Bons dias, camaradas.
De fato, não é possível ser neutro nem hoje nem em qq tempo.
Como não se trata de fazer proselitismo tampouco, peço licença para deixar um registro aqui de opções políticas, e não meramente eleitorais enquadradas no modelo da ordem burguesa-liberal. Peço q aqueles q não se identificam ideologicamente q desconsiderem e justifico minha mensagem na lista de lógica lembrando q o falso dilema é uma conhecida falácia de simplificação.
Assim, lembro q as propostas políticas q logo adiante exemplifico foram sistematicamente esquecidas pelo espetáculo hegemônico, mas também por uma considerável parcela de eleitores q se dizem de esquerda, mesmo q as pautas defendidas pelas propostas q apresento aqui fossem ao encontro de muito do q defendem esses mesmos eleitores de esquerda - derrotar o fascismo, contrariar a lógica do encarceramento em massa do povo pobre e negro, diminuir a jornada de trabalho, lutar contra o sexismo machista da nossa sociedade etc.
São as propostas:
Observo ainda q a proposta do PCB cresceu nas redes digitais (o próprio PCB divulgou os gráficos do Google e do Twitter, peço desculpas, não consegui recuperá-los) e ainda assim foi alijada dos debates hegemônicos. Esses debates, ao q me parece, têm a função de cada vez mais estetizar a política, despolitizando-a, portanto, conforme o diagnóstico de Walter Benjamin (não considero a lógica do espetáculo inexorável, como Debord, mas não sou capaz de oferecer outra leitura). É uma pergunta a investigar, q a lógica como ciência a meu entender não consegue responder sozinha, por que um diagnóstico crítico e até onde é possível dizer correto dos problemas sociais não leva a conclusões consistentes consigo mesmo (com o diagnóstico). É um fenômeno bastante já evidenciado em eleitores de direita: criticam corretamente aspectos profundamente injustos da realidade social, apontam corretamente as contradições do sistema (perdoem-me a vagueza), mas optam por apoiar projetos políticos q reforçarão aquilo q criticam. Não me parece q essa maneira de raciocinar seja exclusiva da direita instituída. Eu mesmo, em vários aspectos, me decepciono com a minha incapacidade de ser coerente comigo mesmo, ou ao menos com algum ideal de mim mesmo q gostaria de realizar, mas fico aquém.
Ao mesmo tempo, pouco ou quase nenhum debate se deu acerca de projetos de país q se alcem acima da gestão do imediato, o que, na minha falível interpretação, ajudou a promover a falácia da naturalização do status quo e da luta inescapável contra Hitler, fazendo da inflexão ao centro a única esquerda possível para a maioria dos eleitores (i.e., favoreceu a falácia ad Hitlerum). Isso, pelo meu juízo, se deu a ponto não apenas de rebaixar o horizonte de expectativas transformadoras da nossa sociedade, como ainda de deslegitimar qualquer desacordo relativamente à ordenação bem intencionada, porém incapaz de levantar o punho contra essa mesma ordem (ou qualquer ordem, eu arriscaria). Em suma, o que quero dizer, com isso, é que a estratégia comunicativa da burguesia funcionou, e muito bem. Se o candidato de certas facções oligárquicas não vinga, essas mesmas oligarquias tampouco perdem, vez q financiam as únicas alternativas eleitorais q dominaram a comunicação para a maioria da população (impõem uma tautologia, no fim das contas). O diagnóstico de Enzo Traverso para a Itália parece-me bastante apropriado nesse contexto brasileiro: a esquerda realmente não existe, se entendida a política como instituição. Isso não só significa uma ruptura tremenda na continuidade histórica da esquerda como relega à marginalidade da esfera política, ou mesmo à exclusão total, toda teoria crítica (não falo apenas no sentido dos teóricos de Frankfurt). Ainda que movimentos ecológicos, antirracistas e antifascistas desfiram golpes e travem genuínas batalhas, a perspectiva de conquistar as instituições para transformá-las ou mesmo destruí-las foi completamente capturada pela direita e cada vez mais a ultra-direita avança no projeto de enrijecer as estruturas de poder q sustentam a ordem liberal-burquesa, disfarçando esse projeto com pontuações que parecem críticas (é o movimento conhecido - forçar a contradição para controlá-la, numa tendência de uniformização total, inclusive das insatisfações). É possível reconstruir algo crível com esse legado, dentro dos limites desse "überkommene Hintergrund", como diria Wittgenstein? Nos discursos hegemônicos, parece que realmente só há uma reabilitação do passado - o que é logicamente muito consistente, afinal, mudar as estruturas seria derrubar a porta e jogá-la fora junto com as dobradiças - ou podemos pensar em outra metáfora, se pensarmos em outra possibilidade de tradução de Wittgenstein: trocar o anzol para pegar outros peixes é uma opção? Não me parece q a 1a metáfora seja uma alternativa, mas sim q a segunda seja uma estratégia.
Seja como for, a se confirmar o diagnóstico eleitoral para hoje, teremos motivos para comemorar uma derrota individual há tempos desejada e necessária e, com isso, talvez consigamos algum fôlego para outras lutas. Não é possível negar q há movimentações de re-existência. Espero q consigamos doravante se não comemorar grandes vitórias, ao menos impor mais algumas derrotas aos pusilânimes e fascistas e, com isso, renovar e reexistir.
Saudações,
cass.