Greve continua até 11 de dezembro
Em assembleia, professores da UnB decidiram manter paralisação até que folha de pagamentos seja rodada
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João Campos - Da Secretaria de Comunicação da UnB
Professores da Universidade de Brasília continuam em greve pelo menos até o próximo dia 11, data prevista para rodar a folha de pagamento de todos os servidores da instituição. A decisão foi tomada em assembleia na tarde de sexta-feira, 4 de dezembro. “Ainda não há provas suficientes que assegurem o pagamento da URP até fevereiro. Por isso, a greve deve continuar”, afirmou o professor do Departamento de Filosofia, Rodrigo Dantas.
A assembleia teve opiniões conflitantes. O fim da greve foi defendido principalmente por professores do campus do Gama e pela atual diretoria da Associação dos Docentes da UnB (ADUnB). No entanto, a maioria do professores presentes no encontro reiterou a necessidade de continuar a mobilização. “Por enquanto só temos promessas verbais sobre dezembro. Precisamos de algo mais concreto e que nos garanta até março”, comentou um professor do campus Ceilândia. A assembleia reuniu cerca de 250 pessoas no Anfiteatro 9.
Duas propostas foram aprovadas com ampla maioria: a adoção de medidas judiciais caso a liminar do Supremo Tribunal Federal (STF) que determina o pagamento da URP não seja cumprida, incluindo pedido de prisão a quem desobedecer a ordem; e a formação de um grupo para acompanhar o fechamento da folha junto à administração e ao Ministério do Planejamento. Já a continuidade da greve dividiu o auditório. “Não importa o resultado, o importante é manter a união do movimento”, observou o presidente da ADUnB, professor Flávio Botelho.
APOIO - Presentes na assembleia, servidores e estudantes também manifestaram seu apoio à manutenção da greve. “Recuar agora seria um erro. Apesar de já termos algumas conquistas nosso objetivo ainda não foi assegurado”, comentou o coordenador-geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Raul Cardoso. “Se pararmos, não há chance de fazer essa mobilização de novo. Vamos continuar a greve até o dia 11, quando vamos ter um documento que assegure que não vão tirar 26% dos salários”, reiterou Cosmo Balbino, coordenador do Sindicato dos Servidores da UnB (Sintfub).
Uma das críticas feitas ao movimento grevista foi a perda do foco original estabelecido no início da mobilização. “Nossa questão era a URP. Agora já colocaram Arruda e prestadores de serviços no meio. O movimento se radicalizou”, comentou o professor do Gama Rafael Morgado. Para Paulo Celso, representante da Faculdade de Tecnologia, a greve começa a perder força. “Na FT, se tiver 10% dos professores parados é muito. O movimento não pegou aqui no campus”. Na próxima terça-feira, novas assembléias, dos professores e dos funcionários, voltam debater o corte salarial na UnB.