Há um equívoco imenso naqueles que anseiam por mudanças imediatas:
procuram o caminho da destruição para supostamente construírem uma
realidade diferente daquela em que vivem.
No entanto, a qualidade da ação determina a reação. Nas ações existem
qualidades positivas e negativas e é óbvio que estas qualidades é que
vão determinar a qualidade da reação.
O agente da mudança nunca deve esquecer que existem processos e etapas
para uma meta ser alcançada. Se algo está num nível abaixo não
significa que não seja importante para o processo e que deva ser
destruído. O fato de algo ser idealmente menor não o qualifica como
desnecessário ou inútil, ou pior, um impecilho à realização de um
ideal superior. Por exemplo, o degrau inferior de uma escada não é
menos importante, no processo de ascensão, que os degraus superiores
dela.
Enfim, o processo de transformação dar-se de forma gradual,
harmoniosamente. Entretanto, equivocadamente muitos apelam para o
conflito, para o confronto, para a destruição, para a desagregação e,
assim, só colhem reações adversas, negativas. Tudo que pensam, falam e
fazem têm como resultado uma grande ineficácia, um grande nada (ou, na
verdade, um grande continuismo). Em virtude disto, não conseguem
perceber a origem de tanto dano, de tantas coisas negativas em suas
vidas e, assim, vivem buscando um culpado para os seus desacertos.
Vivem criticando tudo e reclamando de tudo.
Pragmaticamente esquecemos de agradecer por tudo o que temos, pois,
esta atitude, no mínimo, nos coloca numa condição mental positiva e
uma condição mental positiva é determinante para o sucesso de qualquer
ação que causamos.
Há também os que supersticiosamente atribuem os resultados negativos
de suas ações as influências maléficas sobrenaturais. A culpa de tanta
coisas negativas em suas vidas foi o olho grande, a inveja, um
encosto, o diabo, etc, e nunca a seus próprios pensamentos e ações.
É evidente que nem tudo o que nos acontecem na vida se deve(u) a lei
de causa e efeito gerada unicamente por nós. Estamos também sujeitos
as ações alheias, porém, não podemos construir alguma coisa
destruindo. Do negativo (a destruição) só pode ser gerado o negativo.
O que desejamos é construído (é gerado) através dos meios que temos no
momento.
Infelizmente, as pessoas, de uma forma geral, reclamam demais. Pensam,
com isso, que estão sendo espertas e superconscientes. O fato é que
não existe algo mais negativo e pernicioso do que a política nas
relações humanas (familiares, sociais, sentimentais, etc). A política,
neste nível, só gera destruição, posicionamento negativo e
desmotivação. Para se destruir qualquer grupo (desagregá-lo) basta se
gerar a política em seu seio.
O efeito nefasto da política num grupo é devastador, porém, sua ação é
sutil demais para detectarmos a sua existência de imediato. O seu
agente cria aquilo que podemos chamar de “efeito dominó”. Sutilmente
soltam um comentário maldoso aqui, dão uma alfinetada ali. Precisamos
estar muito atentos para não nos deixarmos levar por uma crítica
mordaz, inoculada em nossos ouvidos.
O agente político precisa espalhar o seu vírus, pois, só terá poder se
todos se engajarem em sua proposta mordaz (destruir aquele que
identifica como o culpado pelos desacertos em sua vida). Não percebe
que o erro está consigo mesmo, em sua atitude mental negativa,
geradora de conflito e desarmonia, causando-lhe as reações mais
desastrosas possíveis.
Seja como for, o agente político precisa “fazer cabeças”, precisa
“conscientizar” os outros do seu ponto de vista, precisa arregimentá-
los para o seu partido, para o seu lado. A melhor forma de enfraquecer
um grupo é dividi-lo.
Como combatemos uma atitude negativa? Bom, a primeira coisa que
devemos evitar é o confronto, pois, aí estaremos, inevitavelmente,
entrando no jogo. Ou seja, no confronto estaremos também fazendo
política. A melhor forma para neutralizarmos a crítica negativa é
neutralizarmos a sua arma (ou não darmos ouvidos a ela): a palavra
maliciosa.
Como diz o ditado popular: “Quem muito fala, muito erra”. Precisamos
aprender a escutar para, assim, evitarmos “engravidar” pelos ouvidos.
Estar sempre atentos, vigilantes e não sermos usados por aqueles que
pretende nos induzir a pensamentos negativos também é fundamental para
evitarmos que o mal se propague.
Sabemos também que só podemos combater o mal com o bem, o negativo com
o positivo,a destruição com a construção. Ou seja, basta sermos sempre
positivos, sempre bons, sempre justos, sempre produtivos, sempre
harmônicos e, assim, estaremos sendo agentes efetivos de
transformações positivas, para o nosso próprio bem e o bem geral.
Não se trata, aqui, de construirmos uma filosofia conformista, ao
contrário. O que estamos indicando é uma via para transformações
eficazes, práticas, definitivas, pois, estarão assentadas sob o
equilíbrio e a estabilidade da harmonia.
Enfim, não precisamos combater e destruir pessoas para vencermos na
vida, ao contrário. Vencemos na vida ao aprendermos a vencer a nós
mesmos. Na vida só há uma vitória, a espiritual, pois, ela é a única
vitória permanente. Vencemos na vida ao aprendermos a eliminar o
conflito (a política) em nós. Só nos tornaremos inteiros quando não
estivermos divididos. E, só nos tornaremos inteiros através da
harmonia interior. Afinal, como podemos construir a paz se estamos em
permanente conflito? Nunca é demais lembrarmos que a paz começa dentro
de nós mesmos.
Está mais do que comprovado de que as coisas se transformam
efetivamente através do processo evolutivo, gradual. Está mais do que
comprovado que o processo revolucionário, abrupto, não conduz a
transformações efetivas, permanentes.
O que podemos fazer para contribuir para as transformações do grupo ao
qual fazemos parte? Sermos o melhores possíveis. E, sermos os melhores
possíveis é sermos respeitosos, tolerantes e, acima de tudo, bondosos.
Ou seja, antes de tudo, precisamos nos transformar.
Todos nós temos o sonho de vivermos numa nossa sociedade de paz, de
harmonia, de liberdade e justiça. Para tanto, a nossa contribuição
para a realização destes objetivos coletivos passam por nossa própria
conduta de paz, de harmonia, de liberdade e de justiça. Antes de tudo,
portanto, precisamos ser pacíficos, livres, justos e, principalmente,
positivos em todos os sentidos e em todos os níveis e, para sermos
positivos, precisamos pensar positivo, pois, é aí (no pensamento) que
palavra e ação (as causas) são verdadeiramente geradas.
Hideraldo Montenegro