um exemplo prático do tipo de atitude que me preocupa,
pode dar uma olhada nesse vídeo (em inglês) que achei esses dias
(menos de 5 minutos, a até onde ela fala em epistemological
standpoints):

https://youtu.be/v5wq71rjLUA?t=206

Pra terminar, acho essas observações de Joseph Heath (em inglês)
também bastante pertinentes no que toca uma abordagem produtiva da
racionalidade e a relação da esquerda acadêmica com a ciência:

https://www.youtube.com/watch?v=8MvvmSlSCLc
(Menos de 10 minutos a partir do ponto marcado, o que inclui a
pergunta do cara da platéia e a resposta a ele).

¹ https://en.wikipedia.org/wiki/The_Two_Cultures
² https://en.wikipedia.org/wiki/Higher_Superstition
> --
> Você recebeu essa mensagem porque está inscrito no grupo "LOGICA-L" dos Grupos do Google.
> Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, envie um e-mail para logica-l+u...@dimap.ufrn.br.
> Para ver essa discussão na Web, acesse https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CACRvmVQpXzqYjfV8B7pSvQEnH%3DCCkOsPKrAbXk3DMcREB-fNnA%40mail.gmail.com.



--

[]'s ...and justice for all.

Ricardo Gentil de Araújo Pereira

Eduardo Ochs

unread,
Jul 15, 2021, 12:09:20 PM7/15/21
to Ricardo Pereira, Petrucio Viana, Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de LOGICA
Oi Ricardo e todos!
Tou assistindo!

Vou aproveitar pra recomendar um vídeo bem recente do canal Philosohpy
Tube, chamado "Social Constructs". Link:

  http://www.youtube.com/watch?v=koud7hgGyQ8

Dá pra baixar as legendas dele com:

  youtube-dl -t --restrict-filenames --all-subs 'http://www.youtube.com/watch?v=koud7hgGyQ8'

Esse é o trecho que começa no 4:28:

  Imagine another earth, called Earth Two.
  And on Earth Two, they have
  all the same ideas we do
  about sex, and race, and gender,
  all those same categories,
  but they also have an
  extra one called Schmeight.
  Shmeight is very simple.
  There's two kinds of people
  on Earth Two, Bigs and Minis.
  Bigs is any adult over five feet tall
  and Minis is anyone under.
  And let's say that whether
  you're a Big or a Mini
  really affects your life on Earth Two.
  Like if you're a Big,
  you can get a better job,
  you can get a nicer house,
  you're allowed to marry whoever you like...
  If you're a Mini, life is hard.
  Suppose we were to meet
  the people of Earth Two.
  And we said Schmeight is
  just a social construct:
  'being a Big' or 'being a Mini' -
  those are clearly relational properties.
  They depend on how other
  people feel about you.
  They might say, No, it's
  not, it's not about feelings.
  It's objectively observable.
  Look, I have a tape measure!
  I can tell whether
  someone is a Big or a Mini!
  "Reaching tall things on my shelf
   is not a f*****g social construct!"

[[]],
  Eduardo


--
Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "LOGICA-L" dos Grupos do Google.

Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, envie um e-mail para logica-l+u...@dimap.ufrn.br.

Cassiano Terra Rodrigues

unread,
Jul 16, 2021, 6:21:59 PM7/16/21
to LOGICA-L, eduardoochs, Petrucio Viana, Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de LOGICA, rhalah
Camaradas, espero q esta encontre vcs bem. 
Perdoem se me alongo um pouco nas mensagens, espero q não seja enfadonho.
Caro Ricardo, obrigado por mencionar o LibGen novamente, procurei o livro e achei! Da 1a vez eu deixei passar. 
Quanto às tuas dúvidas, longe de mim querer respondê-las, mas acho q tem um ponto aí q vale a pena desenvolver um pouco.


Desde que iniciei meu contato com a filosofia, sinto-me um tanto
dividido a esse respeito, tendo estranhado bastante a percepção de uma
hostilidade nítida não apenas em relação à ciência, mas à própria
racionalidade e até mesmo à verdade (talvez por ter vindo da
engenharia).

Há uma questão de fundo da racionalidade q pouco é lembrada, e principalmente, eu diria, pouco lembrada por filósofos, apesar de muitos filósofos contemporâneos lembrarem constantemente dessa questão. Há uma irracionalidade ou um substrato impensado de fundo e indelével contra o qual se formam as nossas crenças mais básicas (alguns chamam de senso-comum), sem o qual a racionalidade é impossível. Posso depois passar as referências precisas q tenho, mas a tese é simples: a razão humana é uma capacidade q desenvolvemos para nos adaptar à vida coletiva. Alguns autores chegam mesmo a dizer q a função evolutiva da racionalidade humana é argumentar com os nossos iguais, os do nosso nicho, pq isso nos ajuda a sobreviver. Alie-se a isso q não basta aprender teorias científicas para raciocinar cientificamente (isto é, de maneira a aprender com os fatos, e não apenas reiterar o q aprendemos por testemunho). 
Então, creio q nenhum de nós está, individualmente, isento de repetir crenças q a experiência passada e os nossos hábitos epistêmicos fixaram em nós como uma segunda natureza, para falar como os medievais. Pois toda crença é pelo menos dividida em o q herdamos da experiência pregressa (incluindo o aprendizado cultural, seja de q natureza for) e o q conseguimos aprender com a nova experiência. E se a experiência passada não nos deu meios para continuar aprendendo com a experiência daqui pra frente, até onde consigo ver, fica mais fácil entender essa hostilidade q vc anota. Individualmente, então, acho q ninguém convence ou ensina ninguém de nada; ou a pessoa aprende por si, ou é doutrinada (perdoem-me se pareço muito dicotômico; não vou me alongar nisso pra não ficar ainda mais tedioso).
É claro q a sobrevivência em um nicho não significa a sobrevivência da espécie, ou mesmo a melhor sobrevivência. Pode significar justamente o contrário, o q só aumenta o nosso trabalho.  


O problema é que hoje eu vejo que muito do relativismo e das
conclusões extremas em relação à negação da verdade e da razão estão
muito além dos muros da academia e do debate contextualizado, sendo
possível perceber inclusive em posturas de alunos do ensino médio (sou
servidor técnico-administrativo do IFRN).

O James Rachels tem um capítulo muito interessante sobre relativismo ético-moral num livro q eu usei muitos anos lecionando justamente uma disciplina de ética para cursos diversos. O livro é Os Elementos da Filosofia Moral. A tradução é ruim, não recomendo. Mas o livro é bom; não é Kant ou Aristóteles, longe disso, mas ele tem uma linguagem bem boa para estudantes. E nessa linguagem clara e fluida, ele apresenta uma ideia importante: a gente pode argumentar e perguntar pelas razões. Isso pode parecer ingênuo diante do q eu escrevi antes, mas acho q é tão importante quanto mais ingênuo seja. O exemplo q ele dá é o seguinte (alguns vão lembrar de G.E. Moore, é claro). Imagine uma situação (comum) em q as pessoas dizem q os valores são incompatíveis. Mas será que são os valores q são incompatíveis ou é o sistema de organização das crenças? Alguém pode viver numa sociedade como a nossa, com megacidades em q abundam as hamburguerias, tantas mais quanto pior for o hambúrguer e maior a quantidade de hordas colonizadoras e bem intencionadas q as frequentem.  E outro alguém pode vir de uma sociedade rural e totalmente vegetariana, em que nunca se come carne, de nenhuma espécie de mamíferos. Aí se vc perguntar pq essa pessoa não come carne, ela pode dizer q tem medo de comer a carne da própria avó que já morreu mas pode ter reencarnado na vaca que foi sacrificada para fazer o hambúrguer. Mas pq? Ora, pq essa pessoa crê q a alma dos mamíferos reencarna em qq espécie de mamífero, seja pessoa, gato, bezerro, ornitorrinco... Então, não são exatamente os valores q são diferentes, pq na sociedade de hambúrgueres para civilizados urbanos e bem intencionados tb é reprovável comer a carne dos antepassados. Ao mesmo tempo, muitos crêem q hambúrgueres podem ser do bem ou do mal, dependendo de se forem feitos com carne de mamíferos ou vegetais. Mas, qdo começarem a ser fabricados em massa os hambúrgueres ultraprocessados dos latifúndios de vegetais laboratorialmente desenvolvidos do Bill Gates, outros problemas surgirão. E outras perguntas necessariamente serão feitas.
Então, acho o relativismo cultural, como diz o Rachels, não consegue enfrentar muitos desses problemas, ao mesmo tempo em q um racionalismo de molde iluminista tb não resolve muita coisa, pq a razão não é algo q fica dentro da cabeça dos indivíduos, mas é algo social. Pensando no q vc disse sobre o reconhecimento da verdade, acho q só o "não", só a refutação e a falsificação, não resolvem muita coisa. Como a gente aprende a pensar com uma linguagem q já é pronta qdo a gente nasce, o q faz as pessoas herdarem as maneiras como organizar as crenças, valores etc., é sempre um esforço limitado argumentar e raciocinar, mas um esforço q não dá pra abandonar (ninguém conseguiria parar de argumentar, nem se quisesse). Os autores q eu gosto de ler enfatizam q para uma argumentação ser eficaz (nesse sentido de fazer as pessoas se abrirem para aprender) é preciso criar uma harmonia entre percepção sensível, emoções e razões, sem o q lógica nenhuma funciona (a racionalidade, aí, seria só a superfície do psiquismo; o q faz da lógica algo ao mesmo tempo muito frágil e imprescindível). Pelo q vc escreveu (e outros nesta lista), acho q estamos no mesmo diapasão. 
Desculpem novamente por ter me alongado e saudações a todes. 
cass.
Reply all
Reply to author
Forward
0 new messages