O PROBLEMA DA DEONTOLOGIA E A DIVERSIDADE DE LÓGICAS

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Antonio Marmo

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Sep 17, 2020, 2:33:14 PM9/17/20
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Caros membros da lista,


Há várias formas de abordar um mesmo problema filosófico e vários gêneros discursivos para apresentar uma mesma abordagem.  A apresentação pode tornar mais fácil expressar ou não certas questões.


No caso das lógicas multimodais (vide Carnielli e Pizzi) o uso de parâmetros na formação dos operadores é um grande recurso expressivo. Porém, em linguagem formal ainda é difícil expressar uma questão crucial que é a separação entre o doxástico e o deôntico, a saber, se quando se fala de uma injunção, está-se a falar da mera opinião individual de alguém que quer prescrever regras e comportamentos, ou de uma convenção que de fato o coletivo aceita.


Essa questão está bem melhor expressa por exemplo no seguinte monólogo da “”Antígona” lido belamente por Andréia Beltrão:


https://globoplay.globo.com/v/7931318/


Uma tentativa de trazer de algum modo esta percepção consiste em introduzir operações nos parâmetros, ou seja, falar por exemplo da união deles.


Mas, mesmo a essas operações escapará um complicador já percebido por antropólogos de que não apenas os indivíduos de um mesmo coletivo têm morais diferentes, mas que os valores e as regras variam de coletivo para coletivo. Essa variação pode ser pequena, como a regra do que fazer com um presente de aniversário: em várias partes do Brasil o aniversariante deve abrir o embrulho do presente na frente do convidado, enquanto em outras o aniversariante deve guardar o embrulho fechado e só abrir depois (ao cavalo dado não se olham os dentes). Outro exemplo já envolve diferenças maiores como a indumentária: de país para país e de região para região, e mesmo de religião para religião, varia o padrão de vestimenta considerado aceitável, e há mesmo sociedades onde as pessoas não se vestem ou aceitam a nudez em público, como é o caso de indígenas, dos gregos antigos e das atuais comunidades de nudistas.


Já se tentou no passado usar da lógica para formular melhor prescrições, tanto gramaticais quanto jurídicas e morais. Essas tentativas não contemplaram os anseios dos que buscavam uma deontologia universal, pois de qualquer forma os resultados dependiam das premissas adotadas.


As modernas democracias tentam responder à questão da seguinte forma: aceita-se que cada um tenha sua moral, que haja uma liberdade de costumes, juntamente com as de opinião e expressão, e que se adotem umas poucas regras de boa convivência. Esses são valores democráticos e racionais. Porém, um princípio assim é difícil de captar numa linguagem formalizada.


Diante dessas questões a atual diversidade lógica se mostra útil, porém insuficiente como instrumento para uma completa apreensão racional das coisas.



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