Em celebração ao Dia do Filósofo, a SBL promove a seguinte palestra:
Para que ensinamos lógica nos cursos de Filosofia?
Prof. César Frederico dos Santos (UFMA)
Ao passo que professores de Ética não têm qualquer expectativa de que seus alunos tornam-se “pessoas melhores” depois de cursarem Ética, professores de Lógica costumeiramente alimentam expectativas de que seus alunos passem a “raciocinar melhor” depois de cursarem Lógica. No entanto, a experiência tem mostrado que essa expectativa dificilmente se realiza. O ensino de lógica, do jeito que geralmente é feito nas graduações em Filosofia no Brasil, muito raramente é percebido pelos estudantes como útil para ampliar suas habilidades e competências filosóficas. No máximo, o aprendizado de lógica amplia o conhecimento do estudante sobre teorias lógicas, na mesma medida que o ensino de Ética amplia o conhecimento do estudante sobre teorias éticas. Mas é isso que queremos? Ou deveríamos ensinar lógica de outra maneira? Nesta fala, defenderei que a expectativa de ensinar lógica para melhorar a capacidade argumentativa e de raciocínio dos estudantes é legítima e que, para realizá-la, deveríamos ensinar lógica de uma maneira bem diferente daquela que temos adotado. O ensino de lógica deve ser inicialmente prático e só posteriormente teórico. Não podemos ensinar Lógica como ensinamos Ética, porque a lógica é antes de tudo um instrumento da atividade filosófica, enquanto a Ética é somente um objeto de estudo filosófico.