Re: [Fórum da SAB] CNPq agora exige declaração de raça (!!!) no Currículo Lattes

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Antonio C. C. Guimarães

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Apr 5, 2013, 8:37:55 AM4/5/13
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"Raça" (sociologicamente falando) é um conceito que ainda é relevante para as sociedades, tanto quanto "gênero" e outras informações irrelevantes para as atividades e mérito científico em si dos pesquisadores. 

Essa é uma informação (declaração de raça) que o Lattes está pedindo para fins de levantamento estatístico somente ou também aparece na página pública do Lattes dos pesquisadores? 

O IBGE já fazia essa pergunta. Nos EUA as universidades sempre fazem essa pergunta. Então não vejo muita novidade no CNPq também ter essa curiosidade. Acho que seria até mesmo interessante saber como subgrupos da sociedade estão representados na área científica.

Antonio

 

 

Em 04/04/2013 19:35, Roberto escreveu:

Vim aqui expressar a minha enorme surpresa e total discordância com a nova exigência que apareceu hoje ao atualizar meu Currículo Lattes. O CNPq agora exige auto-declaração de raça no Lattes! Isso é tão sem sentido que não tenho palavras para expressar minha surpresa. Com o objetivo alegado de "evitar a discriminação" o CNPq a pratica! A relevância de um pesquisador e de seu trabalho doravante estarão condicionados à sua raça?

Pelo menos existe a opção "Não desejo declarar", que foi o que fiz e o que recomendo fazer. Um amigo sociólogo acaba de me dizer que teme que o próximo passo sejam as cotas para a ciência, tanto nas revistas científicas nacionais como nos programas de pós-graduação.

Roberto Costa

Gabriel Hickel

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Apr 12, 2013, 6:06:55 PM4/12/13
to sabf...@googlegroups.com
Em um país miscigenado com o nosso, esse conceito de "raça", que já é extremamente ultrapassado, perde completamente o sentido. Acredito que isto deve ser mesmo influência das atuais ações do governo federal, que em busca de medidas populistas, tem colocado os pés pelas mãos. Vai ver eles consideram este fator algo de extrema importância para o C.V. de um pesquisador...


Em 8 de abril de 2013 08:22, Claudia Vilega Rodrigues <clau...@das.inpe.br> escreveu:

Eu concordo com o Roberto. Essa questão já consta há muito tempo em um formulário referente à matrícula da criançada na escola - algo para se conseguir a carteira de estudando. Eu sempre escolhi "não declarar". Acho tudo isso lamentável. As estatísticas podem e devem existir. Mas, de um modo completamente anônimo. De outro modo, fica sujeito a uso de quem tem a informação. 

Claudia Vilega Rodrigues

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Eduardo Cypriano

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Apr 12, 2013, 7:35:25 PM4/12/13
to sabf...@googlegroups.com
Só faltou avisar à polícia, fiscais de aeroporto e muitos outros que raça é um conceito ultrapassado. Pena!


2013/4/12 Gabriel Hickel <profgabr...@gmail.com>

Prof. Gabriel R. Hickel

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Apr 15, 2013, 8:26:26 AM4/15/13
to sabf...@googlegroups.com
 
Falta mesmo. Não é porque fiscais de aeroporto, policiais, dentre outros; agem com preconceito e falta de educação que temos que ser coniventes com isto. Se assim for é melhor rasgar a constituição. Assumir esta posição protecionista, eu diria mais, quase paternalista, é dar o aval que as leis não funcionam e que a sociedade é hipócrita.
 
Sent: Friday, April 12, 2013 8:35 PM
Subject: Re: [Fórum da SAB] Re: CNPq agora exige declaração de raça (!!!) no Currículo Lattes
 
Só faltou avisar à polícia, fiscais de aeroporto e muitos outros que raça é um conceito ultrapassado. Pena!


2013/4/12 Gabriel Hickel <profgabr...@gmail.com>
Em um país miscigenado com o nosso, esse conceito de "raça", que já é extremamente ultrapassado, perde completamente o sentido. Acredito que isto deve ser mesmo influência das atuais ações do governo federal, que em busca de medidas populistas, tem colocado os pés pelas mãos. Vai ver eles consideram este fator algo de extrema importância para o C.V. de um pesquisador...
Em 8 de abril de 2013 08:22, Claudia Vilega Rodrigues <clau...@das.inpe.br> escreveu:

Eu concordo com o Roberto. Essa questão já consta há muito tempo em um formulário referente à matrícula da criançada na escola - algo para se conseguir a carteira de estudando. Eu sempre escolhi "não declarar". Acho tudo isso lamentável. As estatísticas podem e devem existir. Mas, de um modo completamente anônimo. De outro modo, fica sujeito a uso de quem tem a informação.
 
Claudia Vilega Rodrigues
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José Fernando de Jesus

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Apr 18, 2013, 1:39:50 PM4/18/13
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   Eu concordo com o Antonio, acredito que o conceito de raça social ainda é importante, se não fosse, iam abaixo todas as propostas de cotas do governo federal e agora também do governo paulista.

   Não importa se raça no seu significado biológico é um conceito ultrapassado, se no seu impacto social ela ainda é relevante.

Prof. Dr. José Fernando de Jesus
PhD on Cosmology (IAG-USP)

Unesp - Câmpus Experimental de Itapeva
Rua Geraldo Alckmin, 519
Fone: (15) 3524-9100 r. 9144
Itapeva - SP
Brasil

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Rock'n'Roll!


Em 18 de abril de 2013 00:12, Raymundo <ray...@gmail.com> escreveu:

Proponho que lancemos uma campanha para o CNPq incluir uma opção alternativa como resposta à esta pergunta no formulário, com o texto "não é da sua conta". Suspeito que esta resposta seria amplamente preferida ao insosso "não desejo declarar".

Raymundo



Em quinta-feira, 4 de abril de 2013 19h35min06s UTC-3, Roberto escreveu:
Vim aqui expressar a minha enorme surpresa e total discordância com a nova exigência que apareceu hoje ao atualizar meu Currículo Lattes. O CNPq agora exige auto-declaração de raça no Lattes! Isso é tão sem sentido que não tenho palavras para expressar minha surpresa. Com o objetivo alegado de "evitar a discriminação" o CNPq a pratica! A relevância de um pesquisador e de seu trabalho doravante estarão condicionados à sua raça?

Pelo menos existe a opção "Não desejo declarar", que foi o que fiz e o que recomendo fazer. Um amigo sociólogo acaba de me dizer que teme que o próximo passo sejam as cotas para a ciência, tanto nas revistas científicas nacionais como nos programas de pós-graduação.

Roberto Costa

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Gabriel Hickel

unread,
Apr 19, 2013, 12:57:51 PM4/19/13
to sabf...@googlegroups.com
Relevante seria o poder público (esferas municipal, estadual e federal) deixar de hipocrisia e oferecer um ensino de qualidade à população. A existência de cotas é um atestado de incompetência. Ninguém é barrado em um processo seletivo para entrar em uma Universidade por causa de sua raça, mas sim porque não teve um ensino de qualidade. Entretanto, querer resolver este problema na ponta da escala de ensino (ensino superior) é como tentar resolver os problemas de fundação de uma casa reformando apenas o telhado.
 
O impacto das cotas na realidade social brasileira será irrelevante. Teria (e terá) muito mais impacto, aumentar o número de vagas e campi nas universidades públicas, esta sim, uma medida acertada dos governos anterior e atual.
 
Raça? A minha é humana.

José Fernando de Jesus

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Apr 19, 2013, 1:45:13 PM4/19/13
to sabf...@googlegroups.com
   Não ter um ensino de qualidade é apenas uma das causas de termos poucos negros nas universidades públicas. Ou será que apenas os negros não têm um ensino de qualidade? Eu acredito que outro motivo de vermos poucos negros nas universidades públicas, e o fato de essa proporção se reduzir cada vez mais quanto mais alto é o cargo ocupado na universidade, é devido também ao fato de o negro não se ver ocupando essas posições. Modelos como o do ministro Joaquim Barbosa e do presidente americano Barack Obama são raríssimos e acredito que não devido à incapacidade das pessoas negras, mas sim devido a essa barreira sociológica-político-cultural e sem falar na defasagem que os negros tiveram em relação aos outros brasileiros com o advento da abolição da escravatura.

   Cotas não é uma solução completa para esses problemas, mas é uma forma de minimizar as diferenças de oportunidades entre brancos e negros. Eu mesmo nunca consegui um emprego antes de entrar na universidade pública e já vi casos em que pessoas não foram sequer avaliadas para uma entrevista de emprego pelo simples fato de serem negras. Neste caso, uma boa educação pública se faz necessária para a inserção dessas pessoas no mercado de trabalho e reduzir o conceito de raça social que o brasileiro ainda possui. Em outras palavras, tirar a ideia de que negro é pobre e/ou ladrão.

   Att,

Prof. Dr. José Fernando de Jesus
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Carlos Alberto

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Apr 19, 2013, 2:53:09 PM4/19/13
to sabf...@googlegroups.com
Não acho que o lugar de discutir este assunto de cotas/raças seja no Fórum da SAB.
Mas não resisto comentar o que disse o José Fernando. A discussão nesta forma
apareceu no governo FHC. Lembro que li de um negro americano na época mais
ou menos o que o José Fernando alega - a falta de modelos para uma criança negra.
Fiquei convencido e adepto de cotas (TEMPORÁRIAS, até modelos existirem) para negros.
Não gosto da argumentação em cima de vestibulares, porque pressupõe que os
vestibulares são/eram medidores razoáveis de alguma coisa. Não eram e não sã
o.
Nenhum excelente aluno é realmente prejudicado por cotas. Apenas talvez os
medianos, para os quais o vestibular se assemelha mais a uma loteria.

Dito isso, vai uma distância imensa entre cotas para universidades (que, para mim,
deveriam existir para os que são realmente discriminados socialmente, ou seja,
não para os que se declaram negros - mesmo que os pais ou avós os sejam, porque
quase todo brasileiro passa por esse critério) e passar a exigir (que seja, pedir)
declaração de raça para qualquer coisa. Isso se assemelha demais ao que existiu
na Alemanha, como as consequências conhecidas. Para facilitar as estatísticas
(que nem se justificam) se poderia até argumentar que seria bom cada um trazer
uma peça de vestimenta caracterizando sua raça. Ou um chip, para ficarmos
mais modernos...
  O item do Lattes é um absurdo e um insulto e as pessoas
que o aceitam merecem ser classificadas de racistas (racista inclui preconceito
contra branco de olhos azuis).

Carlos Alberto Torres
 

Prof. Gabriel R. Hickel

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Apr 19, 2013, 5:46:24 PM4/19/13
to sabf...@googlegroups.com
 
Vou apenas pinçar uma frase sua, que é justamente a solução para os problemas do país:
 
“...uma boa educação pública se faz necessária para a inserção dessas pessoas no mercado de trabalho e reduzir o conceito de raça social que o brasileiro ainda possui.”
 
Concordo 100%. Isto deve ocorrer sobretudo no ensino fundamental, quando os valores sociais do indivíduo ainda estão se formando. Só que isto é difícil. Dá trabalho. Tem que valorizar, pagar bem o professor, equipar escolas, etc... Custa muito dinheiro e demora a dar retorno (mais que 10 anos). E de modo geral, não dá voto. Aí, para tapar o Sol com a peneira, faz-se uma política de cotas e diz-se que as coisas estão equalizadas e que a desigualdade e preconceito social vai sumir. Aham.
 
Concordo com o Carlos Alberto também, embora a discussão seja sadia e interessante, estamos desviando da função do fórum. Por isso, esta é minha última participação.
 
Abraços.
 
Sent: Friday, April 19, 2013 2:45 PM
Subject: Re: [Fórum da SAB] Re: CNPq agora exige declaração de raça (!!!) no Currículo Lattes
 
   Att,
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José Fernando de Jesus

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Apr 21, 2013, 9:21:17 AM4/21/13
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   Não sou especialista em cotas, mas uma amiga minha socióloga diz que as propostas de cotas também prevêem, além das cotas, as melhorias na educação básica.

Prof. Dr. José Fernando de Jesus
PhD on Cosmology (IAG-USP)

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Marcelo P. Allen

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Apr 22, 2013, 2:23:03 PM4/22/13
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Senhores e senhoras
Me parece que a discussão está tomando rumos estranhos. "Cotas" me parece algo deslocado aqui. Não compartilho da desconfiança de muitos a respeito de um ítem de informação inútil e ainda por cima opcional. Inútil porque nada muda se eu me auto-declaro branco, azul ou cor de burro quando foge. Opcional porque todos podem se recusar a declarar.
Quem argumenta que esse ítem de informação, conforme apresentado, abre as portas para uma escalada "racista", se coloca ao lado da preocupação com a escalada "feminista" ou "sexualista", possivelmente decorrente de declarar "sexo/gênero" no mesmo formulário. Quando o Currículo Lattes tiver opção de declarar feminino, masculino, transgênero ou sei lá o quê, teremos outra rodada de discussões como agora? Porque imagino que isso não está longe no futuro...
Tem tanta coisa acontecendo que já aviso: não acho que vou encontrar tempo para voltar a comentar neste assunto... Gastei mais minutos do que deveria nesta vez. Aliás, faz uns dois anos que não corrijo o Lattes, talvez seja hora de fazer isso... assim posso me declarar índio Tamoio. Aculturado.
Boa sorte!
Marcelo Allen
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Um pessimista ve dificuldade em cada oportunidade;
um otimista ve oportunidade em cada dificuldade.
Dificuldades superadas sao oportunidades ganhas.
Por mim, sou um otimista - nao parece ter muita utilidade ser outra coisa.

Sir Winston Churchill
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Tiago Ribeiro de Souza

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Apr 24, 2013, 9:59:48 AM4/24/13
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Aqui tem um bom exemplo da aplicação da declaração de raça e o incentivo a diversidade na academia.



Tiago
--

Nilza Pires

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May 3, 2013, 10:34:49 AM5/3/13
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Um amigo meu disse-me" Eu, que não sou bobo, me declarei negro, senão perco a cota das bolsas de produtividade...". Seria bom o CNPq deixar um quadradinho livre para a pessoa escolher sua cor preferia: Eu poria azul! Por que morando em Natal, sou morena, quando vou para Sampa, fico branca leitosa! Assim, com toda essa duvida de cor e /ou raça, escolhi não declarar, pois na publicação do curriculum tenho que clicar um termo de veracidade.
Nilza
--
Nilza Pires                        
Universidade Federal do R. G. do Norte   Fax: +55(84)32153791
Departamento de Fisica/CCET                e-mail: npi...@dfte.ufrn.br
59072-970, Natal - RN, Brasil                          
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