Caro Anderson,
em meu curso de Lógica I eu apresento uma concepção semelhante à que
vocẽ mencionou sobre validade de um argumento. Um argumento é válido se
sua conclusão é consequência lógica as premissas -- ou seja, se não é
possível que as premissas sejam verdadeiras e a conclusão falsa. Mas
apresento isso como uma concepção informal, pré-teórica do que seja
validade -- pois é preciso explicitar o que se entende aí, por exemplo,
por 'possível'.
Do meu ponto de vista, os exemplos de argumento que vocẽ apresentou,
isto é:
(1) Héspero é o planeta Vênus. Logo, Fósforo é o planeta Vênus.
(2) Todos os homens são mortais. Logo, Sócrates é mortal.
não são válidos. Onde está escrito que Héspero é Fósforo, ou que
Sócrates é humano?
Na direção do que diz Walter, também considero um argumento como (2) um
entimema -- todo mundo sabe que Sócrates é humano, não precisa
explicitar etc.
Para um exemplo parecido:
(3) João tem duas maçãs e duas laranjas. Logo, João tem quatro frutas.
Também não seria válido: estamos pressupondo que maçãs e laranjas são
frutas, e também que 2 + 2 = 4! Você poderia dizer que a conclusão é uma
consequência biológico-aritmética da premissa ... mas acho estranho
dizer que é consequência lógica.
Se você diz: "peço que aceite que não há situação possível em que
Sócrates não seja um homem". Veja, na minha opinião você já está
pressupondo por trás disso uma concepção metafísica segundo a qual
humanos são essencialmente humanos. Para um exemplo desse tipo, veja
este, que vem da Idade Média:
(4) Sócrates é uma pedra. Logo, Sócrates é um asno.
A conclusão seria consequência necessária (metafísica?) da premissa,
pois entende-se que é impossível que Sócrates seja uma pedra, por ser
essencialmente humano. Um exemplo de que do impossível tudo se segue.
Seria um caso de consequência necessária, como seus exemplos (1) e (2)
Mas eu não diria que a conclusão de (4) é consequência lógica --
consequência dedutiva -- da premissa.
Além disso tudo, acho que temos a questão também de saber de que lógica
estamos falando. Um argumento pode ser dedutivamente válido na lógica L1
e não em L2.
Para finalizar, a questão do que seja consequência lógica é
interessantíssima. O que digo às minhas turmas é que temos diferentes
teorias (lógicas) que tentam precisar essa noção informal do "sempre que
as premissas são verdadeiras, a conclusão também é" (ou variações
disso).
Abraços,
Cezar
> se apresenta acima como _já_ dedutivamente válido. A questão é:
> por que ele não o seria?
>
> Por isso, insisto na minha pergunta inicial: qual é a definição de
> validade dedutiva que vocês usam?
>
> Bruno, em relação à analiticidade, não sei como você a entende,
> mas no meu uso (mas, veja, também, o uso que Kripke faz do termo em
> N&N) do termo um enunciado analítico é tanto necessário quanto _a
> priori_. De modo que tua sentença "o argumento é analítico mas não
>> Phone: (+55) (19) 3521-6517 [1]
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