2009/6/18 Raphael Molesim <raph...@infoserver.com.br>:
> Sei que SCRUM não fala sobre isso, contudo acredito que este tipo de
> controle vá totalmente contra os princípios ágeis e a idéia de
> trabalhador do conhecimento. Pois isso acaba desmotivando o
> funcionário e fazer ele gastar tempo com uma coisa que ele não deveria
> gastar, atuando assim como um impedimento do projeto.
Isso não é apenas contra métodos ágeis, é contra princípios econômicos
básicos. Simplificando o problema, este esquema está recompensando não
o esforço ou a produtividade mas sim o número de horas que alguém
gasta em uma tarefa. Você não precisa trabalhar, não precisa entregar,
só precisa estar lá na hora marcada.
Isto dito, não existe nenhum grande impedimento em se implantar uma
metodologia ágil neste cenário. Eu já tive diversos casos assim e o
maior problema não era a folha de ponto em si e sim o fato que os
funcionários faziam corpo mole.
[]s
--
Phillip Calçado
http://fragmental.tw
http://www.fragmental.com.br
2009/6/18 Emmanuel G. Brandão <egomes...@gmail.com>:
> Mas e com relação a CLT, você ve algum empedimento em trabalhar com
> metodologia ágil?
Não, e eu tenho um exemplo brasileiro. A Globo.com só contrata pessoal
por CLT e mesmo antes de adotar metodologias ágeis os melhores times
lá sempre tiveram horários muito diferentes do que normalmente se é
exigido.
Apesar das leis australianas não serem tão ortodoxas quanto as
brasileiras como consultor eu fico à disposição do cliente. No caso do
meu cliente atual ele deixou bem claro que quer que todos cheguem as
nove e saiam as cinco porque seus funcionários possuem eta cultura e
eles não querem que nós os "estraguemos". Num outro projeto recente
que participei em Melbourne o cliente não ligava para horário. Movemos
nossos stand-ups para 16:30 porque era o único tempo durante o dia em
que estávamos todos acordados e juntos.
O importante é medir as coisas certas. Um dos melhores desenvolvedores
do meu time na Globo.com só chegava no trabalho meio-dia e ficava lá
até cinco da manhã. É claro que a pressão para dar uma chamada de
atenção no cara era imensa mas ao mesmo tempo eu tinha que lembrar que
este desenvolvedor é tão bom que ele literalmente reimplementou a
pilha SOAP em Perl em uma noite. Desde que ele estivesse presente pelo
menos por quatro horas para participar das atividades do time eu não
me importava que horas ele chegava nem saia.
--
André Carlucci
--
André Carlucci
Acho que como convencer a empresa a mudar talvez não seja o ponto. Sei
que na prática existem dezenas de variáveis envolvidas em uma decisão de
mudar de emprego, mas a solução para quem está infeliz trabalhando na
empresa de Pensamento 1.0 acaba sendo caçar uma nova oportunidade,
quando for viável.
O mercado de talentos vai regular naturalmente essa equação. As empresas
flexíveis e com Pensamento 2.0 vão ficar com os melhores desenvolvedores.
2009/6/19 Rubens Souza <souza....@gmail.com>:
> Sendo meio advogado do diabo, mas o horario flexivel funciona em times
> pequenos.
> É muito dificil em uma empresa com 90 ou mais funcionários se adotar esse
> tipo de politica. Imagina se o pessoal do café resolve vir só 11 da manhã?
> hehehe ou o pessoal da higiene, vir só depois do meio dia?
Como alguém falou antes existe uma diferença enorme entre trabalho
criativo e repetitivo. Seus exemplos não são de trabalho criativo.
> Já trabalhei em projetos com equipes de até 20 pessoas, num único projeto,
> em que não havia tantas restrições quanto a horário, porque havia o turno da
> noite também. Ai tinha gente que entrava 11 da manhã e saia 9 da noite,
> gente que chegava 2 da tarde e saia 10 da noite e assim por diante, mas
> possivel apenas porque estavam todos em um único grande projeto. Quando
> chegou a hora de entregar e operar o projeto, e ai entrou em cena o contato
> mais direto com os usuários, fornecedores externos, investidores, etc.,
> caimos no horário convencional.
Bom, pelo visto seu projeto seguiu uma metodologia bem waterfall.
Antes de entrar no ponto de horário de trabalho talvez fosse melhor
rever a metodologia primeiro. E não necessariamente para alguma
metodologia ágil, basta algo iterativo para começar -lembrando que
waterfall é um anti-pattern desde sua concepção.
> Um outro problema com o horario livre x produtividade é que, infelizmente,
> boa parte das pessoas não está pronta pra esse nível de liberdade, e abusam.
> E o gerenciamento de custos de projeto, também fica mais dificil.
Se você não confia que um empregado possui maturidade suficiente para
controlar uma coisa simples como seu horário de trabalho como você
confia a ele a construção de sistemas que processam milhões de reais
todo dia?
Sobre a questão de times distribuídos, o maior problema que vejo na
minha própria experiência nem é esse negócio de comunicação,
documentação etc..é a questão social e política. É mais fácil mandar
alguém que tá longe fazer um serviço chato, por email, do que
pessoalmente; e a gente perde o bate-papo na cantina, a cervejinha no
fim do expediente etc. Isso é muito importante.
2009/6/19 Allan Clempe <allan....@gmail.com>:
Pessoal,
Andei pensando em algumas alterações que seriam necessárias na cultura
da empresa para uma atuação efetiva de SCRUM.
E me deparei com a cultura do cartão de ponto, onde as pessoas são
obrigadas a passar um crachá em uma máquina que registra os horários
de entrada e saída do funcionário.
E por sua vez este registro é utilizado para controlar o tempo que o
funcionário trabalhou, assim dando o direito a empresa de realizar
descontos no salário do funcionário caso não tenha cumprido 8 horas
diariamente, e também garantindo o direito do funcionário cobrar horas
extras pelos registros com tempo superior as 8 horas.
Isso também envolve preenchimento de folha de ponto para horários não
registradas por alguma anormalidade, e em algumas empresas existe
também um sistema de apontamento de horas por projeto. Assim o
funcionário tem que lidar com horas duas vezes: uma com a folha de
ponto que registra os horários e outra com o sistema que registra
horas trabalhadas por projeto.
2009/6/20 Bira <ubiratan...@gmail.com>:
> Entretanto, quando estamos atuando numa empresa, estamos representando
> um papel. Papel/personagem que a empresa nos paga para representar.
Discordo e pediria demissão de qualquer empresa que me contratasse
para fingir ser algo. A empresa me paga porque precisa do meu
trabalho. Ela -na maioria das vezes- não precisa que eu acorde às 7 da
manhã, pegue o pior horário de engarrafamentos, trabalhe pela manhã
ainda com sono, comece a ficar produtivo às 11 horas, vá para o almoço
e fique lento novamente e á embora encarar 4 horas de engarrafamento.
O que ela precisa é que eu entregue.
> Tanto se trata de uma encenação que não trabalhamos de bermuda, não
> bebemos cerveja... Ou seja, em cada ambiente/situação representamos um
> papel. Num casamento, por exemplo, pode até ser do nosso irmão,
> representamos um papel. Andamos diferente, nos vestimos diferentes.
> Neste raciocínio, chegar as 9h00 no escritório pode fazer parte da
> representação do seu papel e isto não deve ser encarado de uma forma
> tão ruim assim.
Na minha empresa, em boa parte dos meus clientes e na minha empresa
anterior nós bebemos cerveja e vamos de bermuda. Qual o problema
disso?
2009/6/20 Giovanni Bassi <gig...@giggio.net>:
> Ainda assim, o que o Ubiratan está dizendo é algo comprovado por diversas
> teorias psicológicas. Papéis sociais são algo presentes em todos. Você é
> parceiro de sua esposa, amigo dos seus amigos, funcionário da empresa, filho
> dos seus pais, pai dos seus filhos, etc, etc, etc... Você até pode dizer que
> é o mesmo em todas as situações, que é sincero e verdadeiro, e eu acredito.
> Ainda assim, com seus amigos você de repente solta um palavrão em uma
> situação que com sua mãe ou sua filha não soltaria. Isso é papel social:
> você adequa suas atitudes ao papel que está cumprindo naquele momento.
Eu não discordei disso. Eu discordo de qu "se trata de uma encenação".
Eu tenho um jeito específico para lidar com meus clientes, com meu
chefe e com parceiros profissionais que é bem diferente do jeito que
trato pessoas num bar. Isto não quer dizer que eu esteja encenando
nada.
> Da absoluta mesma forma, isso é aplicado ao ambiente de trabalho. Cada
> empresa possui uma cultura, e cada empresa possui uma expectativa dos
> funcionários baseada nessa cultura que possui. O que você disse é que na
> empresa em que trabalha a cultura permite bermuda e cerveja. Somente por ela
> permitir é que você pode ir de bermuda, não porque você usa bermuda no dia a
> dia e acha que pode, ou quer ser você mesmo. A empresa quer que se lixe para
> você ser você mesmo. Quer a prova? Pega um notebook da empresa e fala que
> agora ele é seu, porque você é assim, você pega coisas. Rua. Passe a mão na
> bunda da secretária e diga que na sua cidade é assim. Rua. São exemplos
> extremos, mas servem somente para comprovar uma coisa: há limites, impostos
> pela cultura. E você vai ter que se adequar se quiser trabalhar lá.
Não vi onde eu discordei disso -ou onde isso foi falado. Eu em momento
algum falei em abolir regras básicas de conduta, o ponto é que regras
não fazem sentido só por existirem, elas precisam de um sentido para
existir em primeiro lugar.
Ser penalizado por apropriação indébita, como no seu exemplo do
notebook, é algo muito diferente de ser penalizado porque não chegou
às 9 horas da manhã.
> Com isso claro, voltamos a questão. Quantas empresas ainda vivem no tempo do
> cartão de ponto? Quantas ainda vivem no tempo em que bermuda é vista como
> algo até ofensivo? É óbvio, não precisamos trabalhar nelas, mas muitos
> trabalham, incluindo com certeza alguns dos colegas daqui do grupo. A
> questão é: como trabalhar isso? Dizer que vai sair resolve o problema, mas
> só para quem saiu!
Não é só para quem saiu, muito pelo contrário. Creio que muitos aqui
tiveram a experiência de ter alguém muito importante deixando a equipe
e tendo que o substituir. Dada a carência do mercado em mão de obra
qualificada é ingênuo achar que este tipo de coisa não afeta a
empresa.
Um exemplo clássico é o Google. Eu conheço muitas pessoas aqui em
Sydney que deixaram seus empregos e faculdades, empresas e centros de
pesquisa para trabalhar lá. Por que, o salário é melhor? Na verdade o
Google austrália (e o Google Brasil também) possui um salário médio
mais baixo que o do mercado. E mais, meus amigos que trabalham lá
sempre trabalham mais de oito horas por dia -sem hora extra. Por que
eles não ligam? Por que eles chegam no horário que querem.
Como aluém citou antes na thread isto é exatamente o que o Ricardo
Semler fala no seu livro.
Eu tenho um jeito específico para lidar com meus clientes, com meu
chefe e com parceiros profissionais que é bem diferente do jeito que
trato pessoas num bar. Isto não quer dizer que eu esteja encenando
nada.
Dada a carência do mercado em mão de obra
qualificada é ingênuo achar que este tipo de coisa não afeta a
empresa.
2009/6/20 Giovanni Bassi <gig...@giggio.net>:
> Philip, entendo, apóio e pratico. Só que não espere isso da maioria das
> pessoas. Vamos pedir a todos que deixem seus empregos? Você acha factível
> que todos que batem cartão sairão dos seus empregos porque estamos dizendo
> que bater cartão não é legal? Se só deixarmos essa opção, para muitos não
> deixamos opção nenhuma.
Me desculpe, Giovanni, mas você pode me dizer onde falei isso?
Pelo contrário, meu primeiro email foi:
2009/6/18 Phillip Calçado <pcal...@gmail.com>:
> Isso não é apenas contra métodos ágeis, é contra princípios econômicos
> básicos. Simplificando o problema, este esquema está recompensando não
> o esforço ou a produtividade mas sim o número de horas que alguém
> gasta em uma tarefa. Você não precisa trabalhar, não precisa entregar,
> só precisa estar lá na hora marcada.
>
> Isto dito, não existe nenhum grande impedimento em se implantar uma
> metodologia ágil neste cenário. Eu já tive diversos casos assim e o
> maior problema não era a folha de ponto em si e sim o fato que os
> funcionários faziam corpo mole.
E quando falei que peço demissão eu fui bem explícito em dizer que
seria de uma empresa que me force a encenar algo, não sobre folha de
ponto. E mesmo neste caso não sugeri que pessoas o fizessem, apenas
discordei e falei da minha reação.
Não é a primeira vez que você "responde" algo que não falei. Creio que
precisamos melhorar nossa comunicação.
[]s
Não é a primeira vez que você "responde" algo que não falei. Creio que
precisamos melhorar nossa comunicação.
> 2. Dá pra exigir a mesma maturidade de um profissional com anos de
> casa e de um outro que acabou de ser efetivado como estagiário? Tem
> todo o papo que é alinhar e tudo mais, mas a questão é que não existem
> tantos profissionais assim no mercado pra que, dada a margem, sempre
> que alguém atrasar-se depois de ser advertido a solução seja a
> demissão. Turnover custa caro, todos sabem disso;
Eu acho que dá pra exigir a mesma maturidade sim.
> 3. A empresa possui outras áreas, outros cargos, outras filiais. Dando
> essa liberdade só pra equipe de Desenvolvimento, a meu ver, abre
> margem pra continuidade do "isolamento" dos profissionais de TI. Aí,
> quando a área operacional tiver benefícios inéditos, todos ficam putos
> do nosso lado. Mas não meio que a mesma coisa?
>
O pessoal administrativo/operacional tem que entrar as 8:00, mas tb
qdo dá 17:00 eles desligam o computador, guardam a vassoura etc e vão
pra casa. Já os desenvolvedores chegam mais tarde se quiserem, mas tb
muitas vezes ficam até bem mais tarde, quando estão envolvidos em um
problema e não querem interromper o raciocínio, ou no meio de uma
crise (um servidor que parou de funcionar, um bug crítico, etc). Quem
tem o dever de chegar as 8:00 em ponto tb tem o direito de xispar às
17:00 em ponto. Então pode ser uma questão de deixar claro que essa
flexibilidade do depto de desenvolvimento não é necessariamente um
luxo, e sim uma característica do tipo de trabalho envolvido. Nunca vi
secretária e faxineira tendo que aparecer pra trabalhar num domingo de
sol pq o servidor de bd morreu...
> Enfim, acho que horários flexíveis funcionam bem em empresas cujo
> quadro de funcionários seja composto majoritariamente de
> desenvolvedores e numa dimensão controlada. Em casos maiores, a não
> ser que a culturá ágil e de desenvolvimento esteja extremamente
> arraigada na cultura corporativa (uma empresa que surgiu como dev e
> expandiu atuação, ou algo do tipo), é bem mais complicado. Pelo menos
> para nós não é (mas nós não cumprimos nenhuma das duas premissas da
> frase anterior).
>
Concordo que em grandes empresas e em empresas cujo core business não
seja desenvolvimento é mais difícil. Mas tb acho que muito dos
obstáculos colocados aqui nessa discussão (não necessariamente nessa
sua mensagem, mas na discussão inteira) é baseada nessa desconfiança
que o brasileiro tem dos outros, de achar que, dada qq liberdade, todo
mundo abusa e vira zona. Parece que no Brasil todo mundo é malandro e
preguiçoso até que prove o contrário..triste isso!
- Rodrigo
Nao vi alguém aqui defendendo o contrario! :)
Aí depois disso existem os "semi-gênios" que são os que se acham gênios hehehe
O que quis dizer é que os caras realmente geniais que eu conheci,
nunca tiveram pose de gênio.
Pra citar um exemplo conhecido: Scott Guthrie. O cara tem um cérebro
de E.T., 30 e poucos anos, vice-presidente da Microsoft, e mesmo assim
quem lê o blog do cara, quem vê ele dando uma entrevista, apresentando
uma conferência, nunca vê uma atitude arrogante dele, ou tirando onda.
Pq ele não precisa disso. Idem para caras como Ted Neward e Anders
Halsjberg, os "top 1%".
Num segundo escalão existem pessoas que são extremamente inteligentes,
mas que infelizmente traduzem isso numa atitude arrogante, foi os que
chamei de "semi-gênios".
Enfim, acho que isso tá off-off-demais, desculpa.
2009/6/22 Juliano Oliveira <jul.ol...@gmail.com>:
Como usei o termo "meu time" eu naturalmente estava me referindo a
minha empresa, mas imagino que sua pergunta seja retórica.
>Pergunto isto porque vejo muitos profissionais que não
> atuam ou não entenderam a real essência da cultura ágil têm a falsa
> sensação de que ser ágil é não ter gerente de projeto etc e,
> consequentemente, conquistar uma liberdade que muitas vezes não está
> atrelada a compromisso etc, coisa que vai contra a cultura ágil, onde
> o time é altamente comprometido com a entrega... É claro que um time
> Ágil não precisa ter controle de horário, pois eles tem um compromisso
> real com a entrega. Mas, é aquela questão da cultura. Acho que deve
> haver flexibilidade no começo até a cultura ágil ser realmente
> solidificada na empresa. Ou seja, não preciso chegar as 9h00 no
> escritório mas tb não dar a entender que posso chegar a qualquer hora
> pois meu compromisso é com a entrega. Existe uma cultura na empresa e
> devemos tentar nos adequar e fazer simultaneamente a empresa assimilar
> a nova cultura.
>
Como o nome diz, agilidade é uma cultura, e cultura leva tempo pra se
criar, e não pode ser "instalada" como se instala um novo software.
Dentro desses limites, com certeza não vai ser flexibilidade de
horário o 1o ponto a se mudar na cultura de uma empresa; em um depto
de desenvolvimento não-ágil existem mil coisas que podem e devem ser
ajustados antes que se comece a falar em jogar o cartão de ponto fora.
Flexibilidade de horário acaba tornando-se uma consequência natural de
uma cultura já existente, não dá pra adotar por decreto. Por outro
lado, havendo essa cultura, o resto da empresa vendo na prática que o
time funciona baseado em resultados e não em horas, a aceitação por
flexibilidade é bem mais natural, o time já provou que funciona.
No mais (as partes da sua mensagem que removi), concordo contigo em
termos gerais, acho que talvez a gente venha de direções diferentes
mas nos encontramos no meio-termo, ou seja, concordamos que acima de
tudo há de existir bom-senso e parcimônia na hora de mexer com os
valores e a cultura de uma empresa.
- Rodrigo
Não, não achei isso, desculpa se dei a entender o contrário. Tava
fazendo uma analogia, pra ajudar a esclarecer o que escrevi depois,
sobre não querermos começar a adotar uma cultura ágil usando
flexibilidade de horário como "bandeira", etc.
Nas empresas que conheço que têm horário flexível tb é assim: existe
um período em que espera-se que todos estejam presentes, pra marcar
reuniões (planejadas ou emergenciais) etc. No caso do meu trampo
atual, esse horário é de 10 as 15. Acho que nenhuma empresa com
horario flexivel deixaria um camarada entrar no serviço as 5 da tarde
pq o cara ia ser basicamente um fantasma.
E isso vale não só pro time de desenvolvimento, mas tb pra outras
funções em que rigidez de horário não seja obrigatório, por exemplo o
pessoal de RH, do administrativo. Só quem tem hora marcada pra entrar
é suporte, secretaria e limpeza, mas, como disse, eles tb (com todo
direito) saem pontualmente as 17:00, então tudo bem. Imagino que eles
que se consideram sortudos, pq o chefe nunca vai chegar pra eles e
falar "se prepara que hoje tu vais ter que jantar pizza na sala de
reunião" heeheh
Pois é, e agora a IBM, assim como a HP e diversas outras
mega-empresas, são as que mais adotam horários flexíveis,
oportunidades para os empregados trabalharem de casa etc.
Lembro que eu li em 2001 ou 2002 que 40% dos empregados da IBM (EUA e
Europa) trabalhavam de casa pelo menos 1x por semana. Imagina agora
que é fácil ter banda larga etc, deve estar em bem mais.
Já diz aquela frase de "1% inspiração e 99% transpiração"... Ter uma idéia é uma coisa, mas implementá-lam não é criatividade, é trabalhar em cima dela, muita coisa, muito código você já usou de alguma maneira.
Você subestima o Rails achando que ele é "nada mais do que Activerecord"
Scrum é um exemplo de "criatividade". Criatividade nada tem a ver se é software
E eu não estou "criticando"
Se "a idéia do Activerecord (um pattern)" é a mesma, por quê existem tantas e tantas implementações completamente diferentes do seu uso?
Nas outras duas, DDD e Rails, as idéias são fruto de criatividade, juntar as peças para alcançar algo diferente. Mas a implementação é essencialmente uma atividade de engenharia e não de arte.
Rails "nada mais é" do que Active record, um design pattern antigo + scafolding, outra idéia antiga implementada diversas vezes.
Eu sei, acredito firmemente, que meu trabalho exige criatividade e técnica, e o faço como um "artesão"
Não sou muito a favor desta metáfora não. Quantas atividades no seu dia você avaliaria como "arte"? 20%? 10%?
Quantas atividades são aplicar conceitos/práticas já conhecidos? Ou seja, é necessário conhecimento, concentração, mas não muita criatividade?
Ou seja, no máximo poderíamos nos considerar artezãos.
No meu ver boa parte do trabalho de um desenvolvedor de software depende da sua criatividade. Eu nunca criei um software igual ao outro, ou um algoritmo igual ao outro. E para se criar algo novo é necessário criatividade.
Não entendi o que você quis dizer. O artista também aplica conceitos/práticas próprias durante todo o seu trabalho
Talvez um desenvolvedor não precise de criatividade para manter-se
empregado, mas desenvolvedores que além de serem bons tecnicamente tb
são criativos têm mais chance de serem bem-sucedidos. Se tudo fosse
uma questão de aplicar conhecimento automaticamente, todo código
poderia ser gerado por máquinas.
No meu ver boa parte do trabalho de um desenvolvedor de software depende da sua criatividade. Eu nunca criei um software igual ao outro, ou um algoritmo igual ao outro. E para se criar algo novo é necessário criatividade.
Eu vejo algoritmos similares todos os dias. Faço decisões parecidas todos os dias. Foi justamente identificar esta característica da atividade de desenvolver software que levou o Kent Beck a escrever seu livro de patterns de small talk, que mais tarde virou o implementation patterns. Ele começou a identificar e formalizar os padrões pelo quais decidia como implementar um código, por exemplo, como nomear uma classe? Então ele escrevia como ele decidia o nome da classe. Segundo ele, isto o tornou um desenvolvedor melhor e muito mais produtivo.
Não entendi o que você quis dizer. O artista também aplica conceitos/práticas próprias durante todo o seu trabalhoQuero dizer que a maior parte do seu dia é dedicado a tarefas que não exigem criatividade. Exigem conhecimento, expertise, mas não criatividade.
Novamente, vejo padrões de projeto como ferramentas que um desenvolver usa. Não é pq tenho uma ferramenta que me ajuda no trabalho, que eu deixo de ser criativo.
Não sei não. Se pedíssemos pra todos aqui no grupo implementar um determinado algoritmo, duvido que teríamos alguma implementação igual a outra.