E-mail a TV Sky

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Irapuan Martinez

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Feb 15, 2008, 4:58:03 PM2/15/08
to respo...@googlegroups.com
E-mail postado a pouco pelo site da Sky.com.br. Se você não sabe do
que se trata a campanha, vá em http://www.liberdadenatv.com.br

=x=x=x=

Estou acompanhando a campanha da Sky "Liberdade na TV", sob o mote "Eu
decido o que quero ver na TV".

É muito apropriado, não concordo que a instalação de cotas nos canais
seja incentivo de produção de qualidade. Nossa indústria de conteúdo
deve se desenvolver por méritos próprios, não sob a sombra de uma lei
que sabemos, só fomentará produções ruins para suprir a letra da lei -
que imagina-se, não tem como exigir que o conteúdo seja de qualidade.

Só que... Se a SKY e seus canais se virem na eminência de ter que
responder se caso este projeto de lei seja aprovado, não será tão
difícil: Quantos por cento da programação é gasto com programas de
Televendas? Pode ser considerado produção nacional, não é?

Como a SKY quer incentivar que sou eu que escolho o que quero
assistir, gostaria de sugerir que vocês criassem um canal apenas para
televendas - ou mais um, como queiram. Assim vocês podem dedicar
canais como Universal, Discovery ou History Channel a programas
condizentes com a programação destes canais. É lamentável tentar
sintonizá-los e um televenda estar ocupando quase toda a parte da
manhã ou da madrugada.

Fico na expectativa que esta minha opinião seja bem-vinda, tendo em
vista que vocês querem provar na sua campanha "liberdade na TV" que
sou eu que devo escolher o que quero ver.

E acredite, eu não quero ver programas de televendas.

Obrigado,

P.S.: O site "liberdadenatv.com.br" não tem um lugar para contato.
Estranho uma campanha que pede o apoio popular não contar com nenhum
tipo de interação com o público.

José Antonio

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Feb 15, 2008, 11:55:38 PM2/15/08
to respo...@googlegroups.com
A única liberdade que eles querem é a das empresas de TV por assinatura fazerem a programação de baixa qualidade (baixa qualidade técnica, de marketing e de conteúdo) que bem entendem.

2008/2/15 Irapuan Martinez <ira...@gmail.com>:
googletalk: email: MSN: joseanto...@gmail.com
ICQ: 658222 Skype: "meiradarocha_jor"
veículos: [ http://meiradarocha.jor.br http://olpcitizen.blogspot.com ]

Fabio Caparica de Luna

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Feb 16, 2008, 12:08:29 AM2/16/08
to respo...@googlegroups.com


2008/2/16 José Antonio <joseanto...@gmail.com>:

A única liberdade que eles querem é a das empresas de TV por assinatura fazerem a programação de baixa qualidade (baixa qualidade técnica, de marketing e de conteúdo) que bem entendem.

de fato...
se fosse pra o público (eu) fazer a grade, ainda estariam exibindo B5.

Irapuan Martinez

unread,
Feb 16, 2008, 8:36:13 AM2/16/08
to respo...@googlegroups.com
2008/2/16 Fabio Caparica de Luna <capa...@gmail.com>:

> de fato...
> se fosse pra o público (eu) fazer a grade, ainda estariam exibindo B5.

As pessoas costumam dizer que o rádio não matou o teatro, que o home
vídeo não matou o cinema, e que a internet não matará nenhum deles.

Lo sinto, mas rádio é o único que anda sobrevivendo. Jornais tiveram
seu modelo profundamente modificado em função da internet; cinema está
cada vez com as salas mais vazias, a tecnologia de informação dá menos
audiência a bombas; e a internet está matando a TV.

Qual é o problema da TV? Sincronicidade. Você precisa se dispor a
estar num horário certo pra assistir o que você quer. Essencialmente,
é eles que mandam. Nas condições deles.

Internet é o contrário nestes termos: É assíncrona. Você assiste o que
quer, na hora que dá. São suas condições.

O que é a TV a cabo senão uma tentativa de se tornar mais assíncrona?
Como alguém aficcionado em esportes poderia esperar um só canal dar
espaço para esporte? Ele sintoniza logo o canal de esportes, que o
passa 24 horas.

Temos assincronia, se esperarmos o suficiente: Seriados e vídeos são
disponibilizados a serem vendidos em DVDs para serem assistidos em
casa. Home vídeo é um importante mercado.

Tudo é a tentativa da TV em ser assíncrona.

Outro indício de morte da TV é o TiVo. Além de quebrar a
assincronicidade, estraçalha com a fonte de renda da TV, os brakes
comerciais.

Que nós, os espectadores, iremos controlar a grade, isto é cada dia
mais real. Mas a internet deu um severo pulo neste caminho.

Fabio Caparica de Luna

unread,
Feb 16, 2008, 8:42:24 AM2/16/08
to respo...@googlegroups.com
http://tvrss.net/

só pra bater na mesma tecla.

2008/2/16 Irapuan Martinez <ira...@gmail.com>:



--
[]´s
Fábio Caparica de Luna
http://sinistras.aranha.com.br/

Jaime Balbino

unread,
Feb 16, 2008, 1:33:57 PM2/16/08
to Resposta 42
On 15 fev, 19:58, "Irapuan Martinez" <irap...@gmail.com> wrote:
> Nossa indústria de conteúdo
> deve se desenvolver por méritos próprios, não sob a sombra de uma lei
> que sabemos, só fomentará produções ruins para suprir a letra da lei -
> que imagina-se, não tem como exigir que o conteúdo seja de qualidade.

A questão não é tão simples. No Brasil as empresas que distribuem são
as mesmas que produzem a programação. Quem produz "por fora" mesmo
sendo coisa de altíssima qualidade não consegue exibir/distribuir.

Nos EUA há uma lei antiga que obriga que o mínimo de tempo de
programação pode ser feito pela própria emissora. Todo o resto tem que
ser contratado de produtores indendentes das redes. o resultado disso:
as emissoras se concentram em produzir telejornalismo e criou-se um
mercado muito fértil e variado para todo o tipo de produção.

Tentou-se nos últimos anos estimular a produção nacional de programas
através do incentivo e/ou imposição à entrada de produtores
independentes. Por exemplo: as emissoras puderam produzir programas
com a Lei de Incentivo à Cultura, desde que fosse conteúdo cultural (é
óbvio) e que estivessem associadas à um produtor independente. A
regulamentação dos meios de comunicação, proposta bombardeada pela
mídia no início do governo Lula foi a primeira tentativa de abrir as
emissoras à produção nacional independente.

Como nada deu certo em virtude do cartel local, sobrou a criação da TV
Estatal e projetos deste tipo que atingem ás TVs a Cabo, que estão sob
outro tipo de regulamentação.

Particularmente não acho ruim, pois o assinante da Net e da Sky nunca
teve a liberdade que propagandeiam nesta propaganda-protesto. Ele já
paga por canais que não assiste, não pode montar sua grade de
programação e ainda tem que assistir a invasão de programas "nada-a-
ver" nos canais temáticos.Se o consumidor já aceita financiar canais
desinteressantes que não se "desenvolvem por méritos próprios", que
financie produções nacional e fomentem uma indústria local. Pelo que
já vi de produções independentes tenho certeza de que a programação
vai ficar melhor, no mínimo se comparadas às televendas, reprises e
leilões de gado que eles já assistem.

PS: Não assino TV exatamente por conta da grade programação oferecida.

Irapuan Martinez

unread,
Feb 16, 2008, 4:23:07 PM2/16/08
to respo...@googlegroups.com
2008/2/16 Jaime Balbino <jaim...@gmail.com>:

> Nos EUA há uma lei antiga que obriga que o mínimo de tempo de
> programação pode ser feito pela própria emissora. Todo o resto tem que
> ser contratado de produtores indendentes das redes. o resultado disso:
> as emissoras se concentram em produzir telejornalismo e criou-se um
> mercado muito fértil e variado para todo o tipo de produção.

O que é completamente diferente do caso brasilerio, aonde o projeto de
lei não separa a distribuição da produção, mas classifica a
nacionalidade do conteúdo.

Cotas são a alternativa que nossos políticos se metem a pensar ser a
melhor solução para corrigir as diferenças da nossa sociedade. Imagina
investir para que a indústria de produção se desenvolva, melhor mesmo
uma canetada. Na direção errada.

> regulamentação dos meios de comunicação, proposta bombardeada pela
> mídia no início do governo Lula foi a primeira tentativa de abrir as
> emissoras à produção nacional independente

E quem iria criar as regulamentações, ensinando aos brasileiros o que
é bom ou o que é ruim? Governo!

A China, esta semana, baixou uma norma proibindo filmes de ficção ou
terror, alegando proteção do cidadão. Duh.


> Como nada deu certo em virtude do cartel local,

Antes eles agindo certo (liberdade de expressão) pelos motivos errados
(proteger seu mercado e influência) do que o governo agindo errado
(censura) pelos motivos certos (regulamentarização).

> sobrou a criação da TV Estatal

Que concorre com o Fome Zero em fiasco, que gastou nos primeiros meses
R$ 40 milhões apenas com... logística.

> Particularmente não acho ruim, pois o assinante da Net e da Sky nunca
> teve a liberdade que propagandeiam nesta propaganda-protesto.

Por isso o teor de minha mensagem. Se eles querem vender que sou "eu
que escolho a programação", que acabe com aquelas porcarias de
promametes vendendo grelhas. Argh.

Charles Pilger

unread,
Feb 16, 2008, 4:43:53 PM2/16/08
to respo...@googlegroups.com
On 2/16/08, Irapuan Martinez <ira...@gmail.com> wrote:
A China, esta semana, baixou uma norma proibindo filmes de ficção ou
terror, alegando proteção do cidadão. Duh.

Pronto! Eis que "O Tigre E O Dragão" acaba de virar documentário histórico...


[]'s
Charles Pilger
Msn: crpi...@hotmail.com
Site: http://www.charles.pilger.com.br
"Se você acha educação cara, tente a ignorância." - Derek Bok, ex-reitor de Harvard

Fernando Massen

unread,
Feb 16, 2008, 4:48:30 PM2/16/08
to respo...@googlegroups.com
* Irapuan Martinez (ira...@gmail.com) wrote:

> O que é completamente diferente do caso brasilerio, aonde o projeto de
> lei não separa a distribuição da produção, mas classifica a
> nacionalidade do conteúdo.
>
> Cotas são a alternativa que nossos políticos se metem a pensar

Ehm? Desde quando politicos pensam agora? ;)

Jaime Balbino

unread,
Feb 17, 2008, 2:40:04 PM2/17/08
to Resposta 42
On 16 fev, 19:23, "Irapuan Martinez" <irap...@gmail.com> wrote:
> 2008/2/16 Jaime Balbino <jaimeb...@gmail.com>:

> Por isso o teor de minha mensagem. Se eles querem vender que sou "eu
> que escolho a programação", que acabe com aquelas porcarias de
> promametes vendendo grelhas. Argh.

Façamos um exercício mental: imaginemos que a Sky retire do ar as
porcarias já citadas... a quantidade de canais vagos será muito maior
do que os canais "sobreviventes".

As TVs por assinatura não querem saber de qualidade e muito menos de
liberdade de expressão. É só mercado e influência mesmo. Se fosse para
fazer juz ao discurso "qualidade+liberdade" elas sozihas já teriam
estimulado a participação de produções independentes na sua grade e
retirado boa parte do que não presta (e pelo qual você paga). Mas
fazer isso é dividir mercado e perder influência.

E que não venham com a desculpa de que não há bons produtores/
diretores/escritores nacionais... O que nâo existe é altruísmo na TV
por assinatura.

Se a Sky tiver que passar programação brasileiras ou se seus canais
tiverem que ampliar a produção local de versões de seriados e de novas
produções isso não vai retirar do ar "24 horas", "Lost" ou "Sex in the
City". Vai atingir exatamente aquilo que ninguém vê mas que todo mundo
paga.

Todos os que não leram a antiga proposta de regulamentação do governo
acham que ela censurava tudo. Teve muita gente boa que emitiu opinião
pelo que ouviu falar, sem botar o olho em uma linha sequer do texto.
Alguns até pensavam que a simples idéia de regulamentação implicava em
censura, esquecendo-se de que num estado democrático tudo é regulado:
impostos, indústria, poderes, eleições, telecomunicação, educação, ...
O controle da sociedade (e não do governo) sobre a programação e um
código de ética para minimizar a divulgação de informações distorcidas
(como a revista Veja e os programas da IURD costumam fazer
sistematicamente) são ações bem vindas e é o que estava previsto nesta
regulamentação. Hoje o único "controle social" da TV é o IBOPE, se
você está satisfeito com isso não há mais nada o que discutir.

Hoje, se um cidadão ou grupo quiser questionar um programa ou a
programação tem que ir ao Procon ou à Justiça. Se ele quiser discutir
a função social da TV... não pode! Simplesmente porque não há fóruns
legitimados para isso. Se esse cidadão for um empresário das
telecomunicações é diferente, há mais de meia-dúzia de espaços
legítimos dentro e fora do Estado.

Na medida que os empresários não querem discutir a regulamentação e o
governo quer implementar alguma forma de controle e democratização da
produção, as opções vão se limitando às vias impositivas. É a forma do
governo forçar a discussão.

A TV (e o Rádio) brasileiros estão longe de serem livres, democráticos
e includentes. Ilude-se aquele que pensa o contrário só porque tem um
controle remoto, mais de 100 canais e uma mensalidade de quase 200
reais.

Um abraço,
Jaime Balbino

PS: Isso não quer dizer que eu concorde com o projeto de cotas para as
emissoras. Não o conheço. Prefiro a regulamentação, onde as emissoras
concordariam em abrir espaço para a produção independente (como fez a
lei americana). Porém diante da resistência/preguiça do empresariado
vejo aí uma forma de forçar essa discussão que nunca chega. Percebam
que não há debate. Nunca se alcança o mérito da questão, apenas negam-
se a discutir e pronto. É preciso sempre lembrar que as emissoras
brasileiras funcionam no regime de concessão?

João B

unread,
Mar 11, 2008, 11:12:32 PM3/11/08
to Resposta 42
Caros,

A propaganda é completamente enviesada para colocar todos contra o que
propõe o Projeto de Lei. Querem fazer massa de manobra contra o
projeto e estão falando todo tipo de inverdade.

Tive o trabalho de ler o projeto e estuda-lo. O projeto, de autoria do
deputado Jorge Bittar sequer aparece na página da campanha dita
"Liberdade na TV" - e também não há link para a proposta. E está no
Congresso desde dezembro último. Certamente para que ninguém conheça o
texto e, assim, fazer com que os argumentos da campanha caiam por
terra.

A campanha é orquestrada, pelo que entendi pela Sky (do magnata Rupert
Murdoch) e a ABTA (que representa os canais estrangeiros). Ao que
parece, a Globo através dos seus braços na TV por assinatura, tem
apoiado.

O enviesamento da campanha "Liberdade na TV" é total, para conquistar
corações e mentes.

Vamos lá. O que o projeto NÃO propõe:

1 - a retirada dos atuais canais (estrangeiros) dos pacotes. A
aplicação das cotas é progressiva, sendo alcançadas, na totalidade, em
4 anos. E em quatro anos, todas as redes estarão digitalizadas,
permitindo muito mais canais.
2 - computar 10% em cima de toda a grade horária diária dos canais
estrangeiros. Os 10% são em cima de 5 horas do horário nobre. Dá 30
minutos por dia (em 4 anos), ou seja, e 3:30h na semana inteirinha.
3 - não retira do usuário o direito de escolha sobre o que ele quer
assistir na televisão por assinatura. O Projeto de Lei não subtrai,
mas soma conteúdo brasileiro aos pacotes existentes hoje.

Efetivamente, o que o projeto propõe em relação às cotas? São
basicamente 3 cotas:
1 - que daqui a 4 anos, teremos 3:30h SEMANAIS de conteúdo nacional
(equivalente a 10% do tempo dentro das 5 horas do horário nobre) nos
canais que tem maioria de espaço qualificado nas 5 horas do horário
nobre. Entram: Warner, Sony, Discoverys, HBO, etc. E ficam de fora:
NHK, RAI, ESPN, etc, porque não tem maior parte de espaço qualificado
no horário nobre. Vejam bem, 210 minutos por semana em 4 anos. E no
primeiro ano, 25% disso, ou exatamente 52 minutos SEMANAIS. Isso é
absurdo?

2 - O projeto é inteligente ao aproveitar a digitalização das redes de
tv por assinatura, fato que promete aumentar em muito o número de
canais possíveis de veiculação, para criar uma cota de canais que
tenham conteúdo brasileiro, em sua maior parte. Caso nada seja feito,
as redes aumentarão em 50 a 100 os canais disponíveis e todos esses
canais serão programados por empresas estrangeiras, com conteúdo
estrangeiro dentro deles. O texto propõe 30% de todos os canais
qualificados (a titulo de exemplo: HBO e Cartoon são "canais
qualificados", ESPN e Canal Rural não) existentes no pacote. Isso dá,
de fato cerca de 20 a 25 canais caso o pacote tenha 100 canais (visto
que o cômputo se dá não em cima de todo o pacote, mas apenas em cima
dos canais que tem majoritariamente espaço qualificado no horário
nobre. 20 a 25 canais (em 100) daqui a 4 anos. No primeiro ano, a
cota, pela proposta será 25% disso (ou seja 4 a 5 canais). Isso é
muito? Pode ser... mas absurdo?

3 - O projeto propõe 50% de canais programados por empresas de capital
nacional. Essa cota não diz se o conteúdo será, nesses canais,
brasileiro ou estrangeiro. É uma cota para os programadores nacionais,
ponto. Não faz qualquer menção ao conteúdo existente dentro deles. Os
canais Telecines por exemplo, são da Globosat (da Globo) e entrariam
nessa cota. E só veiculam conteúdo estrangeiro.O Canal Rural, o
SporTV e o Shoptime também. É uma cota grande?. Pode ser. Mas
absurda?? Se diminuísse para um percentual razoável, continuaria
absurda?

O que mais o projeto propõe:

1 - mecanismos importantes para incentivar a competição (essa palavra
que os grandes empresários brasileiros tanto odeiam) na televisão por
assinatura (art. 11, art. Art. 17, por exemplo);
2 - mecanismo que faz com que alguns eventos nacionais considerados
relevantes (alguns eventos esportivos, por exemplo) sejam veiculados
por mais canais de programação, estando, portanto, mais acessíveis a
mais gente.
3 - limite de publicidade nos canais de tv por assinatura (15% de cada
1 hora - art. 20)

Como tais propagandas manipulam as informações:
1 - Dizendo que 10% da programação TOTAL dos canais estrangeiros
deverá ser composta por programas brasileiros. Na verdade é 10% de 5
horas diárias (§ 2º do art. 18).
2 - Dizendo que 50% dos canais terão de veicular conteúdo nacional. O
que é uma inverdade. A cota de 50% é para programadores nacionais. E
eles exibem o que quiserem: jornalismo, filmes estrangeiros, jogos de
futebol, etc.
3 - Dizendo que o usuário perderá a possibilidade de escolher o que
assistir, ou que estará pagando para receber menos conteúdo.

Há muitos interesses em jogo. E estão usando de propaganda maliciosa
para fazer massa de manobra contra o projeto.

A peça de propaganda diz que estão ameaçando a liberdade de escolha.
Valeria a pena perguntar: que liberdade de escolha o assinante tem
hoje?
De pagar por uma TV por assinatura que custa de 2 a 3 vezes mais do
que nos países da América do Sul para um ter um conjunto similar de
canais? (o que faz com que o Brasil fique na lanterninha dos países da
América do Sul na penetração do serviço). Ou ainda a tal "liberdade"
esteja em comprar pacotes absolutamente fechados, onde não se permite
a escolha de canal por canal?

Não acho que são só os estrangeiros que estão interessados nessa
campanha. Interessa às Organizações Globo continuar com o quase
monopólio da programação brasileira na TV por assinatura. Sozinha, a
empresa entrega conteúdo (canais de programação) para 82% dos
assinantes brasileiros (vá em http://netbrasil.globo.com/ e clique em
"Quem somos). Com esse situação, deita e rola, fazendo o preço dos
pacotes serem de 2 a 3 vezes maior que nos países vizinhos, para um
conjunto similar de canais. Por que interessaria à empresa qualquer
possibilidade de mudança nessa situação?? Qual o interesse da empresa
para fazer o mercado de televisão por assinatura crescer, se isso
mataria a galinha de ovos de ouro dela (a audiência da TV aberta)??
Tudo que as organizações Globo odeiam é a competição na TV aberta, ou
mesmo dentro da TV por assinatura, pois hoje, já domina também esse
mercado.

Como disse, no site "Liberdade na TV", sequer há qualquer link para o
texto do PL. Quem quiser, encontra o texto criticado pela ABTA em:
http://www.camara.gov.br/sileg/MostrarIntegra.asp?CodTeor=529787

As cotas estão a partir do artigo 15. É só conferir. REFLETIR a
respeito e tomar partido.

Abraços, João

PS: só mais uma informação, vi lá, o cômputo das cotas é realizado em
cima dos pacote que chega na casa do assinante. Por pacote entende-se
todos os canais, MENOS os canais de veiculação obrigatória (canais
abertos, comunitário, TVs do legislativo, judiciário, etc.). Esses
canais também não entram no cumprimento das cotas.


On 15 fev, 18:58, "Irapuan Martinez" <irap...@gmail.com> wrote:
> E-mail postado a pouco pelo site da Sky.com.br. Se você não sabe do
> que se trata a campanha, vá emhttp://www.liberdadenatv.com.br

Irapuan Martinez

unread,
Mar 11, 2008, 11:45:05 PM3/11/08
to respo...@googlegroups.com
2008/3/12 João B <joo...@gmail.com>:

> A propaganda é completamente enviesada para colocar todos contra o que
> propõe o Projeto de Lei. Querem fazer massa de manobra contra o
> projeto e estão falando todo tipo de inverdade.

Atualizaram o comercial, com testemunhais. Mais falsos que um DVD do
"Tropa de Elite". Quiseram atualizar, mas abusaram ainda mais de nossa
inteligência.

Dias depois do e-mail original, recebi uma réplica da Sky, tirando-a
da reta: O caso era que os Televendas não são da conta deles, que é
apenas a estrutura de distribuição. Se o History Channel pára de
passar documentários para anunciar grelha que lava mais branco,
passeia com o cachorro e faz seu marido parar de roncar, é da conta do
canal, não da Sky.

Estranho, já que a campanha sobre cotas de conteúdo é da Sky. Combina
com o que diz, João: com o projeto de lei, o problema será da Sky em
disponibilizar mais banda.


> Tive o trabalho de ler o projeto e estuda-lo.

> http://www.camara.gov.br/sileg/MostrarIntegra.asp?CodTeor=529787

Fundamental alguém ter lido. Não li pois imagino que nessa briga de
cachorro grande, há fatos demais escondidos para se tornar um partido.
Então só tirei meu próprio partido, que detesta como a TV a cabo abusa
de nossa inteligência.

Interessante que a lei não impõe secamente uma cota. Mas entretanto,
ela me parece falha em assegurar que a qualidade será mantida. TV a
cabo é uma fuga da pouca possibilidade da TV aberta. Cotas que forçam
um determinado tipo de programação não me parece satisfazer este
preceito. Irão encher linguiça, ao invés das produções nacionais terem
que pedalar para conquistá-la.

HBO anda se virando bem para suprir com coisas sem necessariamente
gringas, por exemplo.

Jaime Balbino

unread,
Mar 14, 2008, 11:23:19 AM3/14/08
to Resposta 42
Fundamental a leitura do João. Gostaria de saber se ele autoriza a
divulgação ampla de sua reflexão pela rede.

Sobre ainda a questão das cotas levatandas pelo Irapuan, aquela idéia
que permeou a década de 90 de que o "Livre Mercado" e a Livre
Concorrência são suficientes numa sociedade liberal para garantir a
participação de todos e o sucesso do "mais apto"... lamento dizer... é
furada.

A atual crise americana (e as duas crises mundiais nteriores) servem
também para provar que sem regulamentação o Mercado fica tão
monopolista e ineficiente quanto o Estado. A "Auto-Regulação" é uma
fantasia que encontra respaldo numa realidade limitada.

Depois que tudo falha sobra para o Estado consertar tudo, emprestar
dinheiro, modificar a regra do jogo liberal (considerada antes da
crise como Universal e Onipotente) e ajudar os grandões para que o
Sistema Econômico Mundial continue do mesmo jeito liberal de sempre.

O mesmo acontece com as telecomunicações no Brasil: a lei de livre-
mercado não garante o acesso de produtores nacionais pois o sistema é
monopolista e não aceita compartilhar o poder. Quem produz são os
mesmos que distribuem e essa anomalia implica que só eles escolhem o
que pode ou não ser feito.

Numa situação assim, já provada difícil de mudar pelas próprias
tentativas anteriores do governo, resta ações intervencionistas como
as cotas. Não há como negociar E garantir a democratização do acesso a
produtores independentes, não há lei e nem costume para isso. Todas as
tentativas de quebrar tal monopólio foram bombardeadas sem debate do
mérito (como faz essa campanha da Sky).

O mundo liberal perfeito não existe nem na teoria, nem os EUA que
intervêem mais na economia e na sociedade que outros países. Mesmo na
teoria liberal mais ortodoxa o Estado tem um papel regulador que
exerce nestas horas em que é necessário garantir o espírito liberal,
isto é, a chance de todos participarem com chances iguais para se
destacarem.

Lembro que o sempre liberal EUA fizeram a reforma agrária utilzando o
método que lhes pareceu mais justo. A idéia de garantir a chance para
o cidadão não é um conceito de socialistas saldosos da Embrafilme, é
uma idéia liberal, criada no protestantismo, e talvez por isso nós de
cultura católica e anti-comunista tenhamos tanta dificuldade de
compreendê-la de fato.

Um abraço,
Jaime
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