Rodrigo Freire <freir...@gmail.com>: Mar 24 11:15AM -0300
Olá Andrea. A formulação da prova surpresa é mais familiar para mim.
A sentença poderia ser reformulada com o axioma:
*Você será enforcado na segunda ou na terça ou na quarta ou na quinta ou na
sexta.*
Essa é a única informação da sentença. O resto tem o efeito de "sem mais
informações" e é melhor entendida como uma frase da metalinguagem (sobre o
sistema de informações, não como uma informação adicional). Uma
incorporação do "sem mais informações" como uma informação positiva não
gera um sistema confiável.
A interpretação que o rábula faz da sua sentença de morte incorpora em seu
sistema de justificação a parte prescreve o que ele não saberá. Ou seja,
ele interpreta, com ajuda da má formulação da sentença, uma ausência de
informação como informação positiva.
Esse movimento incorpora na lógica do rábula uma modalidade
metalinguística. O sistema resultante de justificação do rábula é baseado
na própria noção de justificação que o sistema tenta capturar. Esse é um
tipo de planificação da linguagem/metalinguagem é problemática e não gera
um sistema dedutivo confiável. De qualquer modo, uma formalização simples
desse sistema em logica modal resulta inconsistente.
É assim que vejo o problema.
Abraço
Rodrigo
|
Andrea Loparic <alop...@gmail.com>: Mar 24 03:38PM -0300
Oi Rodrigo,
Assim formulado, o problema é outro. O problema tradicional é uma questão
de lógica epistêmica. O não poder saber de véspera é parte da sentença
do problema tradicional. Eu não estou nesse momento podendo pegar meu
exemplar do "The ways of Paradox" do Quine, onde ele expõe o problema e
a solução que ele dá; se você ou algum colega tiver à mão esse livro, peço
que copie aqui a formulação que lá aparece.
Abraços,
Andréa
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Em ter., 24 de mar. de 2020 às 11:15, Rodrigo Freire <freir...@gmail.com>
escreveu:
>> https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CACHAqBnO2pCNhNfMO9OqEcy5d5G%3DUspDta1Ek6DcU1TU6f%3DAVg%40mail.gmail.com
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Rodrigo Freire <freir...@gmail.com>: Mar 24 03:48PM -0300
Oi Andrea,
Sim, meu ponto é que a teoria epistêmica resultante não é confiável (se
formalizada será contraditória). Por isso sugiro que "não saberá de
véspera" não deve ser interpretada como uma nova informação e internalizada
através de uma linguagem epistêmica, mas apenas como a metainformação "sem
mais informações". O problema se dissolve se interpretado desse modo.
Abraço
Rodrigo
|
Andrea Loparic <alop...@gmail.com>: Mar 24 04:08PM -0300
Bem o que você está dizendo é que o probema tradicional é um
falso problema, ou seja, que a sentença não tem modelo. Você
concorda então com o rábula! E seria contraditado na terça
feira, quando fosse surpreendido pela chegada do carrasco
pra te buscar as 5:50 !
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Em ter., 24 de mar. de 2020 às 15:48, Rodrigo Freire <freir...@gmail.com>
escreveu:
|
Rodrigo Freire <freir...@gmail.com>: Mar 24 04:47PM -0300
Ao contrário, discordo do raciocínio do rábula. O rábula raciocina em um
sistema que usa o raciocínio do rábula (o próprio sistema, portanto) na
linguagem objeto. Esse sistema é contraditório, dele qualquer coisa se
segue. Não se pode usar esse sistema.
|
Antonio Marmo <marmo...@gmail.com>: Mar 24 05:50PM -0300
Pois é preciso dizer antes em quais termos se coloca o problema para pensar a solução. Ainda assim, isto não garante que alguém não o resolva pensando “fora da caixa”.
A lenda do nó górdio é um exemplo óbvio. Alexandre o Grande teria sido o único que resolveu o problema passando a espada, ao passo que todos antes dele pressupuseram que a proposta era desfazer o nó sem partir a corda.
Voltando ao problema específico: as Cortes de Lisboa determinam que El-rei D. João VI deve voltar à Lisboa. O monarca responde: “um dia eu volto, hoje não.” Como vamos analisar o problema? Usando alguma lógica epistêmica conhecida, como T ou D? Usando da simples lógica proposicional clássica? Ou vamos observar como as pessoas intuitivamente reagem ao problema?
No caso do exemplo histórico, os deputados portugueses não se surpreenderam com o retorno de D. João VI quando aconteceu. Na verdade, ao ouvirem dele que regressaria algum dia, mas sem uma data marcada, entenderam que ele não regressaria e o pressionaram até que anunciasse sua partida do Rio de Janeiro. Qual era a lógica que guiou a intuição política nesse caso? Houve uma lógica nisso?
Por isso é que questões em lógica não se limitam à parte técnica. Não existe a técnica sem a indispensável reflexão filosófica. É no bojo dela que os problemas se formulam. Obviamente, admitimos que ad soluções quando nos chegam podem estar fora da caixa, mas neste caso é outrossim necessário ter ciência de que a reflexão se deslocou para outros termos. Só com a reflexão clara entendemos direito o que significam os problemas e as soluções propostas.
Most problems of teaching are not problems of growth but helping cultivate growth. As far as I know, and this is only from personal experience in teaching, I think about ninety percent of the problem in teaching, or maybe ninety-eight percent, is just to help the students get interested.
Noam Chomsky
|
Andrea Loparic <alop...@gmail.com>: Mar 24 06:14PM -0300
Então não entendi sua posição antes. Deixe ver agora:
Na sua opinião, a sentença do rei é sustentável e
é o raciocínio do rábula que não é?
E você estava mostrando por que a argumentação do
rábula está furada, é isso?
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Em ter., 24 de mar. de 2020 às 17:50, Antonio Marmo <marmo...@gmail.com>
escreveu:
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Rodrigo Freire <freir...@gmail.com>: Mar 24 06:27PM -0300
A sentença do rei é mais que sustentável, ela de fato ocorre, não é?
O raciocínio do rábula não é sustentável, como não são alguns raciocínios
que contém a noção metalinguística de "verdade" na linguagem objeto. Ele
poderia, por exemplo, dizer ao rei: "se o que estou a dizer é verdade,
então sou inocente". O rei teria que concluir que essa frase é verdadeira,
portanto que o rábula é inocente. É essa analogia que faço.
No caso em questão, o raciocínio contém a noção metalinguística de "saber"
na linguagem objeto.
Meu ponto é que isso gera um sistema inconsistente, como a inclusão da
noção metalinguística de "verdade" na linguagem objeto.
|
Antonio Marmo <marmo...@gmail.com>: Mar 24 06:47PM -0300
Rodrigo,
A que semântica você se refere quando diz isso?
Suponha que numa lógica epistêmica o operador K faz o modal “quadradinho”. Numa semântica como a de Scott-Montague, Kp então quer dizer que o conjunto de mundos da proposição p está na vizinhança de um mundo de referência w. Por que isso seria inconsistente de dizer?
|
Andrea Loparic <alop...@gmail.com>: Mar 24 06:53PM -0300
Ah, tá. Eu não tinha entendido sua primeira msg.
Também acho que o furo do rábula tem a ver com "saber" e
que já a eliminação do último dia não se sustenta, ou seja, o
"se eu fosse morrer no sábado, eu saberia na sexta que
ia morrer no sábado" é falso e ele não poderia impugnar
a sentença na sexta dizendo algo como "eu não vou morrer
amanhã pois eu estou sabendo hoje que vocês vão me matar
amanhã"...
Em ter., 24 de mar. de 2020 às 18:27, Rodrigo Freire <freir...@gmail.com>
escreveu:
|
Rodrigo Freire <freir...@gmail.com>: Mar 24 07:35PM -0300
Não é a lógica (modal) que é inconsistente, é a teoria modal em que o
rábula raciocina. Vamos analisar esse raciocínio para tentar esclarecer.
Seja K o operador de conhecimento de véspera, ~ o operador de negação, p1 a
proposição que diz que o enforcamento será na segunda, ..., p5 a proposição
que diz que o enforcamento será na sexta.
O rábula admite como axiomas
A: (p1 e ~K(p1)) ou ... ou (p5 e ~K(p5)). [a interpretação dele da sentença]
B1: p1 implica ~p2 e ... e ~p5
.
.
.
B5: p5 implica ~p1 e ... e ~p4
C: p5 implica K(p5)
D: K(~p5) implica (p4 implica K(p4))
E: (K(~p5) e K(~p4)) implica (p3 implica K(p3))
F: (K(~p5) e K(~p4) e K(~p3)) implica (p2 implica K(p2))
G: (K(~p5) e K(~p4) e K(~p3) e K(~p2)) implica (p1 implica K(p1))
Agora o raciocínio:
- A partir de C, de B5 e de A, conclui-se ~p5. Da necessitação, que o
rábula assume pois o que ele deduz ele considera como conhecimento de
véspera, K(~p5).
- A partir de K(~p5), de B4, de D e de A, conclui-se ~p4. Da necessitação,
que o rábula assume pois o que ele deduz ele considera como conhecimento de
véspera, K(~p4).
- A partir de K(~p5), K(~p4), de B3, de E e de A, conclui-se ~p3. Da
necessitação, que o rábula assume pois o que ele deduz ele considera como
conhecimento de véspera, K(~p3).
- A partir de K(~p5), K(~p4), K(~p3), de B2, de F e de A, conclui-se ~p2.
Da necessitação, que o rábula assume pois o que ele deduz ele considera
como conhecimento de véspera, K(~p2).
- A partir de K(~p5), K(~p4), K(~p3), K(~p2), de B1, de G e de A,
conclui-se ~p1.
- A partir de ~p5, ~p4, ~p3, ~p2, ~p1 e de A, conclui-se bottom.
Abraço
|
Antonio Marmo <marmo...@gmail.com>: Mar 24 08:13PM -0300
Caro Rodrigo,
Obrigado pela sua resposta.
Entendi agora qual é o caminho que você está vendo.
Como há mais pessoas lendo essa discussão, se me permite, vou apenas dizer algo sobre a literatura: esse problema do enforcado apareceu, conforme já disse a professora Andreia, num livro de Quine, cujo título é “Ways of Paradox”. No primeiro capítulo desse livro, Quine faz uma exposição da distinção entre falácia e paradoxo. No segundo capítulo, páginas 21 a 23, ele aborda esse problema dando a entender que não é um paradoxo de verdade, mas apenas um caso de um sujeito que raciocinou errado sobre uma proposição. Vale a pena ler o livro só por esses dois capítulos.
|
Andrea Loparic <alop...@gmail.com>: Mar 24 09:32PM -0300
Muito legal, Rodrigo!
Eu estou sem poder hoje, mas amanã vou sentar e seguir
passo a passo sua dedução.
Valeu!!
Em ter., 24 de mar. de 2020 às 20:13, Antonio Marmo <marmo...@gmail.com>
escreveu:
|
Adolfo Neto <adolf...@gmail.com>: Mar 24 07:58AM -0300
Atividades de ensino da UTFPR foram suspensas
http://portal.utfpr.edu.br/noticias/geral/atividades-de-ensino-estao-suspensas-por-tempo-indeterminado
--
==================================================================
Adolfo Neto
Associate Professor - Federal University of Technology, Paraná
Web: http://www.dainf.ct.utfpr.edu.br/~adolfo
Mestrado em Computação Aplicada: http://www.ppgca.ct.utfpr.edu.br
==================================================================
|
Claus Akira Horodynski Matsushigue <clau...@mat.unb.br>: Mar 24 10:10AM -0300
ORGULHO DE SER UnB!!!!!!!!!!!!!!!!!!
ADUnB pede suspensão completa das atividades na UnB
A Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB) enviou um
oficio ao Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe), pedindo a
suspensão completa das atividades de ensino na universidade, por tempo
indeterminado e com posterior discussão do calendário acadêmico quando a
situação de circulação de pessoas já esteja regularizada.
A UnB havia determinado a suspensão das atividades presenciais de ensino,
pesquisa e extensão e a substituição das aulas presenciais por atividades
virtuais, por meio do uso de ferramentas e plataformas de EAD. Para a
ADUnB, a medida causa prejuízos aos(às) docentes e à comunidade acadêmica,
já que muitos estudantes não têm acesso livre à internet e as professoras e
professores não terão o suporte adequado para desenvolver conteúdo nessas
plataformas.
Leia o documento na íntegra:
Ao Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da UnB
Reitoria em Cópia
Senhores e Senhoras Conselheiros,
A Associação de Docentes da Universidade de Brasília tem acompanhado de
perto as medidas coletivas de proteção à nossa comunidade e vem partilhar
com os senhores e senhoras algumas preocupações no interesse da categoria
docente.
Todos e todas estamos cientes da gravidade dessa pandemia, sem precedentes
na história, e que começa a se espalhar pelo nosso país, tornando
imprescindível reduzir rapidamente a circulação de pessoas para reduzir,
consequentemente, a velocidade de contágio. A Resolução do CEPE 0011/2020,
de 14 de março, suspendeu até o dia 29 do mesmo mês as atividades
presenciais de ensino, pesquisa e extensão e o DEG emitiu comunicado
orientando a substituição das aulas presenciais por atividades virtuais por
meio do uso de ferramentas e plataformas de EAD, disponibilizadas pela
universidade.
Nós estamos compreendendo essas medidas como uma solução temporária para
manter os alunos em atividade neste primeiro período de interrupção. Mas,
acreditamos que elas não poderão dar conta de manter qualidade de ensino e
equidade de acesso, caso seja necessário um prolongamento de maior duração
das atividades presenciais. Enumeramos abaixo as razões principais que nos
fazem pensar assim:
1. Existe um conjunto de conhecimentos e técnicas em torno de textos e
aulas em EAD desenvolvidos ao longo do tempo, demonstrando que para
garantir qualidade de ensino nesta modalidade não se pode, simplesmente,
fazer o mesmo que se faria em sala diante de uma câmera de computador ou
dentro de uma sala virtual de debate. É verdade que muitos de nossos
professores tem experiência anterior em EAD, o que torna mais fácil para
eles, na dependência da natureza dos conteúdos, adaptar as aulas ao formato
virtual. Entretanto, essa não é a realidade, talvez, da maioria dos nossos
docentes e suas dificuldades com essas ferramentas não permitirão, por um
lado, a isonomia na qualidade da oferta e, por outro lado, não pode
expô-los ao conjunto dos estudantes como docentes despreparados, ou
negligentes.
2. A UnB não dispõe de nenhum estudo sobre inclusão digital de seus
estudantes, no que se refere à qualidade da acessibilidade domiciliar dos
mesmos. É sabido, entretanto, que muitos deles dependem de conexões
disponibilizadas publicamente, cuja possível radicalização das medidas de
isolamento os impedirá de acessá-las, prejudicando exatamente o grupo dos
estudantes mais vulnerável, em um contexto, onde já estão suspensos os
passes estudantis de transporte público. Ou, poderá ainda, forçar esse
grupo a procurar os locais com sinal aberto, obrigando-os a gastos e
expondo-os a maiores riscos, o que também vai de encontro à equidade das
oportunidades.
3. Não parece evidente que o nosso provedor e nossa rede suportarão, de uma
só vez, todas as disciplinas de todos os cursos usando plataformas
abrigadas em nosso CPD. Do mesmo modo, nos preocupa se o suporte técnico
necessário às novas demandas desse uso generalizado das plataformas on line
poderá ser mantido diante da redução de efetivos técnico-administrativos
presenciais necessários à proteção desse setor. Devemos notar que problemas
com quedas temporárias de conexão não chegam a ser raras em condições
normais na UnB, o que causa maiores inseguranças para longos períodos de
sobrecarga do sistema.
4. Entre as medidas do governo pensadas para reduzir nossa jornada para 30
horas e baixar 25% de nossos salários, encontra-se a proposta de
transformar 40% de todos os cursos em atividade EAD. Assim sendo, se no
esforço de respondermos às demandas emergentes da pandemia, nós
transformarmos, ainda que sem condições, os cursos presenciais de todo um
semestre em modalidade EAD, estaremos reforçando essa perspectiva irreal e
contrária aos interesses de toda a comunidade universitária.
No dia de ontem surgiu o primeiro caso comunitário no Distrito Federal e as
estimativas de especialistas apontam para 4.900 casos no Brasil até o fim
desse mês. Desta maneira, acreditamos que no dia 29 de março deverá estar
mais claro para todos e todas que o rigor nas medidas de isolamento físico
necessário só aumentará nas semanas seguintes. Neste sentido, solicitamos
aos conselheiros e conselheiras, que ao fim desse período determinem a
suspensão completa das atividades de ensino por tempo indeterminado, com
posterior discussão do calendário acadêmico quando a situação de circulação
de pessoas já esteja regularizada, devendo-se ter em conta que o conjunto
de docentes e da comunidade acadêmica em geral não pode ser culpabilizado
pela crise com perda de seus direitos.
Com votos de respeito e consideração,
Associação dos Docentes da Universidade de Brasília - ADUnB
A DIRETORIA
--
_______________________________________________
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http://listas.unb.br/listinfo/adunb-l
|
Claus Akira Horodynski Matsushigue <clau...@mat.unb.br>: Mar 24 10:16AM -0300
ORGULHO DE SER UnB!!!!!!!!!!!!!!!!
O Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) da Universidade de
Brasília, decidiu, em reunião virtual nesta segunda-feira (23/3), suspender
o calendário acadêmico do primeiro semestre de 2020 pelo tempo que durar a
situação de emergência de saúde pública relacionada à pandemia do novo
coronavírus no Distrito Federal. As aulas e atividades realizadas de 9 de
março até agora não perdem a validade.
Na resolução do Cepe, ficam autorizadas algumas atividades não presenciais,
como as de extensão voltadas ao atendimento à comunidade em temas
relacionados à saúde da população. Os estágios supervisionados e atividades
assistenciais na área de saúde, preferencialmente relacionadas ao combate à
Covid-19, também estão autorizadas pelo Cepe, assim como a realização de
bancas de defesa de Trabalho de Conclusão de Curso, de qualificação e
defesa de dissertação ou tese, *desde que exclusivamente de modo não
presencial*.
A Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB) representada
na reunião pelos diretores Jacques de Novion e Luiz Araújo, e defendeu,
conforme o *ofício enviado pelo sindicato ao Cepe na quarta-feira (18)*
<https://www.adunb.org/post/adunb-pede-suspens%C3%A3o-completa-das-atividades-na-unb>,
a suspensão completa das atividades de ensino na universidade.
A ADUnB afirmou que a medida preserva a isonomia da instituição, já que não
há como garantir equidade de acesso - tanto aos docentes quanto aos
estudantes - à tecnologia necessária para continuidade das atividades
acadêmicas, o que prejudicaria a qualidade do ensino.
"Não podemos colocar em risco a comunidade com atividades presenciais,
tampouco aprofundar as desigualdades existentes de acesso ao ensino.
Concordamos também com a abertura para atividades de acolhimento,
solidariedade e combate à pandemia. Certamente a UnB tem dever de estar
engajada nesse esforço nacional", considerou a ADUnB durante a reunião.
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On Tue, Mar 24, 2020 at 10:10 AM Claus Akira Horodynski Matsushigue <
|
Joao Marcos <boto...@gmail.com>: Mar 24 10:32AM -0300
> já que muitos estudantes não têm acesso livre à internet e as professoras
e professores
> não terão o suporte adequado para desenvolver conteúdo nessas plataformas
Quais as propostas da UnB (ou da ADUnB) para *resolver* estes dois
problemas?
JM
|
Claus Akira Horodynski Matsushigue <clau...@mat.unb.br>: Mar 24 10:59AM -0300
Veja.. não sou da ADUnB, nem estou defendendo-a. O prof Everaldo abaixo
não é de "esquerda" por exemplo.
Realmente é não fechar os olhos para o que está acontecendo no mundo, e
pior, o morticínio que ocorrerá no Brasil... morticínio.
Sugeriria também uma leve visita às residências dos nosso alunos com mais
carências, ver as casas, os cômodos, quantos vivem, quantos desempregados,
doentes, bêbados, idosos, crianças, problemas de segurança... isso antes
da epidemia. Saber que no BRASIL REAL, agora no início da epidemia, por
exemplo, um dos maiores problemas são crianças que, sem escola, ficam sem
merenda, SEM COMER. Fora que não há e não haverá hospital para todos. A
maioria terá que voltar para casa, mesmo infectado e enfermo. Sem nenhuma
instrução ou condição. Nem testes estão fazendo, esta é a realidade. E um
governo que faz piada durante estes meses sobre a "gripezinha", ainda faz.
Quando não sugere deixar os trabalhadores SEM SALÁRIOS POR 4 MESES. Com
MAIS DE DOIS MESES DE ANTECEDÊNCIA DA CHINA e mais de um da Itália, o
Brasil não tem nem álcool, nem máscara, nem testes, nem equipes preparadas
e organizadas, nem hospitais ou novos leitos sendo construídos, nem
respiradores.... No final, NADA... ao deus dará!!!
*O calendário acadêmico precisa e poderá aguardar; nossas vidas, não!*
*Prof. Everaldo Batista da Costa*
*Departamento de Geografia*
*Universidade de Brasília*
*everal...@unb.br <everal...@unb.br> *
Vou repetir o que já está dado: os meses de abril, maio e junho poderão ser
trágicos para o Brasil, na dimensão da saúde pública e da economia, em
especial.
Nesse sentido, diante de um quadro social caótico, como atuarão ou como
podem atuar as Universidades públicas brasileiras?
O debate interno parece ser o da “manutenção do calendário acadêmico” no
EAD.
Eu teria dezenas de argumentos contra essa posição, mas deixarei apenas um,
o mais óbvio: *nem a Universidade púbica brasileira, muito menos a
sociedade, os professores ou estudantes temos **estrutura técnica** e *
*formativa** para a “desejada” EAD, nem momentaneamente, para
ensinar-aprender de forma qualificada.*
Assim, quero fazer coro ao que defende o colega professor Paulo Celso dos
Reis Gomes, da Faculdade de Tecnologia da Universidade de Brasília, em
texto publicado, no dia 20 de março de 2020 pela ADUnB, no tocante à
atuação social da instituição, neste momento peculiar da história mundial.
Texto coerente e necessário que termina com o chamado: “Peço
encarecidamente à Administração Superior que avalie a possibilidade de
suspender o calendário do semestre letivo e o substitua por atividades de
extensão universitária, coordenadas e integradas por nossas instâncias
internas mais adequada, até que o pior dessa pandemia passe” (P. Gomes).
Não é o momento para que a “Universidade sem condição” (J. Derrida) esteja
centrada na manutenção do calendário acadêmico, de forma
precarizada-precarizante, ultrajada-ultrajante do ensino, dos docentes e
dos alunos. O calendário será recuperado, as vidas não.
Assim, dentre as Faculdades, Institutos e Departamentos, quais poderiam:
1. Atuar junto às mães e aos pais que estão em casa com seus filhos
pequenos, com atividades pedagógicas?
2. Dar suporte técnico à manutenção de equipamentos hospitalares?
3. Criar e/ou disponibilizar/indicar material lúdico, de lazer ou
entretenimento para famílias que estão em casa acometidos pela angústia do
confinamento?
4. Propor grupos de leitura interativa entre docentes e comunidade
(obviamente, incluindo nossos alunos), no limite daquilo que podemos atuar
e que a sociedade pode receber, virtualmente?
5. Realizar apoio psicológico às famílias que já apresentam indivíduos
infectados ou em quadro de depressão catalisado ou não pela pandemia?
São muitas as alternativas de atuação extensiva, além destas aqui indicadas
e inspiradas no que propõe nosso colega Paulo Celso dos Reis.
Este momento - único na vida da maioria de nós - deve ser superado com
solidariedade. *O calendário acadêmico precisa e poderá aguardar; nossas
vidas, não. *
_______________________________________________
adunb-l mailing list
adu...@listas.unb.br
http://listas.unb.br/listinfo/adunb-l
|
Joao Marcos <boto...@gmail.com>: Mar 24 11:12AM -0300
Pelo que entendi, a proposta do Prof. Everaldo ---com cinco ações
claramente delineadas--- é nos concentramos na *extensão*. Parece-me bom
--- certamente bem melhor do que simplesmente proibir todos os docentes de
dar aulas "em qualquer modalidade", sem justificativa, e propor interromper
as defesas de trabalhos de conclusão, dissertação e tese, sem
justificativa. A UnB já começou a tomar medidas para a *implementação*
destas propostas? O tempo urge!
JM
PS: Mais uma vez, esta thread vai se tornando demasiado off-topic, e não
pretendo por isso dar continuidade à discussão.
|
Rodrigo Freire <freir...@gmail.com>: Mar 24 11:36AM -0300
Vou tentar esclarecer o que aprovamos no cepe (não que seja relevante, mas
sou conselheiro titular e estive na reunião por zoom) e o cenário de
coordenação que temos.
1- Como foi dito, aprovamos a suspensão do semestre, não seu cancelamento.
Significa que o semestre será retomado quando a quarentena terminar. Já era
a proposta da reitoria e, de fato, em uma semana de coordenação, vimos que
seria muito difícil suportar a avalanche de demandas por muito tempo. É
recomendado que sejam mantidas atividades ou mesmo cursos de modo mais
leve, mais diluído, sem cobrança de calendário nem de avaliação, para
manter os alunos engajados e ajudar no lado psicológico deles durante a
quarentena. Usamos google classroom, aprenda, moodle, email e outras
plataformas. Como coordenador de pós, acho essencial manter, na medida do
possível, cursos de modo diluído durante esse período.
2- Sobre os estudantes que não tem acesso à internet, não há um plano para
garantir internet em espaços privados fora do câmpus. O acesso é garantido
nas dependências do câmpus. Se a presença no câmpus é impedida, temos um
problema. Mas temos um problema mais básico, de garantir a alimentação dos
estudantes que dependem disso. A alimentação está sendo entregue em casa
para os que tem uma modalidade específica de bolsa alimentar. Outras
soluções estão em estudo. Na pós não temos esses problemas.
3- A universidade deve continuar ativa. Deve ajudar no que for possível.
Abraço
Rodrigo
|