Sergio Soares
unread,May 16, 2013, 3:36:26 PM5/16/13You do not have permission to delete messages in this group
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Ernesto “Che” Guevara (1928-1967): incomparável herói das lutas da
América Latina
O pensamento social do chamado “guerrilheiro heróico” segue vigente e
presente nas atuais transformações sociais que ocorrem na América
Latina. Há quatro décadas de sua morte, florescem as sementes de seu
exemplo de luta, em toda a América morena.
Ernesto Che Guevara, um ser, uma história que influenciou e segue
influenciando todo o continente latino-americano, foi assassinado em 9
de Outubro de 1967, um dia depois de haver recebido uma bala na sua
perna esquerda, na Quebrada de Yuro, na Bolívia. O Che, um médico,
político e guerrilheiro revolucionário argentino-cubano, nasceu em 14
de Junho de 1928, em Rosário, região do sul da Argentina, com um
destino de “imortal”, presente até hoje no pensamento e progresso
latino-americanos, como guia e exemplo. Guevara, que viveu sua
infância e parte de sua adolescência em Córdoba, recriou sua mente já
revolucionária sem saber, com textos aventureiros como os do francês
Júlio Verne. Logo, desenvolveu outros gostos, pela poesia e filosofia:
a primeira, representada por Pablo Neruda, enquanto que a filosofia
existencialista, que o apaixonava, estava baseada nas teorias
psicológicas de Freud. Che, com um espírito sempre rebelde, fez o
curso secundário num momento de processos de mudança na Argentina, no
contexto histórico do nascimento do peronismo, corrente política que
contaria com gigantesco apoio da classe operária argentina. Em
contradição com as suas atitudes e com o futuro que se enunciava, a
família de Ernesto era antiperonista declarada.
Durante esta etapa de sua formação, o futuro líder da Revolução Cubana
manifestava que “não tive preocupações sociais em minha adolescência,
nem participei das lutas políticas ou estudantis da Argentina”,
lembrava Che.
Aventuras determinantes
Guevara, um férreo antiimperialista, logo, em 1952, realizou a
primeira longa viagem pela América Latina, percorrendo quase sua
totalidade com seu grande amigo Alberto Granado. A travessia
internacional representou um intercâmbio com os setores socais mais
relegados e explorados dessa região. Após essa experiência, Che
começou a definir suas idéias e sentimentos em relação às enormes
desigualdades sociais latino-americanas, assim como o papel que
desempenham os Estados Unidos na região. Foi assim que passou a
apresentar as possíveis soluções para esta realidade.
Depois, em companhia de Carlos ”Caliça” Ferrer, Ernesto implementou o
que seria a sua segunda viagem por este belo continente. Avança, desta
vez, em direção ao norte. Em sua passagem pelo México, onde permaneceu
pouco mais de dois anos, “revolucionou” sua vida pessoal. Definiu suas
idéias políticas, contraiu matrimônio, teve a sua primeira filha e
ingressou no Movimento 26 de Julho (M-26-7), que era dirigido pelo
comandante Fidel Castro, com a finalidade de criar um grupo
guerrilheiro em Cuba que pudesse derrotar o ditador Batista e
concretizar, em conseqüência, uma revolução social.
Em 25 de Novembro de 1956, um grupo de 82 guerrilheiros do (M-26-7)
marchou rumo a Cuba, no barco Granma, onde se encontravam, entre
outros, Raúl Castro e Ernesto Guevara, liderados por Fidel. Após sete
dias de travessia, 72 horas após ter-se dirigido à nação caribenha, o
grupo foi emboscado pelo exército, em Alegria de Pio. No combate,
morreu grande parte dos guerrilheiros e os que sobraram foram detidos
e executados. Os sobreviventes se reuniram de novo na Sierra Maestra,
em 21 de Dezembro próximo. Na Sierra Maestra, Che atuou como médico e
combatente.
Enquanto estava na guerrilha, Che participou da elaboração e definição
de leis de suma importância, como a da reforma agrária e a da criação
do Instituto Nacional de Reforma Agrária (INRA), agindo como um
verdadeiro governo paralelo, supervisionado por Fidel Castro.
O Che sempre permanece
A visão integracionista e antiimperialista do revolucionário Ernesto
Guevara, em sua época, pode ser comparada com as realidades vividas
atualmente na América Latina. Exemplo disso é a proposta do presidente
venezuelano, Hugo Chávez, da Alternativa Bolivariana para os Povos de
Nossa América (ALBA), em contraposição à Área de Livre Comércio das
Américas, que expande o Tratado de Livre Comércio (TLC) a todos os
países da América Central, América do Sul e Caribe, exceto Cuba.
Na atualidade, apresenta-se como uma alternativa à construção do
socialismo democrático do século XXI, proposto por diversos
presidentes sul-americanos. Uma mudança, uma visão diferente em
relação ao bem-estar e melhora da vida dos povos, relegados por tantos
anos.
Em relação à atualidade, as idéias de Che se vêem refletidas no que
ele mesmo manifestou na Conferência do Uruguai, que representa ainda o
grande desafio que devemos enfrentar: “participamos desta Conferência
para que os povos marchem em direção a um futuro feliz, de progresso
harmônico, ou que se transformem em apêndices do imperialismo na
preparação de uma nova terrível guerra ou, se não isso, que derramem
sangue em lutas internas, quando povos cansados de esperar, cansados
de serem enganados, recorram ao caminho que Cuba seguiu…”
Uma morte que não é o fim
Como parte de sua luta pela libertação dos povos do mundo, Guevara se
dirigiu para a Bolívia, onde, depois de longos meses de infrutífero
trabalho para construir uma frente guerrilheira, encontrou a morte.
Durante uma batalha, na Bolívia, Ernesto Guevara foi ferido a bala em
sua perna esquerda, foi feito prisioneiro junto com Simeón Cuba
(Willy) e levado para La Higuera, onde foram encarcerados numa escola,
em salas separadas. Neste mesmo lugar, colocaram os cadáveres de seus
companheiros revolucionários já mortos.
Em nove de Outubro de 1967, pela manhã, o governo boliviano anunciou
que Che havia morrido em combate no dia anterior. Pouco depois, o
presidente Barrientos deu a ordem de executar Che Guevara. Entretanto,
existem dúvidas e versões encontradas sobre o nível de apoio que a
decisão teve por parte dos Estados Unidos, embora esteja registrado
que a CIA estava presente no lugar.
A fusão de antiimperialismo, marxismo e comunismo, como elementos
básicos, formam o pensamento de um revolucionário que segue vivo em
muitas nações sul-americanas. Atualmente, apresenta um caminho a
seguir, uma visão exemplar de reflexão, luta e revolução.