Caro Walter,
Nos meios acadêmicos, desde antes da internet ser popular, eu bem me lembro, as principais discussões aconteciam sobre rascunhos, ou seja, sobre livros e artigos que ainda não haviam sido publicados, mas que já estavam circulando informalmente. Era assim com os trabalhos do Chomsky, na Linguística. Também, o Guerzoni me disse que na Lógica era do mesmo modo. E os matemáticos e físicos diziam a mesma coisa. Eram discussões por carta muitas vezes.
Quando o livro do Chomsky sobre o programa minimalista foi publicado na década de 1990, já havia teses escritas e aprovadas a partir das suas versões digitadas aparentemente em chi-writer. Já havia artigos respondendo ao livro.
Aí você levanta o assunto de publicar. Mas, o poeta Pablo Neruda certa feita perguntou a outro: “por que publicamos?” Num mundo onde circulam PDFs de livros já impressos, com ou sem custos para os leitores, cada vez menos entendo a necessidade de colocar artigos em periódicos. Quem se interessa pelo meu trabalho ou pelo seu, pega o que eu ou você escrevemos, faz as sugestões que quiser para mim ou para você e aproveita o que acha interessante dessa leitura, quase nada disso passando por equipes editoriais.
Não sou contra revistas, nem contra a revisão. Apenas estou observando a mudança sociológica em curso.