Em minha opinião isso é um absurdo, uma verdadeira falta de respeito com o projeto original! Sem qualquer julgamento à obra do artista plástico Galeano, não tenho dúvidas de que a Igrejinha deva ser restaurada de forma a preservar a concepção original. Como somos um país novo e com uma hitória recente, parece-me que permanece o vício de tentarmos refazer nossa história mudando o passado, isso é um equívoco!
Maurício da Silva Matta - arquiteto da Câmara dos Deputados
-----Mensagem original-----
De: docomomo-bsb@googlegroups.com [mailto:docomomo-bsb@googlegroups.com] Em nome de Danilo Matoso Macedo
Enviada em: quarta-feira, 24 de junho de 2009 00:40
Para: docomomo brasília
Assunto: [docomomo-bsb] encontro cultural da igrejinha
Prezados colegas e amigos,
Concordo com o Maurício Matta.
Cordialmente,
Haroldo Pinheiro,
Arquiteto.
On Qua 24/06/09 10:30 , Maurício da Silva Matta
mauricio.ma...@camara.gov.br sent:
Em minha opinião isso é um absurdo, uma verdadeira falta de
respeito com o projeto original! Sem qualquer julgamento à obra do
artista plástico Galeano, não tenho dúvidas de que a Igrejinha
deva ser restaurada de forma a preservar a concepção original. Como
somos um país novo e com uma hitória recente, parece-me que
permanece o vício de tentarmos refazer nossa história mudando o
passado, isso é um equívoco!
Maurício da Silva Matta - arquiteto da Câmara dos Deputados -----Mensagem original-----
De: docomomo-bsb@googlegroups.com [1]
[mailto:docomomo-bsb@googlegroups.com [2]] Em nome de Danilo Matoso
Macedo
Enviada em: quarta-feira, 24 de junho de 2009 00:40
Para: docomomo brasília
Assunto: [docomomo-bsb] encontro cultural da igrejinha
E-mail verificado pelo Terra Anti-Spam.
Para classificar esta mensagem como spam ou não spam, visite
1 - Você tem noção do que é o projeto original da igrejinha?
2 - Importante: Galeno e não Galeano!
3 - Sabe quais os condicionantes deste restauro?
Então vamos lá....
Abaixo um pequeno texto para maior informação de todos a respeito do
projeto de restauro da Igrejinha de Fátima:
Entendo que restaurar é devolver unidade. O objeto deve
necessariamente ser uno; deve promover ao expectador uma leitura
coerente com aquilo que foi pensado, projetado e construído em
determinada época. Nesse sentido, o trabalho de Niemeyer, Burle Marx,
Athos Bulcão e Alfredo Volpi deveriam ser minuciosamente estudados, e
após levantamento histórico, deveriam, dentro do possível, serem
recuperados integralmente. A linguagem modernista e seus signos
deveriam estar presentes não só na arquitetura e no paisagismo/
urbanismo de seu entorno imediato, como também nos bens móveis e
integrados à arquitetura.
O trabalho de levantamento histórico foi realizado no arquivo público
do DF e nas informações disponíveis no arquivo da Superintendência do
Iphan no DF. Foram consultados diversos periódicos, fotografias e
textos avulsos. Foram ainda realizadas diversas entrevistas. Toda a
pesquisa me levou a definir quais seriam os pontos, que tratados nesse
restauro, me levariam àquela leitura coerente que já me referi.
São eles:
1. Recuperação do projeto paisagístico de Roberto Burle Marx;
2. Restauro da escadaria que dá acesso à Igrejinha;
3. Restauro do piso externo, buscando a paginação original definida
pelo Burle;
4. Restauro dos bancos também projetados pelo Burle;
5. Restauro dos azulejos – substituição de algumas peças que haviam
sido inseridas na década de 90 e que possuíam uma coloração muito
escura; inserção de novos azulejos, na área atingida pelo incêndio,
feitos pelo mesmo ceramista azulejeiro que sempre trabalhou com o
Athos, porém, buscando variação de cor em três tipos para evitar o
equívoco de blocos de azulejos monocromáticos;
6. Restauro do piso interno;
7. Impermeabilização da laje;
8. Pintura externa e interna,
9. Restauro dos bancos genuflexórios (madeira, ferragens e
substituição do revestimento) e redesenho e confecção a partir de
fotografia, do tocheiro de 17 braços desenhado pelo Athos para compor
a cena frontal direita ao altar - redesenho e confecção do altar
desenhado por Athos e que hoje não mais é encontrado.
10. Readequação dos objetos litúrgicos em espaço coerente com o
desenho da igreja e de acordo com as normas litúrgicas definidas pelo
Vaticano.
11. Novo sistema de som, iluminação externa e interna.
12. Prospecção e manutenção de imagens resgatadas nas paredes
internas;
13. "Restauro" dos painéis de Alfredo Volpi.
Este último, sem dúvida, o ponto mais delicado de todo o projeto de
restauro. Na década de 90 foram realizadas prospecções integrais nas
três paredes que conformam o interior da Igreja. Infelizmente, a
movimentação de algumas senhoras e do pároco à época – 1962, não
deixou sobrar muita coisa do painel de Volpi. O reboco foi raspado e
lixado. Existem fotografias com as paredes prospectadas e lá dá para
perceber, sem dúvida, que sobraram apenas ínfimos resquícios de
policromia disformes, que impedem, com a tecnologia atual, a
recuperação dos painéis. Cheguei a pensar em reproduzir as imagens do
único registro fotográfico existente – Revista Módulo – do esboço de
Volpi, porém, sabia que nunca conseguiria fazer com que alguém
conseguisse o ritmo das pinceladas do artista e na falta de registro,
nunca teria certeza de todas as cores utilizadas por ele. Todas as
fotos existentes são em preto e branco. Entendi que deveria parar onde
começava a hipótese. Por essa razão, defini que o que deveria ser
restaurado no espaço relacionado ao painel idealizado por Volpi seria
a ambiência que aquele painel produzia na igreja. Restauraria a
intenção do artista. Ele tinha que ser respeitado tanto quanto todos
os outros criadores daquele espaço. Ora, em local tão pequeno como a
igreja, um mestre da cor como Volpi não erraria! Três paredes
revestidas intencionalmente de azul cobalto produziriam introspecção;
a nave ficaria ainda menor visualmente, seria promovido o encontro do
fiel com Deus, não existiria nada além desse contato. Foi esta
intenção, esta ambiência, que fez com que eu entrasse em contato com o
Galeno para questioná-lo se aceitaria trabalhar conosco. Minha escolha
pelo artista foi embasada naquilo que já conhecia de sua obra, e
porque Galeno possui técnica, cromatismo e elementos de construção
pictórica semelhantes aos de Volpi. Eu poderia ter um “quase” Volpi ou
poderia ter novamente agregado àquelas paredes, arte de primeira
linha. A escolha foi óbvia!
Foram realizadas durante um ano reuniões com representantes da
comunidade. Esboços do Galeno foram apresentados, criticados e
construídos em grupo. Conversei com vários críticos de arte, tive
notícias do curador da obra de Volpi, Olívio Tavares de Araújo,
discuti com amigos artistas plásticos e tive a certeza da escolha do
artista e de como deveria direcionar o trabalho de Galeno. Alguns
pontos foram apresentados ao artista, que concordou plenamente com a
minha posição e com as necessidades apresentadas:
1. Necessariamente o fundo dos três painéis deveria ser azul cobalto,
o mesmo utilizado por Volpi na Igrejinha e no Painel do Itamaraty,
painel que também faz parte de sua fase sacra; Ladi Biezus me disse
que o Volpi havia comprado grande quantidade de pigmento no tom azul
cobalto.Utilizou diversas vezes esse tom em sua fase sacra.
2. Que o painel frontal deveria conter, de maneira centralizada, uma
Nossa Senhora de Fátima ladeada por dois elementos que reforçassem
essa centralidade como em um oratório;
3. Que nos dois outros painéis houvessem elementos distribuídos de
maneira linear e/ou aleatória, relacionados à história da aparição de
Fátima e que ocupassem visualmente a extensão de cada painel.
É isso! Espero ter ajudado a esclarecer a motivação das escolhas para
esse restauro/intervenção.
O que é realmente um equívoco é acreditar que algumas pessoas teriam o
direito de novamente privar toda a população brasileira da unidade
daquele monumento. Não bastasse o prejuízo cultural da perda do painel
de Volpi, também um prejuízo de cerca de 3 milhões de reais, que é o
que valeria monetariamente o que foi pago com dinheiro público em 1958
e que meia dúzia de pessoas acharam por bem aniquilar.
Grande abraço,
Rogério Carvalho
Arquiteto e autor do projeto de restauro da Igrejinha de Fátima
<mauricio.ma...@camara.gov.br> wrote:
> Em minha opinião isso é um absurdo, uma verdadeira falta de respeito com o projeto original! Sem qualquer julgamento à obra do artista plástico Galeano, não tenho dúvidas de que a Igrejinha deva ser restaurada de forma a preservar a concepção original. Como somos um país novo e com uma hitória recente, parece-me que permanece o vício de tentarmos refazer nossa história mudando o passado, isso é um equívoco!
> Maurício da Silva Matta - arquiteto da Câmara dos Deputados
> -----Mensagem original-----
> De: docomomo-bsb@googlegroups.com [mailto:docomomo-bsb@googlegroups.com] Em nome de Danilo Matoso Macedo
> Enviada em: quarta-feira, 24 de junho de 2009 00:40
> Para: docomomo brasília
> Assunto: [docomomo-bsb] encontro cultural da igrejinha
Prezado Rogério,
Agradeço pelas informações que remete ao Maurício Matta, com
cópias para a rede.
O autor do projeto (Oscar Niemeyer) também foi consultado, como
recomenda a legislação?
Abraço cordial,
Haroldo Pinheiro.
On Qua 24/06/09 18:52 , Rogério Carvalho
rogeriocarvalho...@gmail.com sent:
Prezado Maurício,
Alguns pontos devem ser destacados em seu texto:
1 - Você tem noção do que é o projeto original da igrejinha?
2 - Importante: Galeno e não Galeano!
3 - Sabe quais os condicionantes deste restauro?
Então vamos lá....
Abaixo um pequeno texto para maior informação de todos a respeito
do
projeto de restauro da Igrejinha de Fátima:
Entendo que restaurar é devolver unidade. O objeto deve
necessariamente ser uno; deve promover ao expectador uma leitura
coerente com aquilo que foi pensado, projetado e construído em
determinada época. Nesse sentido, o trabalho de Niemeyer, Burle
Marx,
Athos Bulcão e Alfredo Volpi deveriam ser minuciosamente estudados,
e
após levantamento histórico, deveriam, dentro do possível, serem
recuperados integralmente. A linguagem modernista e seus signos
deveriam estar presentes não só na arquitetura e no paisagismo/
urbanismo de seu entorno imediato, como também nos bens móveis e
integrados à arquitetura.
O trabalho de levantamento histórico foi realizado no arquivo
público
do DF e nas informações disponíveis no arquivo da
Superintendência do
Iphan no DF. Foram consultados diversos periódicos, fotografias e
textos avulsos. Foram ainda realizadas diversas entrevistas. Toda a
pesquisa me levou a definir quais seriam os pontos, que tratados
nesse
restauro, me levariam àquela leitura coerente que já me referi.
São eles:
1. Recuperação do projeto paisagístico de Roberto Burle Marx;
2. Restauro da escadaria que dá acesso à Igrejinha;
3. Restauro do piso externo, buscando a paginação original
definida
pelo Burle;
4. Restauro dos bancos também projetados pelo Burle;
5. Restauro dos azulejos – substituição de algumas peças que
haviam
sido inseridas na década de 90 e que possuíam uma coloração
muito
escura; inserção de novos azulejos, na área atingida pelo
incêndio,
feitos pelo mesmo ceramista azulejeiro que sempre trabalhou com o
Athos, porém, buscando variação de cor em três tipos para evitar
o
equívoco de blocos de azulejos monocromáticos;
6. Restauro do piso interno;
7. Impermeabilização da laje;
8. Pintura externa e interna,
9. Restauro dos bancos genuflexórios (madeira, ferragens e
substituição do revestimento) e redesenho e confecção a partir
de
fotografia, do tocheiro de 17 braços desenhado pelo Athos para
compor
a cena frontal direita ao altar - redesenho e confecção do altar
desenhado por Athos e que hoje não mais é encontrado.
10. Readequação dos objetos litúrgicos em espaço coerente com o
desenho da igreja e de acordo com as normas litúrgicas definidas
pelo
Vaticano.
11. Novo sistema de som, iluminação externa e interna.
12. Prospecção e manutenção de imagens resgatadas nas paredes
internas;
13. "Restauro" dos painéis de Alfredo Volpi.
Este último, sem dúvida, o ponto mais delicado de todo o projeto
de
restauro. Na década de 90 foram realizadas prospecções integrais
nas
três paredes que conformam o interior da Igreja. Infelizmente, a
movimentação de algumas senhoras e do pároco à época – 1962,
não
deixou sobrar muita coisa do painel de Volpi. O reboco foi raspado e
lixado. Existem fotografias com as paredes prospectadas e lá dá
para
perceber, sem dúvida, que sobraram apenas ínfimos resquícios de
policromia disformes, que impedem, com a tecnologia atual, a
recuperação dos painéis. Cheguei a pensar em reproduzir as
imagens do
único registro fotográfico existente – Revista Módulo – do
esboço de
Volpi, porém, sabia que nunca conseguiria fazer com que alguém
conseguisse o ritmo das pinceladas do artista e na falta de
registro,
nunca teria certeza de todas as cores utilizadas por ele. Todas as
fotos existentes são em preto e branco. Entendi que deveria parar
onde
começava a hipótese. Por essa razão, defini que o que deveria ser
restaurado no espaço relacionado ao painel idealizado por Volpi
seria
a ambiência que aquele painel produzia na igreja. Restauraria a
intenção do artista. Ele tinha que ser respeitado tanto quanto
todos
os outros criadores daquele espaço. Ora, em local tão pequeno como
a
igreja, um mestre da cor como Volpi não erraria! Três paredes
revestidas intencionalmente de azul cobalto produziriam
introspecção;
a nave ficaria ainda menor visualmente, seria promovido o encontro
do
fiel com Deus, não existiria nada além desse contato. Foi esta
intenção, esta ambiência, que fez com que eu entrasse em contato
com o
Galeno para questioná-lo se aceitaria trabalhar conosco. Minha
escolha
pelo artista foi embasada naquilo que já conhecia de sua obra, e
porque Galeno possui técnica, cromatismo e elementos de
construção
pictórica semelhantes aos de Volpi. Eu poderia ter um “quase”
Volpi ou
poderia ter novamente agregado àquelas paredes, arte de primeira
linha. A escolha foi óbvia!
Foram realizadas durante um ano reuniões com representantes da
comunidade. Esboços do Galeno foram apresentados, criticados e
construídos em grupo. Conversei com vários críticos de arte, tive
notícias do curador da obra de Volpi, Olívio Tavares de Araújo,
discuti com amigos artistas plásticos e tive a certeza da escolha
do
artista e de como deveria direcionar o trabalho de Galeno. Alguns
pontos foram apresentados ao artista, que concordou plenamente com a
minha posição e com as necessidades apresentadas:
1. Necessariamente o fundo dos três painéis deveria ser azul
cobalto,
o mesmo utilizado por Volpi na Igrejinha e no Painel do Itamaraty,
painel que também faz parte de sua fase sacra; Ladi Biezus me disse
que o Volpi havia comprado grande quantidade de pigmento no tom azul
cobalto.Utilizou diversas vezes esse tom em sua fase sacra.
2. Que o painel frontal deveria conter, de maneira centralizada, uma
Nossa Senhora de Fátima ladeada por dois elementos que reforçassem
essa centralidade como em um oratório;
3. Que nos dois outros painéis houvessem elementos distribuídos de
maneira linear e/ou aleatória, relacionados à história da
aparição de
Fátima e que ocupassem visualmente a extensão de cada painel.
É isso! Espero ter ajudado a esclarecer a motivação das escolhas
para
esse restauro/intervenção.
O que é realmente um equívoco é acreditar que algumas pessoas
teriam o
direito de novamente privar toda a população brasileira da unidade
daquele monumento. Não bastasse o prejuízo cultural da perda do
painel
de Volpi, também um prejuízo de cerca de 3 milhões de reais, que
é o
que valeria monetariamente o que foi pago com dinheiro público em
1958
e que meia dúzia de pessoas acharam por bem aniquilar.
Grande abraço,
Rogério Carvalho
Arquiteto e autor do projeto de restauro da Igrejinha de Fátima
On 24 jun, 10:30, Maurício da Silva Matta
wrote:
> Em minha opinião isso é um absurdo, uma verdadeira falta de
respeito com o projeto original! Sem qualquer julgamento à obra do
artista plástico Galeano, não tenho dúvidas de que a Igrejinha
deva ser restaurada de forma a preservar a concepção original. Como
somos um país novo e com uma hitória recente, parece-me que
permanece o vício de tentarmos refazer nossa história mudando o
passado, isso é um equívoco!
> Maurício da Silva Matta - arquiteto da Câmara dos Deputados
>
> -----Mensagem original-----
> De: docomomo-bsb@googlegroups.com [2]
[mailto:docomomo-bsb@googlegroups.com [3]] Em nome de Danilo Matoso
Macedo
> Enviada em: quarta-feira, 24 de junho de 2009 00:40
> Para: docomomo brasília
> Assunto: [docomomo-bsb] encontro cultural da igrejinha
E-mail verificado pelo Terra Anti-Spam.
Para classificar esta mensagem como spam ou não spam, visite
Apreciei bastante seus esclarecimentos relativos ao projeto de restauro da
igrejinha. Bem colocado e argumentado. Aproveito para indagar da
possibilidade de ter sua permissão para transcrever esses esclarecimentos no
meu blog (Esquina Urbana). Penso que seria interessante ampliar o
conhecimento dessas questões. Já postei duas notas sobre a celeuma da
igrejinha no blog. O link para o blog é:
-----Mensagem original-----
De: docomomo-bsb@googlegroups.com [mailto:docomomo-bsb@googlegroups.com] Em
nome de Rogério Carvalho
Enviada em: quarta-feira, 24 de junho de 2009 18:52
Para: docomomo brasília
Assunto: Re: RES: [docomomo-bsb] encontro cultural da igrejinha
Prezado Maurício,
Alguns pontos devem ser destacados em seu texto:
1 - Você tem noção do que é o projeto original da igrejinha?
2 - Importante: Galeno e não Galeano!
3 - Sabe quais os condicionantes deste restauro?
Então vamos lá....
Abaixo um pequeno texto para maior informação de todos a respeito do
projeto de restauro da Igrejinha de Fátima:
Entendo que restaurar é devolver unidade. O objeto deve
necessariamente ser uno; deve promover ao expectador uma leitura
coerente com aquilo que foi pensado, projetado e construído em
determinada época. Nesse sentido, o trabalho de Niemeyer, Burle Marx,
Athos Bulcão e Alfredo Volpi deveriam ser minuciosamente estudados, e
após levantamento histórico, deveriam, dentro do possível, serem
recuperados integralmente. A linguagem modernista e seus signos
deveriam estar presentes não só na arquitetura e no paisagismo/
urbanismo de seu entorno imediato, como também nos bens móveis e
integrados à arquitetura.
O trabalho de levantamento histórico foi realizado no arquivo público
do DF e nas informações disponíveis no arquivo da Superintendência do
Iphan no DF. Foram consultados diversos periódicos, fotografias e
textos avulsos. Foram ainda realizadas diversas entrevistas. Toda a
pesquisa me levou a definir quais seriam os pontos, que tratados nesse
restauro, me levariam àquela leitura coerente que já me referi.
São eles:
1. Recuperação do projeto paisagístico de Roberto Burle Marx;
2. Restauro da escadaria que dá acesso à Igrejinha;
3. Restauro do piso externo, buscando a paginação original definida
pelo Burle;
4. Restauro dos bancos também projetados pelo Burle;
5. Restauro dos azulejos – substituição de algumas peças que haviam
sido inseridas na década de 90 e que possuíam uma coloração muito
escura; inserção de novos azulejos, na área atingida pelo incêndio,
feitos pelo mesmo ceramista azulejeiro que sempre trabalhou com o
Athos, porém, buscando variação de cor em três tipos para evitar o
equívoco de blocos de azulejos monocromáticos;
6. Restauro do piso interno;
7. Impermeabilização da laje;
8. Pintura externa e interna,
9. Restauro dos bancos genuflexórios (madeira, ferragens e
substituição do revestimento) e redesenho e confecção a partir de
fotografia, do tocheiro de 17 braços desenhado pelo Athos para compor
a cena frontal direita ao altar - redesenho e confecção do altar
desenhado por Athos e que hoje não mais é encontrado.
10. Readequação dos objetos litúrgicos em espaço coerente com o
desenho da igreja e de acordo com as normas litúrgicas definidas pelo
Vaticano.
11. Novo sistema de som, iluminação externa e interna.
12. Prospecção e manutenção de imagens resgatadas nas paredes
internas;
13. "Restauro" dos painéis de Alfredo Volpi.
Este último, sem dúvida, o ponto mais delicado de todo o projeto de
restauro. Na década de 90 foram realizadas prospecções integrais nas
três paredes que conformam o interior da Igreja. Infelizmente, a
movimentação de algumas senhoras e do pároco à época – 1962, não
deixou sobrar muita coisa do painel de Volpi. O reboco foi raspado e
lixado. Existem fotografias com as paredes prospectadas e lá dá para
perceber, sem dúvida, que sobraram apenas ínfimos resquícios de
policromia disformes, que impedem, com a tecnologia atual, a
recuperação dos painéis. Cheguei a pensar em reproduzir as imagens do
único registro fotográfico existente – Revista Módulo – do esboço de
Volpi, porém, sabia que nunca conseguiria fazer com que alguém
conseguisse o ritmo das pinceladas do artista e na falta de registro,
nunca teria certeza de todas as cores utilizadas por ele. Todas as
fotos existentes são em preto e branco. Entendi que deveria parar onde
começava a hipótese. Por essa razão, defini que o que deveria ser
restaurado no espaço relacionado ao painel idealizado por Volpi seria
a ambiência que aquele painel produzia na igreja. Restauraria a
intenção do artista. Ele tinha que ser respeitado tanto quanto todos
os outros criadores daquele espaço. Ora, em local tão pequeno como a
igreja, um mestre da cor como Volpi não erraria! Três paredes
revestidas intencionalmente de azul cobalto produziriam introspecção;
a nave ficaria ainda menor visualmente, seria promovido o encontro do
fiel com Deus, não existiria nada além desse contato. Foi esta
intenção, esta ambiência, que fez com que eu entrasse em contato com o
Galeno para questioná-lo se aceitaria trabalhar conosco. Minha escolha
pelo artista foi embasada naquilo que já conhecia de sua obra, e
porque Galeno possui técnica, cromatismo e elementos de construção
pictórica semelhantes aos de Volpi. Eu poderia ter um “quase” Volpi ou
poderia ter novamente agregado àquelas paredes, arte de primeira
linha. A escolha foi óbvia!
Foram realizadas durante um ano reuniões com representantes da
comunidade. Esboços do Galeno foram apresentados, criticados e
construídos em grupo. Conversei com vários críticos de arte, tive
notícias do curador da obra de Volpi, Olívio Tavares de Araújo,
discuti com amigos artistas plásticos e tive a certeza da escolha do
artista e de como deveria direcionar o trabalho de Galeno. Alguns
pontos foram apresentados ao artista, que concordou plenamente com a
minha posição e com as necessidades apresentadas:
1. Necessariamente o fundo dos três painéis deveria ser azul cobalto,
o mesmo utilizado por Volpi na Igrejinha e no Painel do Itamaraty,
painel que também faz parte de sua fase sacra; Ladi Biezus me disse
que o Volpi havia comprado grande quantidade de pigmento no tom azul
cobalto.Utilizou diversas vezes esse tom em sua fase sacra.
2. Que o painel frontal deveria conter, de maneira centralizada, uma
Nossa Senhora de Fátima ladeada por dois elementos que reforçassem
essa centralidade como em um oratório;
3. Que nos dois outros painéis houvessem elementos distribuídos de
maneira linear e/ou aleatória, relacionados à história da aparição de
Fátima e que ocupassem visualmente a extensão de cada painel.
É isso! Espero ter ajudado a esclarecer a motivação das escolhas para
esse restauro/intervenção.
O que é realmente um equívoco é acreditar que algumas pessoas teriam o
direito de novamente privar toda a população brasileira da unidade
daquele monumento. Não bastasse o prejuízo cultural da perda do painel
de Volpi, também um prejuízo de cerca de 3 milhões de reais, que é o
que valeria monetariamente o que foi pago com dinheiro público em 1958
e que meia dúzia de pessoas acharam por bem aniquilar.
Grande abraço,
Rogério Carvalho
Arquiteto e autor do projeto de restauro da Igrejinha de Fátima
On 24 jun, 10:30, Maurício da Silva Matta
<mauricio.ma...@camara.gov.br> wrote:
> Em minha opinião isso é um absurdo, uma verdadeira falta de respeito com o
projeto original! Sem qualquer julgamento à obra do artista plástico
Galeano, não tenho dúvidas de que a Igrejinha deva ser restaurada de forma a
preservar a concepção original. Como somos um país novo e com uma hitória
recente, parece-me que permanece o vício de tentarmos refazer nossa história
mudando o passado, isso é um equívoco!
> Maurício da Silva Matta - arquiteto da Câmara dos Deputados
> -----Mensagem original-----
> De: docomomo-bsb@googlegroups.com [mailto:docomomo-bsb@googlegroups.com]
Em nome de Danilo Matoso Macedo
> Enviada em: quarta-feira, 24 de junho de 2009 00:40
> Para: docomomo brasília
> Assunto: [docomomo-bsb] encontro cultural da igrejinha
__________ Information from ESET NOD32 Antivirus, version of virus signature
database 4186 (20090624) __________
> Apreciei bastante seus esclarecimentos relativos ao projeto de restauro da
> igrejinha. Bem colocado e argumentado. Aproveito para indagar da
> possibilidade de ter sua permissão para transcrever esses esclarecimentos no
> meu blog (Esquina Urbana). Penso que seria interessante ampliar o
> conhecimento dessas questões. Já postei duas notas sobre a celeuma da
> igrejinha no blog. O link para o blog é:
> -----Mensagem original-----
> De: docomomo-bsb@googlegroups.com [mailto:docomomo-bsb@googlegroups.com]
> Em nome de Rogério Carvalho
> Enviada em: quarta-feira, 24 de junho de 2009 18:52
> Para: docomomo brasília
> Assunto: Re: RES: [docomomo-bsb] encontro cultural da igrejinha
> Prezado Maurício,
> Alguns pontos devem ser destacados em seu texto:
> 1 - Você tem noção do que é o projeto original da igrejinha?
> 2 - Importante: Galeno e não Galeano!
> 3 - Sabe quais os condicionantes deste restauro?
> Então vamos lá....
> Abaixo um pequeno texto para maior informação de todos a respeito do
> projeto de restauro da Igrejinha de Fátima:
> Entendo que restaurar é devolver unidade. O objeto deve
> necessariamente ser uno; deve promover ao expectador uma leitura
> coerente com aquilo que foi pensado, projetado e construído em
> determinada época. Nesse sentido, o trabalho de Niemeyer, Burle Marx,
> Athos Bulcão e Alfredo Volpi deveriam ser minuciosamente estudados, e
> após levantamento histórico, deveriam, dentro do possível, serem
> recuperados integralmente. A linguagem modernista e seus signos
> deveriam estar presentes não só na arquitetura e no paisagismo/
> urbanismo de seu entorno imediato, como também nos bens móveis e
> integrados à arquitetura.
> O trabalho de levantamento histórico foi realizado no arquivo público
> do DF e nas informações disponíveis no arquivo da Superintendência do
> Iphan no DF. Foram consultados diversos periódicos, fotografias e
> textos avulsos. Foram ainda realizadas diversas entrevistas. Toda a
> pesquisa me levou a definir quais seriam os pontos, que tratados nesse
> restauro, me levariam àquela leitura coerente que já me referi.
> São eles:
> 1. Recuperação do projeto paisagístico de Roberto Burle Marx;
> 2. Restauro da escadaria que dá acesso à Igrejinha;
> 3. Restauro do piso externo, buscando a paginação original definida
> pelo Burle;
> 4. Restauro dos bancos também projetados pelo Burle;
> 5. Restauro dos azulejos – substituição de algumas peças que haviam
> sido inseridas na década de 90 e que possuíam uma coloração muito
> escura; inserção de novos azulejos, na área atingida pelo incêndio,
> feitos pelo mesmo ceramista azulejeiro que sempre trabalhou com o
> Athos, porém, buscando variação de cor em três tipos para evitar o
> equívoco de blocos de azulejos monocromáticos;
> 6. Restauro do piso interno;
> 7. Impermeabilização da laje;
> 8. Pintura externa e interna,
> 9. Restauro dos bancos genuflexórios (madeira, ferragens e
> substituição do revestimento) e redesenho e confecção a partir de
> fotografia, do tocheiro de 17 braços desenhado pelo Athos para compor
> a cena frontal direita ao altar - redesenho e confecção do altar
> desenhado por Athos e que hoje não mais é encontrado.
> 10. Readequação dos objetos litúrgicos em espaço coerente com o
> desenho da igreja e de acordo com as normas litúrgicas definidas pelo
> Vaticano.
> 11. Novo sistema de som, iluminação externa e interna.
> 12. Prospecção e manutenção de imagens resgatadas nas paredes
> internas;
> 13. "Restauro" dos painéis de Alfredo Volpi.
> Este último, sem dúvida, o ponto mais delicado de todo o projeto de
> restauro. Na década de 90 foram realizadas prospecções integrais nas
> três paredes que conformam o interior da Igreja. Infelizmente, a
> movimentação de algumas senhoras e do pároco à época – 1962, não
> deixou sobrar muita coisa do painel de Volpi. O reboco foi raspado e
> lixado. Existem fotografias com as paredes prospectadas e lá dá para
> perceber, sem dúvida, que sobraram apenas ínfimos resquícios de
> policromia disformes, que impedem, com a tecnologia atual, a
> recuperação dos painéis. Cheguei a pensar em reproduzir as imagens do
> único registro fotográfico existente – Revista Módulo – do esboço de
> Volpi, porém, sabia que nunca conseguiria fazer com que alguém
> conseguisse o ritmo das pinceladas do artista e na falta de registro,
> nunca teria certeza de todas as cores utilizadas por ele. Todas as
> fotos existentes são em preto e branco. Entendi que deveria parar onde
> começava a hipótese. Por essa razão, defini que o que deveria ser
> restaurado no espaço relacionado ao painel idealizado por Volpi seria
> a ambiência que aquele painel produzia na igreja. Restauraria a
> intenção do artista. Ele tinha que ser respeitado tanto quanto todos
> os outros criadores daquele espaço. Ora, em local tão pequeno como a
> igreja, um mestre da cor como Volpi não erraria! Três paredes
> revestidas intencionalmente de azul cobalto produziriam introspecção;
> a nave ficaria ainda menor visualmente, seria promovido o encontro do
> fiel com Deus, não existiria nada além desse contato. Foi esta
> intenção, esta ambiência, que fez com que eu entrasse em contato com o
> Galeno para questioná-lo se aceitaria trabalhar conosco. Minha escolha
> pelo artista foi embasada naquilo que já conhecia de sua obra, e
> porque Galeno possui técnica, cromatismo e elementos de construção
> pictórica semelhantes aos de Volpi. Eu poderia ter um “quase” Volpi ou
> poderia ter novamente agregado àquelas paredes, arte de primeira
> linha. A escolha foi óbvia!
> Foram realizadas durante um ano reuniões com representantes da
> comunidade. Esboços do Galeno foram apresentados, criticados e
> construídos em grupo. Conversei com vários críticos de arte, tive
> notícias do curador da obra de Volpi, Olívio Tavares de Araújo,
> discuti com amigos artistas plásticos e tive a certeza da escolha do
> artista e de como deveria direcionar o trabalho de Galeno. Alguns
> pontos foram apresentados ao artista, que concordou plenamente com a
> minha posição e com as necessidades apresentadas:
> 1. Necessariamente o fundo dos três painéis deveria ser azul cobalto,
> o mesmo utilizado por Volpi na Igrejinha e no Painel do Itamaraty,
> painel que também faz parte de sua fase sacra; Ladi Biezus me disse
> que o Volpi havia comprado grande quantidade de pigmento no tom azul
> cobalto.Utilizou diversas vezes esse tom em sua fase sacra.
> 2. Que o painel frontal deveria conter, de maneira centralizada, uma
> Nossa Senhora de Fátima ladeada por dois elementos que reforçassem
> essa centralidade como em um oratório;
> 3. Que nos dois outros painéis houvessem elementos distribuídos de
> maneira linear e/ou aleatória, relacionados à história da aparição de
> Fátima e que ocupassem visualmente a extensão de cada painel.
> É isso! Espero ter ajudado a esclarecer a motivação das escolhas para
> esse restauro/intervenção.
> O que é realmente um equívoco é acreditar que algumas pessoas teriam o
> direito de novamente privar toda a população brasileira da unidade
> daquele monumento. Não bastasse o prejuízo cultural da perda do painel
> de Volpi, também um prejuízo de cerca de 3 milhões de reais, que é o
> que valeria monetariamente o que foi pago com dinheiro público em 1958
> e que meia dúzia de pessoas acharam por bem aniquilar.
> Grande abraço,
> Rogério Carvalho
> Arquiteto e autor do projeto de restauro da Igrejinha de Fátima
> > Em minha opinião isso é um absurdo, uma verdadeira falta de respeito com
> o projeto original! Sem qualquer julgamento à obra do artista plástico
> Galeano, não tenho dúvidas de que a Igrejinha deva ser restaurada de forma a
> preservar a concepção original. Como somos um país novo e com uma hitória
> recente, parece-me que permanece o vício de tentarmos refazer nossa história
> mudando o passado, isso é um equívoco!
> > Maurício da Silva Matta - arquiteto da Câmara dos Deputados
> > -----Mensagem original-----
> > De: docomomo-bsb@googlegroups.com [mailto:docomomo-bsb@googlegroups.com]
> Em nome de Danilo Matoso Macedo
> > Enviada em: quarta-feira, 24 de junho de 2009 00:40
> > Para: docomomo brasília
> > Assunto: [docomomo-bsb] encontro cultural da igrejinha
> __________ Information from ESET NOD32 Antivirus, version of virus
> signature database 4186 (20090624) __________
> The message was checked by ESET NOD32 Antivirus.
Se for lá na igrejinha verá uma placa com a logomarca do Iphan. Lá
fica claro que a restauração é artística. Não está sendo feita nenhuma
alteração arquitetônica para solicitarmos o aval de Oscar Niemeyer.Seu
projeto está sendo absolutamente respeitado, coisa que não vinha sendo
feita pelos usuários daquele espaço. O IPHAN tem autonomia moral para
lidar com restauro.Não preciso lhe explicar o porque. Agora é
importante frisar, o autor daquela obra não é Oscar Niemeyer apenas.
Temos nomes de peso tão elevado quanto o do mestre - Burle, Volpi,
Athos e Lucio.
E sabe o que mais Haroldo, me perdoe a sinceridade.....depois da
última declaração do mestre, publicada por Conceição Freitas no
Correio Braziliense, por favor....veja abaixo o texto! No dos outros é
refresco né! O que Lucio propôs deve ser modificado em favor das
vontades do mestre; agora os prédios dele, solicitou ao Gil em 2007 o
tombamento......
Abraço e espero você lá na Igrejinha no sábado às 14h.
Rogério Carvalho
“Que se f….”
A revista Audi Magazine, de junho de 2009, publicou entrevista com o
arquiteto Oscar Niemeyer, ilustrada com belas fotos de Jorge Bispo.
Uma das respostas é um recado aos brasilienses. É sobre a Praça da
Soberania. Ele repete o que já havia dito em entrevistas ao Correio
Braziliense, mas para a Audi ele se solta um pouco mais — bem no
final. (A entrevista é anterior à apresentação do segundo projeto que
foi engavetado depois que o governador José Roberto Arruda disse não
ter recursos para construí-lo).
— Ao propor o projeto da Praça da Soberania, no gramado central da
Esplanada dos Ministérios, em Brasília, ideia rejeitada no começo do
ano pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o
senhor pareceu manifestar um antigo gosto pelo risco.
Brasília não tem uma praça que dê uma ideia da importância do país, da
tendência de imaginação. Uma praça que você passa e não esquece mais.
É uma burrice danada tombar uma cidade. No Brasil, se o Rio de Janeiro
fosse tombado, o prefeito Pereira Passos [engenheiro responsável pela
modernização da cidade em seu mandato, entre 1902 e 1906] não poderia
ter feito a avenida Rio Branco, que cortou o país de lado a lado. Me
lembro quando Corbusier chegou aqui e viu essa solução do Passos,
abrindo espaços, ele ficou espantado. Todas as cidades foram
modificadas. Paris foi modificada pelo Haussmann [prefeito que
promoveu um grande processo de renovação urbanística entre 1852 e
1870] ao criar aquelas avenidas enormes. Na Espanha, as cidades foram
caminhando para o mar, que era a tendência natural. E todas as
cidades, assim, sofreram modificações. De modo que fiquei, assim,
meio chateado. Até fiz uma nota quando retirei o projeto [em fevereiro
passado]. No meu texto, me permiti dizer que não concordava com eles.
Se eles estão tão interessados na ideia de que Brasília deve ser
tombada, que se fodam. [Risos].
On 25 jun, 21:26, Rogério Carvalho <rogeriocarvalho...@gmail.com>
wrote:
> > Apreciei bastante seus esclarecimentos relativos ao projeto de restauro da
> > igrejinha. Bem colocado e argumentado. Aproveito para indagar da
> > possibilidade de ter sua permissão para transcrever esses esclarecimentos no
> > meu blog (Esquina Urbana). Penso que seria interessante ampliar o
> > conhecimento dessas questões. Já postei duas notas sobre a celeuma da
> > igrejinha no blog. O link para o blog é:
> > -----Mensagem original-----
> > De: docomomo-bsb@googlegroups.com [mailto:docomomo-bsb@googlegroups.com]
> > Em nome de Rogério Carvalho
> > Enviada em: quarta-feira, 24 de junho de 2009 18:52
> > Para: docomomo brasília
> > Assunto: Re: RES: [docomomo-bsb] encontro cultural da igrejinha
> > Prezado Maurício,
> > Alguns pontos devem ser destacados em seu texto:
> > 1 - Você tem noção do que é o projeto original da igrejinha?
> > 2 - Importante: Galeno e não Galeano!
> > 3 - Sabe quais os condicionantes deste restauro?
> > Então vamos lá....
> > Abaixo um pequeno texto para maior informação de todos a respeito do
> > projeto de restauro da Igrejinha de Fátima:
> > Entendo que restaurar é devolver unidade. O objeto deve
> > necessariamente ser uno; deve promover ao expectador uma leitura
> > coerente com aquilo que foi pensado, projetado e construído em
> > determinada época. Nesse sentido, o trabalho de Niemeyer, Burle Marx,
> > Athos Bulcão e Alfredo Volpi deveriam ser minuciosamente estudados, e
> > após levantamento histórico, deveriam, dentro do possível, serem
> > recuperados integralmente. A linguagem modernista e seus signos
> > deveriam estar presentes não só na arquitetura e no paisagismo/
> > urbanismo de seu entorno imediato, como também nos bens móveis e
> > integrados à arquitetura.
> > O trabalho de levantamento histórico foi realizado no arquivo público
> > do DF e nas informações disponíveis no arquivo da Superintendência do
> > Iphan no DF. Foram consultados diversos periódicos, fotografias e
> > textos avulsos. Foram ainda realizadas diversas entrevistas. Toda a
> > pesquisa me levou a definir quais seriam os pontos, que tratados nesse
> > restauro, me levariam àquela leitura coerente que já me referi.
> > São eles:
> > 1. Recuperação do projeto paisagístico de Roberto Burle Marx;
> > 2. Restauro da escadaria que dá acesso à Igrejinha;
> > 3. Restauro do piso externo, buscando a paginação original definida
> > pelo Burle;
> > 4. Restauro dos bancos também projetados pelo Burle;
> > 5. Restauro dos azulejos – substituição de algumas peças que haviam
> > sido inseridas na década de 90 e que possuíam uma coloração muito
> > escura; inserção de novos azulejos, na área atingida pelo incêndio,
> > feitos pelo mesmo ceramista azulejeiro que sempre trabalhou com o
> > Athos, porém, buscando variação de cor em três tipos para evitar o
> > equívoco de blocos de azulejos monocromáticos;
> > 6. Restauro do piso interno;
> > 7. Impermeabilização da laje;
> > 8. Pintura externa e interna,
> > 9. Restauro dos bancos genuflexórios (madeira, ferragens e
> > substituição do revestimento) e redesenho e confecção a partir de
> > fotografia, do tocheiro de 17 braços desenhado pelo Athos para compor
> > a cena frontal direita ao altar - redesenho e confecção do altar
> > desenhado por Athos e que hoje não mais é encontrado.
> > 10. Readequação dos objetos litúrgicos em espaço coerente com o
> > desenho da igreja e de acordo com as normas litúrgicas definidas pelo
> > Vaticano.
> > 11. Novo sistema de som, iluminação externa e interna.
> > 12. Prospecção e manutenção de imagens resgatadas nas paredes
> > internas;
> > 13. "Restauro" dos painéis de Alfredo Volpi.
> > Este último, sem dúvida, o ponto mais delicado de todo o projeto de
> > restauro. Na década de 90 foram realizadas prospecções integrais nas
> > três paredes que conformam o interior da Igreja. Infelizmente, a
> > movimentação de algumas senhoras e do pároco à época – 1962, não
> > deixou sobrar muita coisa do painel de Volpi. O reboco foi raspado e
> > lixado. Existem fotografias com as paredes prospectadas e lá dá para
> > perceber, sem dúvida, que sobraram apenas ínfimos resquícios de
> > policromia disformes, que impedem, com a tecnologia atual, a
> > recuperação dos painéis. Cheguei a pensar em reproduzir as imagens do
> > único registro fotográfico existente – Revista Módulo – do esboço de
> > Volpi, porém, sabia que nunca conseguiria fazer com que alguém
> > conseguisse o ritmo das pinceladas do artista e na falta de registro,
> > nunca teria certeza de todas as cores utilizadas por ele. Todas as
> > fotos existentes são em preto e branco. Entendi que deveria parar onde
> > começava a hipótese. Por essa razão, defini que o que deveria ser
> > restaurado no espaço relacionado ao painel idealizado por Volpi seria
> > a ambiência que aquele painel produzia na igreja. Restauraria a
> > intenção do artista. Ele tinha que ser respeitado tanto quanto todos
> > os outros criadores daquele espaço. Ora, em local tão pequeno como a
> > igreja, um mestre da cor como Volpi não erraria! Três paredes
> > revestidas intencionalmente de azul cobalto produziriam introspecção;
> > a nave ficaria ainda menor visualmente, seria promovido o encontro do
> > fiel com Deus, não existiria nada além desse contato. Foi esta
> > intenção, esta ambiência, que fez com que eu entrasse em contato com o
> > Galeno para questioná-lo se aceitaria trabalhar conosco. Minha escolha
> > pelo artista foi embasada naquilo que já conhecia de sua obra, e
> > porque Galeno possui técnica, cromatismo e elementos de construção
> > pictórica semelhantes aos de Volpi. Eu poderia ter um “quase” Volpi ou
> > poderia ter novamente agregado àquelas paredes, arte de primeira
> > linha. A escolha foi óbvia!
> > Foram realizadas durante um ano reuniões com representantes da
> > comunidade. Esboços do Galeno foram apresentados, criticados e
> > construídos em grupo. Conversei com vários críticos de arte, tive
Prezado Rogério,
Agradeço por sua resposta gentil.
Na verdade, não é bem solicitar o "aval" do autor do projeto -
que, afinal, foi quem orientou o seu detalhamento e as obras de arte
integradas à arquitetura. Certamente, se o autor do projeto - que
está vivo e ativo - fosse consultado pelo IPHAN ou por sua equipe,
tempo e recursos públicos (utilizados na bela pesquisa que descreveu
em mensagem anterior) teriam sido economizados.
Códigos de ética que regem a nossa atuação profissional em
qualquer país recomendam que o autor do projeto seja consultado,
preliminarmente, em qualquer intervenção que se faça na obra que
realizou. Não por qualquer questão corporativa, mas especialmente
porque é ele (o autor) quem melhor conhece o edifício e os motivos
das soluções (técnicas, artísticas) aplicadas. É quem tem menor
risco de erro.
No Brasil, apesar desta recomendação estar incluída em Lei, tal
procedimento não é cumprido - em prejuízo de tantas obras de
tantos arquitetos. Particularmente daqueles que tem seu trabalho
reconhecido pela população e pelos órgãos responsáveis pela
preservação dos bens públicos.
Aqui, vemos obras serem desfiguradas em função de tal
desatenção. Veja a Disbrave - exemplo recente, inclusive com um
inacreditável rodapé sobreposto ao relevo do Athos. É penoso,
apesar das boas intenções de quem o fez. E é claro que se o autor
fosse consultado, tal não aconteceria, e o problema da enceradeira
seria solucionado de outra maneira.
No caso da Igrejinha, as obras de arte são integradas à
arquitetura do edifício. Não são peças sobrepostas, encomendadas
a posteriori: fazem parte do todo original e foram assim estudadas no
projeto, no risco do autor. Como na capela do Palácio da Alvorada, no
Itamaraty, no Teatro Nacional; ou nos hospitais da Rede SaraH, nas
escolinhas públicas realizadas pelo Lelé. Remover ou substituir as
obras alteram e desfiguram a Arquitetura.
Quando desconsideramos a competência dos colegas, desconsideramos a
profissão. Ninguém ganha com isto - muito menos o patrimônio
público ou a Arquitetura. Seja em uma obra de Rogério Carvalho ou
de Oscar Niemeyer, com arte integrada de Galeno ou de Volpi.
Fico obrigado a duas correções, me permita: Dr. Lucio não
participou do projeto da Igrejinha - os demais que citou, sim: por
indicação do autor e conforme o que considerou necessário. E não
foi Oscar Niemeyer quem solicitou o tombamento de suas obras - embora
o então ministro Gil o tenha consultado em 2007, sim - assim como ao
Conselho do IPHAN.
Sobre Brasília, também lamento as intervenções indevidas que tem
sofrido - todas, certamente, fruto da boa vontade de técnicos que
querem melhorar a cidade (inclusive, à época em que o autor ainda
estava vivo e ativo). Mas é pena que a intelectualidade mediana só
se insurja quando a intervenção é proposta por Niemeyer. Está
lá, a Esplanada, sempre recoberta por toldos e banheiros químicos
descompostos, que se sucedem interminávelmente, impedindo contemplar
ou fotografar a perspectiva original do conjunto.
Agradeço pelo convite, mas não poderei estar lá no sábado.
Espero que seja uma boa confraternização e que, da discussão
coletiva, franca, democrática, o bom senso prevaleça.
Cordialmente,
Haroldo Pinheiro.
On Qui 25/06/09 22:00 , Rogério Carvalho
rogeriocarvalho...@gmail.com sent:
Prezado Haroldo,
Se for lá na igrejinha verá uma placa com a logomarca do Iphan.
Lá
fica claro que a restauração é artística. Não está sendo feita
nenhuma
alteração arquitetônica para solicitarmos o aval de Oscar
Niemeyer.Seu
projeto está sendo absolutamente respeitado, coisa que não vinha
sendo
feita pelos usuários daquele espaço. O IPHAN tem autonomia moral
para
lidar com restauro.Não preciso lhe explicar o porque. Agora é
importante frisar, o autor daquela obra não é Oscar Niemeyer
apenas.
Temos nomes de peso tão elevado quanto o do mestre - Burle, Volpi,
Athos e Lucio.
E sabe o que mais Haroldo, me perdoe a sinceridade.....depois da
última declaração do mestre, publicada por Conceição Freitas no
Correio Braziliense, por favor....veja abaixo o texto! No dos outros
é
refresco né! O que Lucio propôs deve ser modificado em favor das
vontades do mestre; agora os prédios dele, solicitou ao Gil em 2007
o
tombamento......
Abraço e espero você lá na Igrejinha no sábado às 14h.
Rogério Carvalho
“Que se f….”
A revista Audi Magazine, de junho de 2009, publicou entrevista com o
arquiteto Oscar Niemeyer, ilustrada com belas fotos de Jorge Bispo.
Uma das respostas é um recado aos brasilienses. É sobre a Praça
da
Soberania. Ele repete o que já havia dito em entrevistas ao Correio
Braziliense, mas para a Audi ele se solta um pouco mais — bem no
final. (A entrevista é anterior à apresentação do segundo
projeto que
foi engavetado depois que o governador José Roberto Arruda disse
não
ter recursos para construí-lo).
— Ao propor o projeto da Praça da Soberania, no gramado central
da
Esplanada dos Ministérios, em Brasília, ideia rejeitada no começo
do
ano pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional,
o
senhor pareceu manifestar um antigo gosto pelo risco.
Brasília não tem uma praça que dê uma ideia da importância do
país, da
tendência de imaginação. Uma praça que você passa e não
esquece mais.
É uma burrice danada tombar uma cidade. No Brasil, se o Rio de
Janeiro
fosse tombado, o prefeito Pereira Passos [engenheiro responsável
pela
modernização da cidade em seu mandato, entre 1902 e 1906] não
poderia
ter feito a avenida Rio Branco, que cortou o país de lado a lado.
Me
lembro quando Corbusier chegou aqui e viu essa solução do Passos,
abrindo espaços, ele ficou espantado. Todas as cidades foram
modificadas. Paris foi modificada pelo Haussmann [prefeito que
promoveu um grande processo de renovação urbanística entre 1852 e
1870] ao criar aquelas avenidas enormes. Na Espanha, as cidades
foram
caminhando para o mar, que era a tendência natural. E todas as
cidades, assim, sofreram modificações. De modo que fiquei, assim,
meio chateado. Até fiz uma nota quando retirei o projeto [em
fevereiro
passado]. No meu texto, me permiti dizer que não concordava com
eles.
Se eles estão tão interessados na ideia de que Brasília deve ser
tombada, que se fodam. [Risos].
On 25 jun, 21:26, Rogério Carvalho
wrote:
> Prezado Geraldo,
>
> Por favor!!! Fique livre para a publicação. Agradeço a
manifestação do
> amigo.
> abraço,
> Rogério Carvalho
>
> 2009/6/25 Geraldo Nogueira >
>
>
>
>
> > Oi Rogério
>
> > Apreciei bastante seus esclarecimentos relativos ao projeto de
restauro da
> > igrejinha. Bem colocado e argumentado. Aproveito para indagar da
> > possibilidade de ter sua permissão para transcrever esses
esclarecimentos no
> > meu blog (Esquina Urbana). Penso que seria interessante ampliar
o
> > conhecimento dessas questões. Já postei duas notas sobre a
celeuma da
> > igrejinha no blog. O link para o blog é:
>
> >http://blog.clickgratis.com.br/geraldonogueira/ [3]
>
> > gerald...@terra.com.br [4]
>
> > Abraço cordial, Geraldo Nogueira Batista
>
> > -----Mensagem original-----
> > De: docomomo-bsb@googlegroups.com [5]
[mailto:docomomo-bsb@googlegroups.com [6]]
> > Em nome de Rogério Carvalho
> > Enviada em: quarta-feira, 24 de junho de 2009 18:52
> > Para: docomomo brasília
> > Assunto: Re: RES: [docomomo-bsb] encontro cultural da igrejinha
>
> > Prezado Maurício,
>
> > Alguns pontos devem ser destacados em seu texto:
>
> > 1 - Você tem noção do que é o projeto original da igrejinha?
>
> > 2 - Importante: Galeno e não Galeano!
>
> > 3 - Sabe quais os condicionantes deste restauro?
>
> > Então vamos lá....
>
> > Abaixo um pequeno texto para maior informação de todos a
respeito do
>
> > projeto de restauro da Igrejinha de Fátima:
>
> > Entendo que restaurar é devolver unidade. O objeto deve
>
> > necessariamente ser uno; deve promover ao expectador uma leitura
>
> > coerente com aquilo que foi pensado, projetado e construído em
>
> > determinada época. Nesse sentido, o trabalho de Niemeyer, Burle
Marx,
>
> > Athos Bulcão e Alfredo Volpi deveriam ser minuciosamente
estudados, e
>
> > após levantamento histórico, deveriam, dentro do possível,
serem
>
> > recuperados integralmente. A linguagem modernista e seus signos
>
> > deveriam estar presentes não só na arquitetura e no
paisagismo/
>
> > urbanismo de seu entorno imediato, como também nos bens móveis
e
>
> > integrados à arquitetura.
>
> > O trabalho de levantamento histórico foi realizado no arquivo
público
>
> > do DF e nas informações disponíveis no arquivo da
Superintendência do
>
> > Iphan no DF. Foram consultados diversos periódicos, fotografias
e
>
> > textos avulsos. Foram ainda realizadas diversas entrevistas.
Toda a
>
> > pesquisa me levou a definir quais seriam os pontos, que tratados
nesse
>
> > restauro, me levariam àquela leitura coerente que já me
referi.
>
> > São eles:
>
> > 1. Recuperação do projeto paisagístico de Roberto Burle Marx;
>
> > 2. Restauro da escadaria que dá acesso à Igrejinha;
>
> > 3. Restauro do piso externo, buscando a paginação original
definida
>
> > pelo Burle;
>
> > 4. Restauro dos bancos também projetados pelo Burle;
>
> > 5. Restauro dos azulejos – substituição de algumas peças
que haviam
>
> > sido inseridas na década de 90 e que possuíam uma coloração
muito
>
> > escura; inserção de novos azulejos, na área atingida pelo
incêndio,
>
> >
...
Entendo seus argumentos, mas tenho o direito de não concordar! Como
lhe disse, a restauração é artística e não arquitetônica. São quatro
autores, três, infelizmente, já falecidos.
Em suas duas correções, dois equívocos: Lucio participa sim dessa
história. A configuração daquele espaço urbano, o espaço que abraça a
igreja e toda a unidade de vizinhança é obra de quem? É uma pena que
o colega não tenha se lembrado disso!
E quanto a não ter sido o Oscar que solicitou o tombamento de suas
obras, me perdoe....o processo de tombamento foi montado e encaminhado
por mim. A primeira página do processo é um pedido de Oscar, escrito a
mão, solicitando ao Gil em duas ou três linhas o tombamento das
obras.Por favor se informe melhor!
Quanto ao ocorrido na proposta da praça na Esplanada, não considero as
pessoas que se manifestaram como intelectualidade mediana.Mas isso é
uma questão de foro íntimo...
Abraço cordial,
Rogério Carvalho
On 26 jun, 09:02, haroldopinhe...@terra.com.br wrote:
> Prezado Rogério,
> Agradeço por sua resposta gentil.
> Na verdade, não é bem solicitar o "aval" do autor do projeto -
> que, afinal, foi quem orientou o seu detalhamento e as obras de arte
> integradas à arquitetura. Certamente, se o autor do projeto - que
> está vivo e ativo - fosse consultado pelo IPHAN ou por sua equipe,
> tempo e recursos públicos (utilizados na bela pesquisa que descreveu
> em mensagem anterior) teriam sido economizados.
> Códigos de ética que regem a nossa atuação profissional em
> qualquer país recomendam que o autor do projeto seja consultado,
> preliminarmente, em qualquer intervenção que se faça na obra que
> realizou. Não por qualquer questão corporativa, mas especialmente
> porque é ele (o autor) quem melhor conhece o edifício e os motivos
> das soluções (técnicas, artísticas) aplicadas. É quem tem menor
> risco de erro.
> No Brasil, apesar desta recomendação estar incluída em Lei, tal
> procedimento não é cumprido - em prejuízo de tantas obras de
> tantos arquitetos. Particularmente daqueles que tem seu trabalho
> reconhecido pela população e pelos órgãos responsáveis pela
> preservação dos bens públicos.
> Aqui, vemos obras serem desfiguradas em função de tal
> desatenção. Veja a Disbrave - exemplo recente, inclusive com um
> inacreditável rodapé sobreposto ao relevo do Athos. É penoso,
> apesar das boas intenções de quem o fez. E é claro que se o autor
> fosse consultado, tal não aconteceria, e o problema da enceradeira
> seria solucionado de outra maneira.
> No caso da Igrejinha, as obras de arte são integradas à
> arquitetura do edifício. Não são peças sobrepostas, encomendadas
> a posteriori: fazem parte do todo original e foram assim estudadas no
> projeto, no risco do autor. Como na capela do Palácio da Alvorada, no
> Itamaraty, no Teatro Nacional; ou nos hospitais da Rede SaraH, nas
> escolinhas públicas realizadas pelo Lelé. Remover ou substituir as
> obras alteram e desfiguram a Arquitetura.
> Quando desconsideramos a competência dos colegas, desconsideramos a
> profissão. Ninguém ganha com isto - muito menos o patrimônio
> público ou a Arquitetura. Seja em uma obra de Rogério Carvalho ou
> de Oscar Niemeyer, com arte integrada de Galeno ou de Volpi.
> Fico obrigado a duas correções, me permita: Dr. Lucio não
> participou do projeto da Igrejinha - os demais que citou, sim: por
> indicação do autor e conforme o que considerou necessário. E não
> foi Oscar Niemeyer quem solicitou o tombamento de suas obras - embora
> o então ministro Gil o tenha consultado em 2007, sim - assim como ao
> Conselho do IPHAN.
> Sobre Brasília, também lamento as intervenções indevidas que tem
> sofrido - todas, certamente, fruto da boa vontade de técnicos que
> querem melhorar a cidade (inclusive, à época em que o autor ainda
> estava vivo e ativo). Mas é pena que a intelectualidade mediana só
> se insurja quando a intervenção é proposta por Niemeyer. Está
> lá, a Esplanada, sempre recoberta por toldos e banheiros químicos
> descompostos, que se sucedem interminávelmente, impedindo contemplar
> ou fotografar a perspectiva original do conjunto.
> Agradeço pelo convite, mas não poderei estar lá no sábado.
> Espero que seja uma boa confraternização e que, da discussão
> coletiva, franca, democrática, o bom senso prevaleça.
> Cordialmente,
> Haroldo Pinheiro.
> On Qui 25/06/09 22:00 , Rogério Carvalho
> rogeriocarvalho...@gmail.com sent:
> Prezado Haroldo,
> Se for lá na igrejinha verá uma placa com a logomarca do Iphan.
> Lá
> fica claro que a restauração é artística. Não está sendo feita
> nenhuma
> alteração arquitetônica para solicitarmos o aval de Oscar
> Niemeyer.Seu
> projeto está sendo absolutamente respeitado, coisa que não vinha
> sendo
> feita pelos usuários daquele espaço. O IPHAN tem autonomia moral
> para
> lidar com restauro.Não preciso lhe explicar o porque. Agora é
> importante frisar, o autor daquela obra não é Oscar Niemeyer
> apenas.
> Temos nomes de peso tão elevado quanto o do mestre - Burle, Volpi,
> Athos e Lucio.
> E sabe o que mais Haroldo, me perdoe a sinceridade.....depois da
> última declaração do mestre, publicada por Conceição Freitas no
> Correio Braziliense, por favor....veja abaixo o texto! No dos outros
> é
> refresco né! O que Lucio propôs deve ser modificado em favor das
> vontades do mestre; agora os prédios dele, solicitou ao Gil em 2007
> o
> tombamento......
> Abraço e espero você lá na Igrejinha no sábado às 14h.
> Rogério Carvalho
> “Que se f….”
> A revista Audi Magazine, de junho de 2009, publicou entrevista com o
> arquiteto Oscar Niemeyer, ilustrada com belas fotos de Jorge Bispo.
> Uma das respostas é um recado aos brasilienses. É sobre a Praça
> da
> Soberania. Ele repete o que já havia dito em entrevistas ao Correio
> Braziliense, mas para a Audi ele se solta um pouco mais — bem no
> final. (A entrevista é anterior à apresentação do segundo
> projeto que
> foi engavetado depois que o governador José Roberto Arruda disse
> não
> ter recursos para construí-lo).
> — Ao propor o projeto da Praça da Soberania, no gramado central
> da
> Esplanada dos Ministérios, em Brasília, ideia rejeitada no começo
> do
> ano pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional,
> o
> senhor pareceu manifestar um antigo gosto pelo risco.
> Brasília não tem uma praça que dê uma ideia da importância do
> país, da
> tendência de imaginação. Uma praça que você passa e não
> esquece mais.
> É uma burrice danada tombar uma cidade. No Brasil, se o Rio de
> Janeiro
> fosse tombado, o prefeito Pereira Passos [engenheiro responsável
> pela
> modernização da cidade em seu mandato, entre 1902 e 1906] não
> poderia
> ter feito a avenida Rio Branco, que cortou o país de lado a lado.
> Me
> lembro quando Corbusier chegou aqui e viu essa solução do Passos,
> abrindo espaços, ele ficou espantado. Todas as cidades foram
> modificadas. Paris foi modificada pelo Haussmann [prefeito que
> promoveu um grande processo de renovação urbanística entre 1852 e
> 1870] ao criar aquelas avenidas enormes. Na Espanha, as cidades
> foram
> caminhando para o mar, que era a tendência natural. E todas as
> cidades, assim, sofreram modificações. De modo que fiquei, assim,
> meio chateado. Até fiz uma nota quando retirei o projeto [em
> fevereiro
> passado]. No meu texto, me permiti dizer que não concordava com
> eles.
> Se eles estão tão interessados na ideia de que Brasília deve ser
> tombada, que se fodam. [Risos].
> On 25 jun, 21:26, Rogério Carvalho wrote:
> > Prezado Geraldo,
> >
> > Por favor!!! Fique livre para a publicação. Agradeço a
> manifestação do
> > amigo.
> > abraço,
> > Rogério Carvalho
> >
> > 2009/6/25 Geraldo Nogueira
> >
> >
> >
> >
> >
> > > Oi Rogério
> >
> > > Apreciei bastante seus esclarecimentos relativos ao projeto de
> restauro da
> > > igrejinha. Bem colocado e argumentado. Aproveito para indagar da
> > > possibilidade de ter sua permissão para transcrever esses
> esclarecimentos no
> > > meu blog (Esquina Urbana). Penso que seria interessante ampliar
> o
> > > conhecimento dessas questões. Já postei duas notas sobre a
> celeuma da
> > > igrejinha no blog. O link para o blog é:
> >
> > >http://blog.clickgratis.com.br/geraldonogueira/[3]
> >
> > > gerald...@terra.com.br [4]
> >
> > > Abraço cordial, Geraldo Nogueira Batista
> >
> > > -----Mensagem original-----
> > > De: docomomo-bsb@googlegroups.com [5]
> [mailto:docomomo-bsb@googlegroups.com [6]]
> > > Em nome de Rogério Carvalho
> > > Enviada em: quarta-feira, 24 de junho de 2009 18:52
> > > Para: docomomo brasília
> > > Assunto: Re: RES: [docomomo-bsb] encontro cultural da igrejinha
> >
> > > Prezado Maurício,
> >
> > > Alguns pontos devem ser destacados em seu texto:
> >
> > > 1 - Você tem noção do que é o projeto original da igrejinha?
> >
> > > 2 - Importante: Galeno e não Galeano!
> >
> > > 3 - Sabe quais os condicionantes deste restauro?
> >
> > > Então vamos lá....
> >
> > > Abaixo um pequeno texto para maior informação de todos a
> respeito do
> >
> > > projeto de restauro da Igrejinha de Fátima:
> >
> > > Entendo que restaurar é devolver unidade. O objeto deve
> >
> > > necessariamente ser uno; deve promover ao expectador uma leitura
> >
> > > coerente com aquilo que foi pensado, projetado e construído em
> >
Desculpe por discordar!
Mas entendo que Lucio Costa participa da concepção da Igrejinha sim!
Aque conjunto seria impensável, não teria a força e a carga simbólica que
carregam se não fossem o centro de sua concepção de unidade de vizinhança. A
própria presença do templo está intrinsecamente ligada à concepção própria
do Lucio, a sua idéia de comunidade.
Então, mesmo que no carimbo do CREA não conste Lucio como co-autor, ele
desempenha um papel indispensável naquela concepção.
grande abraço
Chico
> Aproveito o espaço para manifestar meu apoio ao trabalho do IPHAN no
> restauro da Igrejinha.
> A integração entre arquitetura, paisagismo e artes plásticas e aplicadas
> está no nascedouro da linguagem modernista brasileira. A tal da *Gesamtkunstwerk,
> *ou obra de arte total, buscada pelos estetas alemães sempre esteve
> presente em nosso modernismo, desde o Ministério, passando pelo pavilhão do
> Brasil em NY, de forma buscada e poucas vezes conseguida pelas outras
> vertentes modernas européias, mais ortodoxas.
> Da mesma forma, o modernismo no Brasil nasce juntamente com a preocupação
> com o resgate e valorização do patrimônio histórico. E temos no Iphan o
> grande depositário desse conhecimento descoberto e construído por nossos
> modernistas.
> Temos que considerar que a Igrejinha é patrimônio de nós todos, juntamente
> com os significados artísticos, arquitetônicos, urbanísticos, paisagísticos
> e religiosos que ela carrega.
> Se a comunidade local estivesse, de fato, comprometida com a integridade
> desse patrimônio não teria subtraído as policromias de Volpi. E falo também
> como comunidade, pois cresci naquela vizinhança até a minha formatura, lia
> sob aquelas árvores, ali vivi momentos de alegria e tristez - minha missa de
> formatura; a missa de sétimo dia de meu pai.
> Quer me parecer que essa discussão reacende preconceitos mofados que ecoam
> a longa resistência da Igreja mineira contra a consagração da Igrejinha de
> S. Francisco da Pampulha, por não ser suficientemente 'eclesiástica'.
> Me parece que são os mesmos ecos dos que gritaram contra a - hoje
> considerada obra-prima - pintura de Chagall no teto do edifício Beaux-arts
> de Garnier da Opéra de Paris.
> Com argumentos ortodoxos como os que se apresentam, não teria sido possível
> a belíssima inserção que Norman Foster realizou na cúpula do Reichstag em
> Berlim.
> Para não ser mais longo e tedioso, findo por aqui essa declaração de apoio.
> Francisco Leitão (Chico)
>> Se for lá na igrejinha verá uma placa com a logomarca do Iphan. Lá
>> fica claro que a restauração é artística. Não está sendo feita nenhuma
>> alteração arquitetônica para solicitarmos o aval de Oscar Niemeyer.Seu
>> projeto está sendo absolutamente respeitado, coisa que não vinha sendo
>> feita pelos usuários daquele espaço. O IPHAN tem autonomia moral para
>> lidar com restauro.Não preciso lhe explicar o porque. Agora é
>> importante frisar, o autor daquela obra não é Oscar Niemeyer apenas.
>> Temos nomes de peso tão elevado quanto o do mestre - Burle, Volpi,
>> Athos e Lucio.
>> E sabe o que mais Haroldo, me perdoe a sinceridade.....depois da
>> última declaração do mestre, publicada por Conceição Freitas no
>> Correio Braziliense, por favor....veja abaixo o texto! No dos outros é
>> refresco né! O que Lucio propôs deve ser modificado em favor das
>> vontades do mestre; agora os prédios dele, solicitou ao Gil em 2007 o
>> tombamento......
>> Abraço e espero você lá na Igrejinha no sábado às 14h.
>> Rogério Carvalho
>> “Que se f….”
>> A revista Audi Magazine, de junho de 2009, publicou entrevista com o
>> arquiteto Oscar Niemeyer, ilustrada com belas fotos de Jorge Bispo.
>> Uma das respostas é um recado aos brasilienses. É sobre a Praça da
>> Soberania. Ele repete o que já havia dito em entrevistas ao Correio
>> Braziliense, mas para a Audi ele se solta um pouco mais — bem no
>> final. (A entrevista é anterior à apresentação do segundo projeto que
>> foi engavetado depois que o governador José Roberto Arruda disse não
>> ter recursos para construí-lo).
>> — Ao propor o projeto da Praça da Soberania, no gramado central da
>> Esplanada dos Ministérios, em Brasília, ideia rejeitada no começo do
>> ano pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o
>> senhor pareceu manifestar um antigo gosto pelo risco.
>> Brasília não tem uma praça que dê uma ideia da importância do país, da
>> tendência de imaginação. Uma praça que você passa e não esquece mais.
>> É uma burrice danada tombar uma cidade. No Brasil, se o Rio de Janeiro
>> fosse tombado, o prefeito Pereira Passos [engenheiro responsável pela
>> modernização da cidade em seu mandato, entre 1902 e 1906] não poderia
>> ter feito a avenida Rio Branco, que cortou o país de lado a lado. Me
>> lembro quando Corbusier chegou aqui e viu essa solução do Passos,
>> abrindo espaços, ele ficou espantado. Todas as cidades foram
>> modificadas. Paris foi modificada pelo Haussmann [prefeito que
>> promoveu um grande processo de renovação urbanística entre 1852 e
>> 1870] ao criar aquelas avenidas enormes. Na Espanha, as cidades foram
>> caminhando para o mar, que era a tendência natural. E todas as
>> cidades, assim, sofreram modificações. De modo que fiquei, assim,
>> meio chateado. Até fiz uma nota quando retirei o projeto [em fevereiro
>> passado]. No meu texto, me permiti dizer que não concordava com eles.
>> Se eles estão tão interessados na ideia de que Brasília deve ser
>> tombada, que se fodam. [Risos].
>> > > Apreciei bastante seus esclarecimentos relativos ao projeto de
>> restauro da
>> > > igrejinha. Bem colocado e argumentado. Aproveito para indagar da
>> > > possibilidade de ter sua permissão para transcrever esses
>> esclarecimentos no
>> > > meu blog (Esquina Urbana). Penso que seria interessante ampliar o
>> > > conhecimento dessas questões. Já postei duas notas sobre a celeuma da
>> > > igrejinha no blog. O link para o blog é:
Aproveito o espaço para manifestar meu apoio ao trabalho do IPHAN no
restauro da Igrejinha.
A integração entre arquitetura, paisagismo e artes plásticas e aplicadas
está no nascedouro da linguagem modernista brasileira. A tal da
*Gesamtkunstwerk,
*ou obra de arte total, buscada pelos estetas alemães sempre esteve presente
em nosso modernismo, desde o Ministério, passando pelo pavilhão do Brasil em
NY, de forma buscada e poucas vezes conseguida pelas outras vertentes
modernas européias, mais ortodoxas.
Da mesma forma, o modernismo no Brasil nasce juntamente com a preocupação
com o resgate e valorização do patrimônio histórico. E temos no Iphan o
grande depositário desse conhecimento descoberto e construído por nossos
modernistas.
Temos que considerar que a Igrejinha é patrimônio de nós todos, juntamente
com os significados artísticos, arquitetônicos, urbanísticos, paisagísticos
e religiosos que ela carrega.
Se a comunidade local estivesse, de fato, comprometida com a integridade
desse patrimônio não teria subtraído as policromias de Volpi. E falo também
como comunidade, pois cresci naquela vizinhança até a minha formatura, lia
sob aquelas árvores, ali vivi momentos de alegria e tristez - minha missa de
formatura; a missa de sétimo dia de meu pai.
Quer me parecer que essa discussão reacende preconceitos mofados que ecoam a
longa resistência da Igreja mineira contra a consagração da Igrejinha de S.
Francisco da Pampulha, por não ser suficientemente 'eclesiástica'.
Me parece que são os mesmos ecos dos que gritaram contra a - hoje
considerada obra-prima - pintura de Chagall no teto do edifício Beaux-arts
de Garnier da Opéra de Paris.
Com argumentos ortodoxos como os que se apresentam, não teria sido possível
a belíssima inserção que Norman Foster realizou na cúpula do Reichstag em
Berlim.
Para não ser mais longo e tedioso, findo por aqui essa declaração de apoio.
Francisco Leitão (Chico)
> Se for lá na igrejinha verá uma placa com a logomarca do Iphan. Lá
> fica claro que a restauração é artística. Não está sendo feita nenhuma
> alteração arquitetônica para solicitarmos o aval de Oscar Niemeyer.Seu
> projeto está sendo absolutamente respeitado, coisa que não vinha sendo
> feita pelos usuários daquele espaço. O IPHAN tem autonomia moral para
> lidar com restauro.Não preciso lhe explicar o porque. Agora é
> importante frisar, o autor daquela obra não é Oscar Niemeyer apenas.
> Temos nomes de peso tão elevado quanto o do mestre - Burle, Volpi,
> Athos e Lucio.
> E sabe o que mais Haroldo, me perdoe a sinceridade.....depois da
> última declaração do mestre, publicada por Conceição Freitas no
> Correio Braziliense, por favor....veja abaixo o texto! No dos outros é
> refresco né! O que Lucio propôs deve ser modificado em favor das
> vontades do mestre; agora os prédios dele, solicitou ao Gil em 2007 o
> tombamento......
> Abraço e espero você lá na Igrejinha no sábado às 14h.
> Rogério Carvalho
> “Que se f….”
> A revista Audi Magazine, de junho de 2009, publicou entrevista com o
> arquiteto Oscar Niemeyer, ilustrada com belas fotos de Jorge Bispo.
> Uma das respostas é um recado aos brasilienses. É sobre a Praça da
> Soberania. Ele repete o que já havia dito em entrevistas ao Correio
> Braziliense, mas para a Audi ele se solta um pouco mais — bem no
> final. (A entrevista é anterior à apresentação do segundo projeto que
> foi engavetado depois que o governador José Roberto Arruda disse não
> ter recursos para construí-lo).
> — Ao propor o projeto da Praça da Soberania, no gramado central da
> Esplanada dos Ministérios, em Brasília, ideia rejeitada no começo do
> ano pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o
> senhor pareceu manifestar um antigo gosto pelo risco.
> Brasília não tem uma praça que dê uma ideia da importância do país, da
> tendência de imaginação. Uma praça que você passa e não esquece mais.
> É uma burrice danada tombar uma cidade. No Brasil, se o Rio de Janeiro
> fosse tombado, o prefeito Pereira Passos [engenheiro responsável pela
> modernização da cidade em seu mandato, entre 1902 e 1906] não poderia
> ter feito a avenida Rio Branco, que cortou o país de lado a lado. Me
> lembro quando Corbusier chegou aqui e viu essa solução do Passos,
> abrindo espaços, ele ficou espantado. Todas as cidades foram
> modificadas. Paris foi modificada pelo Haussmann [prefeito que
> promoveu um grande processo de renovação urbanística entre 1852 e
> 1870] ao criar aquelas avenidas enormes. Na Espanha, as cidades foram
> caminhando para o mar, que era a tendência natural. E todas as
> cidades, assim, sofreram modificações. De modo que fiquei, assim,
> meio chateado. Até fiz uma nota quando retirei o projeto [em fevereiro
> passado]. No meu texto, me permiti dizer que não concordava com eles.
> Se eles estão tão interessados na ideia de que Brasília deve ser
> tombada, que se fodam. [Risos].
> > > Apreciei bastante seus esclarecimentos relativos ao projeto de restauro
> da
> > > igrejinha. Bem colocado e argumentado. Aproveito para indagar da
> > > possibilidade de ter sua permissão para transcrever esses
> esclarecimentos no
> > > meu blog (Esquina Urbana). Penso que seria interessante ampliar o
> > > conhecimento dessas questões. Já postei duas notas sobre a celeuma da
> > > igrejinha no blog. O link para o blog é:
Rogério,
Tudo bem - assim é, se lhe parece.
Abraço cordial,
Haroldo.
On Sex 26/06/09 10:24 , Rogério Carvalho
rogeriocarvalho...@gmail.com sent:
Haroldo,
Entendo seus argumentos, mas tenho o direito de não concordar! Como
lhe disse, a restauração é artística e não arquitetônica. São
quatro
autores, três, infelizmente, já falecidos.
Em suas duas correções, dois equívocos: Lucio participa sim dessa
história. A configuração daquele espaço urbano, o espaço que
abraça a
igreja e toda a unidade de vizinhança é obra de quem? É uma pena
que
o colega não tenha se lembrado disso!
E quanto a não ter sido o Oscar que solicitou o tombamento de suas
obras, me perdoe....o processo de tombamento foi montado e
encaminhado
por mim. A primeira página do processo é um pedido de Oscar,
escrito a
mão, solicitando ao Gil em duas ou três linhas o tombamento das
obras.Por favor se informe melhor!
Quanto ao ocorrido na proposta da praça na Esplanada, não
considero as
pessoas que se manifestaram como intelectualidade mediana.Mas isso
é
uma questão de foro íntimo...
Abraço cordial,
Rogério Carvalho
On 26 jun, 09:02, haroldopinhe...@terra.com.br [1] wrote:
> Prezado Rogério,
> Agradeço por sua resposta gentil.
> Na verdade, não é bem solicitar o "aval" do autor do projeto -
> que, afinal, foi quem orientou o seu detalhamento e as obras de
arte
> integradas à arquitetura. Certamente, se o autor do projeto - que
> está vivo e ativo - fosse consultado pelo IPHAN ou por sua
equipe,
> tempo e recursos públicos (utilizados na bela pesquisa que
descreveu
> em mensagem anterior) teriam sido economizados.
> Códigos de ética que regem a nossa atuação profissional em
> qualquer país recomendam que o autor do projeto seja consultado,
> preliminarmente, em qualquer intervenção que se faça na obra
que
> realizou. Não por qualquer questão corporativa, mas
especialmente
> porque é ele (o autor) quem melhor conhece o edifício e os
motivos
> das soluções (técnicas, artísticas) aplicadas. É quem tem
menor
> risco de erro.
> No Brasil, apesar desta recomendação estar incluída em Lei,
tal
> procedimento não é cumprido - em prejuízo de tantas obras de
> tantos arquitetos. Particularmente daqueles que tem seu trabalho
> reconhecido pela população e pelos órgãos responsáveis pela
> preservação dos bens públicos.
> Aqui, vemos obras serem desfiguradas em função de tal
> desatenção. Veja a Disbrave - exemplo recente, inclusive com um
> inacreditável rodapé sobreposto ao relevo do Athos. É penoso,
> apesar das boas intenções de quem o fez. E é claro que se o
autor
> fosse consultado, tal não aconteceria, e o problema da
enceradeira
> seria solucionado de outra maneira.
> No caso da Igrejinha, as obras de arte são integradas à
> arquitetura do edifício. Não são peças sobrepostas,
encomendadas
> a posteriori: fazem parte do todo original e foram assim estudadas
no
> projeto, no risco do autor. Como na capela do Palácio da
Alvorada, no
> Itamaraty, no Teatro Nacional; ou nos hospitais da Rede SaraH, nas
> escolinhas públicas realizadas pelo Lelé. Remover ou substituir
as
> obras alteram e desfiguram a Arquitetura.
> Quando desconsideramos a competência dos colegas,
desconsideramos a
> profissão. Ninguém ganha com isto - muito menos o patrimônio
> público ou a Arquitetura. Seja em uma obra de Rogério Carvalho
ou
> de Oscar Niemeyer, com arte integrada de Galeno ou de Volpi.
> Fico obrigado a duas correções, me permita: Dr. Lucio não
> participou do projeto da Igrejinha - os demais que citou, sim: por
> indicação do autor e conforme o que considerou necessário. E
não
> foi Oscar Niemeyer quem solicitou o tombamento de suas obras -
embora
> o então ministro Gil o tenha consultado em 2007, sim - assim como
ao
> Conselho do IPHAN.
> Sobre Brasília, também lamento as intervenções indevidas que
tem
> sofrido - todas, certamente, fruto da boa vontade de técnicos que
> querem melhorar a cidade (inclusive, à época em que o autor
ainda
> estava vivo e ativo). Mas é pena que a intelectualidade mediana
só
> se insurja quando a intervenção é proposta por Niemeyer. Está
> lá, a Esplanada, sempre recoberta por toldos e banheiros
químicos
> descompostos, que se sucedem interminávelmente, impedindo
contemplar
> ou fotografar a perspectiva original do conjunto.
> Agradeço pelo convite, mas não poderei estar lá no sábado.
> Espero que seja uma boa confraternização e que, da discussão
> coletiva, franca, democrática, o bom senso prevaleça.
> Cordialmente,
> Haroldo Pinheiro.
> On Qui 25/06/09 22:00 , Rogério Carvalho
> rogeriocarvalho...@gmail.com [2] sent:
> Prezado Haroldo,
> Se for lá na igrejinha verá uma placa com a logomarca do Iphan.
> Lá
> fica claro que a restauração é artística. Não está sendo
feita
> nenhuma
> alteração arquitetônica para solicitarmos o aval de Oscar
> Niemeyer.Seu
> projeto está sendo absolutamente respeitado, coisa que não
vinha
> sendo
> feita pelos usuários daquele espaço. O IPHAN tem autonomia
moral
> para
> lidar com restauro.Não preciso lhe explicar o porque. Agora é
> importante frisar, o autor daquela obra não é Oscar Niemeyer
> apenas.
> Temos nomes de peso tão elevado quanto o do mestre - Burle,
Volpi,
> Athos e Lucio.
> E sabe o que mais Haroldo, me perdoe a sinceridade.....depois da
> última declaração do mestre, publicada por Conceição Freitas
no
> Correio Braziliense, por favor....veja abaixo o texto! No dos
outros
> é
> refresco né! O que Lucio propôs deve ser modificado em favor
das
> vontades do mestre; agora os prédios dele, solicitou ao Gil em
2007
> o
> tombamento......
> Abraço e espero você lá na Igrejinha no sábado às 14h.
> Rogério Carvalho
> “Que se f….”
> A revista Audi Magazine, de junho de 2009, publicou entrevista
com o
> arquiteto Oscar Niemeyer, ilustrada com belas fotos de Jorge
Bispo.
> Uma das respostas é um recado aos brasilienses. É sobre a
Praça
> da
> Soberania. Ele repete o que já havia dito em entrevistas ao
Correio
> Braziliense, mas para a Audi ele se solta um pouco mais — bem
no
> final. (A entrevista é anterior à apresentação do segundo
> projeto que
> foi engavetado depois que o governador José Roberto Arruda disse
> não
> ter recursos para construí-lo).
> — Ao propor o projeto da Praça da Soberania, no gramado
central
> da
> Esplanada dos Ministérios, em Brasília, ideia rejeitada no
começo
> do
> ano pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico
Nacional,
> o
> senhor pareceu manifestar um antigo gosto pelo risco.
> Brasília não tem uma praça que dê uma ideia da importância
do
> país, da
> tendência de imaginação. Uma praça que você passa e não
> esquece mais.
> É uma burrice danada tombar uma cidade. No Brasil, se o Rio de
> Janeiro
> fosse tombado, o prefeito Pereira Passos [engenheiro responsável
> pela
> modernização da cidade em seu mandato, entre 1902 e 1906] não
> poderia
> ter feito a avenida Rio Branco, que cortou o país de lado a
lado.
> Me
> lembro quando Corbusier chegou aqui e viu essa solução do
Passos,
> abrindo espaços, ele ficou espantado. Todas as cidades foram
> modificadas. Paris foi modificada pelo Haussmann [prefeito que
> promoveu um grande processo de renovação urbanística entre
1852 e
> 1870] ao criar aquelas avenidas enormes. Na Espanha, as cidades
> foram
> caminhando para o mar, que era a tendência natural. E todas as
> cidades, assim, sofreram modificações. De modo que fiquei,
assim,
> meio chateado. Até fiz uma nota quando retirei o projeto [em
> fevereiro
> passado]. No meu texto, me permiti dizer que não concordava com
> eles.
> Se eles estão tão interessados na ideia de que Brasília deve
ser
> tombada, que se fodam. [Risos].
> On 25 jun, 21:26, Rogério Carvalho wrote:
>
> > Prezado Geraldo,
> >
> > Por favor!!! Fique livre para a publicação. Agradeço a
> manifestação do
> > amigo.
> > abraço,
> > Rogério Carvalho
> >
> > 2009/6/25 Geraldo Nogueira
> >
> >
> >
> >
> >
> > > Oi Rogério
> >
> > > Apreciei bastante seus esclarecimentos relativos ao projeto
de
> restauro da
> > > igrejinha. Bem colocado e argumentado. Aproveito para indagar
da
> > > possibilidade de ter sua permissão para transcrever esses
> esclarecimentos no
> > > meu blog (Esquina Urbana). Penso que seria interessante
ampliar
> o
> > > conhecimento dessas questões. Já postei duas notas sobre a
> celeuma da
> > > igrejinha no blog. O link para o blog é:
> >
> > >http://blog.clickgratis.com.br/geraldonogueira/ [3][3]
> >
> > > gerald...@terra.com.br [4] [4]
> >
> > > Abraço cordial, Geraldo Nogueira Batista
> >
> > > -----Mensagem original-----
> > > De: docomomo-bsb@googlegroups.com [5] [5]
> [mailto:docomomo-bsb@googlegroups.com [6] [6]]
> > > Em nome de Rogério Carvalho
> > > Enviada em: quarta-feira, 24 de junho de 2009 18:52
> > > Para: docomomo brasília
> > > Assunto: Re: RES: [docomomo-bsb] encontro cultural da
igrejinha
> >
> > > Prezado Maurício,
> >
> > > Alguns pontos devem ser destacados em seu texto:
> >
> > > 1 - Você tem noção do que é o projeto original da
igrejinha?
> >
> > > 2 - Importante: Galeno e não Galeano!
> >
> > > 3 - Sabe quais os condicionantes deste restauro?
> >
> > > Então vamos lá....
> >
> > > Abaixo um pequeno texto para maior informação de todos a
...
Prezados Rogério, Haroldo e Maurício, Temo que esta discussão esteja enveredando para um fetichismo patrimonial desnecessário. Desde quando a intervenção num monumento histórico implica "mudar o passado"? Não seria, ao contrário, essa obsessão tipicamente brasiliense com a "concepção original" que pode ser caracterizada como mudar o passado, ou melhor, moldar o passado à nossa própria imagem do presente?
Concordo com o Rogério quando ele coloca a restauração da unidade artística do bem histórico como valor principal da intervenção, mas tenho minhas dúvidas quanto à coerência dessa atitude no conjunto da nossa prática patrimonial.
----- Original Message ----- From: "Rogério Carvalho" <rogeriocarvalho...@gmail.com>
To: "docomomo brasília" <docomomo-bsb@googlegroups.com>
Sent: Friday, June 26, 2009 10:24 AM
Subject: Re: RES: [docomomo-bsb] encontro cultural da igrejinha
Haroldo,
Entendo seus argumentos, mas tenho o direito de não concordar! Como
lhe disse, a restauração é artística e não arquitetônica. São quatro
autores, três, infelizmente, já falecidos.
Em suas duas correções, dois equívocos: Lucio participa sim dessa
história. A configuração daquele espaço urbano, o espaço que abraça a
igreja e toda a unidade de vizinhança é obra de quem? É uma pena que
o colega não tenha se lembrado disso!
E quanto a não ter sido o Oscar que solicitou o tombamento de suas
obras, me perdoe....o processo de tombamento foi montado e encaminhado
por mim. A primeira página do processo é um pedido de Oscar, escrito a
mão, solicitando ao Gil em duas ou três linhas o tombamento das
obras.Por favor se informe melhor!
Quanto ao ocorrido na proposta da praça na Esplanada, não considero as
pessoas que se manifestaram como intelectualidade mediana.Mas isso é
uma questão de foro íntimo...
Abraço cordial,
Rogério Carvalho
On 26 jun, 09:02, haroldopinhe...@terra.com.br wrote:
> Prezado Rogério,
> Agradeço por sua resposta gentil.
> Na verdade, não é bem solicitar o "aval" do autor do projeto -
> que, afinal, foi quem orientou o seu detalhamento e as obras de arte
> integradas à arquitetura. Certamente, se o autor do projeto - que
> está vivo e ativo - fosse consultado pelo IPHAN ou por sua equipe,
> tempo e recursos públicos (utilizados na bela pesquisa que descreveu
> em mensagem anterior) teriam sido economizados.
> Códigos de ética que regem a nossa atuação profissional em
> qualquer país recomendam que o autor do projeto seja consultado,
> preliminarmente, em qualquer intervenção que se faça na obra que
> realizou. Não por qualquer questão corporativa, mas especialmente
> porque é ele (o autor) quem melhor conhece o edifício e os motivos
> das soluções (técnicas, artísticas) aplicadas. É quem tem menor
> risco de erro.
> No Brasil, apesar desta recomendação estar incluída em Lei, tal
> procedimento não é cumprido - em prejuízo de tantas obras de
> tantos arquitetos. Particularmente daqueles que tem seu trabalho
> reconhecido pela população e pelos órgãos responsáveis pela
> preservação dos bens públicos.
> Aqui, vemos obras serem desfiguradas em função de tal
> desatenção. Veja a Disbrave - exemplo recente, inclusive com um
> inacreditável rodapé sobreposto ao relevo do Athos. É penoso,
> apesar das boas intenções de quem o fez. E é claro que se o autor
> fosse consultado, tal não aconteceria, e o problema da enceradeira
> seria solucionado de outra maneira.
> No caso da Igrejinha, as obras de arte são integradas à
> arquitetura do edifício. Não são peças sobrepostas, encomendadas
> a posteriori: fazem parte do todo original e foram assim estudadas no
> projeto, no risco do autor. Como na capela do Palácio da Alvorada, no
> Itamaraty, no Teatro Nacional; ou nos hospitais da Rede SaraH, nas
> escolinhas públicas realizadas pelo Lelé. Remover ou substituir as
> obras alteram e desfiguram a Arquitetura.
> Quando desconsideramos a competência dos colegas, desconsideramos a
> profissão. Ninguém ganha com isto - muito menos o patrimônio
> público ou a Arquitetura. Seja em uma obra de Rogério Carvalho ou
> de Oscar Niemeyer, com arte integrada de Galeno ou de Volpi.
> Fico obrigado a duas correções, me permita: Dr. Lucio não
> participou do projeto da Igrejinha - os demais que citou, sim: por
> indicação do autor e conforme o que considerou necessário. E não
> foi Oscar Niemeyer quem solicitou o tombamento de suas obras - embora
> o então ministro Gil o tenha consultado em 2007, sim - assim como ao
> Conselho do IPHAN.
> Sobre Brasília, também lamento as intervenções indevidas que tem
> sofrido - todas, certamente, fruto da boa vontade de técnicos que
> querem melhorar a cidade (inclusive, à época em que o autor ainda
> estava vivo e ativo). Mas é pena que a intelectualidade mediana só
> se insurja quando a intervenção é proposta por Niemeyer. Está
> lá, a Esplanada, sempre recoberta por toldos e banheiros químicos
> descompostos, que se sucedem interminávelmente, impedindo contemplar
> ou fotografar a perspectiva original do conjunto.
> Agradeço pelo convite, mas não poderei estar lá no sábado.
> Espero que seja uma boa confraternização e que, da discussão
> coletiva, franca, democrática, o bom senso prevaleça.
> Cordialmente,
> Haroldo Pinheiro.
> On Qui 25/06/09 22:00 , Rogério Carvalho
> rogeriocarvalho...@gmail.com sent:
> Prezado Haroldo,
> Se for lá na igrejinha verá uma placa com a logomarca do Iphan.
> Lá
> fica claro que a restauração é artística. Não está sendo feita
> nenhuma
> alteração arquitetônica para solicitarmos o aval de Oscar
> Niemeyer.Seu
> projeto está sendo absolutamente respeitado, coisa que não vinha
> sendo
> feita pelos usuários daquele espaço. O IPHAN tem autonomia moral
> para
> lidar com restauro.Não preciso lhe explicar o porque. Agora é
> importante frisar, o autor daquela obra não é Oscar Niemeyer
> apenas.
> Temos nomes de peso tão elevado quanto o do mestre - Burle, Volpi,
> Athos e Lucio.
> E sabe o que mais Haroldo, me perdoe a sinceridade.....depois da
> última declaração do mestre, publicada por Conceição Freitas no
> Correio Braziliense, por favor....veja abaixo o texto! No dos outros
> é
> refresco né! O que Lucio propôs deve ser modificado em favor das
> vontades do mestre; agora os prédios dele, solicitou ao Gil em 2007
> o
> tombamento......
> Abraço e espero você lá na Igrejinha no sábado às 14h.
> Rogério Carvalho
> “Que se f….”
> A revista Audi Magazine, de junho de 2009, publicou entrevista com o
> arquiteto Oscar Niemeyer, ilustrada com belas fotos de Jorge Bispo.
> Uma das respostas é um recado aos brasilienses. É sobre a Praça
> da
> Soberania. Ele repete o que já havia dito em entrevistas ao Correio
> Braziliense, mas para a Audi ele se solta um pouco mais — bem no
> final. (A entrevista é anterior à apresentação do segundo
> projeto que
> foi engavetado depois que o governador José Roberto Arruda disse
> não
> ter recursos para construí-lo).
> — Ao propor o projeto da Praça da Soberania, no gramado central
> da
> Esplanada dos Ministérios, em Brasília, ideia rejeitada no começo
> do
> ano pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional,
> o
> senhor pareceu manifestar um antigo gosto pelo risco.
> Brasília não tem uma praça que dê uma ideia da importância do
> país, da
> tendência de imaginação. Uma praça que você passa e não
> esquece mais.
> É uma burrice danada tombar uma cidade. No Brasil, se o Rio de
> Janeiro
> fosse tombado, o prefeito Pereira Passos [engenheiro responsável
> pela
> modernização da cidade em seu mandato, entre 1902 e 1906] não
> poderia
> ter feito a avenida Rio Branco, que cortou o país de lado a lado.
> Me
> lembro quando Corbusier chegou aqui e viu essa solução do Passos,
> abrindo espaços, ele ficou espantado. Todas as cidades foram
> modificadas. Paris foi modificada pelo Haussmann [prefeito que
> promoveu um grande processo de renovação urbanística entre 1852 e
> 1870] ao criar aquelas avenidas enormes. Na Espanha, as cidades
> foram
> caminhando para o mar, que era a tendência natural. E todas as
> cidades, assim, sofreram modificações. De modo que fiquei, assim,
> meio chateado. Até fiz uma nota quando retirei o projeto [em
> fevereiro
> passado]. No meu texto, me permiti dizer que não concordava com
> eles.
> Se eles estão tão interessados na ideia de que Brasília deve ser
> tombada, que se fodam. [Risos].
> On 25 jun, 21:26, Rogério Carvalho wrote:
> > Prezado Geraldo,
> > Por favor!!! Fique livre para a publicação. Agradeço a
> manifestação do
> > amigo.
> > abraço,
> > Rogério Carvalho
> > 2009/6/25 Geraldo Nogueira
> > > Oi Rogério
> > > Apreciei bastante seus esclarecimentos relativos ao projeto de
> restauro da
> > > igrejinha. Bem colocado e argumentado. Aproveito para indagar da
> > > possibilidade de ter sua permissão para transcrever esses
> esclarecimentos no
> > > meu blog (Esquina Urbana). Penso que seria interessante ampliar
> o
> > > conhecimento dessas questões. Já postei duas notas sobre a
> celeuma da
> > > igrejinha no blog. O link para o blog é:
----- Original Message ----- From: haroldopinhe...@terra.com.br To: "Rogério Carvalho" Cc: "docomomo brasília" Sent: Friday, June 26, 2009 3:06 PM
Subject: Re: Re: RES: [docomomo-bsb] encontro cultural da igrejinha
Rogério,
Tudo bem - assim é, se lhe parece.
Abraço cordial,
Haroldo.
On Sex 26/06/09 10:24 , Rogério Carvalho rogeriocarvalho...@gmail.com sent:
Haroldo,
Entendo seus argumentos, mas tenho o direito de não concordar! Como
lhe disse, a restauração é artística e não arquitetônica. São quatro
autores, três, infelizmente, já falecidos.
Em suas duas correções, dois equívocos: Lucio participa sim dessa
história. A configuração daquele espaço urbano, o espaço que abraça a
igreja e toda a unidade de vizinhança é obra de quem? É uma pena que
o colega não tenha se lembrado disso!
E quanto a não ter sido o Oscar que solicitou o tombamento de suas
obras, me perdoe....o processo de tombamento foi montado e encaminhado
por mim. A primeira página do processo é um pedido de Oscar, escrito a
mão, solicitando ao Gil em duas ou três linhas o tombamento das
obras.Por favor se informe melhor!
Quanto ao ocorrido na proposta da praça na Esplanada, não considero as
pessoas que se manifestaram como intelectualidade mediana.Mas isso é
uma questão de foro íntimo...
Abraço cordial,
Rogério Carvalho
On 26 jun, 09:02, haroldopinhe...@terra.com.br wrote:
> Prezado Rogério,
> Agradeço por sua resposta gentil.
> Na verdade, não é bem solicitar o "aval" do autor do projeto -
> que, afinal, foi quem orientou o seu detalhamento e as obras de arte
> integradas à arquitetura. Certamente, se o autor do projeto - que
> está vivo e ativo - fosse consultado pelo IPHAN ou por sua equipe,
> tempo e recursos públicos (utilizados na bela pesquisa que descreveu
> em mensagem anterior) teriam sido economizados.
> Códigos de ética que regem a nossa atuação profissional em
> qualquer país recomendam que o autor do projeto seja consultado,
> preliminarmente, em qualquer intervenção que se faça na obra que
> realizou. Não por qualquer questão corporativa, mas especialmente
> porque é ele (o autor) quem melhor conhece o edifício e os motivos
> das soluções (técnicas, artísticas) aplicadas. É quem tem menor
> risco de erro.
> No Brasil, apesar desta recomendação estar incluída em Lei, tal
> procedimento não é cumprido - em prejuízo de tantas obras de
> tantos arquitetos. Particularmente daqueles que tem seu trabalho
> reconhecido pela população e pelos órgãos responsáveis pela
> preservação dos bens públicos.
> Aqui, vemos obras serem desfiguradas em função de tal
> desatenção. Veja a Disbrave - exemplo recente, inclusive com um
> inacreditável rodapé sobreposto ao relevo do Athos. É penoso,
> apesar das boas intenções de quem o fez. E é claro que se o autor
> fosse consultado, tal não aconteceria, e o problema da enceradeira
> seria solucionado de outra maneira.
> No caso da Igrejinha, as obras de arte são integradas à
> arquitetura do edifício. Não são peças sobrepostas, encomendadas
> a posteriori: fazem parte do todo original e foram assim estudadas no
> projeto, no risco do autor. Como na capela do Palácio da Alvorada, no
> Itamaraty, no Teatro Nacional; ou nos hospitais da Rede SaraH, nas
> escolinhas públicas realizadas pelo Lelé. Remover ou substituir as
> obras alteram e desfiguram a Arquitetura.
> Quando desconsideramos a competência dos colegas, desconsideramos a
> profissão. Ninguém ganha com isto - muito menos o patrimônio
> público ou a Arquitetura. Seja em uma obra de Rogério Carvalho ou
> de Oscar Niemeyer, com arte integrada de Galeno ou de Volpi.
> Fico obrigado a duas correções, me permita: Dr. Lucio não
> participou do projeto da Igrejinha - os demais que citou, sim: por
> indicação do autor e conforme o que considerou necessário. E não
> foi Oscar Niemeyer quem solicitou o tombamento de suas obras - embora
> o então ministro Gil o tenha consultado em 2007, sim - assim como ao
> Conselho do IPHAN.
> Sobre Brasília, também lamento as intervenções indevidas que tem
> sofrido - todas, certamente, fruto da boa vontade de técnicos que
> querem melhorar a cidade (inclusive, à época em que o autor ainda
> estava vivo e ativo). Mas é pena que a intelectualidade mediana só
> se insurja quando a intervenção é proposta por Niemeyer. Está
> lá, a Esplanada, sempre recoberta por toldos e banheiros químicos
> descompostos, que se sucedem interminávelmente, impedindo contemplar
> ou fotografar a perspectiva original do conjunto.
> Agradeço pelo convite, mas não poderei estar lá no sábado.
> Espero que seja uma boa confraternização e que, da discussão
> coletiva, franca, democrática, o bom senso prevaleça.
Li o seu texto e ri bastante! Afinal de contas é sempre bom ler linhas
tão criativas...
Gostaria de rebater alguns dos seus argumentos, já que citas de
maneira bastante (in)feliz algumas questões, parecendo questionar
minhas posições enquanto autor do projeto.
Vamos lá...
Quando escreve que “chegando de longe, o interior da Capela ficou
sombrio”, deves desconhecer o projeto original da Igrejinha de Fátima
não é? Imagino que esse é o grande problema da maioria das asneiras
que venho escutando de alguns meses para cá!
Santa falta de informação Robin!
O azul cobalto utilizado pelo Galeno é o mesmo que revestia as três
paredes na pintura inicial da Igrejinha. Esse azul foi uma intenção de
projeto do Volpi.... quem seria eu para discutir com o mestre da cor
não é? Não sei se você teve contato com o trabalho de Alfredo Volpi em
mãos...??? Posso lhe dizer que eu tive o prazer dezenas de vezes.
Também de maneira bastante engraçada, destaca o calcanhar de Aquiles
de Galeno - o painel com brinquedos. Infelizmente a nossa sociedade
forma de algum tempo para cá profissionais fantásticos que sabem
perfeitamente resolver quanto de carga um pilar suportaria, porém,
infelizmente não forma profissionais que tenham a mínima lida com
arte, mais precisamente a plástica. Ah o curso de Belas Artes..... Daí
uma conclusão imediatista como essa surge por aí em diversos cantos...
Será tão difícil imaginar os três pastorinhos – crianças – brincando?
A associação lúdica que Galeno propôs é linda, sensível, e o mais
importante, faz parte de sua trajetória de vida! E o que seria da arte
sem o significado da vida não é mesmo? Quanto à questão de inspiração
do Galeno, acho que deverias dar um pulo no ateliê do artista em
Brazlândia.... Veria quanto falta essa inspiração!
O ar de inacabado relatado em seu texto está sendo visto por aqueles
que desconhecem o trabalho do artista, e o pior, desconhecem a obra de
Volpi e mesmo assim insistem no palpite. Aquele “ar de inacabado”
goste você ou não, é uma das características da obra de Galeno que
podem ser comparadas ao Volpi. O ritmo da pincelada é o mesmo. O Volpi
trabalhava com linha e cor, deixando claro com que tipo de suporte
estava trabalhando, é por isso que ao olhar um quadro de Volpi,
percebe-se em sua conformação, pontos mais escuros que outros e em
vários momentos, quase que em uma aquarela, a cor esmaece.
Se o amigo soubesse disso, não citarias o “ar inacabado”- Ou até mesmo
poderia, quem sabe né? Depende do olho...
Quanto ao painel, as “juntas mal feitas” são propositais..... Já ouviu
falar de portabilidade, além das operadoras de telefonia móvel
hein....? Não tenho a pretensão de que a minha palavra seja a última
para a igrejinha, quem sabe daqui a 100 anos ou 1 ano seja necessária
a sua retirada. Quem sabe o Robin e o Batman daqui a cem anos não
conseguem um spray revitalizador da obra de Volpi.... Fico aqui rindo
só de pensar! Ah, e os medonhos bloquinhos de madeira aos quais você
se refere, fazem parte da estrutura que recebe cada painel..... E
Pedro, acha mesmo que com as fotos que tirou, a igrejinha será
inaugurada amanhã? Que tipo de obra você vem tocando meu amigo???? Ao
final de tudo, volte lá e tire nova foto! Certeza de que o bloquinho
não aparecerá, ok!!!!
Agora falando sério.... Você tem que ter razão em algo, afinal de
contas deves ter passado um bom tempo para a sua juntada. Você tem
razão na falta de unidade de posturas em relação ao restauro no
Distrito Federal. Sabe o porquê? Centenas de arquitetos mal formados,
em diversas faculdadecas onde a estética e a preservação patrimonial -
se foram abordadas - foram apenas en passant. Em relação ao fetiche
citado.... Diz a boa norma de restauro, que deves interferir o mínimo
possível sobre o original ou aquilo que restar dele. Para que mais uma
camada de tinta não é mesmo.....????? Gostaria de ser o operário para
retirá-la se fosse preciso algum dia?
Espero que depois dessa nossa conversa entenda quão criativa é essa
restauração, ou fique na dúvida se criativa é a sua argumentação!
Quanto aos possíveis pintores, acho que deverias tentar a entrada no
curso de artes plásticas da UnB. Lá terias repertório mais vasto e
adequado!
E para finalizar termino com as palavras de um dos maiores críticos de
arte contemporâneo-moderna da atualidade – Olívio Tavares de Araújo,
para a nossa diversão:
Olívio Tavares de Araújo (crítico de arte e curador das obras do
italiano Volpi - artista que fez os afrescos inicias nas paredes da
Igrejinha) declarou que quando se depara com a obra de Galeno se
lembra de Volpi. E, ainda confirma: "Galeno tem um colorido e uma
maneira curta e ritmada de aplicar a tinta que lembra Volpi.Galeno é
intuitivo, Volpi também era.Galeno é erudito, Volpi também.E os dois
têm essa fonte popular.Galeno tem um colorido de muito bom gosto e é
bom ressaltar que não se trata de uma influência intencional, ele não
procura imitar Volpi".
Grande abraço,
Rogério Carvalho
Arquiteto e autor do projeto de restauro da Igrejinha de Fátima.
Rogério, agradeço a sua contribuição no meu blog e aqui na lista. Encaminho
abaixo a resposta que postei.
Prezado Rogério,
Agradeço a sua contribuição para esta discussão. É sempre bom ter o mestre
arquiteto disponível para debater o seu projeto. Acredito que concordamos em
mais aspectos do que parece. Antes de mais nada, desculpe a minha santa
ignorância, mas você viu em que condições o Bezerrão foi inaugurado? Claro
que na Igrejinha ainda falta pelo menos o principal, por assim dizer, que é
a recuperação dos azulejos…
Não vá tomar o meu comentário de que a igreja parecia sombria de longe como
algo pejorativo. Essa escuridão destaca de longe a figura de Nossa Senhora.
Além disso, não era Alberti quem defendia que a escuridão favorecia a
introspecção religiosa? De qualquer forma o contraste entre a percepção a
distância, que dá essa impressão de sombra, e a experiência muito mais
luminosa no interior da própria nave é bem interessante.
O ar de inacabado da pintura pode até ser proposital, mas o que aparenta
ser, apesar de não ser, não deixa de aparentar… Você fala no esmaecimento da
cor, mas há diversas outras técnicas pictóricas que podem servir para dar
essa aparência sem parecer inacabado — ainda mais que a qualidade plástica
de uma aquarela é bem diferente daquela que aparece na técnica de Galeno.
Antes de ser arquiteto já fui pintor, não dos melhores, nem tenho a
pretensão de dizer que eu faria melhor do que o artista em questão. Mas um
mínimo de conhecimento técnico e sensibilidade estética eu tenho, sim, a
pretensão de possuir.
E por sinal, *mesmo que eu fosse um completo leigo*, não teria eu direito a
expressar um juízo estético sobre a obra? Só os artistas e aqueles ungidos
pela comunidade artística como “sabidos” têm “autoridade” para expressar um
juízo? Acho que a *boutade* da Sylvia Ficher na lista expressa bem essa
alienação que a nossa comunidade se auto-impõe com respeito ao público.
Quanto à discussão patrimonial agora. Estou interpretando mal o tom do seu
comentário, ou você considerou o termo “restauração criativa” como uma
ofensa? Enfim. É, retirar camadas de tinta dá trabalho mesmo. Aliás, fazer
uma obra com a convicção de que ela tem potencial para durar, certamente não
para sempre, mas por vários séculos, dá mais trabalho ainda, não é mesmo?
Trabalho de questionar nossos pressupostos, nossas cartilhas intelectuais,
nossos mestres. Discutir o modo como nossos artistas atuais trabalham, a
iconografia que eles adotam, a nossa atitude diante dos monumentos
arquitetônicos. Parar para pensar na viabilidade teórica e estética do nosso
historicismo modernista, com a sua ênfase no provisório, no devir, que nos
brinda com obras que, se não estão sempre intelectualmente mais*passées* do
que o ecletismo que elas pretendiam superar, sempre estão fisicamente caindo
aos pedaços ao cabo de cinqüenta anos.
Galeno certamente não é Volpi, e certamente não chega aos pés de Volpi. E
certamente, dado o *fetiche* modernista pela originalidade, odiaria ser
chamado de imitador do Volpi mesmo que isso fosse verdade. E eu não estou
buscando o Volpi na pintura do Galeno. Estou buscando uma grande obra de
arte, no padrão que a nossa capital merece, e não uma pinturinha bonitinha.
Não é sua culpa, Rogério, afinal esse é um dos melhores dentre o corpo
artístico de que dispomos em Brasília. Mas que não está à altura, não está.
http://www.abaco-arquitetura.com.br/site/pt-br/content/sobre-pintores...rsia-da-igrejinha<http://www.abaco-arquitetura.com.br/site/pt-br/content/sobre-pintores...>
> Li o seu texto e ri bastante! Afinal de contas é sempre bom ler linhas
> tão criativas...
> Gostaria de rebater alguns dos seus argumentos, já que citas de
> maneira bastante (in)feliz algumas questões, parecendo questionar
> minhas posições enquanto autor do projeto.
> Vamos lá...
> Quando escreve que “chegando de longe, o interior da Capela ficou
> sombrio”, deves desconhecer o projeto original da Igrejinha de Fátima
> não é? Imagino que esse é o grande problema da maioria das asneiras
> que venho escutando de alguns meses para cá!
> Santa falta de informação Robin!
> O azul cobalto utilizado pelo Galeno é o mesmo que revestia as três
> paredes na pintura inicial da Igrejinha. Esse azul foi uma intenção de
> projeto do Volpi.... quem seria eu para discutir com o mestre da cor
> não é? Não sei se você teve contato com o trabalho de Alfredo Volpi em
> mãos...??? Posso lhe dizer que eu tive o prazer dezenas de vezes.
> Também de maneira bastante engraçada, destaca o calcanhar de Aquiles
> de Galeno - o painel com brinquedos. Infelizmente a nossa sociedade
> forma de algum tempo para cá profissionais fantásticos que sabem
> perfeitamente resolver quanto de carga um pilar suportaria, porém,
> infelizmente não forma profissionais que tenham a mínima lida com
> arte, mais precisamente a plástica. Ah o curso de Belas Artes..... Daí
> uma conclusão imediatista como essa surge por aí em diversos cantos...
> Será tão difícil imaginar os três pastorinhos – crianças – brincando?
> A associação lúdica que Galeno propôs é linda, sensível, e o mais
> importante, faz parte de sua trajetória de vida! E o que seria da arte
> sem o significado da vida não é mesmo? Quanto à questão de inspiração
> do Galeno, acho que deverias dar um pulo no ateliê do artista em
> Brazlândia.... Veria quanto falta essa inspiração!
> O ar de inacabado relatado em seu texto está sendo visto por aqueles
> que desconhecem o trabalho do artista, e o pior, desconhecem a obra de
> Volpi e mesmo assim insistem no palpite. Aquele “ar de inacabado”
> goste você ou não, é uma das características da obra de Galeno que
> podem ser comparadas ao Volpi. O ritmo da pincelada é o mesmo. O Volpi
> trabalhava com linha e cor, deixando claro com que tipo de suporte
> estava trabalhando, é por isso que ao olhar um quadro de Volpi,
> percebe-se em sua conformação, pontos mais escuros que outros e em
> vários momentos, quase que em uma aquarela, a cor esmaece.
> Se o amigo soubesse disso, não citarias o “ar inacabado”- Ou até mesmo
> poderia, quem sabe né? Depende do olho...
> Quanto ao painel, as “juntas mal feitas” são propositais..... Já ouviu
> falar de portabilidade, além das operadoras de telefonia móvel
> hein....? Não tenho a pretensão de que a minha palavra seja a última
> para a igrejinha, quem sabe daqui a 100 anos ou 1 ano seja necessária
> a sua retirada. Quem sabe o Robin e o Batman daqui a cem anos não
> conseguem um spray revitalizador da obra de Volpi.... Fico aqui rindo
> só de pensar! Ah, e os medonhos bloquinhos de madeira aos quais você
> se refere, fazem parte da estrutura que recebe cada painel..... E
> Pedro, acha mesmo que com as fotos que tirou, a igrejinha será
> inaugurada amanhã? Que tipo de obra você vem tocando meu amigo???? Ao
> final de tudo, volte lá e tire nova foto! Certeza de que o bloquinho
> não aparecerá, ok!!!!
> Agora falando sério.... Você tem que ter razão em algo, afinal de
> contas deves ter passado um bom tempo para a sua juntada. Você tem
> razão na falta de unidade de posturas em relação ao restauro no
> Distrito Federal. Sabe o porquê? Centenas de arquitetos mal formados,
> em diversas faculdadecas onde a estética e a preservação patrimonial -
> se foram abordadas - foram apenas en passant. Em relação ao fetiche
> citado.... Diz a boa norma de restauro, que deves interferir o mínimo
> possível sobre o original ou aquilo que restar dele. Para que mais uma
> camada de tinta não é mesmo.....????? Gostaria de ser o operário para
> retirá-la se fosse preciso algum dia?
> Espero que depois dessa nossa conversa entenda quão criativa é essa
> restauração, ou fique na dúvida se criativa é a sua argumentação!
> Quanto aos possíveis pintores, acho que deverias tentar a entrada no
> curso de artes plásticas da UnB. Lá terias repertório mais vasto e
> adequado!
> E para finalizar termino com as palavras de um dos maiores críticos de
> arte contemporâneo-moderna da atualidade – Olívio Tavares de Araújo,
> para a nossa diversão:
> Olívio Tavares de Araújo (crítico de arte e curador das obras do
> italiano Volpi - artista que fez os afrescos inicias nas paredes da
> Igrejinha) declarou que quando se depara com a obra de Galeno se
> lembra de Volpi. E, ainda confirma: "Galeno tem um colorido e uma
> maneira curta e ritmada de aplicar a tinta que lembra Volpi.Galeno é
> intuitivo, Volpi também era.Galeno é erudito, Volpi também.E os dois
> têm essa fonte popular.Galeno tem um colorido de muito bom gosto e é
> bom ressaltar que não se trata de uma influência intencional, ele não
> procura imitar Volpi".
> Grande abraço,
> Rogério Carvalho
> Arquiteto e autor do projeto de restauro da Igrejinha de Fátima.
Rogério, agradeço a sua contribuição no meu blog e aqui na lista. Encaminho
abaixo a resposta que postei.
Prezado Rogério,
Agradeço a sua contribuição para esta discussão. É sempre bom ter o mestre
arquiteto disponível para debater o seu projeto. Acredito que concordamos em
mais aspectos do que parece. Antes de mais nada, desculpe a minha santa
ignorância, mas você viu em que condições o Bezerrão foi inaugurado? Claro
que na Igrejinha ainda falta pelo menos o principal, por assim dizer, que é
a recuperação dos azulejos…
Não vá tomar o meu comentário de que a igreja parecia sombria de longe como
algo pejorativo. Essa escuridão destaca de longe a figura de Nossa Senhora.
Além disso, não era Alberti quem defendia que a escuridão favorecia a
introspecção religiosa? De qualquer forma o contraste entre a percepção a
distância, que dá essa impressão de sombra, e a experiência muito mais
luminosa no interior da própria nave é bem interessante.
O ar de inacabado da pintura pode até ser proposital, mas o que aparenta
ser, apesar de não ser, não deixa de aparentar… Você fala no esmaecimento da
cor, mas há diversas outras técnicas pictóricas que podem servir para dar
essa aparência sem parecer inacabado — ainda mais que a qualidade plástica
de uma aquarela é bem diferente daquela que aparece na técnica de Galeno.
Antes de ser arquiteto já fui pintor, não dos melhores, nem tenho a
pretensão de dizer que eu faria melhor do que o artista em questão. Mas um
mínimo de conhecimento técnico e sensibilidade estética eu tenho, sim, a
pretensão de possuir.
E por sinal, *mesmo que eu fosse um completo leigo*, não teria eu direito a
expressar um juízo estético sobre a obra? Só os artistas e aqueles ungidos
pela comunidade artística como “sabidos” têm “autoridade” para expressar um
juízo? Acho que a *boutade* da Sylvia Ficher na lista expressa bem essa
alienação que a nossa comunidade se auto-impõe com respeito ao público.
Quanto à discussão patrimonial agora. Estou interpretando mal o tom do seu
comentário, ou você considerou o termo “restauração criativa” como uma
ofensa? Enfim. É, retirar camadas de tinta dá trabalho mesmo. Aliás, fazer
uma obra com a convicção de que ela tem potencial para durar, certamente não
para sempre, mas por vários séculos, dá mais trabalho ainda, não é mesmo?
Trabalho de questionar nossos pressupostos, nossas cartilhas intelectuais,
nossos mestres. Discutir o modo como nossos artistas atuais trabalham, a
iconografia que eles adotam, a nossa atitude diante dos monumentos
arquitetônicos. Parar para pensar na viabilidade teórica e estética do nosso
historicismo modernista, com a sua ênfase no provisório, no devir, que nos
brinda com obras que, se não estão sempre intelectualmente mais*passées* do
que o ecletismo que elas pretendiam superar, sempre estão fisicamente caindo
aos pedaços ao cabo de cinqüenta anos.
Galeno certamente não é Volpi, e certamente não chega aos pés de Volpi. E
certamente, dado o *fetiche* modernista pela originalidade, odiaria ser
chamado de imitador do Volpi mesmo que isso fosse verdade. E eu não estou
buscando o Volpi na pintura do Galeno. Estou buscando uma grande obra de
arte, no padrão que a nossa capital merece, e não uma pinturinha bonitinha.
Não é sua culpa, Rogério, afinal esse é um dos melhores dentre o corpo
artístico de que dispomos em Brasília. Mas que não está à altura, não está.
http://www.abaco-arquitetura.com.br/site/pt-br/content/sobre-pintores...rsia-da-igrejinha<http://www.abaco-arquitetura.com.br/site/pt-br/content/sobre-pintores...>
> Li o seu texto e ri bastante! Afinal de contas é sempre bom ler linhas
> tão criativas...
> Gostaria de rebater alguns dos seus argumentos, já que citas de
> maneira bastante (in)feliz algumas questões, parecendo questionar
> minhas posições enquanto autor do projeto.
> Vamos lá...
> Quando escreve que “chegando de longe, o interior da Capela ficou
> sombrio”, deves desconhecer o projeto original da Igrejinha de Fátima
> não é? Imagino que esse é o grande problema da maioria das asneiras
> que venho escutando de alguns meses para cá!
> Santa falta de informação Robin!
> O azul cobalto utilizado pelo Galeno é o mesmo que revestia as três
> paredes na pintura inicial da Igrejinha. Esse azul foi uma intenção de
> projeto do Volpi.... quem seria eu para discutir com o mestre da cor
> não é? Não sei se você teve contato com o trabalho de Alfredo Volpi em
> mãos...??? Posso lhe dizer que eu tive o prazer dezenas de vezes.
> Também de maneira bastante engraçada, destaca o calcanhar de Aquiles
> de Galeno - o painel com brinquedos. Infelizmente a nossa sociedade
> forma de algum tempo para cá profissionais fantásticos que sabem
> perfeitamente resolver quanto de carga um pilar suportaria, porém,
> infelizmente não forma profissionais que tenham a mínima lida com
> arte, mais precisamente a plástica. Ah o curso de Belas Artes..... Daí
> uma conclusão imediatista como essa surge por aí em diversos cantos...
> Será tão difícil imaginar os três pastorinhos – crianças – brincando?
> A associação lúdica que Galeno propôs é linda, sensível, e o mais
> importante, faz parte de sua trajetória de vida! E o que seria da arte
> sem o significado da vida não é mesmo? Quanto à questão de inspiração
> do Galeno, acho que deverias dar um pulo no ateliê do artista em
> Brazlândia.... Veria quanto falta essa inspiração!
> O ar de inacabado relatado em seu texto está sendo visto por aqueles
> que desconhecem o trabalho do artista, e o pior, desconhecem a obra de
> Volpi e mesmo assim insistem no palpite. Aquele “ar de inacabado”
> goste você ou não, é uma das características da obra de Galeno que
> podem ser comparadas ao Volpi. O ritmo da pincelada é o mesmo. O Volpi
> trabalhava com linha e cor, deixando claro com que tipo de suporte
> estava trabalhando, é por isso que ao olhar um quadro de Volpi,
> percebe-se em sua conformação, pontos mais escuros que outros e em
> vários momentos, quase que em uma aquarela, a cor esmaece.
> Se o amigo soubesse disso, não citarias o “ar inacabado”- Ou até mesmo
> poderia, quem sabe né? Depende do olho...
> Quanto ao painel, as “juntas mal feitas” são propositais..... Já ouviu
> falar de portabilidade, além das operadoras de telefonia móvel
> hein....? Não tenho a pretensão de que a minha palavra seja a última
> para a igrejinha, quem sabe daqui a 100 anos ou 1 ano seja necessária
> a sua retirada. Quem sabe o Robin e o Batman daqui a cem anos não
> conseguem um spray revitalizador da obra de Volpi.... Fico aqui rindo
> só de pensar! Ah, e os medonhos bloquinhos de madeira aos quais você
> se refere, fazem parte da estrutura que recebe cada painel..... E
> Pedro, acha mesmo que com as fotos que tirou, a igrejinha será
> inaugurada amanhã? Que tipo de obra você vem tocando meu amigo???? Ao
> final de tudo, volte lá e tire nova foto! Certeza de que o bloquinho
> não aparecerá, ok!!!!
> Agora falando sério.... Você tem que ter razão em algo, afinal de
> contas deves ter passado um bom tempo para a sua juntada. Você tem
> razão na falta de unidade de posturas em relação ao restauro no
> Distrito Federal. Sabe o porquê? Centenas de arquitetos mal formados,
> em diversas faculdadecas onde a estética e a preservação patrimonial -
> se foram abordadas - foram apenas en passant. Em relação ao fetiche
> citado.... Diz a boa norma de restauro, que deves interferir o mínimo
> possível sobre o original ou aquilo que restar dele. Para que mais uma
> camada de tinta não é mesmo.....????? Gostaria de ser o operário para
> retirá-la se fosse preciso algum dia?
> Espero que depois dessa nossa conversa entenda quão criativa é essa
> restauração, ou fique na dúvida se criativa é a sua argumentação!
> Quanto aos possíveis pintores, acho que deverias tentar a entrada no
> curso de artes plásticas da UnB. Lá terias repertório mais vasto e
> adequado!
> E para finalizar termino com as palavras de um dos maiores críticos de
> arte contemporâneo-moderna da atualidade – Olívio Tavares de Araújo,
> para a nossa diversão:
> Olívio Tavares de Araújo (crítico de arte e curador das obras do
> italiano Volpi - artista que fez os afrescos inicias nas paredes da
> Igrejinha) declarou que quando se depara com a obra de Galeno se
> lembra de Volpi. E, ainda confirma: "Galeno tem um colorido e uma
> maneira curta e ritmada de aplicar a tinta que lembra Volpi.Galeno é
> intuitivo, Volpi também era.Galeno é erudito, Volpi também.E os dois
> têm essa fonte popular.Galeno tem um colorido de muito bom gosto e é
> bom ressaltar que não se trata de uma influência intencional, ele não
> procura imitar Volpi".
> Grande abraço,
> Rogério Carvalho
> Arquiteto e autor do projeto de restauro da Igrejinha de Fátima.
Rogério, agradeço a sua contribuição no meu blog e aqui na lista. Encaminho
abaixo a resposta que postei.
Prezado Rogério,
Agradeço a sua contribuição para esta discussão. É sempre bom ter o mestre
arquiteto disponível para debater o seu projeto. Acredito que concordamos em
mais aspectos do que parece. Antes de mais nada, desculpe a minha santa
ignorância, mas você viu em que condições o Bezerrão foi inaugurado? Claro
que na Igrejinha ainda falta pelo menos o principal, por assim dizer, que é
a recuperação dos azulejos…
Não vá tomar o meu comentário de que a igreja parecia sombria de longe como
algo pejorativo. Essa escuridão destaca de longe a figura de Nossa Senhora.
Além disso, não era Alberti quem defendia que a escuridão favorecia a
introspecção religiosa? De qualquer forma o contraste entre a percepção a
distância, que dá essa impressão de sombra, e a experiência muito mais
luminosa no interior da própria nave é bem interessante.
O ar de inacabado da pintura pode até ser proposital, mas o que aparenta
ser, apesar de não ser, não deixa de aparentar… Você fala no esmaecimento da
cor, mas há diversas outras técnicas pictóricas que podem servir para dar
essa aparência sem parecer inacabado — ainda mais que a qualidade plástica
de uma aquarela é bem diferente daquela que aparece na técnica de Galeno.
Antes de ser arquiteto já fui pintor, não dos melhores, nem tenho a
pretensão de dizer que eu faria melhor do que o artista em questão. Mas um
mínimo de conhecimento técnico e sensibilidade estética eu tenho, sim, a
pretensão de possuir.
E por sinal, *mesmo que eu fosse um completo leigo*, não teria eu direito a
expressar um juízo estético sobre a obra? Só os artistas e aqueles ungidos
pela comunidade artística como “sabidos” têm “autoridade” para expressar um
juízo? Acho que a *boutade* da Sylvia Ficher na lista expressa bem essa
alienação que a nossa comunidade se auto-impõe com respeito ao público.
Quanto à discussão patrimonial agora. Estou interpretando mal o tom do seu
comentário, ou você considerou o termo “restauração criativa” como uma
ofensa? Enfim. É, retirar camadas de tinta dá trabalho mesmo. Aliás, fazer
uma obra com a convicção de que ela tem potencial para durar, certamente não
para sempre, mas por vários séculos, dá mais trabalho ainda, não é mesmo?
Trabalho de questionar nossos pressupostos, nossas cartilhas intelectuais,
nossos mestres. Discutir o modo como nossos artistas atuais trabalham, a
iconografia que eles adotam, a nossa atitude diante dos monumentos
arquitetônicos. Parar para pensar na viabilidade teórica e estética do nosso
historicismo modernista, com a sua ênfase no provisório, no devir, que nos
brinda com obras que, se não estão sempre intelectualmente mais*passées* do
que o ecletismo que elas pretendiam superar, sempre estão fisicamente caindo
aos pedaços ao cabo de cinqüenta anos.
Galeno certamente não é Volpi, e certamente não chega aos pés de Volpi. E
certamente, dado o *fetiche* modernista pela originalidade, odiaria ser
chamado de imitador do Volpi mesmo que isso fosse verdade. E eu não estou
buscando o Volpi na pintura do Galeno. Estou buscando uma grande obra de
arte, no padrão que a nossa capital merece, e não uma pinturinha bonitinha.
Não é sua culpa, Rogério, afinal esse é um dos melhores dentre o corpo
artístico de que dispomos em Brasília. Mas que não está à altura, não está.
http://www.abaco-arquitetura.com.br/site/pt-br/content/sobre-pintores...rsia-da-igrejinha<http://www.abaco-arquitetura.com.br/site/pt-br/content/sobre-pintores...>
> Li o seu texto e ri bastante! Afinal de contas é sempre bom ler linhas
> tão criativas...
> Gostaria de rebater alguns dos seus argumentos, já que citas de
> maneira bastante (in)feliz algumas questões, parecendo questionar
> minhas posições enquanto autor do projeto.
> Vamos lá...
> Quando escreve que “chegando de longe, o interior da Capela ficou
> sombrio”, deves desconhecer o projeto original da Igrejinha de Fátima
> não é? Imagino que esse é o grande problema da maioria das asneiras
> que venho escutando de alguns meses para cá!
> Santa falta de informação Robin!
> O azul cobalto utilizado pelo Galeno é o mesmo que revestia as três
> paredes na pintura inicial da Igrejinha. Esse azul foi uma intenção de
> projeto do Volpi.... quem seria eu para discutir com o mestre da cor
> não é? Não sei se você teve contato com o trabalho de Alfredo Volpi em
> mãos...??? Posso lhe dizer que eu tive o prazer dezenas de vezes.
> Também de maneira bastante engraçada, destaca o calcanhar de Aquiles
> de Galeno - o painel com brinquedos. Infelizmente a nossa sociedade
> forma de algum tempo para cá profissionais fantásticos que sabem
> perfeitamente resolver quanto de carga um pilar suportaria, porém,
> infelizmente não forma profissionais que tenham a mínima lida com
> arte, mais precisamente a plástica. Ah o curso de Belas Artes..... Daí
> uma conclusão imediatista como essa surge por aí em diversos cantos...
> Será tão difícil imaginar os três pastorinhos – crianças – brincando?
> A associação lúdica que Galeno propôs é linda, sensível, e o mais
> importante, faz parte de sua trajetória de vida! E o que seria da arte
> sem o significado da vida não é mesmo? Quanto à questão de inspiração
> do Galeno, acho que deverias dar um pulo no ateliê do artista em
> Brazlândia.... Veria quanto falta essa inspiração!
> O ar de inacabado relatado em seu texto está sendo visto por aqueles
> que desconhecem o trabalho do artista, e o pior, desconhecem a obra de
> Volpi e mesmo assim insistem no palpite. Aquele “ar de inacabado”
> goste você ou não, é uma das características da obra de Galeno que
> podem ser comparadas ao Volpi. O ritmo da pincelada é o mesmo. O Volpi
> trabalhava com linha e cor, deixando claro com que tipo de suporte
> estava trabalhando, é por isso que ao olhar um quadro de Volpi,
> percebe-se em sua conformação, pontos mais escuros que outros e em
> vários momentos, quase que em uma aquarela, a cor esmaece.
> Se o amigo soubesse disso, não citarias o “ar inacabado”- Ou até mesmo
> poderia, quem sabe né? Depende do olho...
> Quanto ao painel, as “juntas mal feitas” são propositais..... Já ouviu
> falar de portabilidade, além das operadoras de telefonia móvel
> hein....? Não tenho a pretensão de que a minha palavra seja a última
> para a igrejinha, quem sabe daqui a 100 anos ou 1 ano seja necessária
> a sua retirada. Quem sabe o Robin e o Batman daqui a cem anos não
> conseguem um spray revitalizador da obra de Volpi.... Fico aqui rindo
> só de pensar! Ah, e os medonhos bloquinhos de madeira aos quais você
> se refere, fazem parte da estrutura que recebe cada painel..... E
> Pedro, acha mesmo que com as fotos que tirou, a igrejinha será
> inaugurada amanhã? Que tipo de obra você vem tocando meu amigo???? Ao
> final de tudo, volte lá e tire nova foto! Certeza de que o bloquinho
> não aparecerá, ok!!!!
> Agora falando sério.... Você tem que ter razão em algo, afinal de
> contas deves ter passado um bom tempo para a sua juntada. Você tem
> razão na falta de unidade de posturas em relação ao restauro no
> Distrito Federal. Sabe o porquê? Centenas de arquitetos mal formados,
> em diversas faculdadecas onde a estética e a preservação patrimonial -
> se foram abordadas - foram apenas en passant. Em relação ao fetiche
> citado.... Diz a boa norma de restauro, que deves interferir o mínimo
> possível sobre o original ou aquilo que restar dele. Para que mais uma
> camada de tinta não é mesmo.....????? Gostaria de ser o operário para
> retirá-la se fosse preciso algum dia?
> Espero que depois dessa nossa conversa entenda quão criativa é essa
> restauração, ou fique na dúvida se criativa é a sua argumentação!
> Quanto aos possíveis pintores, acho que deverias tentar a entrada no
> curso de artes plásticas da UnB. Lá terias repertório mais vasto e
> adequado!
> E para finalizar termino com as palavras de um dos maiores críticos de
> arte contemporâneo-moderna da atualidade – Olívio Tavares de Araújo,
> para a nossa diversão:
> Olívio Tavares de Araújo (crítico de arte e curador das obras do
> italiano Volpi - artista que fez os afrescos inicias nas paredes da
> Igrejinha) declarou que quando se depara com a obra de Galeno se
> lembra de Volpi. E, ainda confirma: "Galeno tem um colorido e uma
> maneira curta e ritmada de aplicar a tinta que lembra Volpi.Galeno é
> intuitivo, Volpi também era.Galeno é erudito, Volpi também.E os dois
> têm essa fonte popular.Galeno tem um colorido de muito bom gosto e é
> bom ressaltar que não se trata de uma influência intencional, ele não
> procura imitar Volpi".
> Grande abraço,
> Rogério Carvalho
> Arquiteto e autor do projeto de restauro da Igrejinha de Fátima.
Rogério, agradeço a sua contribuição no meu blog e aqui na lista. Encaminho
abaixo a resposta que postei.
Prezado Rogério,
Agradeço a sua contribuição para esta discussão. É sempre bom ter o mestre
arquiteto disponível para debater o seu projeto. Acredito que concordamos em
mais aspectos do que parece. Antes de mais nada, desculpe a minha santa
ignorância, mas você viu em que condições o Bezerrão foi inaugurado? Claro
que na Igrejinha ainda falta pelo menos o principal, por assim dizer, que é
a recuperação dos azulejos…
Não vá tomar o meu comentário de que a igreja parecia sombria de longe como
algo pejorativo. Essa escuridão destaca de longe a figura de Nossa Senhora.
Além disso, não era Alberti quem defendia que a escuridão favorecia a
introspecção religiosa? De qualquer forma o contraste entre a percepção a
distância, que dá essa impressão de sombra, e a experiência muito mais
luminosa no interior da própria nave é bem interessante.
O ar de inacabado da pintura pode até ser proposital, mas o que aparenta
ser, apesar de não ser, não deixa de aparentar… Você fala no esmaecimento da
cor, mas há diversas outras técnicas pictóricas que podem servir para dar
essa aparência sem parecer inacabado — ainda mais que a qualidade plástica
de uma aquarela é bem diferente daquela que aparece na técnica de Galeno.
Antes de ser arquiteto já fui pintor, não dos melhores, nem tenho a
pretensão de dizer que eu faria melhor do que o artista em questão. Mas um
mínimo de conhecimento técnico e sensibilidade estética eu tenho, sim, a
pretensão de possuir.
E por sinal, *mesmo que eu fosse um completo leigo*, não teria eu direito a
expressar um juízo estético sobre a obra? Só os artistas e aqueles ungidos
pela comunidade artística como “sabidos” têm “autoridade” para expressar um
juízo? Acho que a *boutade* da Sylvia Ficher na lista expressa bem essa
alienação que a nossa comunidade se auto-impõe com respeito ao público.
Quanto à discussão patrimonial agora. Estou interpretando mal o tom do seu
comentário, ou você considerou o termo “restauração criativa” como uma
ofensa? Enfim. É, retirar camadas de tinta dá trabalho mesmo. Aliás, fazer
uma obra com a convicção de que ela tem potencial para durar, certamente não
para sempre, mas por vários séculos, dá mais trabalho ainda, não é mesmo?
Trabalho de questionar nossos pressupostos, nossas cartilhas intelectuais,
nossos mestres. Discutir o modo como nossos artistas atuais trabalham, a
iconografia que eles adotam, a nossa atitude diante dos monumentos
arquitetônicos. Parar para pensar na viabilidade teórica e estética do nosso
historicismo modernista, com a sua ênfase no provisório, no devir, que nos
brinda com obras que, se não estão sempre intelectualmente mais*passées* do
que o ecletismo que elas pretendiam superar, sempre estão fisicamente caindo
aos pedaços ao cabo de cinqüenta anos.
Galeno certamente não é Volpi, e certamente não chega aos pés de Volpi. E
certamente, dado o *fetiche* modernista pela originalidade, odiaria ser
chamado de imitador do Volpi mesmo que isso fosse verdade. E eu não estou
buscando o Volpi na pintura do Galeno. Estou buscando uma grande obra de
arte, no padrão que a nossa capital merece, e não uma pinturinha bonitinha.
Não é sua culpa, Rogério, afinal esse é um dos melhores dentre o corpo
artístico de que dispomos em Brasília. Mas que não está à altura, não está.
http://www.abaco-arquitetura.com.br/site/pt-br/content/sobre-pintores...rsia-da-igrejinha<http://www.abaco-arquitetura.com.br/site/pt-br/content/sobre-pintores...>
> Li o seu texto e ri bastante! Afinal de contas é sempre bom ler linhas
> tão criativas...
> Gostaria de rebater alguns dos seus argumentos, já que citas de
> maneira bastante (in)feliz algumas questões, parecendo questionar
> minhas posições enquanto autor do projeto.
> Vamos lá...
> Quando escreve que “chegando de longe, o interior da Capela ficou
> sombrio”, deves desconhecer o projeto original da Igrejinha de Fátima
> não é? Imagino que esse é o grande problema da maioria das asneiras
> que venho escutando de alguns meses para cá!
> Santa falta de informação Robin!
> O azul cobalto utilizado pelo Galeno é o mesmo que revestia as três
> paredes na pintura inicial da Igrejinha. Esse azul foi uma intenção de
> projeto do Volpi.... quem seria eu para discutir com o mestre da cor
> não é? Não sei se você teve contato com o trabalho de Alfredo Volpi em
> mãos...??? Posso lhe dizer que eu tive o prazer dezenas de vezes.
> Também de maneira bastante engraçada, destaca o calcanhar de Aquiles
> de Galeno - o painel com brinquedos. Infelizmente a nossa sociedade
> forma de algum tempo para cá profissionais fantásticos que sabem
> perfeitamente resolver quanto de carga um pilar suportaria, porém,
> infelizmente não forma profissionais que tenham a mínima lida com
> arte, mais precisamente a plástica. Ah o curso de Belas Artes..... Daí
> uma conclusão imediatista como essa surge por aí em diversos cantos...
> Será tão difícil imaginar os três pastorinhos – crianças – brincando?
> A associação lúdica que Galeno propôs é linda, sensível, e o mais
> importante, faz parte de sua trajetória de vida! E o que seria da arte
> sem o significado da vida não é mesmo? Quanto à questão de inspiração
> do Galeno, acho que deverias dar um pulo no ateliê do artista em
> Brazlândia.... Veria quanto falta essa inspiração!
> O ar de inacabado relatado em seu texto está sendo visto por aqueles
> que desconhecem o trabalho do artista, e o pior, desconhecem a obra de
> Volpi e mesmo assim insistem no palpite. Aquele “ar de inacabado”
> goste você ou não, é uma das características da obra de Galeno que
> podem ser comparadas ao Volpi. O ritmo da pincelada é o mesmo. O Volpi
> trabalhava com linha e cor, deixando claro com que tipo de suporte
> estava trabalhando, é por isso que ao olhar um quadro de Volpi,
> percebe-se em sua conformação, pontos mais escuros que outros e em
> vários momentos, quase que em uma aquarela, a cor esmaece.
> Se o amigo soubesse disso, não citarias o “ar inacabado”- Ou até mesmo
> poderia, quem sabe né? Depende do olho...
> Quanto ao painel, as “juntas mal feitas” são propositais..... Já ouviu
> falar de portabilidade, além das operadoras de telefonia móvel
> hein....? Não tenho a pretensão de que a minha palavra seja a última
> para a igrejinha, quem sabe daqui a 100 anos ou 1 ano seja necessária
> a sua retirada. Quem sabe o Robin e o Batman daqui a cem anos não
> conseguem um spray revitalizador da obra de Volpi.... Fico aqui rindo
> só de pensar! Ah, e os medonhos bloquinhos de madeira aos quais você
> se refere, fazem parte da estrutura que recebe cada painel..... E
> Pedro, acha mesmo que com as fotos que tirou, a igrejinha será
> inaugurada amanhã? Que tipo de obra você vem tocando meu amigo???? Ao
> final de tudo, volte lá e tire nova foto! Certeza de que o bloquinho
> não aparecerá, ok!!!!
> Agora falando sério.... Você tem que ter razão em algo, afinal de
> contas deves ter passado um bom tempo para a sua juntada. Você tem
> razão na falta de unidade de posturas em relação ao restauro no
> Distrito Federal. Sabe o porquê? Centenas de arquitetos mal formados,
> em diversas faculdadecas onde a estética e a preservação patrimonial -
> se foram abordadas - foram apenas en passant. Em relação ao fetiche
> citado.... Diz a boa norma de restauro, que deves interferir o mínimo
> possível sobre o original ou aquilo que restar dele. Para que mais uma
> camada de tinta não é mesmo.....????? Gostaria de ser o operário para
> retirá-la se fosse preciso algum dia?
> Espero que depois dessa nossa conversa entenda quão criativa é essa
> restauração, ou fique na dúvida se criativa é a sua argumentação!
> Quanto aos possíveis pintores, acho que deverias tentar a entrada no
> curso de artes plásticas da UnB. Lá terias repertório mais vasto e
> adequado!
> E para finalizar termino com as palavras de um dos maiores críticos de
> arte contemporâneo-moderna da atualidade – Olívio Tavares de Araújo,
> para a nossa diversão:
> Olívio Tavares de Araújo (crítico de arte e curador das obras do
> italiano Volpi - artista que fez os afrescos inicias nas paredes da
> Igrejinha) declarou que quando se depara com a obra de Galeno se
> lembra de Volpi. E, ainda confirma: "Galeno tem um colorido e uma
> maneira curta e ritmada de aplicar a tinta que lembra Volpi.Galeno é
> intuitivo, Volpi também era.Galeno é erudito, Volpi também.E os dois
> têm essa fonte popular.Galeno tem um colorido de muito bom gosto e é
> bom ressaltar que não se trata de uma influência intencional, ele não
> procura imitar Volpi".
> Grande abraço,
> Rogério Carvalho
> Arquiteto e autor do projeto de restauro da Igrejinha de Fátima.
Antes de mais nada, quero deixar clara minha posição que talvez possa ser
mal-entendida pelo andamento da discussão:
1-acho melhor termos a pintura do Galeno do que ter a parede pintada de
azul-bebê, e que não precisamos ter vergonha de assumir essa pintura
como algo duradouro e não provisório;
2-apesar disso, a Igrejinha merece uma obra de arte de melhor
qualidade, algo que infelizmente não vislumbro como possível dado o
cenário artístico atual de Brasília.
Pedro.
2009/6/27 Pedro P. Palazzo <pedro.pala...@gmail.com>
> Rogério, agradeço a sua contribuição no meu blog e aqui na lista. Encaminho
> abaixo a resposta que postei.
> Prezado Rogério,
> Agradeço a sua contribuição para esta discussão. É sempre bom ter o mestre
> arquiteto disponível para debater o seu projeto. Acredito que concordamos em
> mais aspectos do que parece. Antes de mais nada, desculpe a minha santa
> ignorância, mas você viu em que condições o Bezerrão foi inaugurado? Claro
> que na Igrejinha ainda falta pelo menos o principal, por assim dizer, que é
> a recuperação dos azulejos…
> Não vá tomar o meu comentário de que a igreja parecia sombria de longe como
> algo pejorativo. Essa escuridão destaca de longe a figura de Nossa Senhora.
> Além disso, não era Alberti quem defendia que a escuridão favorecia a
> introspecção religiosa? De qualquer forma o contraste entre a percepção a
> distância, que dá essa impressão de sombra, e a experiência muito mais
> luminosa no interior da própria nave é bem interessante.
> O ar de inacabado da pintura pode até ser proposital, mas o que aparenta
> ser, apesar de não ser, não deixa de aparentar… Você fala no esmaecimento da
> cor, mas há diversas outras técnicas pictóricas que podem servir para dar
> essa aparência sem parecer inacabado — ainda mais que a qualidade plástica
> de uma aquarela é bem diferente daquela que aparece na técnica de Galeno.
> Antes de ser arquiteto já fui pintor, não dos melhores, nem tenho a
> pretensão de dizer que eu faria melhor do que o artista em questão. Mas um
> mínimo de conhecimento técnico e sensibilidade estética eu tenho, sim, a
> pretensão de possuir.
> E por sinal, *mesmo que eu fosse um completo leigo*, não teria eu direito
> a expressar um juízo estético sobre a obra? Só os artistas e aqueles ungidos
> pela comunidade artística como “sabidos” têm “autoridade” para expressar um
> juízo? Acho que a *boutade* da Sylvia Ficher na lista expressa bem essa
> alienação que a nossa comunidade se auto-impõe com respeito ao público.
> Quanto à discussão patrimonial agora. Estou interpretando mal o tom do seu
> comentário, ou você considerou o termo “restauração criativa” como uma
> ofensa? Enfim. É, retirar camadas de tinta dá trabalho mesmo. Aliás, fazer
> uma obra com a convicção de que ela tem potencial para durar, certamente não
> para sempre, mas por vários séculos, dá mais trabalho ainda, não é mesmo?
> Trabalho de questionar nossos pressupostos, nossas cartilhas intelectuais,
> nossos mestres. Discutir o modo como nossos artistas atuais trabalham, a
> iconografia que eles adotam, a nossa atitude diante dos monumentos
> arquitetônicos. Parar para pensar na viabilidade teórica e estética do nosso
> historicismo modernista, com a sua ênfase no provisório, no devir, que nos
> brinda com obras que, se não estão sempre intelectualmente mais*passées* do
> que o ecletismo que elas pretendiam superar, sempre estão fisicamente caindo
> aos pedaços ao cabo de cinqüenta anos.
> Galeno certamente não é Volpi, e certamente não chega aos pés de Volpi. E
> certamente, dado o *fetiche* modernista pela originalidade, odiaria ser
> chamado de imitador do Volpi mesmo que isso fosse verdade. E eu não estou
> buscando o Volpi na pintura do Galeno. Estou buscando uma grande obra de
> arte, no padrão que a nossa capital merece, e não uma pinturinha bonitinha.
> Não é sua culpa, Rogério, afinal esse é um dos melhores dentre o corpo
> artístico de que dispomos em Brasília. Mas que não está à altura, não está.
>> Li o seu texto e ri bastante! Afinal de contas é sempre bom ler linhas
>> tão criativas...
>> Gostaria de rebater alguns dos seus argumentos, já que citas de
>> maneira bastante (in)feliz algumas questões, parecendo questionar
>> minhas posições enquanto autor do projeto.
>> Vamos lá...
>> Quando escreve que “chegando de longe, o interior da Capela ficou
>> sombrio”, deves desconhecer o projeto original da Igrejinha de Fátima
>> não é? Imagino que esse é o grande problema da maioria das asneiras
>> que venho escutando de alguns meses para cá!
>> Santa falta de informação Robin!
>> O azul cobalto utilizado pelo Galeno é o mesmo que revestia as três
>> paredes na pintura inicial da Igrejinha. Esse azul foi uma intenção de
>> projeto do Volpi.... quem seria eu para discutir com o mestre da cor
>> não é? Não sei se você teve contato com o trabalho de Alfredo Volpi em
>> mãos...??? Posso lhe dizer que eu tive o prazer dezenas de vezes.
>> Também de maneira bastante engraçada, destaca o calcanhar de Aquiles
>> de Galeno - o painel com brinquedos. Infelizmente a nossa sociedade
>> forma de algum tempo para cá profissionais fantásticos que sabem
>> perfeitamente resolver quanto de carga um pilar suportaria, porém,
>> infelizmente não forma profissionais que tenham a mínima lida com
>> arte, mais precisamente a plástica. Ah o curso de Belas Artes..... Daí
>> uma conclusão imediatista como essa surge por aí em diversos cantos...
>> Será tão difícil imaginar os três pastorinhos – crianças – brincando?
>> A associação lúdica que Galeno propôs é linda, sensível, e o mais
>> importante, faz parte de sua trajetória de vida! E o que seria da arte
>> sem o significado da vida não é mesmo? Quanto à questão de inspiração
>> do Galeno, acho que deverias dar um pulo no ateliê do artista em
>> Brazlândia.... Veria quanto falta essa inspiração!
>> O ar de inacabado relatado em seu texto está sendo visto por aqueles
>> que desconhecem o trabalho do artista, e o pior, desconhecem a obra de
>> Volpi e mesmo assim insistem no palpite. Aquele “ar de inacabado”
>> goste você ou não, é uma das características da obra de Galeno que
>> podem ser comparadas ao Volpi. O ritmo da pincelada é o mesmo. O Volpi
>> trabalhava com linha e cor, deixando claro com que tipo de suporte
>> estava trabalhando, é por isso que ao olhar um quadro de Volpi,
>> percebe-se em sua conformação, pontos mais escuros que outros e em
>> vários momentos, quase que em uma aquarela, a cor esmaece.
>> Se o amigo soubesse disso, não citarias o “ar inacabado”- Ou até mesmo
>> poderia, quem sabe né? Depende do olho...
>> Quanto ao painel, as “juntas mal feitas” são propositais..... Já ouviu
>> falar de portabilidade, além das operadoras de telefonia móvel
>> hein....? Não tenho a pretensão de que a minha palavra seja a última
>> para a igrejinha, quem sabe daqui a 100 anos ou 1 ano seja necessária
>> a sua retirada. Quem sabe o Robin e o Batman daqui a cem anos não
>> conseguem um spray revitalizador da obra de Volpi.... Fico aqui rindo
>> só de pensar! Ah, e os medonhos bloquinhos de madeira aos quais você
>> se refere, fazem parte da estrutura que recebe cada painel..... E
>> Pedro, acha mesmo que com as fotos que tirou, a igrejinha será
>> inaugurada amanhã? Que tipo de obra você vem tocando meu amigo???? Ao
>> final de tudo, volte lá e tire nova foto! Certeza de que o bloquinho
>> não aparecerá, ok!!!!
>> Agora falando sério.... Você tem que ter razão em algo, afinal de
>> contas deves ter passado um bom tempo para a sua juntada. Você tem
>> razão na falta de unidade de posturas em relação ao restauro no
>> Distrito Federal. Sabe o porquê? Centenas de arquitetos mal formados,
>> em diversas faculdadecas onde a estética e a preservação patrimonial -
>> se foram abordadas - foram apenas en passant. Em relação ao fetiche
>> citado.... Diz a boa norma de restauro, que deves interferir o mínimo
>> possível sobre o original ou aquilo que restar dele. Para que mais uma
>> camada de tinta não é mesmo.....????? Gostaria de ser o operário para
>> retirá-la se fosse preciso algum dia?
>> Espero que depois dessa nossa conversa entenda quão criativa é essa
>> restauração, ou fique na dúvida se criativa é a sua argumentação!
>> Quanto aos possíveis pintores, acho que deverias tentar a entrada no
>> curso de artes plásticas da UnB. Lá terias repertório mais vasto e
>> adequado!
>> E para finalizar termino com as palavras de um dos maiores críticos de
>> arte contemporâneo-moderna da atualidade – Olívio Tavares de Araújo,
>> para a nossa diversão:
>> Olívio Tavares de Araújo (crítico de arte e curador das obras do
>> italiano Volpi - artista que fez os afrescos inicias nas paredes da
>> Igrejinha) declarou que quando se depara com a obra de Galeno se
>> lembra de Volpi. E, ainda confirma: "Galeno tem um colorido e uma
>> maneira curta e ritmada de aplicar a tinta que lembra Volpi.Galeno é
>> intuitivo, Volpi também era.Galeno é erudito, Volpi também.E os dois
>> têm essa fonte popular.Galeno tem um colorido de muito bom gosto e é
>> bom ressaltar que não se trata de uma influência intencional, ele não
> Rogério, agradeço a sua contribuição no meu blog e aqui na lista. Encaminho
> abaixo a resposta que postei.
> Prezado Rogério,
> Agradeço a sua contribuição para esta discussão. É sempre bom ter o mestre
> arquiteto disponível para debater o seu projeto. Acredito que concordamos em
> mais aspectos do que parece. Antes de mais nada, desculpe a minha santa
> ignorância, mas você viu em que condições o Bezerrão foi inaugurado? Claro
> que na Igrejinha ainda falta pelo menos o principal, por assim dizer, que é
> a recuperação dos azulejos…
> Não vá tomar o meu comentário de que a igreja parecia sombria de longe como
> algo pejorativo. Essa escuridão destaca de longe a figura de Nossa Senhora.
> Além disso, não era Alberti quem defendia que a escuridão favorecia a
> introspecção religiosa? De qualquer forma o contraste entre a percepção a
> distância, que dá essa impressão de sombra, e a experiência muito mais
> luminosa no interior da própria nave é bem interessante.
> O ar de inacabado da pintura pode até ser proposital, mas o que aparenta
> ser, apesar de não ser, não deixa de aparentar… Você fala no esmaecimento da
> cor, mas há diversas outras técnicas pictóricas que podem servir para dar
> essa aparência sem parecer inacabado — ainda mais que a qualidade plástica
> de uma aquarela é bem diferente daquela que aparece na técnica de Galeno.
> Antes de ser arquiteto já fui pintor, não dos melhores, nem tenho a
> pretensão de dizer que eu faria melhor do que o artista em questão. Mas um
> mínimo de conhecimento técnico e sensibilidade estética eu tenho, sim, a
> pretensão de possuir.
> E por sinal, *mesmo que eu fosse um completo leigo*, não teria eu direito
> a expressar um juízo estético sobre a obra? Só os artistas e aqueles ungidos
> pela comunidade artística como “sabidos” têm “autoridade” para expressar um
> juízo? Acho que a *boutade* da Sylvia Ficher na lista expressa bem essa
> alienação que a nossa comunidade se auto-impõe com respeito ao público.
> Quanto à discussão patrimonial agora. Estou interpretando mal o tom do seu
> comentário, ou você considerou o termo “restauração criativa” como uma
> ofensa? Enfim. É, retirar camadas de tinta dá trabalho mesmo. Aliás, fazer
> uma obra com a convicção de que ela tem potencial para durar, certamente não
> para sempre, mas por vários séculos, dá mais trabalho ainda, não é mesmo?
> Trabalho de questionar nossos pressupostos, nossas cartilhas intelectuais,
> nossos mestres. Discutir o modo como nossos artistas atuais trabalham, a
> iconografia que eles adotam, a nossa atitude diante dos monumentos
> arquitetônicos. Parar para pensar na viabilidade teórica e estética do nosso
> historicismo modernista, com a sua ênfase no provisório, no devir, que nos
> brinda com obras que, se não estão sempre intelectualmente mais*passées* do
> que o ecletismo que elas pretendiam superar, sempre estão fisicamente caindo
> aos pedaços ao cabo de cinqüenta anos.
> Galeno certamente não é Volpi, e certamente não chega aos pés de Volpi. E
> certamente, dado o *fetiche* modernista pela originalidade, odiaria ser
> chamado de imitador do Volpi mesmo que isso fosse verdade. E eu não estou
> buscando o Volpi na pintura do Galeno. Estou buscando uma grande obra de
> arte, no padrão que a nossa capital merece, e não uma pinturinha bonitinha.
> Não é sua culpa, Rogério, afinal esse é um dos melhores dentre o corpo
> artístico de que dispomos em Brasília. Mas que não está à altura, não está.
>> Li o seu texto e ri bastante! Afinal de contas é sempre bom ler linhas
>> tão criativas...
>> Gostaria de rebater alguns dos seus argumentos, já que citas de
>> maneira bastante (in)feliz algumas questões, parecendo questionar
>> minhas posições enquanto autor do projeto.
>> Vamos lá...
>> Quando escreve que “chegando de longe, o interior da Capela ficou
>> sombrio”, deves desconhecer o projeto original da Igrejinha de Fátima
>> não é? Imagino que esse é o grande problema da maioria das asneiras
>> que venho escutando de alguns meses para cá!
>> Santa falta de informação Robin!
>> O azul cobalto utilizado pelo Galeno é o mesmo que revestia as três
>> paredes na pintura inicial da Igrejinha. Esse azul foi uma intenção de
>> projeto do Volpi.... quem seria eu para discutir com o mestre da cor
>> não é? Não sei se você teve contato com o trabalho de Alfredo Volpi em
>> mãos...??? Posso lhe dizer que eu tive o prazer dezenas de vezes.
>> Também de maneira bastante engraçada, destaca o calcanhar de Aquiles
>> de Galeno - o painel com brinquedos. Infelizmente a nossa sociedade
>> forma de algum tempo para cá profissionais fantásticos que sabem
>> perfeitamente resolver quanto de carga um pilar suportaria, porém,
>> infelizmente não forma profissionais que tenham a mínima lida com
>> arte, mais precisamente a plástica. Ah o curso de Belas Artes..... Daí
>> uma conclusão imediatista como essa surge por aí em diversos cantos...
>> Será tão difícil imaginar os três pastorinhos – crianças – brincando?
>> A associação lúdica que Galeno propôs é linda, sensível, e o mais
>> importante, faz parte de sua trajetória de vida! E o que seria da arte
>> sem o significado da vida não é mesmo? Quanto à questão de inspiração
>> do Galeno, acho que deverias dar um pulo no ateliê do artista em
>> Brazlândia.... Veria quanto falta essa inspiração!
>> O ar de inacabado relatado em seu texto está sendo visto por aqueles
>> que desconhecem o trabalho do artista, e o pior, desconhecem a obra de
>> Volpi e mesmo assim insistem no palpite. Aquele “ar de inacabado”
>> goste você ou não, é uma das características da obra de Galeno que
>> podem ser comparadas ao Volpi. O ritmo da pincelada é o mesmo. O Volpi
>> trabalhava com linha e cor, deixando claro com que tipo de suporte
>> estava trabalhando, é por isso que ao olhar um quadro de Volpi,
>> percebe-se em sua conformação, pontos mais escuros que outros e em
>> vários momentos, quase que em uma aquarela, a cor esmaece.
>> Se o amigo soubesse disso, não citarias o “ar inacabado”- Ou até mesmo
>> poderia, quem sabe né? Depende do olho...
>> Quanto ao painel, as “juntas mal feitas” são propositais..... Já ouviu
>> falar de portabilidade, além das operadoras de telefonia móvel
>> hein....? Não tenho a pretensão de que a minha palavra seja a última
>> para a igrejinha, quem sabe daqui a 100 anos ou 1 ano seja necessária
>> a sua retirada. Quem sabe o Robin e o Batman daqui a cem anos não
>> conseguem um spray revitalizador da obra de Volpi.... Fico aqui rindo
>> só de pensar! Ah, e os medonhos bloquinhos de madeira aos quais você
>> se refere, fazem parte da estrutura que recebe cada painel..... E
>> Pedro, acha mesmo que com as fotos que tirou, a igrejinha será
>> inaugurada amanhã? Que tipo de obra você vem tocando meu amigo???? Ao
>> final de tudo, volte lá e tire nova foto! Certeza de que o bloquinho
>> não aparecerá, ok!!!!
>> Agora falando sério.... Você tem que ter razão em algo, afinal de
>> contas deves ter passado um bom tempo para a sua juntada. Você tem
>> razão na falta de unidade de posturas em relação ao restauro no
>> Distrito Federal. Sabe o porquê? Centenas de arquitetos mal formados,
>> em diversas faculdadecas onde a estética e a preservação patrimonial -
>> se foram abordadas - foram apenas en passant. Em relação ao fetiche
>> citado.... Diz a boa norma de restauro, que deves interferir o mínimo
>> possível sobre o original ou aquilo que restar dele. Para que mais uma
>> camada de tinta não é mesmo.....????? Gostaria de ser o operário para
>> retirá-la se fosse preciso algum dia?
>> Espero que depois dessa nossa conversa entenda quão criativa é essa
>> restauração, ou fique na dúvida se criativa é a sua argumentação!
>> Quanto aos possíveis pintores, acho que deverias tentar a entrada no
>> curso de artes plásticas da UnB. Lá terias repertório mais vasto e
>> adequado!
>> E para finalizar termino com as palavras de um dos maiores críticos de
>> arte contemporâneo-moderna da atualidade – Olívio Tavares de Araújo,
>> para a nossa diversão:
>> Olívio Tavares de Araújo (crítico de arte e curador das obras do
>> italiano Volpi - artista que fez os afrescos inicias nas paredes da
>> Igrejinha) declarou que quando se depara com a obra de Galeno se
>> lembra de Volpi. E, ainda confirma: "Galeno tem um colorido e uma
>> maneira curta e ritmada de aplicar a tinta que lembra Volpi.Galeno é
>> intuitivo, Volpi também era.Galeno é erudito, Volpi também.E os dois
>> têm essa fonte popular.Galeno tem um colorido de muito bom gosto e é
>> bom ressaltar que não se trata de uma influência intencional, ele não
>> procura imitar Volpi".
>> Grande abraço,
>> Rogério Carvalho
>> Arquiteto e autor do projeto de restauro da Igrejinha de Fátima.
Prezados Senhores, vocês vão interromper essa discussão agora? Ah, não...
assim não vale. E o admirável público, como fica? Logo agora que o debate
estava ficando animado e tão bem argumentado (sem ironia!). Ademais, temos
tanto elementos novos para discutir em decorrência do encontro de ontem no
local do crime (não me interpretem mal, uso a imagem no mesmo espírito que
João Bosco utilizou em *De frente pro Crime*!).
A *olho nu*, ainda não vi a tal intervenção, embora minha janela fique quase
em frente. Contudo, prometo vê-la em breve para poder me
manifestar também. Embora, veja como discutível a proposta de resgatar um
elemento arquitetônico (pictórico) já perdido em uma obra. Há profissionais
que defendem essa atitude preservacionista com muita propriedade. No caso da
Igrejinha, em princípio, não vejo muito sentido em recriar esse painel
(elemento) já perdido no tempo. A imagem desse espaço já criada pelos
usuários (onde também me incluo) não registra esse painel. As paredes
brancas me parecem mais familiares e um novo painel ali me dar a sensação de
ser um elemento intruso, não original ...Mas, vou verificar *in loco** *para
ver qual sentimento essa intervenção me transmite.
Mas, por favor não deixem o debate esfriar, pelo menos agora. Quem sabe não
seremos motivados a debater e influir em outras intervenções na
cidade tão discutíveis quanto (o caso da Praça da Soberania foi assim).
Falando nisso, alguém já viu o projeto do VLT da W3 Sul? E o do novo estádio
de futebol para a Copa?
E viva a democracia e a internet!!!!
Abs, Carlos Madson
> Espero que o tempo rei resolva essa questão!
> Abraço,
> Rogério
> 2009/6/27 Pedro P. Palazzo <pedro.pala...@gmail.com>
>> Rogério, agradeço a sua contribuição no meu blog e aqui na lista.
>> Encaminho abaixo a resposta que postei.
>> Prezado Rogério,
>> Agradeço a sua contribuição para esta discussão. É sempre bom ter o mestre
>> arquiteto disponível para debater o seu projeto. Acredito que concordamos em
>> mais aspectos do que parece. Antes de mais nada, desculpe a minha santa
>> ignorância, mas você viu em que condições o Bezerrão foi inaugurado? Claro
>> que na Igrejinha ainda falta pelo menos o principal, por assim dizer, que é
>> a recuperação dos azulejos…
>> Não vá tomar o meu comentário de que a igreja parecia sombria de longe
>> como algo pejorativo. Essa escuridão destaca de longe a figura de Nossa
>> Senhora. Além disso, não era Alberti quem defendia que a escuridão favorecia
>> a introspecção religiosa? De qualquer forma o contraste entre a percepção a
>> distância, que dá essa impressão de sombra, e a experiência muito mais
>> luminosa no interior da própria nave é bem interessante.
>> O ar de inacabado da pintura pode até ser proposital, mas o que aparenta
>> ser, apesar de não ser, não deixa de aparentar… Você fala no esmaecimento da
>> cor, mas há diversas outras técnicas pictóricas que podem servir para dar
>> essa aparência sem parecer inacabado — ainda mais que a qualidade plástica
>> de uma aquarela é bem diferente daquela que aparece na técnica de Galeno.
>> Antes de ser arquiteto já fui pintor, não dos melhores, nem tenho a
>> pretensão de dizer que eu faria melhor do que o artista em questão. Mas um
>> mínimo de conhecimento técnico e sensibilidade estética eu tenho, sim, a
>> pretensão de possuir.
>> E por sinal, *mesmo que eu fosse um completo leigo*, não teria eu direito
>> a expressar um juízo estético sobre a obra? Só os artistas e aqueles ungidos
>> pela comunidade artística como “sabidos” têm “autoridade” para expressar um
>> juízo? Acho que a *boutade* da Sylvia Ficher na lista expressa bem essa
>> alienação que a nossa comunidade se auto-impõe com respeito ao público.
>> Quanto à discussão patrimonial agora. Estou interpretando mal o tom do seu
>> comentário, ou você considerou o termo “restauração criativa” como uma
>> ofensa? Enfim. É, retirar camadas de tinta dá trabalho mesmo. Aliás, fazer
>> uma obra com a convicção de que ela tem potencial para durar, certamente não
>> para sempre, mas por vários séculos, dá mais trabalho ainda, não é mesmo?
>> Trabalho de questionar nossos pressupostos, nossas cartilhas intelectuais,
>> nossos mestres. Discutir o modo como nossos artistas atuais trabalham, a
>> iconografia que eles adotam, a nossa atitude diante dos monumentos
>> arquitetônicos. Parar para pensar na viabilidade teórica e estética do nosso
>> historicismo modernista, com a sua ênfase no provisório, no devir, que nos
>> brinda com obras que, se não estão sempre intelectualmente mais*passées* do
>> que o ecletismo que elas pretendiam superar, sempre estão fisicamente caindo
>> aos pedaços ao cabo de cinqüenta anos.
>> Galeno certamente não é Volpi, e certamente não chega aos pés de Volpi. E
>> certamente, dado o *fetiche* modernista pela originalidade, odiaria ser
>> chamado de imitador do Volpi mesmo que isso fosse verdade. E eu não estou
>> buscando o Volpi na pintura do Galeno. Estou buscando uma grande obra de
>> arte, no padrão que a nossa capital merece, e não uma pinturinha bonitinha.
>> Não é sua culpa, Rogério, afinal esse é um dos melhores dentre o corpo
>> artístico de que dispomos em Brasília. Mas que não está à altura, não está.
>>> Li o seu texto e ri bastante! Afinal de contas é sempre bom ler linhas
>>> tão criativas...
>>> Gostaria de rebater alguns dos seus argumentos, já que citas de
>>> maneira bastante (in)feliz algumas questões, parecendo questionar
>>> minhas posições enquanto autor do projeto.
>>> Vamos lá...
>>> Quando escreve que “chegando de longe, o interior da Capela ficou
>>> sombrio”, deves desconhecer o projeto original da Igrejinha de Fátima
>>> não é? Imagino que esse é o grande problema da maioria das asneiras
>>> que venho escutando de alguns meses para cá!
>>> Santa falta de informação Robin!
>>> O azul cobalto utilizado pelo Galeno é o mesmo que revestia as três
>>> paredes na pintura inicial da Igrejinha. Esse azul foi uma intenção de
>>> projeto do Volpi.... quem seria eu para discutir com o mestre da cor
>>> não é? Não sei se você teve contato com o trabalho de Alfredo Volpi em
>>> mãos...??? Posso lhe dizer que eu tive o prazer dezenas de vezes.
>>> Também de maneira bastante engraçada, destaca o calcanhar de Aquiles
>>> de Galeno - o painel com brinquedos. Infelizmente a nossa sociedade
>>> forma de algum tempo para cá profissionais fantásticos que sabem
>>> perfeitamente resolver quanto de carga um pilar suportaria, porém,
>>> infelizmente não forma profissionais que tenham a mínima lida com
>>> arte, mais precisamente a plástica. Ah o curso de Belas Artes..... Daí
>>> uma conclusão imediatista como essa surge por aí em diversos cantos...
>>> Será tão difícil imaginar os três pastorinhos – crianças – brincando?
>>> A associação lúdica que Galeno propôs é linda, sensível, e o mais
>>> importante, faz parte de sua trajetória de vida! E o que seria da arte
>>> sem o significado da vida não é mesmo? Quanto à questão de inspiração
>>> do Galeno, acho que deverias dar um pulo no ateliê do artista em
>>> Brazlândia.... Veria quanto falta essa inspiração!
>>> O ar de inacabado relatado em seu texto está sendo visto por aqueles
>>> que desconhecem o trabalho do artista, e o pior, desconhecem a obra de
>>> Volpi e mesmo assim insistem no palpite. Aquele “ar de inacabado”
>>> goste você ou não, é uma das características da obra de Galeno que
>>> podem ser comparadas ao Volpi. O ritmo da pincelada é o mesmo. O Volpi
>>> trabalhava com linha e cor, deixando claro com que tipo de suporte
>>> estava trabalhando, é por isso que ao olhar um quadro de Volpi,
>>> percebe-se em sua conformação, pontos mais escuros que outros e em
>>> vários momentos, quase que em uma aquarela, a cor esmaece.
>>> Se o amigo soubesse disso, não citarias o “ar inacabado”- Ou até mesmo
>>> poderia, quem sabe né? Depende do olho...
>>> Quanto ao painel, as “juntas mal feitas” são propositais..... Já ouviu
>>> falar de portabilidade, além das operadoras de telefonia móvel
>>> hein....? Não tenho a pretensão de que a minha palavra seja a última
>>> para a igrejinha, quem sabe daqui a 100 anos ou 1 ano seja necessária
>>> a sua retirada. Quem sabe o Robin e o Batman daqui a cem anos não
>>> conseguem um spray revitalizador da obra de Volpi.... Fico aqui rindo
>>> só de pensar! Ah, e os medonhos bloquinhos de madeira aos quais você
>>> se refere, fazem parte da estrutura que recebe cada painel..... E
>>> Pedro, acha mesmo que com as fotos que tirou, a igrejinha será
>>> inaugurada amanhã? Que tipo de obra você vem tocando meu amigo???? Ao
>>> final de tudo, volte lá e tire nova foto! Certeza de que o bloquinho
>>> não aparecerá, ok!!!!
>>> Agora falando sério.... Você tem que ter razão em algo, afinal de
>>> contas deves ter passado um bom tempo para a sua juntada. Você tem
>>> razão na falta de unidade de posturas em relação ao restauro no
>>> Distrito Federal. Sabe o porquê? Centenas de arquitetos mal formados,
>>> em diversas faculdadecas onde a estética e a preservação patrimonial -
>>> se foram
Verifique e aí discutimos.
Quanto às paredes brancas....se frequentava aquele espaço sabe que não eram
tão brancas assim...cheias de pinduricalhos, cartazes e coisitas mais....Vá
lá e depois me diga! Vale lembrar que ainda está longe da finalização da
obra, ok!
abraço,
Rogério
> Prezados Senhores, vocês vão interromper essa discussão agora? Ah, não...
> assim não vale. E o admirável público, como fica? Logo agora que o debate
> estava ficando animado e tão bem argumentado (sem ironia!). Ademais, temos
> tanto elementos novos para discutir em decorrência do encontro de ontem no
> local do crime (não me interpretem mal, uso a imagem no mesmo espírito que
> João Bosco utilizou em *De frente pro Crime*!).
> A *olho nu*, ainda não vi a tal intervenção, embora minha janela fique
> quase em frente. Contudo, prometo vê-la em breve para poder me
> manifestar também. Embora, veja como discutível a proposta de resgatar um
> elemento arquitetônico (pictórico) já perdido em uma obra. Há profissionais
> que defendem essa atitude preservacionista com muita propriedade. No caso da
> Igrejinha, em princípio, não vejo muito sentido em recriar esse painel
> (elemento) já perdido no tempo. A imagem desse espaço já criada pelos
> usuários (onde também me incluo) não registra esse painel. As paredes
> brancas me parecem mais familiares e um novo painel ali me dar a sensação de
> ser um elemento intruso, não original ...Mas, vou verificar *in loco** *para
> ver qual sentimento essa intervenção me transmite.
> Mas, por favor não deixem o debate esfriar, pelo menos agora. Quem sabe não
> seremos motivados a debater e influir em outras intervenções na
> cidade tão discutíveis quanto (o caso da Praça da Soberania foi assim).
> Falando nisso, alguém já viu o projeto do VLT da W3 Sul? E o do novo estádio
> de futebol para a Copa?
> E viva a democracia e a internet!!!!
> Abs, Carlos Madson
>> Espero que o tempo rei resolva essa questão!
>> Abraço,
>> Rogério
>> 2009/6/27 Pedro P. Palazzo <pedro.pala...@gmail.com>
>>> Rogério, agradeço a sua contribuição no meu blog e aqui na lista.
>>> Encaminho abaixo a resposta que postei.
>>> Prezado Rogério,
>>> Agradeço a sua contribuição para esta discussão. É sempre bom ter o
>>> mestre arquiteto disponível para debater o seu projeto. Acredito que
>>> concordamos em mais aspectos do que parece. Antes de mais nada, desculpe a
>>> minha santa ignorância, mas você viu em que condições o Bezerrão foi
>>> inaugurado? Claro que na Igrejinha ainda falta pelo menos o principal, por
>>> assim dizer, que é a recuperação dos azulejos…
>>> Não vá tomar o meu comentário de que a igreja parecia sombria de longe
>>> como algo pejorativo. Essa escuridão destaca de longe a figura de Nossa
>>> Senhora. Além disso, não era Alberti quem defendia que a escuridão favorecia
>>> a introspecção religiosa? De qualquer forma o contraste entre a percepção a
>>> distância, que dá essa impressão de sombra, e a experiência muito mais
>>> luminosa no interior da própria nave é bem interessante.
>>> O ar de inacabado da pintura pode até ser proposital, mas o que aparenta
>>> ser, apesar de não ser, não deixa de aparentar… Você fala no esmaecimento da
>>> cor, mas há diversas outras técnicas pictóricas que podem servir para dar
>>> essa aparência sem parecer inacabado — ainda mais que a qualidade plástica
>>> de uma aquarela é bem diferente daquela que aparece na técnica de Galeno.
>>> Antes de ser arquiteto já fui pintor, não dos melhores, nem tenho a
>>> pretensão de dizer que eu faria melhor do que o artista em questão. Mas um
>>> mínimo de conhecimento técnico e sensibilidade estética eu tenho, sim, a
>>> pretensão de possuir.
>>> E por sinal, *mesmo que eu fosse um completo leigo*, não teria eu
>>> direito a expressar um juízo estético sobre a obra? Só os artistas e aqueles
>>> ungidos pela comunidade artística como “sabidos” têm “autoridade” para
>>> expressar um juízo? Acho que a *boutade* da Sylvia Ficher na lista
>>> expressa bem essa alienação que a nossa comunidade se auto-impõe com
>>> respeito ao público.
>>> Quanto à discussão patrimonial agora. Estou interpretando mal o tom do
>>> seu comentário, ou você considerou o termo “restauração criativa” como uma
>>> ofensa? Enfim. É, retirar camadas de tinta dá trabalho mesmo. Aliás, fazer
>>> uma obra com a convicção de que ela tem potencial para durar, certamente não
>>> para sempre, mas por vários séculos, dá mais trabalho ainda, não é mesmo?
>>> Trabalho de questionar nossos pressupostos, nossas cartilhas intelectuais,
>>> nossos mestres. Discutir o modo como nossos artistas atuais trabalham, a
>>> iconografia que eles adotam, a nossa atitude diante dos monumentos
>>> arquitetônicos. Parar para pensar na viabilidade teórica e estética do nosso
>>> historicismo modernista, com a sua ênfase no provisório, no devir, que nos
>>> brinda com obras que, se não estão sempre intelectualmente mais*passées* do
>>> que o ecletismo que elas pretendiam superar, sempre estão fisicamente caindo
>>> aos pedaços ao cabo de cinqüenta anos.
>>> Galeno certamente não é Volpi, e certamente não chega aos pés de Volpi. E
>>> certamente, dado o *fetiche* modernista pela originalidade, odiaria ser
>>> chamado de imitador do Volpi mesmo que isso fosse verdade. E eu não estou
>>> buscando o Volpi na pintura do Galeno. Estou buscando uma grande obra de
>>> arte, no padrão que a nossa capital merece, e não uma pinturinha bonitinha.
>>> Não é sua culpa, Rogério, afinal esse é um dos melhores dentre o corpo
>>> artístico de que dispomos em Brasília. Mas que não está à altura, não está.
>>>> Li o seu texto e ri bastante! Afinal de contas é sempre bom ler linhas
>>>> tão criativas...
>>>> Gostaria de rebater alguns dos seus argumentos, já que citas de
>>>> maneira bastante (in)feliz algumas questões, parecendo questionar
>>>> minhas posições enquanto autor do projeto.
>>>> Vamos lá...
>>>> Quando escreve que “chegando de longe, o interior da Capela ficou
>>>> sombrio”, deves desconhecer o projeto original da Igrejinha de Fátima
>>>> não é? Imagino que esse é o grande problema da maioria das asneiras
>>>> que venho escutando de alguns meses para cá!
>>>> Santa falta de informação Robin!
>>>> O azul cobalto utilizado pelo Galeno é o mesmo que revestia as três
>>>> paredes na pintura inicial da Igrejinha. Esse azul foi uma intenção de
>>>> projeto do Volpi.... quem seria eu para discutir com o mestre da cor
>>>> não é? Não sei se você teve contato com o trabalho de Alfredo Volpi em
>>>> mãos...??? Posso lhe dizer que eu tive o prazer dezenas de vezes.
>>>> Também de maneira bastante engraçada, destaca o calcanhar de Aquiles
>>>> de Galeno - o painel com brinquedos. Infelizmente a nossa sociedade
>>>> forma de algum tempo para cá profissionais fantásticos que sabem
>>>> perfeitamente resolver quanto de carga um pilar suportaria, porém,
>>>> infelizmente não forma profissionais que tenham a mínima lida com
>>>> arte, mais precisamente a plástica. Ah o curso de Belas Artes..... Daí
>>>> uma conclusão imediatista como essa surge por aí em diversos cantos...
>>>> Será tão difícil imaginar os três pastorinhos – crianças – brincando?
>>>> A associação lúdica que Galeno propôs é linda, sensível, e o mais
>>>> importante, faz parte de sua trajetória de vida! E o que seria da arte
>>>> sem o significado da vida não é mesmo? Quanto à questão de inspiração
>>>> do Galeno, acho que deverias dar um pulo no ateliê do artista em
>>>> Brazlândia.... Veria quanto falta essa inspiração!
>>>> O ar de inacabado relatado em seu texto está sendo visto por aqueles
>>>> que desconhecem o trabalho do artista, e o pior, desconhecem a obra de
>>>> Volpi e mesmo assim insistem no palpite. Aquele “ar de inacabado”
>>>> goste você ou não, é uma das características da obra de Galeno que
>>>> podem ser comparadas ao Volpi. O ritmo da pincelada é o mesmo. O Volpi
>>>> trabalhava com linha e cor, deixando claro com que tipo de suporte
>>>> estava trabalhando, é por isso que ao olhar um quadro de Volpi,
>>>> percebe-se em sua conformação, pontos mais escuros que outros e em
>>>> vários momentos, quase que em uma aquarela, a cor esmaece.
>>>> Se o amigo soubesse disso, não citarias o “ar inacabado”- Ou até mesmo
>>>> poderia, quem sabe né? Depende do olho...
>>>> Quanto ao painel, as “juntas mal feitas” são propositais..... Já ouviu
>>>> falar de portabilidade, além das operadoras de telefonia móvel
>>>> hein....? Não tenho a pretensão de que a minha palavra seja a última
>>>> para a igrejinha, quem sabe daqui a 100 anos ou 1 ano seja necessária
>>>> a sua retirada. Quem sabe o Robin e o Batman daqui a cem anos não
>>>> conseguem um spray revitalizador da obra de Volpi.... Fico aqui rindo
>>>> só de pensar! Ah, e os medonhos bloquinhos de madeira aos quais você
>>>> se refere, fazem parte da estrutura que recebe cada painel..... E
>>>> Pedro, acha mesmo que com as fotos que tirou, a igrejinha será
>>>> inaugurada