Prezados/as,
inicialmente gostaria de afirmar que não concordo com uma política de governo que
expressa em avaliações um posicionamente favorável a qualquer tipo de política
governamental, em especial para exaltá-la. Também não faço parte de qualquer partido
político aliado ao atual governo, porém milito por ideais que combatem as políticas
neoliberais e ações partidárias ligadas ao PSDB, DEM (PFL/ARENA) etc e diria até mesmo
do PT e seu cerco de alianças que aprofundam, em alguns sentidos, as políticas
neoliberais.
Mas, não poderia expressar o meu repúdio ao texto abaixo (Flávia Alves) que parece
querer retornar o já esgotado assunto sobre a neutralidade da educação. Sugiro a
leitura, apenas, de Pedagogia do Oprimido de Paulo Freire. Lá veremos que a educação é
um ato político, e como tal está a serviço de uma dada ideologia - à direita ou à
esquerda. Vejo no texto abaixo o puro e simples Marcatismo, ou como diria Mészaros
(Para além do capital, Ed. Boitempo) "um ódio patológico ao marxismo", bem aos moldes
desta imprensa ligada ao agronegócio, a burguesia vende-pátria e ao neoliberalismo
(Veja, Folha de São Paulo etc).
A rede Globo e a Veja, em especial, assumiram este mote de afirmar que existe
uma "doutrinação" marxista em alguns livros didáticos - o que existe em alguns livros
didáticos é a formulação de uma concepção crítica da educação que se aproxima dos
ideais de luta dos movimentos sociais e da classe trabalhadora esmagada historicamente
por uma política neoliberal e que privilegiou poucos.
Uma política por sinal que gera uma horda de excluídos e que leva a classe média-alta
a viver em condomínios fechados, com medo dos que tem fome (Josué de Castro).
Deixo claro que não sou favorável ao modelo de ENEM e ENADE hoje vigentes (modelo
meramente qualitativo e por que não, excludentes), mas trabalho com a pedagogia
histórico-crítica, de viés marxista que está sendo germinada em várias escolas deste
país. E assim como as "40 horas de Angicos" (Paulo Freire) fizeram tremer o chão dos
liberais, as propostas críticas da educação farão brotar uma geração que irá
compreender o porquê da exclusão social neste país,
saudações,
Lauro
On Fri, 13 Nov 2009 04:42:47 -0800 (PST), marioaraujofilho wrote
> Prezados amigos do Grupo,
>
> O colega Jonábio postou ontem uma notícia a respeito, aqui no Grupo,
> sob o título "O ENEM é questionado".
>
> A matéria que se segue o confirma e aborda a instrumentalização
> política das avaliações e - pior - da educação brasileira.
>
> Lamentável.
>
> Um abraço,
>
> Mário.
>
> =======================================
>
> Gazeta do Povo, 12/11/2009 - Curitiba PR
>
> Provas [WINDOWS-1252?]“governistas” são regra, dizem especialistas
>
> Educadores ouvidos pela Gazeta do Povo afirmam que elogios à esquerda
> não ocorrem apenas no Enade, mas em diversos outros exames
>
> Flávia Alves
>
> O Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes, o Enade, aplicado no
> último domingo, trouxe à tona uma infeliz constatação: a educação está
> se prestando mais à doutrinação ideológica do que à instrução
> propriamente dita, segundo os especialistas consultados pela Gazeta do
> Povo que tiveram acesso à prova do Ministério da Educação (MEC). O
> pior, afirmam, é que essa prova não é uma exceção, mas apenas um novo
> exemplo do que está se tornando regra no ensino brasileiro.
>
> O exame [WINDOWS-1252?]– que tem como objetivo avaliar o desempenho de estudantes do
> primeiro e último anos do ensino superior e foi aplicado a mais de 1
> milhão de estudantes de todo o país [WINDOWS-1252?]– abordava na primeira parte,
> comum a todos os cursos, dez questões de formação geral. Deste total,
> quatro faziam referências a ações do governo federal, além de outras
> abordagens ao longo das provas específicas. [WINDOWS-1252?]“As questões são
> politiqueiras, pois trazem a um público significativo [WINDOWS-1252?]– em termos de
> número de eleitores [WINDOWS-1252?]– as informações que o governo quer deixar
> gravadas na memória e que virão à tona na hora em que esses fatos
> forem incorporados como plataformas [WINDOWS-1252?]eleitoreiras”, afirma Araci
> Asinelli da Luz, professora da Universidade Federal do Paraná e
> doutora em Educação. Segundo ela, as respostas consideradas certas são
> [WINDOWS-1252?]“unilaterais e [WINDOWS-1252?]impositivas”, ou seja, excluem e até
mesmo
> desqualificam outras formas de pensamento. [WINDOWS-1252?]“É a ideia do governo
> salvador. Uma vergonha; as sociedades científica e acadêmica deveriam
> se posicionar, mostrar o que estão fazendo em nome de uma [WINDOWS-1252?]avaliação”,
> acrescenta.
>
> Mais do que a exaltação do governo federal, o Enade reproduz a
> ideologia de esquerda, alerta o professor e educador João Malheiro.
> [WINDOWS-1252?]“Além da propaganda, é uma ideologia marxista que se vê na prova. Já,
> já, vamos chegar ao governo de Hugo Chávez. A diferença é que aqui a
> mensagem é [WINDOWS-1252?]subliminar”, diz o educador, para quem tal prática não é
> exclusiva do Enade 2009. [WINDOWS-1252?]“Isso já se viu em anos anteriores, se vê no
> Enem, nos vestibulares e até mesmo nos livros [WINDOWS-1252?]didáticos”, denuncia.
> Para Miguel Nagib, advogado e coordenador do Escola Sem Partido, grupo
> criado em 2004, a prova do MEC apenas corrobora uma realidade há muito
> presente no ambiente escolar brasileiro. [WINDOWS-1252?]“O viés ideológico de
> esquerda tem sido adotado há anos. As próprias provas de acesso ao
> magistério são verdadeiros filtros ideológicos, assim como as de
> acesso ao ensino superior. A doutrinação é praticada ao longo dos
> ensinos fundamental e médio por esses professores que já foram
> doutrinados, criando uma realidade paralela. O perigo disso é eliminar
> um lado da [WINDOWS-1252?]verdade”, analisa. Fortalece-se a doutrina, perde-se em
> instrução, diz o professor de Filosofia Carlos Ramalhete. [WINDOWS-1252?]“Em
> História, Geografia e Sociologia se vê muito do mecanismo de pregação.
> O sujeito sai do ensino médio sem saber que estados formam o Nordeste
> ou o Norte, porque a prioridade é doutrinar e não [WINDOWS-1252?]ensinar”, explica.
>
> Os especialistas apontam ainda outra consequência: a valorização das
> instituições que reproduzem o que se considera [WINDOWS-1252?]“certo” em detrimento
> das que não seguem o modelo adotado como correto pela prova. [WINDOWS-1252?]“Isso
faz
> com que o governo [WINDOWS-1252?]– e não o mercado, as empresas e os alunos [WINDOWS-
1252?]– dite um
> currículo e passe a dizer que uma universidade é [WINDOWS-1252?]boa”, afirma
> Ramalhete. O próprio Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas
> Educacionais (Inep), responsável pela aplicação do Enade, reconhece
> que um dos seus objetivos é consolidar uma avaliação que prestigie as
> instituições de ensino que ofereçam educação de qualidade. No entanto,
> Malheiro se pergunta até que ponto um exame carregado de ideologia
> pode servir como um instrumento justo. [WINDOWS-1252?]“Os sistemas de avaliação
pouco
> avaliam e seus resultados de pouco servem para melhorar as
> universidades. O objetivo acaba sendo distribuir recursos aos seus
> [WINDOWS-1252?]pupilos”, afirma.
>
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