SÃO PAULO
– Às vésperas do primeiro aniversário dos ataques a São Paulo, realizados pela
facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), a Anistia Internacional
(AI), grupo de defesa de direitos humanos que atua mundialmente, publicou
ontem um relatório sobre a crise de segurança pública no Brasil. Focado nos
incidentes de São Paulo e na atuação de milícias no Rio, o documento afirma
que a negligência do Estado tem aumentado a insegurança e a violência. A AI
afirma que os ataques ocorridos em maio do ano passado expuseram “as falhas
profundas na forma como o Estado trata da segurança pública, que há muito vem
sendo caracterizada por medidas reativas e de improviso”.
O relatório
Brasil: entre o ônibus em chamas e o caveirão: em busca da segurança
cidadã resume a crise vivida pelo Estado de São Paulo a partir de 12 de
maio de 2006. De acordo com o relatório, em nove dias, 493 pessoas foram
mortas a tiros em todo o Estado, o que representa três vezes a taxa normal de
mortes por armas de fogo. cresceu de
aproximadamente 100 mil para 145 mil”, acrescenta. Em outro trecho, os
analistas da afirmam que a criação de Centros de Detenção Provisória e centros
de ressocialização não foram suficientes para resolver a crise carcerária.
CAVEIRÃO – A AI fez duras críticas ao veículo blindado usado
pela polícia fluminense, conhecido como caveirão. O documento o aponta como
“símbolo poderoso de militarização crescente do
policiamento”.
A entidade
fez recomendações aos governos estaduais e federal para tentar superar o
colapso da segurança. Entre as medidas propostas estão um policiamento baseado
nos direitos humanos, a criação de programa para reduzir e prevenir os
homicídios policiais, e a reforma do sistema penitenciário.