Olá,
Sviatoslav,
Davos costuma ser um termômetro
de tendências globais e, em 2026, o Fórum Econômico
Mundial deixou claro que não estamos vivendo apenas um
período de ajustes, mas uma ruptura nas relações
internacionais. Em meio a discursos, debates e encontros
com lideranças de diferentes países, tornou-se evidente
que o mundo está mais fragmentado, os riscos se
sobrepõem e o fortalecimento do diálogo deixou de ser
uma escolha para se tornar uma condição para a paz e a
estabilidade do planeta.
É para esse cenário que
preparamos a newsletter de hoje: reunimos análises,
informações e leituras essenciais para entender e ajudar
a navegar pelo momento complexo que
vivemos.
Você encontra nesta
edição: | | |
‘As regras
globais estão mudando mais rápido do que as instituições
conseguem acompanhar’: análise de Robert
Muggah
Robert Muggah, cofundador e chefe
de inovação do Instituto Igarapé, analisa a semana no
Fórum Econômico Mundial em um contexto em que as regras
globais mudam mais rápido do que as instituições
conseguem responder. Em Davos, destacaram-se o
afastamento dos Estados Unidos do multilateralismo, a
centralidade da China e a adoção de alianças pragmáticas
por países que buscam sobreviver em um mundo cada vez
mais fragmentado, com destaque especial para as
potências médias.
A mensagem de Donald Trump
reforçou uma nova lógica geoeconômica, marcada pela
cooperação condicional e pela pressão econômica, um dos
principais riscos apontados no Relatório de Riscos
Globais do WEF, do qual Muggah foi consultor.
Inteligência artificial, clima, natureza e minerais
críticos também estiveram no centro das discussões.
Apesar da fragmentação, uma transição já está em curso,
com novas coalizões emergindo.
Confira a análise
completa: |
Filme
Becoming Nature Positive é lançado
em Davos com participação de Ilona Szabó
Ilona Szabó participou do
lançamento do documentário Becoming Nature
Positive, iniciativa da Nature Positive
Initiative em coprodução com a Open Planet Studios,
apresentado no Climate Hub Davos durante o Fórum
Econômico Mundial. O filme dialoga diretamente com os
debates do livro A Era da Natureza, lançado na
COP30. Nele, Ilona assina o capítulo 2, onde reforça a
urgência de reconhecer o valor da natureza, enfrentar
economias predatórias e mobilizar governos, empresas
privadas e sociedade em torno de soluções que protejam e
regenerem.
Mais do que um documentário,
Becoming Nature Positive propõe recolocar
a natureza no centro das decisões econômicas, políticas
e sociais como condição essencial para um futuro seguro,
justo e
sustentável. |
Minerais
críticos e terras raras da Amazônia entram no radar
global: nova publicação do Instituto
Igarapé
O Instituto Igarapé lançou uma
nova publicação que analisa como a Amazônia vem se
consolidando como uma fronteira estratégica de minerais
críticos para a transição energética, sistemas de defesa
e novas tecnologias. Em um contexto de intensificação da
competição geopolítica e de maior sensibilidade das
cadeias globais de suprimento, esses recursos passaram a
ocupar lugar central nas estratégias de segurança
globais.
O boletim examina os riscos desse
cenário, do desmatamento e da poluição à expansão da
ilegalidade e dos conflitos territoriais, e aponta
escolhas de governança que se impõem ao Brasil e à
região para evitar o aprofundamento de fragilidades
institucionais e
socioambientais. |
Com
participação de Robert Muggah, Relatório de Riscos
Globais do WEF aponta principais ameaças
A 21ª edição do Relatório de
Riscos Globais do Fórum Econômico Mundial revela um
cenário de crises interconectadas, em que riscos globais
se reforçam mutuamente. Conflitos geoeconômicos aparecem
como o principal risco de curto prazo, enquanto a
desigualdade se destaca como fator central de
amplificação dessas ameaças. Metade dos líderes e
especialistas consultados projeta um cenário turbulento
ou tempestuoso nos próximos dois anos.
Robert Muggah, cofundador e chefe
de inovação do Instituto Igarapé, é um dos consultores
do relatório, que também aponta para uma reconfiguração
da ordem global, marcada pelo declínio da liderança dos
Estados Unidos e pela ausência de um arranjo multipolar
consolidado. Apesar dos riscos, o documento ressalta que
os futuros não são predeterminados e que as escolhas
feitas agora serão
decisivas. |
Lições
latino-americanas para o enfrentamento aos crimes
ambientais e à lavagem de dinheiro
O Instituto Igarapé lança uma
coletânea de artigos que aborda a crise climática a
partir da destruição das florestas e da expansão do
crime ambiental. A publicação analisa como atividades
ilegais, do desmatamento ao garimpo e ao tráfico de
madeira, alimentam a lavagem de ativos ambientais e
aceleram o risco de colapso da Amazônia.
O material destaca a urgência de
fortalecer mecanismos de prevenção, detecção e
investigação desses fluxos financeiros ilícitos e reúne
iniciativas com resultados concretos, apresentadas no
III Encontro Regional “Estratégias de enfrentamento a
crimes ambientais e à lavagem de dinheiro associada”,
realizado pelo Instituto Igarapé com apoio do Gafilat,
em novembro de
2024. |
Como
reescrever o multilateralismo em um mundo em
disputa?
Em coluna para a Folha de
S.Paulo, Ilona Szabó analisa os principais achados
do Relatório de Riscos Globais 2026, que aponta os
conflitos geoeconômicos como a maior ameaça à
estabilidade global no curto prazo. A
análise destaca a urgência de reinventar o
multilateralismo em um mundo multipolar e o papel do
Brasil na construção de pontes e no fortalecimento da
cooperação internacional.
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EUA rasgaram
o livro de regras globais na
Venezuela
Acordamos em 4 de janeiro em um
novo mundo, e isso deve ficar muito claro e podemos
extrair algumas mensagens. A primeira é de que entramos
em um admirável mundo novo, de esferas de influência,
onde Estados fortes reafirmam seu poder. No caso, os EUA
exercerem sua Doutrina Monroe (ou “Donroe”). A segunda
mensagem é que, apesar de a ação representar uma ruptura
com o passado recente, faz parte de uma longa linha de
intervenções dos EUA. A terceira é de que ninguém vai
perder o sono com a saída de Maduro. A tragédia
humanitária, a migração forçada, o sofrimento econômico,
o desrespeito aos direitos humanos e políticos deveriam
ter mobilizado as lideranças regionais há mais tempo. A
questão é a forma como foi feito. O precedente de que “a
força faz o direito” rejeita a construção do
multilateralismo.
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Apresentado
por Instituto Igarapé Rio de Janeiro -
Brasil
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