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O Labirinto do Minotauro

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Hideraldo Montenegro

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May 12, 2008, 7:24:27 PM5/12/08
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O LABIRINTO DO MINOTAURO


Hideraldo Montenegro

“Travada a mente na ideologia...”
Caetano Veloso


Quais os limites da reflexão intelectual, racionalista? O intelecto é
suficiente para captar toda a verdade?
Existem duas alegorias citadas por um escritor famoso, em dois de seus
livros, que são bastante significativas em relação à questão acima.
Numa delas o personagem principal entra num castelo para falar com o
seu proprietário e, logo na entrada, recebe uma colher com um óleo.
Ele deve conduzir esta colher, sem derramar o tal óleo, andando por
toda a extensão do castelo até o aposento onde está o seu
proprietário. Quando encontra o proprietário do castelo este lhe faz
uma pergunta: o que você observou em meu castelo?
Surpreso o personagem percebe que, de tão preocupado em não derramar o
óleo da colher, não prestou atenção na beleza do castelo.
Num outro livro, numa outra alegoria, a personagem principal, que num
dado período de sua vida era muito radical, relembra uma discussão com
o seu pai. Na casa onde moravam havia um relógio que estava parado há
muito tempo. Ele marcava três e quinze. Durante umas das discussões,
quando a personagem radicalizava uma posição, o seu pai a chamou até a
sala onde estava o relógio parado. Apontou para ele e disse: “tá vendo
este relógio? Mesmo parado ele está certo duas vezes por dia.”
É fácil perceber o quanto uma mente pode ficar emparedada por idéias
fixas e, assim, perder a visão das coisas que a circunda. É uma forma
de alienação. O racionalismo tem sua importância, isto é inegável,
entretanto, ele é apenas e tão-somente uma ferramenta. Muitos se
perdem em seu uso e, aquilo que era uma ferramenta torna-se o próprio
objeto de vida. Há algum tempo usa-se uma expressão para designar tais
posturas: “caretas”. O “careta” é uma pessoa prisioneira de sua
própria mente (e suas limitações). O sentir também não é uma forma de
conhecimento? A resposta é muito óbvia. Contudo, é justamente aí onde
o extremamente racionalista perde o equilíbrio. Ele não consegue
relaxar. Neuroticamente se policia o tempo inteiro.
As artes talvez sejam o melhor campo para possibilitar a libertação do
ser humano. Hoje se fala muito em mudança de paradigma. O que
significa isto?
Mude um conceito que você mudará a forma de ver as coisas e a vida.
Então, como radicalizar conceitos? Devemos refletir muito a respeito
do que seja informação e conhecimento. Falando de forma simples, a
informação vem de fora, o conhecimento vem de dentro. O conhecimento
não respeita grau intelectual. Ele simplesmente chega a alguns ou não.
E, o seu maior indício é a sabedoria e sabedoria não tem nada a ver
com intelectualismo.
Para alcançá-la é preciso um despir-se, um soltar-se. Não há nada mais
libertador!

Como disse Gilberto Gil:

“Se eu quiser falar com Deus
Tenho que ficar a sós
Tenho que apagar a luz
Tenho que calar a voz
Tenho que encontrar a paz
Tenho que folgar os nós
Dos sapatos, da gravata
Dos desejos, dos receios
Tenho que esquecer a data
Tenho que perder a conta
Tenho que ter mãos vazias
Ter a alma e o corpo nus...”.

Penso que para encontrarmos a verdade primeiro temos que ser sinceros
conosco mesmos, ou seja, precisamos nos libertar de tudo, nos depurar,
nos limpar de todos os conceitos, que não passam de preconceitos.
É sempre bom lembrarmos o maior cientista do século XX. Einstein,
paradoxalmente, era extremamente intuitivo e afirmou, numa frase
reveladora: “Penso 99% e nada encontro. Paro de pensar (e, a intuição
livre, se revela*) e a verdade me vem”.

*grifo nosso.

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