Coletivo Logica Viva: Existe apenas uma lógica certa?

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Marcos Silva

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Jun 12, 2021, 3:33:31 PM6/12/21
to logical logical
Car@s,

mais uma contribuição para o nosso coletivo.

EXISTE UMA ÚNICA LÓGICA CERTA?, por Giselle Reis

https://youtu.be/KeX7_Aq0g-E
https://www.instagram.com/tv/CQCAd88J62E/?utm_medium=copy_link
https://twitter.com/logica_viva

"A lógica dita o "modo certo de pensar"? Nesse vídeo a gente explica que não existe uma lógica única, certa, e universal, e que existem diversas motivações para alterar as regrinhas de uma lógica pra que ela funcione de outra forma dependendo da situação. 

E qual é a sua resposta para o desafio da Giselle? Podemos oferecer uma lógica adequada para qualquer raciocínio? Qualquer raciocínio pode ser adequado dentro de uma lógica específica? Quantas lógicas corretas podem existir? A consequência da diversidade de lógica seria o relativismo?"

 #pensamentocrítico #filosofia #falácias #lógicainformal #coletivológicaviva #lógica

Abraços,
Marcos

--
Marcos Silva (UFPE/CNPq)
Philosophy Department
Federal University of Pernambuco, Brazil
"amar e mudar as coisas me interessa mais"

Joao Marcos

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Jun 12, 2021, 4:16:19 PM6/12/21
to Marcos Silva, logical logical
Mais um excelente vídeo da Giselle, na excelente iniciativa do Lógica Viva. :-)

Com relação à pergunta final, parece-me que é bom a gente proibir ao menos a lógica trivial (qualquer conclusão segue de qualquer conjunto de premissas) de ser usada como "justificativa" para um raciocínio, senão fica fácil demais!

Com relação aos exemplos do início, ocorreu-me mencionar aqui este exemplo do uso surpreendente ---e divertido--- do raciocínio via Terceiro Excluído:

  Premissa 0: A, B e C são pessoas.
  Premissa 1: A é uma pessoa solteira.
  Premissa 2: C é uma pessoa casada (isto é, não-solteira).
  Premissa 3: A está olhando para B.
  Premissa 3: B está olhando para C.
  Conclusão: Uma pessoa solteira está olhando para uma pessoa casada.

[]s, 
Joao Marcos 


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Walter Carnielli

unread,
Jun 12, 2021, 4:18:26 PM6/12/21
to Marcos Silva, logical logical, Giselle Reis
Muito bom, parabéns à Gisele Reis pelo ótimo vídeo, muito bem gravado inclusive!

E a pergunta que ela deixa é ótima: Será que qualquer raciocínio ou juizo esdrúxulo pode ser suportado por alguma lógica especifica?

Esperemos que não, mas falta agora alguém fazer um vídeo explicando essa questão.

Na  verdade, o ponto fundamental é que quase todas as lógicas não-clássicas ou alternativas acabam validando menos  juízos do que a lógica standard  


Mas isso não é absolutamente claro, e merece ser melhor avaliado.

Abraços,
Walter 

--

Joao Marcos

unread,
Jun 12, 2021, 4:28:55 PM6/12/21
to Walter Carnielli, Marcos Silva, logical logical, Giselle Reis
> E a pergunta que ela deixa é ótima: Será que qualquer raciocínio ou juizo esdrúxulo pode ser suportado por alguma lógica especifica?
>
> Esperemos que não, mas falta agora alguém fazer um vídeo explicando essa questão.
>
> Na verdade, o ponto fundamental é que quase todas as lógicas não-clássicas ou alternativas acabam validando menos juízos do que a lógica standard
>
> Mas isso não é absolutamente claro, e merece ser melhor avaliado.

Se a liberdade for total, como pregavam os nossos antepassados
não-clássicos, a gente não precisa sequer se comprometer com a lógica
clássica, né? (ou com os axiomas tarskianos de consequência...)

Nada me impede, em princípio, de chamar de "OU" aquilo que outra
pessoa chama de "E", e dizer que sou capaz de concluir que B é o caso
sempre que A-OU-B é o caso. :-x

Parece que o mundo anda (cada vez mais) cheio de coisas esdrúxulas!

%%%
Só para dar um exemplo de lógica *contra-clássica* que foi mencionada
aqui na lista recentemente:
https://plato.stanford.edu/entries/logic-connexive/
%%%

JM

Andrea Loparic

unread,
Jun 13, 2021, 8:53:47 AM6/13/21
to Marcos Silva, logical logical
Caros, como vocês sabem, estou acamada sem as mínimas condições de fazer um vídeo, ou mesmo um texto maior q bilhetinhos como este. Mas me aguardem, quando tiver condição, tenho muito a dizer a respeito.
Beijo
Andrea

--

Giselle Reis

unread,
Jun 13, 2021, 10:32:46 AM6/13/21
to Joao Marcos, Walter Carnielli, Marcos Silva, logical logical
Ois,

Obrigada pelas mensagens :)

> > E a pergunta que ela deixa é ótima: Será que qualquer raciocínio ou juizo esdrúxulo pode ser suportado por alguma lógica especifica?
> >
> > Esperemos que não, mas falta agora alguém fazer um vídeo explicando essa questão.

O problema é que não sei como explicar essa questão, pra qual eu nem
tenho resposta ainda :P
Acho que dá pra ficar horas discutindo isso, mas vamos matar de tédio
quem estiver assistindo... Fiquei pensando se existe uma resposta
pragmática pro público geral. Se alguém tiver alguma idéia, será bem
vinda!

> > Na verdade, o ponto fundamental é que quase todas as lógicas não-clássicas ou alternativas acabam validando menos juízos do que a lógica standard
> >
> > Mas isso não é absolutamente claro, e merece ser melhor avaliado.
>
> Se a liberdade for total, como pregavam os nossos antepassados
> não-clássicos, a gente não precisa sequer se comprometer com a lógica
> clássica, né? (ou com os axiomas tarskianos de consequência...)
>
> Nada me impede, em princípio, de chamar de "OU" aquilo que outra
> pessoa chama de "E", e dizer que sou capaz de concluir que B é o caso
> sempre que A-OU-B é o caso. :-x
>

Exatamente. Acho que é claro que não podemos ter liberdade total, mas
onde colocar o limite? O "bom senso" parece ser um começo, mas essa
noção está cada vez mais elástica.

> Parece que o mundo anda (cada vez mais) cheio de coisas esdrúxulas!

De fato!

Abraços,
Giselle

Julio Stern

unread,
Jun 14, 2021, 9:05:46 AM6/14/21
to Giselle Reis, Joao Marcos, Walter Carnielli, Marcos Silva, logical logical
Caros Redistas: 
Como fazer para Contar o numero de "coisas" em um conjunto eh algo tao basico, que esta (quase) no mesmo nivel da Logica. Pois bem: 
A primeira vez que alguem pensou em Contar o Numero de "Coisas" em um conjunto conforme a estatistica de Fermi-Dirac ou de Bose-Einstein, isto dever ter parecido um raciocinio muito esdruxulo...  
Mas ai, o laboratorio mostrou que esdruxulas eram as nossas pre-concepcoes sobre como o universo deveria ou nao-deveria se comportar, e o cosmos seguiu o seu caminho, contando as "Suas" coisas do jeito que Ele achava por bem que deveria contar :-) 
Nossas Logicas ou tecnicas de contagem tiveram que se ajustar ao universo, revogados todos os pre-julgamentos e as disposicoes em contrario. 
---Julio Stern  


From: Giselle Reis <gisel...@gmail.com>
Sent: Sunday, June 13, 2021 2:32 PM
To: Joao Marcos <boto...@gmail.com>
Cc: Walter Carnielli <walt...@unicamp.br>; Marcos Silva <marcos...@gmail.com>; logical logical <logi...@dimap.ufrn.br>
Subject: Re: [Logica-l] Coletivo Logica Viva: Existe apenas uma lógica certa?
 
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Cassiano Terra Rodrigues

unread,
Jun 14, 2021, 10:25:39 AM6/14/21
to LOGICA-L, jmstern, carniell, Marcos Silva, logical logical, giselle.mnr, Joao Marcos
Bons dias, camaradas, 
Espero q esta encontre a todxs bem. 
eu vi o vídeo da Giselle e achei excelente, parabéns, Giselle e obrigado pelo vídeo. 
Sob pena de parecer redundante e insuficiente, vou apenas acrescentar um ponto, já q a Giselle falou em pragmático. 
A lógica não vai resolver esse problema, até onde consigo perceber. Não há nada de menos universal ou faltoso nos algoritmos, mas existe uma dimensão de uso real da linguagem, na qual as asserções são feitas. Pois o q significa (digamos assim) cada algoritmo não é decidível a priori, mas apenas em circunstâncias práticas ou pragmáticas de uso efetivo. Se há um princípio do contexto proposicional, há um princípio do contexto inferencial no qual as proposições se inserem, e inferências são usadas por agentes reais (não digo só humanos). Os medievais tinham uma teoria das obligationes, cuja função é até hoje pouco elucidada, podia ser um jogo apenas ou até menos q isso. Mas de toda forma, sem uma teoria da asserção (aliás, muito em voga até o Tractatus de Wittgenstein, Frege, Peirce e até Heidegger elaboraram teorias da asserção; até Deleuze tem uma!) não vejo como responder satisfatoriamente à questão. O meu palpite é q sim, raciocínios esdrúxulos podem ser sustentados especificamente. Mas a questão é q raciocínios não acontecem no vácuo, em vazios ou ocos existenciais. 
Saudações, 
cass.

Daniel Durante

unread,
Jun 19, 2021, 8:22:32 PM6/19/21
to LOGICA-L, Cassiano Terra Rodrigues, jmstern, carniell, Marcos Silva, logical logical, giselle.mnr, Joao Marcos
Oi Gisele,

Só agora que eu consegui ver o vídeo e as mensagens. Semana intensa... Muito bacana, parabéns! Acho que você consegue falar de um modo muito claro e inteligível ao grande público sobre coisas tão profundas que fazem nós aqui da lista (os supostos especialistas) pensarmos e discutirmos e eventualmente divergirmos sobre os assuntos que você aborda. Isso, no meu entender, é o melhor indicador possível da alta qualidade dos seus vídeos. Parabéns!!

Sobre sua pergunta final 

 > Será que qualquer raciocínio ou juizo esdrúxulo pode ser suportado por alguma lógica especifica?

a minha resposta trivial é: SIM.
Mas isso não tem importância nenhuma, porque obter uma lógica “bonitinha" que justifique um mal raciocínio, não o torna bom. A lógica NÃO ATRIBUI valor a um raciocínio. Ela, no máximo, RECONHECE o valor de um raciocínio.
Os lógicos não são legisladores nem mesmo juízes dos bons raciocínios. Os lógicos são meros cronistas, repórteres.

A lógica enquanto disciplina funda-se na aposta de que é possível reconhecer um bom raciocínio através de uma relação formal entre as premissas e a conclusão do argumento que corresponde à sua expressão linguística: a relação de consequência.

Mas quando um raciocínio é bom? Sem muita filosofia, um raciocínio é bom quando a conclusão a que se chega está fortemente justificada pelas premissas de que se parte. O tipo de “força” que a lógica procura, pelo menos em suas abordagens ortodoxas, é a força máxima, a infalibilidade. Um raciocínio é bom, do ponto de vista lógico, quando ele é infalível. Quando não é possível que a conclusão não seja verdadeira quando as premissas são.

Quando a gente cria, modifica, inventa, altera uma lógica, a gente está criando, modificando, inventando, alterando uma relação formal específica entre sentenças que constitui-se em uma definição específica de uma relação de consequência. Mas o mais importante, o objetivo para fazer isso, sempre tem que ser que esta relação de consequência seja um instrumento confiável para reconhecer os bons raciocínios.

Acontece que o critério do que é um bom raciocínio não é formal. A infalibilidade de um raciocínio não parece depender das especificações formais da(s) relação(ões) de consequência dada(s) pela(s) lógica(s). A lógica é uma disciplina meio esquizofrênica. Ela estuda uma coisa para reconhecer outra.

Criar um sistema formal para justificar um argumento qualquer nos dá uma relação formal entre sentenças. Ok. Mas eu não diria que nos dá uma Lógica. A gente só vai ter uma Lógica se esta relação formal se mostrar um instrumento confiável para reconhecer os bons raciocínios--os infalíveis, em uma abordagem ortodoxa.

O limite, que você se pergunta, de até onde podemos ir com nossa liberdade de lógicos para criar sistemas e justificar argumentos esdrúxulos, não está na lógica, está fora dela, como bem disse o Cassiano. Neste sentido, a lógica é muito mais parecida com as ciências naturais do que com a matemática. Os físicos, por exemplo, podem criar belíssimas teorias explicativas e matematicamente perfeitas diferentes sobre os limites do cosmos, sobre universos paralelos, sobre o que havia antes do big bang,… enquanto elas não forem empiricamente testáveis, elas não são Física. São apenas belíssimas teorias especulativas.

Só que ao contrário do que acontece com a Física e demais ciências naturais, o mundo real não basta como árbitro para decidir se um argumento é bom ou não. Ele é apenas uma das infinitas interpretações que precisa ser levada em consideração.

Para saber se é ou não possível as premissas de um argumento serem verdadeiras e a conclusão ser falsa, não basta vasculhar o mundo real. Para saber isso precisamos DETERMINAR quais situações (estados de coisas) podem existir (são concebíveis) e quais não podem existir (são inconcebíveis).

Essa determinação do que PODE ser real e do que NÃO PODE ser real não é empírica nem objetiva. É filosófica. É metafísica. Então, divergir sobre lógica é divergir sobre os aspectos mais gerais da realidade, é divergir sobre o que é aceitável e o que é inaceitável.

Minha definição poética de lógica é: a lógica é a disciplina que estuda o limite mais permissivo do que é aceitável, concebível como parte da realidade. A lógica nos dá o limite mais amplo possível para nossa imaginação de como o mundo pode ser. Tudo o que estamos dispostos a conceber deve caber na lógica. Para além da lógica está o inconcebível, o incomunicável.

Saudações,
Daniel.
-----
Departamento de Filosofia - (UFRN)
http://danieldurante.weebly.com

++++++++++

Esperemos que não, mas falta agora alguém fazer um vídeo explicando essa questão.

O problema é que não sei como explicar essa questão, pra qual eu nem
tenho resposta ainda :P
Acho que dá pra ficar horas discutindo isso, mas vamos matar de tédio
quem estiver assistindo... Fiquei pensando se existe uma resposta
pragmática pro público geral. Se alguém tiver alguma idéia, será bem
vinda!

Na  verdade, o ponto fundamental é que quase todas as lógicas não-clássicas ou alternativas acabam validando menos  juízos do que a lógica standard

Mas isso não é absolutamente claro, e merece ser melhor avaliado.

Se a liberdade for total, como pregavam os nossos antepassados
não-clássicos, a gente não precisa sequer se comprometer com a lógica
clássica, né? (ou com os axiomas tarskianos de consequência...)

Nada me impede, em princípio, de chamar de "OU" aquilo que outra
pessoa chama de "E", e dizer que sou capaz de concluir que B é o caso
sempre que A-OU-B é o caso. :-x


Exatamente. Acho que é claro que não podemos ter liberdade total, mas
onde colocar o limite? O "bom senso" parece ser um começo, mas essa
noção está cada vez mais elástica.

Parece que o mundo anda (cada vez mais) cheio de coisas esdrúxulas!

De fato!

Abraços,
Giselle

Itala Maria Loffredo D'Ottaviano

unread,
Jun 20, 2021, 11:00:42 PM6/20/21
to Daniel Durante, Cassiano Terra Rodrigues, jmstern, carniell, Marcos Silva, logical logical, giselle.mnr, Joao Marcos
Muito bom Gisele, o video está excelente!
Itala

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Prof. Dr. Itala M. Loffredo D'Ottaviano
Full Professor in Logic and the Foundations of Science
Centre for Logic, Epistemology and the History of Science
University of Campinas
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