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FSP - O jornalismo mal intencionado

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Heg

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Nov 28, 2009, 1:00:22 PM11/28/09
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FSP - O jornalismo mal intencionado
Por Jotavê

Por trás dos termos e do tom dos desmentidos, é perfeitamente possível
reconstituir o episódio banal que a irresponsabilidade da Folha de São
Paulo levou para o primeiro plano do debate político nacional. O
presidente Lula, numa conversa absolutamente informal, fez uma
referência jocosa aos dias que passou na cadeia, pondo ênfase na falta
de sexo e diminuindo, assim, a dramaticidade que a situação, de fato,
teve. Deve ter feito uma piadinha qualquer envolvendo seus
companheiros de cela – uma blague para consumo local, durante um
almoço com correligionários, só isso.

Está claríssimo para qualquer um de nós, para a Folha de São Paulo,
para a revista Veja e para todos os seus trombeteiros que o presidente
jamais pensou em estuprar meninos. Está mais claro ainda que o artigo
desse senhor distorce completamente a situação, narrando a conversa
como se Lula tivesse realmente confessado em público uma tentativa de
estupro. Mais ainda, dramatiza a situação, narrando como ele próprio
fora entregue a presos comuns pelos agentes da ditadura, e como esses
presos tiveram para com ele uma atitude presumivelmente muito mais
digna que a do presidente, que só não teria consumado o ato devido aos
repelões da vítima. Ou seja, transforma uma piadinha de final de
almoço numa confissão solene da própria torpeza.

Até aí, como eu já disse, está tudo absolutamente claro. O que não
está tão transparente assim é o esquema que cercou a produção e
publicação dessa bosta jornalística. Pode ter sido uma conjunção
casual da semidemência do autor com o estilo “Hora do Povo” do
jornalão. Uma nefasta coincidência, enfim. Mas pode ser também mais
grave, Pode ter sido uma encomenda de jornalistas mafiosos feita a um
fracassado em luta permanente com seus extratos bancários em benefício
da campanha de José Serra à presidência. Por que não? Um jornal que
publica esse tipo de material não pode esperar de seus leitores uma
análise meramente textual. Questões contábeis e estratégicas são
perfeitamente cabíveis, nesse caso.

Diante de um artigo tão obviamente mentiroso, e do tipo de
transfiguração que uma página de jornal é capaz de operar numa
mentira, o mais recomendável seria que os responsáveis pela Folha
tivessem simplesmente se recusado a publicar a matéria naqueles
termos. Ou você tem evidências definitivas para acusar um Presidente
da República de tentativa de estupro, ou simplesmente não deve falar
nada. Se tem evidências definitivas de que essa tentativa de estupro
não aconteceu (como a Folha, a revista Veja, seus trombeteiros e todos
nós certamente temos), só publica uma matéria como essa desse modo,
sem anexar um único comentário ao texto, se estiver mal intencionado.

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