O engenheiro Jorge Eduardo Leal de Medeiros tem propriedade quando o assunto é a aviação brasileira. Com passagens pelas diretorias de companhias aéreas como Varig e Vasp, e ex-chefe de gabinete da presidência da Anac, Medeiros é hoje professor de aeroportos e transporte aéreo da escola politécnica da USP e consultor na área. Nessa entrevista ao BRASIL ECONÔMICO, ele comenta o leilão dos aeroportos brasileiros e destaca o bom retorno que o governo federal teve com a iniciativa, mas ressalta que os serviços propostos terão que ser cumpridos.
Qual a sua avaliação sobre o resultado do leilão dos aeroportos brasileiros?
Foi uma iniciativa correta pois o Poder Público não se mostrou competente para fazer as reformas necessárias principalmente nos grandes aeroportos. Além disso, destacam-se a rápida entrada de capital privado na área e os valores bem maiores que o previsto. Agora, resta saber se a garantia dos serviços propostos será realizada e a Anac terá de assegurar a qualidade dos trabalhos e tarifas com preços justos.
Qual a importância dessa iniciativa para futuras concessões?
Esse resultado estimulará o governo a realizar outras iniciativas como essa pois o retorno ficou bem acima do esperado. A concessão do aeroporto de São Gonçalo do Amarante (RN), no ano passado, teve um valor três vezes acima do esperado e agora foi de cinco vezes. E é um dinheiro carimbado, que certamente implicará em investimentos nos aeroportos.
Há tempo hábil para realizar todos os projetos previstos até 2014?
A Copa do Mundo será um evento de grande oportunidade para o país mas a necessidade é hoje. Minha preocupação é com o que está acontecendo agora pois a demanda na aviação brasileira tem crescido a taxas de 20% ao ano. Se conseguirmos atender as necessidades desse ano e de 2013, com certeza chegaremos a 2014 preparados.
| Opinião divergente | |
Brasil Econômico - 07/02/2012 | |  |
| "Esse modelo tem que ser repensado pelo governo" |  |
 | ...HUGO BRAGA TADEU, Professor associado da Fundação Dom Cabral
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Consultor na área de transportes e professor associado da Fundação Dom Cabral, Hugo Braga Tadeu faz críticas ao modelo adotado na concessão dos aeroportos. Segundo ele, a participação da Infraero deveria diminuir com o tempo para garantir a entrada de novos sócios e mais investimentos no segmento.
Qual a sua avaliação sobre o leilão dos aeroportos?
A modelagem utilizada no leilão só é interessante para o curto prazo pois do jeito que está, os operadores terão que investir muito mais do que o esperado. O país não terá demanda somente com a Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas em 2016. A necessidade já está no próprio crescimento do mercado que, segundo estudos, vai aumentar em dois dígitos pelos próximos 20 anos. Se o segmento trabalhava com uma taxa de retorno de 20% do investimento, com essa modelagem utilizada as empresas não vão conseguir mais que 6%. Além disso, o governo tem que fiscalizar mais e atuar menos. Essa participação de 49% da Infraero, por exemplo, deveria ser diluída com o passar do tempo pois garantiria assim mais investimentos nos terminais com a entrada de novos sócios.
Qual a importância dessa iniciativa para futuras concessões no país?
Esse modelo tem que ser repensado para fazer sentido. Não acredito que vá se perdurar nas próximas concessões pois não privilegia o investimento no longo prazo. Para que os próximos leilões sejam satisfatórios, o governo tem duas hipóteses: ou tira a Infraero da sociedade e ela passa a ter uma função mais fiscalizadora ou precisa rever todo o modelo de concessão. E é isso que acredito que irá acontecer.
E há tempo hábil para realizar todos os projetos previstos até 2014?
Bom, temos dois anos para concluir todas as obras. A Alemanha fez os investimentos necessários com cerca de 4 anos, antes da Copa do Mundo começar. Esse leilão foi pensando nesses investimentos, mas eles estão se esquecendo do crescimento anual do nosso mercado.
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