OFF-TOPIC: Manifesto em Defesa da Professora Gisele Giampaoli

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Cassiano Terra Rodrigues

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May 7, 2021, 11:47:15 PM5/7/21
to LOGICA-L
Camaradas, 
envio a esta lista um manifesto em apoio à professora de sociologia Gisele Giampaoli, professora de sociologia em São Caetano do Sul. O documento relata bem o caso. Acontece q em São Caetano os professores da rede pública estão  enfrentando uma onda crescente e cada vez mais forte de autoritarismo, dado o alinhamento do Escola Sem Partido com o poder instituído local (ou poderes, talvez seja até mais exato dizer assim). 
Recebi o Manifesto de uma amiga q é professora e colega da Gisele. O pedido é para ampla divulgação e solicitação de assinaturas de instituições, partidos, pessoas públicas, associações... É esse o pedido q repasso a esta lista. 
Àqueles q não se identificarem com o pedido, sugiro q ignorem e, sinceramente, lamento. 
Saudações a todos, 
cass. 


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Cassiano Terra Rodrigues
Prof. Dr. de Filosofia - IEF-H-ITA
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São Paulo, Brasil
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lealdade, humildade, procedimento

Cassiano Terra Rodrigues

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May 8, 2021, 2:39:25 AM5/8/21
to LOGICA-L, Cassiano Terra Rodrigues
Camaradas, fui avisado q o manifesto não chegou. Envio aqui novamente. 
Saudações,
cass. 

Manifesto de apoio à professora Gisele Giampaoli

Em solidariedade à professora Gisele Giampaoli, professora de Sociologia do colégio

universitário da USCS, alvo de procedimento administrativo disciplinar e suspensão por 60

dias, com indicativo de demissão por justa causa, por determinação do reitor Leandro

Prearo, sob acusação de fazer campanha no colégio contra o retorno das aulas

presenciais no contexto da Pandemia.

As entidades abaixo relacionadas vêm à público manifestar repúdio à ação contra a professora

Gisele, mais um grave exemplo da política de perseguição e punição típica da Lei da Mordaça

e do movimento Escola sem Partido, que atacam em suas ações a liberdade de cátedra, o

pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e que submete os professores à vigilância

ideológica, perseguição, censura e punição constantes. O contexto da pandemia agravou ainda

mais essas práticas abusivas e autoritárias contra as professoras e professores, na medida em

que existe na sociedade uma polêmica sobre o retorno das aulas presenciais quando a

situação da pandemia se agravou amplamente no país e a política de imunização enfrenta

diversos obstáculos. Em todo o país, trabalhadoras e trabalhadores da educação lutam em

defesa da vida, pela garantia das condições para que todos tenham acesso emergencial e

temporariamente ao ensino remoto e pelo fechamento das escolas até que a pandemia esteja

controlada e a população esteja devidamente vacinada. A imposição das aulas presenciais em

diversos estados e municípios no pior momento da pandemia têm custado a vida de centenas

de trabalhadores da educação, de estudantes e de suas famílias. Somente na rede estadual de

SP mais de 2.412 pessoas foram contaminadas em 1100 escolas, acarretando em 83 óbitos até

o dia 30 de Abril, segundo levantamento da Apeoesp.

Apesar dessa triste realidade, a diretora do colégio, de quem partiu o relatório, afirma que a

professora, ao se manifestar sobre o retorno das aulas presenciais, com início em 09/02/2021

no colégio, teria supostamente usado as aulas de Sociologia para desestimular alunos e

professores a comparecerem à escola. Para sustentar sua acusação, anexou ao relatório

e-mails recolhidos com alguns pais que assistiram as aulas remotas de Sociologia e fizeram

acusações levianas de que a professora estaria pressionando, e até responsabilizando, os

alunos que frequentaram presencialmente as aulas pela eventual morte por Covid-19 de algum

professor do colégio. Uma acusação falsa, sob pretexto de estar realizando “doutrinação

ideológica”, que inverte a lógica da problematização feita pela professora durante as aulas e

que desconsidera o debate posto na sociedade sobre a questão. Desconsidera mesmo o papel

da escola nesse contexto, de levar informação aos alunos, contribuir para a formação deles

através do combate à desinformação, apresentando à eles, inclusive, as diferentes opiniões a

partir da complexidade e urgência do tema.

Os e-mails selecionados pela diretora demonstram a articulação interna da gestão do colégio

para perseguir, censurar e culpabilizar a professora por suposta campanha contra o retorno às

aulas presenciais. Enquanto agia em conjunto com esses pais, claramente discordantes sobre

os riscos de contaminação com o retorno presencial, a diretora e demais integrantes da equipe

gestora, não notificaram a professora sobre a reclamação dos pais, nem garantiram a ela a

defesa de seu ponto de vista, amparado no debate público e notório existente no período diante

do agravamento da pandemia no Brasil e no estado de São Paulo. Questionam e querem sua

demissão pelo uso das aulas de Sociologia para falar da pandemia. Ora, desde quando falar da

pandemia nas aulas não é abordar os conteúdos da Sociologia? Outros elementos presentes

no relatório, relacionados à atividade docente da professora, partem dessa acusação,

compondo o quadro de perseguição política à professora.

A luta contra as aulas presenciais na pandemia é uma luta nacional em defesa da vida,

encampada por diversos sindicatos e entidades de classe, amparados em estudos e análises

de associações científicas e especialistas de diversas áreas que partem da preocupação com o

aumento expressivo de casos de contaminação e mortes no país. E é por isso inadmissível que

qualquer professora ou professor seja punido individualmente por isso, muito menos

perseguido e censurado por qualquer desacordo político com o conteúdo das aulas

ministradas, num evidente desrespeito à liberdade de cátedra. Em São Caetano do Sul,

também temos o caso grave e absurdo da professora da rede municipal Catarina Troiano,

que também é alvo da política persecutória, intimidadora e de criminalização das professoras e

professores da cidade. Ela é vítima de queixa criminal por parte do secretário da educação

Fabrício Coutinho de Faria, que abriu inquérito por calúnia após a professora publicar em suas

redes sociais conteúdos expressando sua opinião contrária ao retorno das aulas presenciais.

Em sua escola, Catarina Troiano perdeu uma colega de trabalho vítima da Covid-19, uma

professora de 62 anos, que trabalhou durante um mês após o retorno às aulas presenciais

antes de ser entubada e vir a óbito. Na USCS, onde a professora Gisele é professora, um

funcionário de 65 anos também faleceu vítima do Covid-19, ele trabalhou presencialmente no

setor da manutenção na instituição até poucos dias antes de ser internado. Bem se vê que a

dinâmica de desrespeito à vida e à saúde dos trabalhadores da educação na cidade não

respeitou nem os servidores do grupo de risco à época.

É importante considerar também que recentemente, estudo realizado pela REPU (Rede Escola

Pública e Universidade) através de dados coletados na rede estadual de ensino, demonstrou

que o índice de contaminação entre professores é até 3 vezes maior do que a população adulta

em geral no estado. Também estudos publicados em revistas científicas como a Science e The

Lancet trazem novas evidências sobre a transmissão pelo ar, pelas partículas aerossóis, onde

o risco em ambientes fechados tem a capacidade de aumentar exponencialmente a

contaminação. No retorno presencial às aulas em fevereiro, a Uscs tinha turmas com até 20

alunos frequentando as aulas presenciais dentro da mesma sala de aula.

Considerando o absurdo da violência persecutória e de punição, defendemos a retirada

imediata do processo administrativo disciplinar contra a professora Gisele Giampaoli e o seu

retorno ao trabalho para que ela possa voltar a ministrar as aulas de Sociologia no Colégio da

Universidade Municipal de São Caetano do Sul e para que a interrupção de seu trabalho não

venha a acarretar prejuízos aos estudantes! Basta de perseguição e punição aos professores!

São Caetano do Sul, 05 de maio de 2021.


Cassiano Terra Rodrigues

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May 10, 2021, 12:02:50 AM5/10/21
to LOGICA-L
Camaradas, espero q tenham tido um bom domingo de dia das mães, a quem for o caso. 

A quem se interessou pelo caso da colega de São Caetano, segue o abaixo-assinado em favor da mesma professora: 


Abraços. 
Cass.

Itala Maria Loffredo D'Ottaviano

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May 10, 2021, 2:55:06 AM5/10/21
to Cassiano Terra Rodrigues, LOGICA-L
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Itala

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Prof. Dr. Itala M. Loffredo D'Ottaviano
Full Professor in Logic and the Foundations of Science
Centre for Logic, Epistemology and the History of Science
University of Campinas
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