O Presidente Lula é a pessoa mais confiável para os brasileiros,
segundo ranking com 27 personalidades elaborado pelo Datafolha e
divulgado pelo jornal Folha de S.Paulo. Lula está à frente de
apresentadores de TV como William Bonner e Silvio Santos, do padre
Marcelo Rossi e de cantores como Roberto Carlos e Chico Buarque.
Os 11.258 entrevistados, de 14 a 18 de dezembro, deram nota de 0
(menos confiável) a 10 (mais confiável) às personalidades
apresentadas. Lula lidera a lista, com nota média de 7,9.
Além disso, 39% dos brasileiros deram nota 10 ao Presidente Lula,
contra 4% que lhe deram 0.
Lula é mais admirado no Nordeste, com nota média de 8,74, contra 7,14
no Sul e 7,57 no Sudeste. O Presidente recebeu nota 10 de 62% dos
pernambucanos, 53% dos cearenses e 48% dos baianos. Em São Paulo,
recebeu 10 em 31% dos casos. No Rio Grande do Sul, onde teve o pior
desempenho, obteve 15% das notas máximas.
O Presidente Lula é mais bem avaliado pelos mais velhos --recebeu 47%
de notas 10 entre os que têm 60 anos ou mais. Entre os que têm nível
fundamental e recebem até dois salários mínimos, teve 52% de notas 10.
Entre os mais escolarizados e mais ricos, o Presidente fica em quinto.
Nesse recorte, Chico Buarque lidera, seguido por William Bonner,
Caetano Veloso e Roberto Carlos.
De todas as personalidades, apenas duas --Lula e Silvio Santos-- são
conhecidas por todos os entrevistados.
Maria Celina D'Araújo, professora de ciência política da PUC-RJ, diz
que os primeiros lugares são ocupados por "homens de mídia". "Lula é
um grande artista, sabe se comunicar. É um aspecto das novas
sociedades de espetáculo. Poucos sabem se aproveitar disso, e o Lula
sabe", afirma.
Para Maria Celina, especialista nos governos Getúlio Vargas, nenhum
presidente explorou tanto a comunicação de massa, principalmente via
programas de rádio e TV e colunas em jornais.
Ex-presidentes
Chama a atenção o fato de que, dos últimos cinco colocados, quatro são
ex-presidentes: Fernando Henrique Cardoso, Itamar Franco, José Sarney
e Fernando Collor, este o menos confiável de todos.
Entre os pré-candidatos de 2010, o atual governador de São Paulo, José
Serra (PSDB), aparece mais bem colocado. Com nota média de 6,23, ele
fica em 14º lugar no ranking geral.
O também tucano Aécio Neves, governador de Minas Gerais, fica na 19ª
posição, com nota média de 5,45. Em 20º, está o deputado federal Ciro
Gomes (PSB), com média de 5,41, seguido pela ministra da Casa Civil,
Dilma Rousseff (PT), com 5,40, e pela senadora Marina Silva (PV), com
nota média de 5,15.
Serra tem suas melhores notas nos Estados de Santa Catarina (6,67) e
São Paulo (6,47) e as piores no Distrito Federal (5,3), no Rio de
Janeiro (5,61) e na Bahia (5,72). No Distrito Federal, o panetone do
DEM grudou no PSDB, por ter apoiado o governador Arruda
Dilma tem as melhores notas no Ceará (6,18) e em Pernambuco (6,14) e
as piores, no DF (4,65), em São Paulo (4,76) e em Minas Gerais (4,92),
curral eleitoral do PSDB.
O cientista político Luciano Dias diz que "a imagem positiva ou
negativa é resultado do fluxo de notícias sobre essa pessoa". Segundo
Dias, artistas como Chico Buarque ou o padre Marcelo Rossi raramente
são expostos a um noticiário negativo, o que explica o bom desempenho
deles na consulta.
Para o cientista político, o raciocínio também pode ser aplicado ao
Presidente Lula, que hoje sofre ataques menos contundentes por parte
da oposição. "Na medida em que ele foi ampliando sua popularidade e
não é candidato, o interesse em atacá-lo é muito baixo."
Lula, o cara
O Presidente Lula entra no último ano de seu segundo mandato
ostentando a maior popularidade já obtida por um presidente da
República desde que o Datafolha começou a fazer essa avaliação do
governo federal, em 1990.
Conforme os números da pesquisa realizada entre os dias 14 e 18 de
dezembro, Lula atingiu 72% de aprovação (ótimo/bom), contra apenas 6%
que avaliaram seu governo como ruim ou péssimo. O percentual dos que
consideram seu desempenho regular é o menor já verificado -21%.
O significado do fenômeno Lula fica ainda mais evidente quando
contrastado, por exemplo, com a popularidade de seu antecessor,
Fernando Henrique Cardoso, em dezembro de 2001, decorridos também sete
anos de governo tucano. FHC tinha então uma aprovação de 24%, contra
35% que avaliavam sua gestão como ruim ou péssim