Diólia,
comecei, não sei se ajuda, mas aí vai.
bjo,
pati
Open Government Partnership (Parceria para Governo Aberto) – Um novo rumo para a política exterior dos EUA?
Os Estados Unidos e mais de 50 outros países se encontraram no dia 12 de julho para debater uma nova iniciativa internacional para a promoção de governos abertos em todo o mundo, a Open Government Partnership (OGP). O objetivo é criar um acordo multinacional e com as diversas partes interessadas para avançar na abertura, prestação de contas, transparência e boa governança. A OGP será anunciada na abertura das Nações Unidas, em setembro. Ao mesmo tempo que parece ser um meio promissor para melhorar a condição humana, a OGP levanta alguns pontos de discórdia em relação a questões conceituais e metodológicas, assim como algumas questões críticas a respeito do rumo da política externa dos Estados Unidos.
O que
A parceria começou a ser desenhada em novembro de 2010 e foi concebida inicialmente para ser co-dirigida pela Índia e pelos EUA, mas hoje a Índia está fora e o Brasil, dentro. Como muitas coisas a respeito da iniciativa, o motivo para esta mudança ainda é obscuro, mas o que se sabe é que a parceria vai envolver mais de 50 países, liderada por um "Comitê Executivo Internacional Multistakeholder" composto pelos governos do Brasil, da Indonésia, do México, da Noruega, das Filipinas, da África do Sul, do Reino Unido e dos Estados Unidos e mais de 60 organizações da sociedade civil ao redor do mundo. É importante notar que um dos organizadores originais do OGP, a Índia, não faz parte do grupo. A reunião inaugural do grupo, que aconteceu n o dia 12 de julho, não foi aberta à imprensa, que teve acesso apenas às declarações de abertura e encerramento dos trabalhos.
Critérios para fazer parte da Open Government Partnership (OGP)Os documentos fornecidos pela iniciativa estabelecem quatro critérios para entrar do grupo, baseados em uma lista de 16 requisitos da qual os países devem preencher pelo menos 12 para poder participar. Os critérios, avaliados por "um grupo independente de especialistas", são compostos pelas seguintes categorias:
a) Transparência Fiscal (2 pontos)
b) Acesso à Informação (4 pontos)
c) Publicaçaão de informações sobre representantes eleitos ou funcionários públicos de primeiro seniores (4 pontos)
d) Engajamento cidadão (4 pontos)
O Brasil tem condições de co-dirigir a OGP?A pontuação parece meio arranjada. O Brasil, co-dirigente da OGP, ainda não aprovou sua Lei de Acesso à Informação (Liberdade de Informação) e, como eu escrevi longamente em outros posts, a resistência à abertura é um aspecto marcante da política brasileira, tanto no Congresso quanto no Poder Executivo. Apesar desse histórico, o país recebeu 15 de 16 pontos possíveis. Em "Acesso à Informação", o Brasil recebeu dois pontos porque sua constituição prevê o direito de acesso. Ganhou um ponto adicional porque tem um projeto de lei de acesso à informação tramitando no Congresso. Ainda que tenha recebido quase a nota máxima neste critério, a disposição constitucional que garante o acesso á informação não tem efeito prático nenhum porque não foi regulamentada por uma Lei de Acesso à Informação -- que está no Congresso desde 2009. Uma lei recente que permite a não divulgação dos valores dos contratos relacionados à Copa de 2014 e aos Jogos Olímpicos de 2016 aparentemente não foi considerada, assim como a dificuldade de uso do Portal da Transparência do governo -- o Brasil recebeu nota máxima no quesito da transparência fiscal.
O que todo mundo deveria se perguntar é se o Brasil tem condições de ser o co-dirigente da OGP, ou mais, se poderia sequer se qualificar para fazer parte da OGP. Se a OGD adota esse tipo de referência antes mesmo de ser lançada formalmente, se escolhe como co-líder um país que não é liderança em termos de transparência, o que pode-se esperar que a iniciativa seja algo mais do que uma maneira de sair bem na foto?
Um novo rumo para a política externa dos EUA: promoção da democracia pela porta dos fundos?A ideia de abertura é claramente boa para a política externa estadunidense. Já está provado que as Nações Unidas não são uma arena satisfatória para a ação coletiva, exatamente por conta do abismo entre regimes autoritários e democracias. É difícil que surjam arranjos internacionais alternativos. A ideia de uma nova "Liga de Democracias" ou formulações semelhantes circulam há anos, mas referências para diferenciar democracias reais de democracias de fachada são complicadas. Além disso, os Estados Unidos não querem organizar um fórum do tipo "nós contra eles" porque isso poderia ofender seus aliados autoritários, como a Arábia Saudita e as monarquias do Oriente Médio, entre outros.
Um coletivo de países dedicados à causa da "abertura" é interessante exatament por ser inofensivo. Os países podem querer aderir a esta iniciativa, e podem receber incentivos econômicos como transferência de tecnologia e conhecimento ao fazê-lo, tratamento diplomático preferencial e direito de se vangloriar, para efeito de relações públicas.
Como eu e meu colega blogueiro David Sazaki recentemente discutimos (e ele escreveu), ao mesmo tempo em que a abertura pode gerar avanços na condição humana, ao prover maio liberdade, assim como acesso à informação, educação e tecnologia, também pode ser uma maneira de promover a democracia indiretamente. Isso é ruim? Não a princípio, mas como acontece com a defesa da democracia, o perigo sempre próximo é o de usar dois pesos e duas medidas: dar aos amigos o status de "abertos", mesmo quando eles não apresentam, com credibilidade, os requisitos mínimos para isso.
Breaking Open the BRIC (Brazil, Russia, India, China)?
Yet ‘openness’ is a strategic concept that may help achieve several instrumental goals. First, it may “break open the BRIC” by creating a dividing line between the great emerging economic powers—the democratic governments of Brazil and India on the one hand, and the two authoritarian giants on the other, Russia and China. By consolidating strategic alliances with Brazil and India, the U.S. pulls two major regional players into its sphere of influence, and isolates authoritarian regimes reluctant to engage in real openness.
It may also bring about democracy. Some may remember the term ‘Glasnost,’ a rough equivalent of ‘openness’ in Russian. It was one of Mikhail Gorbachev’s key liberalizing policies, designed to assuage pent up disshttp://
en.mercopress.com/data/cache/noticias/26935/0x0/bric.jpgent. It also opened the floodgates for the greatest democratic transition of the Twentieth Century. The concept has the potential to do the same in countless other places, such as China, Russia, and Iran. It would be difficult to imagine real openness not leading to democratic change, and for this goal it may prove a valuable instrument in the evolving toolbox of U.S. diplomacy.
It may prove equally valuable in achieving a long-coveted goal of the U.S.—opening markets. The U.S. has more free trade agreements than any other country in the world—about a dozen in the Americas alone, if the CAFTA and NAFTA are taken into account. Brazil was not chosen to co-chair the OGP by hazard. Opening-up this continental country would be bonanza for U.S. companies. It is not only a young, growing market of more than 190 million consumers, but in most areas outside of commodities, Brazilian companies are uncompetitive compared to their U.S. equivalents. It’s not surprising why: most Brazilian industry hides behind efficiency-eroding tariff walls, public officials engage in sweetheart deals with local firms, and doing business in Brazil is little less than a Kafkaesque adventure in bureaucratic entanglement. By encouraging an ‘opening’, market-minded Brazilians and lobbyists could make a greater case for reforms to alleviate these obstacles. The U.S. might gain access to Brazil’s coveted consumer markets, procurement contracts, and the country’s abundant natural resources, including oil.
The extractive industries are a particularly salient focus for the OGP, as with other large international campaigns for transparency and accountability, such as the Transparency & Accountability Initiative. The rationale behind this focus is rather evident. As I discussed last post, there is a strong association between mineral-wealth, inequality, corruption, and authoritarianism—exactly the types of pathologies the world’s progressive countries are trying to prevent.
The Metaphor of Openness
Openness is vulnerability. By contrast, the first rule of international relations and politics more generally is self-preservation: defense, blame-avoidance, and distrust. To engage in real opening will imply overcoming these basic political instincts, a monumental challenge that will require a cultural change spanning decades, if not centuries. Transparency and freedom of information initiatives across the world are still young, and the OGP is a promising exploration of whether nations are strong enough to be vulnerable.
But the will to opennessmay not be completely self-determined. Certainly, the Arab Spring of 2011 demonstrates that ‘opening’ may be forced. The revolutions that occurred across North Africa and the Middle-East used the purported tools of openness–social media and technology–as a means to an end. Technology is instrumental in this sense; it effectively helped citizens overcome collective action dilemmas, and gave voice to demands for freedom against terrible odds. As fellow bloggers have pointed out, technology is an excellent instrument for shaming governments and expressing anti-system sentiment, but will it prove equally vital in constructing valuable structures of openness?
Regardless of what the skeptics say, if there was ever a time in history to launch an international open government partnership, this is it. Historically, it’s a highly atypical diplomatic initiative: unideological, nonexclusive, engaged with all levels of government and society, and diffuse—it’s a heck of a promising initiative, if it turns out to be for real.
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Patrícia Cornils
11 3124-7444 ou 8372-7473