2008/2009: o ano horr�vel da Educa��o e n�o s�
1. O ano lectivo de 2008/2009 chegou ao fim. Uf! Gra�as a Deus! Vasculhando
nos meus 34 anos de hist�ria profissional n�o recordo nada de t�o mau. Foi
um ano horr�vel para os professores. Mas tamb�m para os portugueses em
geral, com excep��o dos quadros do PS que foram chamados a exercer altas
fun��es p�blicas nas DREs e nos departamentos centrais do ME. Mas at� para
esses o �ltimo trimestre de 2009 vai ser dram�tico porque ser�o sacudidos
por uma onda de resigna��es e demiss�es na sequ�ncia da derrota eleitoral do
PS.
2. Primeiro caiu em cima dos professores o decreto regulamentar 2/2008, que
define o quadro jur�dico da avalia��o de desempenho, e que teve como
consequ�ncias imediatas o agravamento do clima de divis�o e mal-estar entre
os professores. Houve milhares que n�o aguentaram a desconsidera��o e a
competi��o mals� e pediram aposenta��o com penaliza��o. O ME conseguiu o que
queria: colocar professores contra professores e expulsar do sistema os mais
velhos e mais "resistentes �s mudan�as".
3. Depois foi o decreto-lei 75/2008, que criou o novo modelo de gest�o,
colocou professores contra professores, diminuiu a democracia nas escolas,
conduziu � partidariza��o dos conselhos gerais e imp�s o fim da liberdade de
express�o nas escolas. Os professores passaram a andar pelos cantos da
escola, de rosto triste, a dizerem �s escondidas aquilo que passou a ser
proibido afirmar �s claras. O medo instalou-se. Os aspirantes a tiranetes,
fascistas, socialistas jacobinos, vira-casacas e lambe-botas deram as m�os e
mergulharam as escolas numa espiral de loucura burocr�tica e desrespeito
pelas leis e pelas pessoas.
4. Mais recentemente, a confus�o instalou-se em nome da autonomia das
escolas, com directores a recusarem avaliar os professores que n�o
entregaram objectivos individuais, enquanto outros, nas escolas ao lado,
admitem avaliar.
5. Por fim, os resultados do concurso nacional de professores. Menos de 500
novas entradas nos quadros. Dezenas de milhares sem coloca��o. E a cereja em
cima do bolo ainda est� para chegar mas tem encontro marcado com os
portugueses: a Gripe A. O medo da pandemia juntou-se ao receio imposto pela
chegada ao poder de centenas de med�ocres e aspirantes a ditadores. E os que
teimam em resistir s�o for�ados a assistirem a dezenas de reuni�es e ac��es
de forma��o sobre ADD, sobre o Siadap, moderniza��o administrativa e outras
tretas vendidas a 50 euros � hora por uns economistas e soci�logos com
cart�o do PS, sem forma��o humana, acabados de sair das Universidades. Este
foi um ano horr�vel. Talvez esteja a exagerar nas cores negras. N�o admira:
estou um pouco deprimido. Tenho pouca esperan�a de que este Pa�s tenha
solu��o.
Publicada por Ramiro Marques
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�Se os pais soubessem o que se passa nas escola p�blicas iriam para a rua
manifestar-se com os professores.�
(Medina Carreira)
�A maior parte dos eleitores n�o votou no PS, esta maioria absoluta e
este sistema s�o logros eleitorais.�
[EP]