Instrumentalização das avaliações e da educação

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marioaraujofilho

não lida,
13 de nov. de 2009, 07:42:4713/11/2009
para Universidade - Informação & Debate
Prezados amigos do Grupo,

O colega Jonábio postou ontem uma notícia a respeito, aqui no Grupo,
sob o título "O ENEM é questionado".

A matéria que se segue o confirma e aborda a instrumentalização
política das avaliações e - pior - da educação brasileira.

Lamentável.

Um abraço,

Mário.

=======================================

Gazeta do Povo, 12/11/2009 - Curitiba PR

Provas “governistas” são regra, dizem especialistas

Educadores ouvidos pela Gazeta do Povo afirmam que elogios à esquerda
não ocorrem apenas no Enade, mas em diversos outros exames

Flávia Alves

O Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes, o Enade, aplicado no
último domingo, trouxe à tona uma infeliz constatação: a educação está
se prestando mais à doutrinação ideológica do que à instrução
propriamente dita, segundo os especialistas consultados pela Gazeta do
Povo que tiveram acesso à prova do Ministério da Educação (MEC). O
pior, afirmam, é que essa prova não é uma exceção, mas apenas um novo
exemplo do que está se tornando regra no ensino brasileiro.

O exame – que tem como objetivo avaliar o desempenho de estudantes do
primeiro e último anos do ensino superior e foi aplicado a mais de 1
milhão de estudantes de todo o país – abordava na primeira parte,
comum a todos os cursos, dez questões de formação geral. Deste total,
quatro faziam referências a ações do governo federal, além de outras
abordagens ao longo das provas específicas. “As questões são
politiqueiras, pois trazem a um público significativo – em termos de
número de eleitores – as informações que o governo quer deixar
gravadas na memória e que virão à tona na hora em que esses fatos
forem incorporados como plataformas eleitoreiras”, afirma Araci
Asinelli da Luz, professora da Universidade Federal do Paraná e
doutora em Educação. Segundo ela, as respostas consideradas certas são
“unilaterais e impositivas”, ou seja, excluem e até mesmo
desqualificam outras formas de pensamento. “É a ideia do governo
salvador. Uma vergonha; as sociedades científica e acadêmica deveriam
se posicionar, mostrar o que estão fazendo em nome de uma avaliação”,
acrescenta.

Mais do que a exaltação do governo federal, o Enade reproduz a
ideologia de esquerda, alerta o professor e educador João Malheiro.
“Além da propaganda, é uma ideologia marxista que se vê na prova. Já,
já, vamos chegar ao governo de Hugo Chávez. A diferença é que aqui a
mensagem é subliminar”, diz o educador, para quem tal prática não é
exclusiva do Enade 2009. “Isso já se viu em anos anteriores, se vê no
Enem, nos vestibulares e até mesmo nos livros didáticos”, denuncia.
Para Miguel Nagib, advogado e coordenador do Escola Sem Partido, grupo
criado em 2004, a prova do MEC apenas corrobora uma realidade há muito
presente no ambiente escolar brasileiro. “O viés ideológico de
esquerda tem sido adotado há anos. As próprias provas de acesso ao
magistério são verdadeiros filtros ideológicos, assim como as de
acesso ao ensino superior. A doutrinação é praticada ao longo dos
ensinos fundamental e médio por esses professores que já foram
doutrinados, criando uma realidade paralela. O perigo disso é eliminar
um lado da verdade”, analisa. Fortalece-se a doutrina, perde-se em
instrução, diz o professor de Filosofia Carlos Ramalhete. “Em
História, Geografia e Sociologia se vê muito do mecanismo de pregação.
O sujeito sai do ensino médio sem saber que estados formam o Nordeste
ou o Norte, porque a prioridade é doutrinar e não ensinar”, explica.

Os especialistas apontam ainda outra consequência: a valorização das
instituições que reproduzem o que se considera “certo” em detrimento
das que não seguem o modelo adotado como correto pela prova. “Isso faz
com que o governo – e não o mercado, as empresas e os alunos – dite um
currículo e passe a dizer que uma universidade é boa”, afirma
Ramalhete. O próprio Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas
Educacionais (Inep), responsável pela aplicação do Enade, reconhece
que um dos seus objetivos é consolidar uma avaliação que prestigie as
instituições de ensino que ofereçam educação de qualidade. No entanto,
Malheiro se pergunta até que ponto um exame carregado de ideologia
pode servir como um instrumento justo. “Os sistemas de avaliação pouco
avaliam e seus resultados de pouco servem para melhorar as
universidades. O objetivo acaba sendo distribuir recursos aos seus
pupilos”, afirma.

Lauro Pires Xavier Neto

não lida,
16 de nov. de 2009, 05:56:3616/11/2009
para infod...@googlegroups.com
Prezados/as,

inicialmente gostaria de afirmar que não concordo com uma política de governo que
expressa em avaliações um posicionamente favorável a qualquer tipo de política
governamental, em especial para exaltá-la. Também não faço parte de qualquer partido
político aliado ao atual governo, porém milito por ideais que combatem as políticas
neoliberais e ações partidárias ligadas ao PSDB, DEM (PFL/ARENA) etc e diria até mesmo
do PT e seu cerco de alianças que aprofundam, em alguns sentidos, as políticas
neoliberais.

Mas, não poderia expressar o meu repúdio ao texto abaixo (Flávia Alves) que parece
querer retornar o já esgotado assunto sobre a neutralidade da educação. Sugiro a
leitura, apenas, de Pedagogia do Oprimido de Paulo Freire. Lá veremos que a educação é
um ato político, e como tal está a serviço de uma dada ideologia - à direita ou à
esquerda. Vejo no texto abaixo o puro e simples Marcatismo, ou como diria Mészaros
(Para além do capital, Ed. Boitempo) "um ódio patológico ao marxismo", bem aos moldes
desta imprensa ligada ao agronegócio, a burguesia vende-pátria e ao neoliberalismo
(Veja, Folha de São Paulo etc).

A rede Globo e a Veja, em especial, assumiram este mote de afirmar que existe
uma "doutrinação" marxista em alguns livros didáticos - o que existe em alguns livros
didáticos é a formulação de uma concepção crítica da educação que se aproxima dos
ideais de luta dos movimentos sociais e da classe trabalhadora esmagada historicamente
por uma política neoliberal e que privilegiou poucos.

Uma política por sinal que gera uma horda de excluídos e que leva a classe média-alta
a viver em condomínios fechados, com medo dos que tem fome (Josué de Castro).

Deixo claro que não sou favorável ao modelo de ENEM e ENADE hoje vigentes (modelo
meramente qualitativo e por que não, excludentes), mas trabalho com a pedagogia
histórico-crítica, de viés marxista que está sendo germinada em várias escolas deste
país. E assim como as "40 horas de Angicos" (Paulo Freire) fizeram tremer o chão dos
liberais, as propostas críticas da educação farão brotar uma geração que irá
compreender o porquê da exclusão social neste país,

saudações,

Lauro

On Fri, 13 Nov 2009 04:42:47 -0800 (PST), marioaraujofilho wrote
> Prezados amigos do Grupo,
>
> O colega Jonábio postou ontem uma notícia a respeito, aqui no Grupo,
> sob o título "O ENEM é questionado".
>
> A matéria que se segue o confirma e aborda a instrumentalização
> política das avaliações e - pior - da educação brasileira.
>
> Lamentável.
>
> Um abraço,
>
> Mário.
>
> =======================================
>
> Gazeta do Povo, 12/11/2009 - Curitiba PR
>
> Provas [WINDOWS-1252?]“governistas” são regra, dizem especialistas
>
> Educadores ouvidos pela Gazeta do Povo afirmam que elogios à esquerda
> não ocorrem apenas no Enade, mas em diversos outros exames
>
> Flávia Alves
>
> O Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes, o Enade, aplicado no
> último domingo, trouxe à tona uma infeliz constatação: a educação está
> se prestando mais à doutrinação ideológica do que à instrução
> propriamente dita, segundo os especialistas consultados pela Gazeta do
> Povo que tiveram acesso à prova do Ministério da Educação (MEC). O
> pior, afirmam, é que essa prova não é uma exceção, mas apenas um novo
> exemplo do que está se tornando regra no ensino brasileiro.
>
> O exame [WINDOWS-1252?]– que tem como objetivo avaliar o desempenho de estudantes do
> primeiro e último anos do ensino superior e foi aplicado a mais de 1
> milhão de estudantes de todo o país [WINDOWS-1252?]– abordava na primeira parte,
> comum a todos os cursos, dez questões de formação geral. Deste total,
> quatro faziam referências a ações do governo federal, além de outras
> abordagens ao longo das provas específicas. [WINDOWS-1252?]“As questões são
> politiqueiras, pois trazem a um público significativo [WINDOWS-1252?]– em termos de
> número de eleitores [WINDOWS-1252?]– as informações que o governo quer deixar
> gravadas na memória e que virão à tona na hora em que esses fatos
> forem incorporados como plataformas [WINDOWS-1252?]eleitoreiras”, afirma Araci
> Asinelli da Luz, professora da Universidade Federal do Paraná e
> doutora em Educação. Segundo ela, as respostas consideradas certas são
> [WINDOWS-1252?]“unilaterais e [WINDOWS-1252?]impositivas”, ou seja, excluem e até
mesmo
> desqualificam outras formas de pensamento. [WINDOWS-1252?]“É a ideia do governo
> salvador. Uma vergonha; as sociedades científica e acadêmica deveriam
> se posicionar, mostrar o que estão fazendo em nome de uma [WINDOWS-1252?]avaliação”,
> acrescenta.
>
> Mais do que a exaltação do governo federal, o Enade reproduz a
> ideologia de esquerda, alerta o professor e educador João Malheiro.
> [WINDOWS-1252?]“Além da propaganda, é uma ideologia marxista que se vê na prova. Já,
> já, vamos chegar ao governo de Hugo Chávez. A diferença é que aqui a
> mensagem é [WINDOWS-1252?]subliminar”, diz o educador, para quem tal prática não é
> exclusiva do Enade 2009. [WINDOWS-1252?]“Isso já se viu em anos anteriores, se vê no
> Enem, nos vestibulares e até mesmo nos livros [WINDOWS-1252?]didáticos”, denuncia.
> Para Miguel Nagib, advogado e coordenador do Escola Sem Partido, grupo
> criado em 2004, a prova do MEC apenas corrobora uma realidade há muito
> presente no ambiente escolar brasileiro. [WINDOWS-1252?]“O viés ideológico de
> esquerda tem sido adotado há anos. As próprias provas de acesso ao
> magistério são verdadeiros filtros ideológicos, assim como as de
> acesso ao ensino superior. A doutrinação é praticada ao longo dos
> ensinos fundamental e médio por esses professores que já foram
> doutrinados, criando uma realidade paralela. O perigo disso é eliminar
> um lado da [WINDOWS-1252?]verdade”, analisa. Fortalece-se a doutrina, perde-se em
> instrução, diz o professor de Filosofia Carlos Ramalhete. [WINDOWS-1252?]“Em
> História, Geografia e Sociologia se vê muito do mecanismo de pregação.
> O sujeito sai do ensino médio sem saber que estados formam o Nordeste
> ou o Norte, porque a prioridade é doutrinar e não [WINDOWS-1252?]ensinar”, explica.
>
> Os especialistas apontam ainda outra consequência: a valorização das
> instituições que reproduzem o que se considera [WINDOWS-1252?]“certo” em detrimento
> das que não seguem o modelo adotado como correto pela prova. [WINDOWS-1252?]“Isso
faz
> com que o governo [WINDOWS-1252?]– e não o mercado, as empresas e os alunos [WINDOWS-
1252?]– dite um
> currículo e passe a dizer que uma universidade é [WINDOWS-1252?]boa”, afirma
> Ramalhete. O próprio Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas
> Educacionais (Inep), responsável pela aplicação do Enade, reconhece
> que um dos seus objetivos é consolidar uma avaliação que prestigie as
> instituições de ensino que ofereçam educação de qualidade. No entanto,
> Malheiro se pergunta até que ponto um exame carregado de ideologia
> pode servir como um instrumento justo. [WINDOWS-1252?]“Os sistemas de avaliação
pouco
> avaliam e seus resultados de pouco servem para melhorar as
> universidades. O objetivo acaba sendo distribuir recursos aos seus
> [WINDOWS-1252?]pupilos”, afirma.
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E-mail enviado pelo UFCG Mail

marioaraujofilho

não lida,
20 de nov. de 2009, 15:25:4620/11/2009
para Universidade - Informação & Debate
FOLHA DE SAO PAULO
19/11/2009

TENDÊNCIAS/DEBATES

Avaliação educacional em risco

JOÃO BATISTA ARAUJO E OLIVEIRA

A AVALIAÇÃO educacional conduzida pelo governo federal e por alguns
Estados é um dos poucos aspectos em que a educação brasileira se
encontra em níveis comparáveis aos dos países desenvolvidos. Mas essa
"conquista" está em risco diante de fatos recentes.

Para entender o risco, é preciso separar, antes de mais nada, os
diferentes incidentes e suas causas. Trapalhadas, como as do Enem, são
em parte fruto de açodamento de contratantes e contratados. Mas não
sugerem má-fé. De certo modo, o mesmo ocorreu com a divulgação de
alguns testes do Enade, dos cursos superiores. Os recentes episódios
com a avaliação estadual paulista também se enquadram aí. São
ocorrências lamentáveis, que as autoridades rapidamente tentaram
sanar. Como fatos isolados, não colocam em perigo a avaliação. E
revelam que, quando o governo quer agir rápido, tem êxito.

O cerne da questão está na substância, caso das distorções no conteúdo
das provas do Enade. Como a própria mídia noticiou, houve uma
ideologização de tal ordem que só a defunta velhinha de Taubaté
poderia ignorar.

CONTINUE A LER:

http://www.fileden.com/files/2009/5/24/2454025/AVALIACAO_EDUCACIONAL_EM_RISCO.pdf



On Nov 16, 7:56 am, "Lauro Pires Xavier Neto" <lauro...@ufcg.edu.br>
wrote:

Lauro Pires Xavier Neto

não lida,
22 de nov. de 2009, 07:42:0822/11/2009
para infod...@googlegroups.com
Macondo é aqui

Macondo não é Bogotá, nem Jampa, nem Medellín

 

Macondo são os destroços dos sonhos construídos

Por gerações a fio

 

São as aberrações ordinárias por ordem de

São casas pintadas da mesma cor

Que resistem as imposições locais

 

Macondo foi o sonho da minha geração

Um lugar decente para plantar, sorrir, cantar

 

Foi uma casinha de varanda,

Com bois, vacas, galinhas

Foi a melancolia que tanto sonhei

 

Macondo inundou-se em promiscuidade

Em notas trocadas por sexo

Em um não fazer cotidiano

 

Macondo suprimiu muita gente

Arrasou desejos

Amordaçou as minorias

Sucumbiu em desatinos

 

Um lugar de veleidades

Quimeras inconclusas

Livros por escrever

 

Macondo não é um lugar mau

Tornou-se inóspito pela graça

Malfadada de seres egoístas

Ou neófitos convencidos ao acaso

 

Aqui já foi minha paragem

Tornou-se, agora, meu algoz

Macondo não deveria mais existir

 

Uma chuva de consciência

Carece destruir, com furacões ferozes,

A última saga de uma geração

 

E fazer rebentar outra massa

Outro pão,

Um verdadeiro alimento de libertação

http://lauroxavierneto.blogspot.com/

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