16/02/2012
Morda����a.Ordem aos batalh����es ���� que estat����sticas s���� sejam reveladas desde que "previamente analisadas"
Governo pro����be pol����cia de divulgar dados sobre viol����ncia
Para especialistas, popula�����o n����o se sente mais segura sendo enganada
JOELMIR TAVARES
A c����pula da Pol����cia Militar proibiu os comandantes das 18 regi����es da corpora�����o em Minas de divulgarem ���� imprensa qualquer estat����stica que revele os ����ndices de criminalidade no Estado.
Sem tornar p����blicos os dados da viol����ncia desde janeiro de 2011, o governo decidiu que as informa�����es s���� poder����o ser fornecidas desde que "previamente analisadas" pela Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), que comanda a seguran����a p����blica em Minas. Apenas as ocorr����ncias "n����o classificadas como violentas" poder����o chegar ao conhecimento da sociedade, diz a ordem aos comandantes.
As orienta�����es, feitas pelo comando da Pol����cia Militar num encontro com os l����deres dos batalh����es, no m����s passado, foram refor����adas ontem em um memorando assinado pelo chefe da assessoria de comunica�����o organizacional da corpora�����o, tenente-coronel Alberto Luiz Alves, endere����ado aos chefes das unidades.
A reportagem de O TEMPO teve acesso ao memorando 5008.2/2012 e ao texto publicado ontem na rede interna de comunica�����o da PM (veja trechos abaixo).
Na mensagem dessa quarta, intitulada "Divulga�����o de dados estat����sticos", o assessor da corpora�����o explica que "as unidades, quando demandadas pelos ����rg����os de imprensa, poder����o fornecer informa�����es sobre as estat����sticas afetas ����s demais modalidades criminosas, n����o classificadas como violentas, desde que os dados solicitados sejam previamente analisados pelos respectivos comandantes quanto ���� prov����vel repercuss����o da divulga�����o e reflexo na sensa�����o de seguran����a da popula�����o".
O segredo em torno dos n����meros d���� for����a ����s especula�����es de que a viol����ncia em Minas cresceu acima da m����dia. Em Belo Horizonte, acredita-se que o aumento tenha sido de 20%. Estudo apresentado nesta semana pelo Instituto de Pesquisas Econ����micas Aplicadas (Ipea) mostrou que os assassinatos de homens entre 15 e 29 anos em Minas subiram 74,7% entre 2001 e 2007.
Especialistas em seguran����a p����blica criticam a falta de transpar����ncia. O argumento de que a publica�����o dos dados aumentaria a sensa�����o de inseguran����a ���� "ultrapassado e anacr����nico", diz o secret����rio-executivo do F����rum Brasileiro de Seguran����a P����blica (FBSP), Renato S����rgio de Lima. "N����o ���� escondendo as estat����sticas que o governo deixar���� a popula�����o mais segura. Esse era um pensamento dos anos 90, completamente equivocado. As pessoas sabem onde os crimes acontecem".
A omiss����o dos n����meros ainda faz com que, na opini����o do pesquisador mineiro Robson S����vio, tamb����m membro do FBSP, "cres����a a desconfian����a da popula�����o em rela�����o ����s corpora�����es".
Outra consequ����ncia desastrosa, garante, ���� o preju����zo ao planejamento de a�����es de enfrentamento do problema. "Se o governo estivesse declarando os dados com transpar����ncia, n����o haveria nenhum problema na atitude da PM. A quest����o ���� que n����o tomamos conhecimento de mais nenhuma informa�����o". At���� 2010, a Funda�����o Jo����o Pinheiro publicava relat����rios trimestrais sobre criminalidade com base em dados do governo.
Mortes. O memorando 5008.2, assinado pelo ent����o chefe do Estado Maior da PM, M����rcio Martins Sant'Ana, hoje comandante geral da corpora�����o, informava que as estat����sticas criminais de 2011 seriam divulgadas em janeiro, o que n����o ocorreu.
Seds entra em contradi�����o ao comentar texto enviado ���� PM
A Secretaria de Defesa Social (Seds) afirmou ontem, por meio de nota, discordar da ideia de que "a divulga�����o dos dados aumenta a sensa�����o de inseguran����a". No entanto, o memorando enviado nessa quarta-feira pelo assessor de comunica�����o da PM, tenente-coronel Alberto Luiz Alves, aos comandantes ���� claro ao afirmar que a "prov����vel repercuss����o da divulga�����o" pode
refletir "na sensa�����o de seguran����a da popula�����o".
O ����rg����o tamb����m declarou que ainda n����o divulgou o relat����rio de 2011 porque "os dados est����o sendo compilados".
Sobre a an����lise que os comandantes devem fazer antes de fornecer dados ���� imprensa, a Seds explica que se trata de "fazer a contextualiza�����o das ocorr����ncias". "Por exemplo: aumento de ocorr����ncias de perturba�����es de sossego em um bairro pode ser entendido como resultado do acr����scimo de bares na regi����o". (JT)
FOTO: DANIEL IGLESIAS - 22.8.2011
Crimes como homic����dios estariam sendo escondidos da imprensa
DANIEL IGLESIAS - 22.8.2011
"Maquiagem"
Ocorr����ncias s����o manipuladas
Em vez de homic����dio, encontro de cad����ver. No lugar de tentativa de homic����dio, les����o corporal ou disparo em via p����blica. ���� dessa forma, de acordo com entidades de classe e especialistas em seguran����a p����blica, que policiais militares est����o sendo pressionados a preencher boletins de ocorr����ncia, maquiando os fatos. O objetivo seria baixar os ����ndices de criminalidade no Estado.
A Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) desmente as den����ncias. Ontem, a Comiss����o de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa discutiu as adultera�����es e aprovou requerimento para que o assunto seja abordado em uma audi����ncia p����blica conjunta com a Comiss����o de Seguran����a P����blica.
"Os militares sofrem ass����dio moral h���� pelo menos tr����s anos", afirma o coordenador de cidadania e direitos humanos da Associa�����o dos Pra����as Policiais e Bombeiros Militares (Aspra-MG), Luiz Gonzaga Ribeiro. Segundo ele, a exig����ncia para falsificar os boletins est���� criando "uma guerra" entre os n����veis de comando da PM. "���� a pol����tica de resultados a qualquer custo", denuncia.
A Pol����cia Civil tamb����m tem sido coagida a contribuir para o "clima de aparente tranquilidade" no Estado, diz o ex-presidente da Associa�����o dos Delegados de Minas Gerais Francisco Rabelo, 67, que se aposentou em outubro. "Quem d���� alguma entrevista que desagrada ao governo ���� repreendido".
Inconsist����ncia. Al����m da suposta manipula�����o dos boletins, a proibi�����o de que unidades da PM divulguem dados sobre crimes violentos, adotada no m����s passado, faz Minas retroceder na presta�����o de contas sobre a criminalidade, na avalia�����o do secret����rio-executivo do F����rum Brasileiro de Seguran����a P����blica (FBSP), Renato S����rgio de Lima.
Estudiosos da ����rea dizem que a melhor maneira de mostrar que h���� controle sobre a seguran����a ���� dando publicidade e veracidade aos n����meros. "Os fatos mostram que a Seds n����o consegue, de fato, gerenciar e governar o setor", critica o pesquisador Robson S����vio. (JT)
Confira em:
http://www.otempo.com.br/otempo/noticias/?IdNoticia=195943