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Caro Joao Marcos:
Nao li o livro, so vi os dois videos.
As motivacoes e os ideais da Cheng parecem muito bons, mas sua forma de argumentacao me parece ruim (nos videos):
<1> A escala temperada eh "Boa" porque os intervalos sao (em uma escala logaritmica) "Equalitarios".
<2> Redividir a fatia extra no prob. de Steinhaus eh "Ruim" porque poderiamos "da-la de presente" a alguem necessitado.
Este tipo de argumento, alem de falacioso, representa um estereotipo de argumento tolo mas politicamente correto que, no meu entender, eh um grande desservico a causas nobres que merecem mais respeito.
A matematica tem muito a contribuir para a discussao de problemas de inclusao social e no repensar de nossas condutas.
<3> O Nestor Caticha, do IF-USP, trabalha ha anos usando Fisica Estatistica para explicar a importancia adaptativa de comportamentos altruistas.
A proposito comportamentos Egoistas vs Altruistas eh uma nomenclatura ja ha muito estabelecida na literatura.
<4> Analise Estatistica de situacoes sociais eh outra area, mais proxima de coisas com que eu trabalho, que pode contribuir muito para mudar maus habitos ha muito estabelecidos.
Argumentos do tipo -- "Eh justificavel parar em batidas policiais mais motoristas negros porque a probabilidade deles estarem envolvidos em algo ilicito" -- foram invalidadas em cortes nos USA utilizando analises estatisticas criteriosas com modelos incluindo todas as covariaveis de interesse. Isto eh, saindo do campo de argumentacao qualitativa e retorica, quantificando os aspectos relevantes do problema, e modelando matematicamente os comportamentos de interesse.
<3> e <4> sao, na minha opoiniao, formas serias e virtuosas de utilizar a matematica para combater os problemas que voce, acertadamente aponta.
<1> e <2> sao , na minha opiniao, argumentacao falaciosa e esteriotipada.
Se estivermos dispostos a achar estes tipo de argumentacao como “falaciosa mas bonitinha", nao podemos depois reclamar das asneiras monumentais ditas por Trumps e Bolsonaros...
Na retorica do vale-tudo, fica dificil saber quem tem razao (com fundamentacao epistemologicamente sustentavel).
A proposito, se aguem quiser ver videos e entrevistas de otima qualidade abordando estes assuntos, procure no Google os videos da Brasileira Natalia Pasternak.
Tenho na memoria um fragmento em que a Natalia argumento da nossa complacencia em aceitar um comercial de Shampoo que afirma que o produto melhora o "DNA do cabelo" (pois cabelo nao tem DNA, e mesmo que tivesse, nenhum shampoo poderia altera-lo).
Quando vi pela primeira vez este video na Natalia, achei seu zelo exagerado. Quanto mais o tempo passa, mais me convenco que ela tem razao.
Abraco,
---Julio Stern
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