Account Options

  1. Sign in
The old Google Groups will be going away soon, but your browser is incompatible with the new version.
Google Groups Home
« Groups Home
Licença Java: pomo da discórdia do padrão de interatividade da TV digital
There are currently too many topics in this group that display first. To make this topic appear first, remove this option from another topic.
There was an error processing your request. Please try again.
flag
  1 message - Collapse all  -  Translate all to Translated (View all originals)
The group you are posting to is a Usenet group. Messages posted to this group will make your email address visible to anyone on the Internet.
Your reply message has not been sent.
Your post will appear after it is approved by moderators
 
From:
To:
Cc:
Followup To:
Add Cc | Add Followup-to | Edit Subject
Subject:
Validation:
For verification purposes please type the characters you see in the picture below or the numbers you hear by clicking the accessibility icon. Listen and type the numbers you hear
 
Carlos Fernando Gonçalves  
View profile   Translate to Translated (View Original)
 More options Aug 20 2012, 8:17 am
From: Carlos Fernando Gonçalves <carlos...@gmail.com>
Date: Mon, 20 Aug 2012 09:17:07 -0300
Local: Mon, Aug 20 2012 8:17 am
Subject: Licença Java: pomo da discórdia do padrão de interatividade da TV digital

Olá.
Licença Java: pomo da discórdia do padrão de interatividade da TV digital

Publicada em 20/08/2012 7:20

Muito tem sido discutido nos fóruns especializados e nos grupos de trabalho
do Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital sobre a cessão do Java DTV,
sem cobrança de royalties para uso no Ginga e a cobrança pelo licenciamento
dos módulos Java TV e Java Virtual Machine (JVM).

A polêmica em torno do licenciamento do Java no seio do Fórum SBTVD acabou
por revelar uma questão preocupante: a completa ignorância de muitos
desenvolvedores a respeito. Uma grande parte da comunidade não entende
exatamente como é o modelo de licenciamento do Java.

Afinal de contas o Java é livre ou não? O Open JDK é GPL?

Bati um longo papo com Bruno Souza, o Java Man, diretor do grupo de
usuários SouJava, sobre essas e outras questões.

Na última década, a comunidade Java travou diversos embates com a SUN e,
posteriormente, com a Oracle, para garantir que o Java tivesse um modelo de
licenciamento claro e bem definido, eliminando riscos jurídicos por
infrações de patentes e propriedade intelectual.

Sim. O Java é GPL. O código fonte está disponível para livre uso, desde que
seguidas as regras da licença GPL.

Isso significa que para utilizar esse código é necessário licenciar todas
as modificações sob a mesma licença (GPL), por uma questão de
reciprocidade. Esse efeito viral da licença GPL costuma ser alvo de
criticas, por supostamente “contaminar” o código do produto, embora os
defensores do software garantam que não. Ser apenas uma forma de promover
mais código livre.

Portanto, no âmbito do Ginga, quem quiser utilizar o OpenJDK, tem que
aceitar que modificações feitas na maquina virtual sejam disponibilizadas
como GPL. As empresas dizem que isso impede produtos comerciais, porque
você não pode manter proprietária as suas modificações. Mas é e sempre foi
a regra do jogo, inclusive para outros produtos usados pela indústria de
recepção. Quem quiser manter proprietária as suas modificações, pode pagar
por uma licença que não seja a GPL.

Mas esse não é o pomo da discórdia no Fórum SBTVD. Nas discussões a
respeito da TV Digital, algumas vezes essa “crítica” de que Java não é
completamente livre aparece pura e simplesmente com o intuito de causar
desinformação.

Todos concordam que se o desenvolvedor usar o código da Oracle (o OpenJDK),
ou aceita a licença gratuita ou paga pelo direito de usá-la.

A discórdia está relacionada a preocupações com valores de licenciamento,
controle do padrão pela Oracle, exigência de
certificação e tratamento discriminatório contra empresas brasileiras.
Explico.

Segundo Bruno, a licença da especificação Java (JCP) garante acesso à
propriedade intelectual de dezenas de empresa que contribuíram para ela,
mediante a determinados critérios. A saber: que sua implementação do código
seja (1) completa e (2) compatível (tenha passado no TCK, o teste de
compatibilidade).

Portanto, no contexto do Ginga, todas as empresas interessadas em vender
implementações comerciais do middleware, conforme a arquitetura padrão
definida pelo Fórum SBTVD, referendada pela Associação Brasileira de Normas
Técnica (ABNT), são obrigadas a passar por esse processo de certificação.

É aí que está a principal critica ao uso do Java. Mesmo que o desenvolvedor
não use o código da Oracle, só tem direito à propriedade intelectual se
passar no TCK. Se “pagar a certificação”.

Qual o argumento do SouJava em defesa do Java nessa questão?

“Em geral para ter acesso à propriedade intelectual de uma especificação, o
desenvolvedor tem que negociar com cada empresa que tenha contribuído para
sua elaboração. Somente alguns poucos órgãos de padronização, como o W3C,
exigem que a propriedade intelectual seja disponibilizada royalty free. No
caso do JCP, existe um processo claro de como essa propriedade intelectual
é fornecida”, explica Bruno.

Para não correr nenhum risco, os desenvolvedores Ginga têm algumas
alternativas. Podem: (1) usar o projeto OpenJDK e passar no TCK
gratuitamente, (2) criar sua própria JVM (ou usar um projeto open source) a
partir da especificação e passar no TCK (que é cobrado) e com isso ter o
direito de usar as patentes de terceiros, (3) licenciar o código da Oracle
(4) ou licenciar o código de qualquer outra empresa que tenha uma JVM (são
várias!), (5) não pagar nem passar no TCK e licenciar as patentes de cada
empresa que vier bater na sua porta. Bruno lembra que as opções 3, 4 e 5
são realidade de qualquer tecnologia que o desenvolvedor decida incluir no
seu produto).

No caso do Ginga, há ainda que se considerar outra questão.

A preocupação com a cobrança de royalties pelos módulos Java usados no
Ginga levou o Fórum SBTVD a incluir na norma ABNT -NBR 15606-6 (pág.vii, 3o
parágrafo) o seguinte trecho:

*” O proprietário deste direito de patente assegurou à ABNT que está
preparado para negociar licenças sobre termos e condições razoáveis e não
discriminatórias com os solicitantes. Sobre isto, uma declaração do
proprietário desta patente está registrada com a ABNT. Informações podem
sem ser obtidas com:*
*Oracle Corporation [...].

Isso porque, em tese, todas as JSRs obrigatórias no Ginga-J são
certificadas pela Oracle, exceto a JavaDTV. Isso conferiria a uma única
empresa americana o controle do tempo de lançamento dos produtos Ginga,
além do poder de influenciar nos preços. Esse controle pode dar a essa
empresa o poder de não certificar. O que, na prática, diminui a zero a
possibilidade de comercialização dos produtos Ginga não certificados, já
que os clientes da empresa implementadora estariam sujeitos a cobrança pelo
uso de propriedade intelectual, o que seria inaceitável para fabricantes de
TV com marca consolidada no mercado.

Mas isso é uma falsa verdade, segundo Bruno. A certificação JCP não é
“feita” pela Oracle. A certificação é um teste (um software) que cada
empresa roda internamente. É a empresa que diz se seu produto passa ou não
na certificação. Não a Oracle. Quando falamos do TCK, o que o desenvolvedor
está “pagando” é o direito de executar esse teste, ou seja, a licença para
ter o software de testes.

A Oracle não tem como controlar alguém de lançar o produto, até porque não
existe nada que te impeça de lançar o produto sem passar na certificação,
ou mais ainda, a Oracle não pode te impedir e lançar o produto _mesmo_que_
você não tenha licenciado o teste”, diz Bruno.

Tem mais. A certificação dá direito à propriedade intelectual, mas não é a
única forma do desenvolvedor ter direito a essa propriedade. “Você pode
fazer sua implementação com muito cuidado, sem infringir a propriedade
intelectual!), e portanto, uma disputa disso terá que ser feita na Justiça,
e necessariamente acontecerá após o lançamento do seu produto. Licenciar o
TCK é a forma mais fácil de você ter acesso à propriedade intelectual, mas
não é a única.

Uma das discussões ainda em curso, hoje, no Fórum SBTVD (e que já se
estende por mais de 12 meses) é garantir regras mais claras, que garantam
mais transparência e agilidade no processo, assegurando de fato o
atendimento não discriminatório para todas as empresas implementadoras do
Ginga por parte da Oracle.

Nesse ponto, Bruno lamenta o fato do Grupo SouJava estar alijado dos
debates no âmbito do Fórum SBTV, porque poderia ser mais efetivo em
pressionar em pressionar a Oracle a fornecer respostas e remodelar seus
processos, qualquer que sejam, já que o grupo tem de fato influência direta
no desenvolvimento do padrão Java e suas políticas de licenciamento (desde
a época da Sun, e agora, na Oracle), com assento no Comitê Executivo (EC)
do Java Community Process.

“Nesses últimos anos, temos pressionado a Oracle para que as pendências em
relação ao andamento da TV Digital sejam resolvidas, mesmo sem conhecer os
detalhes do que esta sendo discutido no Fórum SBTVD. Com mais informações,
ficaria mais fácil continuar pressionando para sanar esses problemas”,
argumenta Bruno.

Na opinião do grupo SouJava, continuar pressionando a Oracle e o JCP para
que essa questão seja resolvida de maneira mais satisfatória é um caminho
mais estratégico para o pais do que tornar o Java opcional na especificação
padrão do Ginga (gráfico abaixo), como discute o Fórum SBTVD.

[image: ging]

“Acredito que ter uma tecnologia de abrangência mundial, que nos dê a
possibilidade de uma segurança jurídica adequada, com base na licença GPL
do Java, que abra para as empresas brasileiras um importante mercado
mundial e que, na minha opinião, temos todas as condições de garantir que
seja de uma forma não discriminatória, é uma oportunidade muito grande para
deixarmos escapar”, argumenta Bruno.

Ainda mais quando a alternativa, que seria mudar as regras a essa altura,
só trará descrédito para todos os envolvidos, e só contribuirá para afastar
o desenvolvedor, que á quem mais precisamos atrair nesse momento se
queremos que a TV Digital realmente aconteça.”

Porque o SouJava insiste na tecnologia Java ser mantida no padrão
Brasileiro de TV Digital? Justamente porque a tecnologia Java não é
controlada por uma única empresa.

Porque as regras de certificação, os licenciamentos, as forma de utilização
do padrão, são claras, públicas e abertas.

Porque é exigência de tudo isso que os licenciamentos sejam não
discriminatórios.

Porque Java possui, não uma, mas múltiplas implementações livres.

Porque nenhum fabricante é obrigado a comprar uma JVM da Oracle, mas
qualquer das várias implementações oficialmente certificadas no mercado,
gerando competição.

Porque o processo de certificação é também claro e publicado.

E, em especial, porque empresas brasileiras podem participar em igualdade
de condições.

“Não temos ilusões e não consideramos que o processo de licenciamento Java
seja perfeito. Também não temos ilusão de que erros nunca aconteçam ou que
incompetência e má fé não existam. Ao contrário: é por isso que queremos um
processo que seja aberto, claro e que nos permita participar e fiscalizar.
Fazemos isso com a tecnologia Java hoje”, afirma Bruno.

Em um documento endereçado à comunidade Java, o grupo SouJava explica que
muito antes de fazer parte do padrão brasileiro de interatividade para TV
Digital, a tecnologia Java faz parte de celulares e do padrão BluRay.
Diversos outros padrões de TV Digital incluem Java. A maioria (talvez
todos) os fabricantes de aparelhos de televisão e de set-top-boxes fabrica
celulares ou BluRays. Todos esses fabricantes já possuem conhecimento em
relação à máquina virtual Java, possuem times internos ou contratam
fornecedores que implementam máquinas virtuais Java.

O ecossistema Java garante que não existe apenas um fornecedor de máquina
virtual Java. Existem dezenas de implementações da JVM, muitas para o
mercado embarcado. Fabricantes de televisão podem licenciar ou comprar a
tecnologia de vários fornecedores, e não fiacarem “presos” a um único
fornecedor, gerando competição no mercado. Apenas um exemplo: no passado, a
HP gerou bastante interesse ao decidir implementar sua própria JVM para o
mercado embarcado, por achar que a implementação da Sun era muito cara. E
não foi a única.

Reproduzo a seguir o trecho final deste documento que explica,
detalhadamente, a última pergunta que fiz ao Bruno: quais seriam os
prejuízos para o mercado se o Ginga-J fosse considerado opcional no padrão
de interatividade?

“Algumas empresas e fabricantes de TVs já embarcam Ginga completo com
Ginga-J e o número de TVs já ultrapassou 3 milhões de unidades. Foi
publicado neste ano pelo governo federal o PPB que torna obrigatório o
Ginga e Ginga-J a partir de 2013 em 75% das TVs LCDs e Plasma e em 90% a
partir de 2014. A comunidade desenvolvedores, incluindo aí grupos de
usuários Java, empresas e universidades, realizou um manifesto referente à
consulta pública, manifestando apoio à incorporação do Ginga no Processo
Produtivo Básico dos televisores de LCD, com centenas de desenvolvedores
tendo enviado cartas ao Ministério do Desenvolvimento, Industria e Comércio
Exterior <http://www.gingadf.com.br/blogGinga/?p=1551>.

Isso é uma pequena mostra de que a comunidade de desenvolvedores, empresas,
universidades e o próprio governo tem investido desde que o padrão foi
anunciado.

Mas pior do que a perda desse investimento, é a incerteza. Se hoje abrimos
mão de uma conquista importante, que já tem dois anos, e que foi apoiada
por desenvolvedores de todo o país, em vez de resolvermos o problema e
negociarmos uma saída estaremos abrindo espaço para que outros descontentes
criem mais incerteza. Tudo isso só ajuda a reduzir a importância, a
qualidade, o respeito conquistado pelo Fórum SBTVD, e a confundir e adiar o
mercado de TV Digital brasileiro.

Essa incerteza só ajuda a desmotivar aquele a quem mais queremos
conquistar, o desenvolvedor. Com o Ginga-J sendo retirado do padrão, que
garantia daremos para o desenvolvedor que, após um novo investimento, algo
que ele use no desenvolvimento de aplicações também não deixe de ser
suportado? A incerteza só prejudica a todos.”

Fonte:
http://idgnow.uol.com.br/blog/circuito/2012/08/20/licenca-java-pomo-d...

Grato.

--

Cordialmente,
Carlos Fernando Gonçalves
@mercuriocfg @javanoroeste


 
You must Sign in before you can post messages.
To post a message you must first join this group.
Please update your nickname on the subscription settings page before posting.
You do not have the permission required to post.
End of messages
« Back to Discussions « Newer topic     Older topic »