[Off Topic] Marie Curie

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Carlos Gonzalez

unread,
Oct 22, 2019, 10:40:51 AM10/22/19
to dviolato, Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de LOGICA, Carlos G González, Carlos González
Eu sou um admirador da Maria Curie.

Linus Pauling também ganhou dois prêmios Nobel.

A Marie Curie desmaio de fome nas aulas na Sorbonne, mas isso não impediu que ficasse em primeiro lugar em Física e em segundo em Matemáticas. Foi a primeira mulher professora da Sorbonne, a primeira mulher a ganhar um prêmio Nobel e a primeira pessoa a ganhar dois, antes de Linus Pauling. Também John Bardeen e Frederick Sanger ganharam dois.

Ostwald, um químico reconhecido na época, visitou o laboratório dela e Pierre e achou que era um galpão de batatas, ironicamente. Eles tiravam de minério com terra o material radioativo de uma terra chamada "pechblenda", da qual Becquerel (prêmio Nobel com os Curie) tirava urânio. A pechblenda tem chumbo e outros metais e parece o resíduo de uma explosão atômica (provavelmente o seja, provavelmente teve milhares de explosões atômicas naturais na história da Terra).

Era amiga das sufragistas norte-americanas, as quais, como muitos outros, pagaram a sua luta pela liberdade com períodos na cadeia. Quando as sufragistas recadaram muito dinheiro, colaboraram com as pesquisas de Marie Curie.

Quando Pierre e Marie casaram, no lugar de comprar um vestido de noiva, com esse dinheiro compraram duas bicicletas, que usavam para passear juntos.

No artigo comentado, a falta de recursos literários e o "marketing" de querer chamar a atenção levam a usar a palavra "vagabunda" de uma maneira grosseira e de mal gosto. 

Faz 50 anos atrás, em Argentina, nos teatros de revistas, cômicos medíocres falavam palavrões sem necessidade e o público, também medíocre,  ria disso. Análogo ao que acontece com a autora que usa "vagabunda" para chamar a atenção.

Carlos

On Sun, Oct 20, 2019 at 6:43 PM dviolato <dvio...@gmail.com> wrote:
As visões antagônicas revelam que pode haver espaço interessante para reflexão. 

Não acho que palavras devam ser cristalizadas. Pode haver proveito em alguma revisão semântica com efeitos práticos, e até políticos. 

Vejo que a resignificação de que o Marcos fala pode trazer mais contribuições como as da notória polonesa. Há fartos registros históricos de que mulheres notáveis encontraram grandes dificuldades para contribuir para o desenvolvimento das ciências (de virtualmente todas elas).

É preciso reconhecer que têm direito aos exatos mesmos espaços que os homens. Se isso incomoda, ainda que no âmbito dos costumes, é um sinal de que podem menos. 

Assim, sem querer desrespeitar ninguém ou pretender falar as últimas palavras, deixo a minha contribuição. 



Enviado do meu smartphone Samsung Galaxy.

-------- Mensagem original --------
De : Joao Marcos <boto...@gmail.com>
Data: 19/10/2019 22:19 (GMT-03:00)
Para: Walter Alexandre Carnielli <walt...@unicamp.br>
Cc: Rodrigo Freire <freir...@gmail.com>, Juan Meleiro <juan.me...@gmail.com>, Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de LOGICA <logi...@dimap.ufrn.br>
Assunto: Re: [Logica-l] a pior tentativa de explicar a hipotese do continuo

> A notinha “Marie Curie: a vagabunda que ganhou dois prêmios Nobel” é uma tontice mal-escrita, que pretende tirar onda da era bolsonaro, onde falta de compostura é bem vista.

Muitíssimo pelo contrário: *este* sim é um comentário eivado pelo
conservadorismo...  O texto trata do empoderamento feminino, e a
palavra "vagabunda" é essencial à sua construção argumentativa.  (Leia
outra vez, sem pré-conceitos!)  Seu valor semântico é em tudo
semelhante ao da palavra "vadias" na "Marcha das Vadias".

Está de parabéns a autora do texto.  E mil vivas a Marie Skłodowska Curie.
JM

PS: Esta é a minha última mensagem nesta thread, que já não tem nada a
ver com a Hipótese do Contínuo ou com Aprendizado de Máquina.

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Joao Marcos

unread,
Oct 22, 2019, 11:48:29 AM10/22/19
to Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de LOGICA
Prezadxs:

Esta mensagem é realmente OFF (e provavelmente a última que envio
sobre o tema), pois não faço qualquer esforço em aproximar o que digo
aqui à Lógica ou à Teoria da Argumentação. Ela é escrita pelo meu
coração vagabundo, que "não se cansa de ter esperança".

Por um lado, como bem apontou a Luiza, é realmente difícil defender a
tentativa de _ressignificação semântica_ dos termos em questão
("vagabunda", "vadia"). Por outro lado, como o Abílio, eu próprio não
tenho problemas com o vocabulário usado no caso do artigo em tela,
dado o objetivo ao qual ele se prestou. Não tenho, aliás, nenhum
compromisso particular em defender (aquilo que considero) o "bom
gosto", que por mim pode perfeitamente ir à merda --- pardon my
French.

A "eficácia" da estratégia empregada para chamar a atenção do leitor,
usada pelo texto da Profa. Márcia Barbosa, me parece comprovada pelo
fato de o termos discutido tão amplamente aqui nesta lista.
Pessoalmente, concordo com Gisele que o texto tem o seu valor e que
está bem ajustado ao seu contexto de publicação. De todo modo, no que
diz respeito a Marie Skłodowska Curie, cientista e ser humano de
primeira qualidade, sinto que algumas das histórias partilhadas pelo
Carlos na mensagem abaixo são mais interessantes do que todo o resto
que foi dito sobre isso até agora. O blog do Globo só teria a ganhar
com textos que incluíssem causos assim em seus conteúdos, e a
divulgação da ciência como um todo, bem como a advocacia dos direitos
humanos, ganhariam igualmente com os argumentos cuidadosos elaborados
por alguns colegas que se manifestaram aqui.

JM
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