Para contrabalançar a experiência positiva relatada na mensagem
anterior por um expert, acrescento dois causos pessoais:
(1) Neste semestre tive uma aluna que decidiu delegar para uma IA a
solução de exercícios relacionados a demonstrar ou refutar conjecturas
proposicionais, usando o sistema ProofWeb
(
https://carol.dimap.ufrn.br/proofweb/) como interface para teorias em
Coq. Para cada conjectura recebida, a aluna apresentou tanto uma
"demonstração" (usando códigos que ela não é capaz de explicar) quanto
uma "refutação" --- sim, ela demonstrou *e* refutou cada um dos
exercícios! Olhando para o código apresentado pela discente, demo-nos
conta de que a maior parte das respostas apresentadas envolviam duas
táticas Coq: "abort" (isto é, "desisto") e "admit" (isto é, "assuma
como axioma"). Obviamente, as táticas usadas resultam
"bem-sucedidas"... Como tem sido amplamente verificado, usuários
despreparados costumam tirar bem menos proveito da IA do que
gostariam.
(2) Outro aluno da mesma turma decidiu consultar um oráculo artificial
para "saber um pouco mais sobre as ferramentas computacionais que
estávamos usando". Ou seja, ao invés de simplesmente nos perguntar a
respeito, em sala de aula ou no fórum, assistir aos vídeos
instrucionais que fizemos, e consultar os artigos que publicamos sobre
o assunto (por exemplo:
https://dimap.ufrn.br/~jmarcos/papers/JM/15-TM-Try.pdf), e ao invés de
simplesmente consultar o material do curso ou fazer uma consulta no
Google, o aluno optou por consultar uma IA qualquer, que respondeu com
fantasias e delírios, a partir das quais o aluno tirou suas próprias
conclusões e enviou seus "questionamentos" para o fórum da disciplina.
O pior: quando apontei ao aluno as incorreções flagrantes nas
alucinações que ele copiou-e-colou no fórum, ele se chateou comigo, e
insistiu que as "fontes" dele estavam corretas!
Que tipos de experiências recentes têm tido os colegas com o (mau) uso
destas ferramentas?
[]s, Joao Marcos
--
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