Prezados Cassiano e Walter (e demais coronautas), celebro o interesse por parte da lógica em incursionar na etnomatemática, um assunto até hoje limitado aos campos educacionais, embora acredito que merece um estudo tanto matemático propriamente, quanto lógico e epistemológico.Há alguns anos escrevi uma resenha de um livro sobre etnomatemática da cultura guarani e vou enviá-la aos dois (e quem desejar) em seus correios particulares já que pela lista não podem ser enviados arquivos.
Só devo mencionar que a etnomatemática não pode ser entendida do ponto de vista da matemática tradicional como um corpo sistematizado de conhecimentos, nem uma possível etnológica do ponto de vista da lógica tradicional (e não estou me referindo apenas à clássica), corpo sistematizado com uma "lógica" interna que legitima essa sistematização, e sim como um processo dinâmico de pensamento com, também, uma racionalidade própria compatível com essa dinamicidade. De fato, a nossa matemática ocidental pode ser pensada como a etnomatemática surgida nas nossas culturas ancestrais, especialmente a grega, proveniente de sua forma específica de pensamento que nós chamamos de "racional", no entanto sua racionalidade é uma no meio de tantas outras ...... Há muito a ser dito e a ser pensado (e compreendido) sobre etnomatemática.
Um forte abraço a todos e fiquem em casa!!!
Cifuentes