A questão palestina e o conflito no Oriente Médio
Curso ministrado por Baby Siqueira Abrão, em março, no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo
O domínio do discurso sionista sobre a questão palestina durou muito tempo. Só a partir do final da década de 1970, com a abertura dos arquivos sionistas para conhecimento público, e com as pesquisas dos chamados “novos historiadores” israelenses, esse discurso começou a ser contestado e passou-se a dar veracidade às narrativas palestinas sobre a Nakba (o processo que levou à criação do Estado de Israel e as consequências desse processo para o povo palestino).
Naquela mesma época, especialistas responsáveis por pesquisas arqueológicas em sítios palestinos começaram a contestar a versão bíblica e propuseram uma nova teoria para explicar os textos sagrados – tarefa que o filósofo Benedito de Espinosa, usando conhecimentos de filologia e um estudo de muitos anos da Torá, já empreendera no século XVII.
Esses dois acontecimentos, na história e na arqueologia, seriam acrescentados aos casos levantados por pesquisadores palestinos em seu próprio país, com seu próprio povo, e mudariam a compreensão dos estudiosos sobre as raízes do problema que, iniciado em fins do século XVIII, até hoje abala a região da Ásia ocidental, ou Oriente Médio, conhecida como Palestina e Israel.
Ao público brasileiro, porém, esse conhecimento praticamente não chega. As pressões sobre pesquisadores, autores, editoras, mídias, governos impediram a livre circulação desse novo saber. Por isso, não é de espantar que muitos jornalistas ainda pouco o conheçam. Trata-se de um assunto que, antes restrito a alguns círculos acadêmicos e políticos, somente agora começa a ser mais amplamente divulgado no Brasil.
No entanto, faltam referências aos que pretendem conhecer em detalhes a história de Palestina e Israel. A bibliografia, em árabe e em hebraico, dificulta ao leitor ocidental o acesso aos livros. Mas há muitos títulos em inglês, embora permaneçam desconhecidos do público por falta de divulgação. Há sítios confiáveis na internet, com fatos documentados e rigor acadêmico, que podem ser consultados sem receio. Há organizações de direitos humanos que mantêm na web os resultados de suas pesquisas, também documentadas. Há juristas e advogados que deslindam os meandros jurídicos da questão, colocando artigos à disposição do público.
O objetivo do curso é abordar alguns dos principais pontos da questão palestina e contextualizá-los histórica e politicamente, para que o interessado possa conhecer um pouco da história de palestinos e judeus e iniciar sua própria pesquisa. Nesse sentido, será oferecida uma bibliografia básica, bem como alguns textos importantes para a compreensão do problema vivido por dois povos, o israelense e o palestino.
O curso
O curso é aberto a jornalistas e a demais interessados. Será ministrado no auditório do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (Rua Rego Freitas, 530, sobreloja) nos dias 14, 15, 16, 20, 21, 22, 27, 28 e 29 de março, das 19h às 22h, com pausa para o café. As aulas serão divididas em duas partes: expositiva, com recursos audiovisuais, e de perguntas e debates.
Baby Siqueira Abrão
Jornalista, pós-graduanda em filosofia política e relações internacionais com projeto sobre a questão palestina e suas consequências, autora de livros sobre filosofia, mitologia grega e divulgação científica.
Mora em Ramala, Palestina, onde é correspondente do jornal Brasil de Fato e colaboradora dos sites Carta Maior e Opera Mundi. Veio ao Brasil para uma série de palestras sobre a questão palestina com o líder popular palestino Abdallah Abu Rahmah, com apoio da Embaixada Palestina no Brasil (embaixador Ibrahim Alzeben).
Participou do Fórum Social Mundial (em 2012, Fórum Social Temático), em Porto Alegre, como representante do Comitê Popular de Resistência Não-Violenta contra o Muro e as Colônias de Bil’in (www.bilin-village.org; ver também www.popularstruggle.org) e do Palestinian Center for Peace and Democracy (PCPD, http://www.pcpd.org).
Integra o grupo organizador do Fórum Social Internacional Palestina Livre, a realizar-se em Porto Alegre em novembro de 2012, representando o Palestinian Center for Peace and Democracy.
Valor do investimento por pessoa
Associados ao Sindicato dos Jornalistas de São Paulo: R$ 250,00 em 2 parcelas de R$ 125,00 (ato e 30 dias).
Associados às entidades organizadoras do Fórum Social Internacional Palestina Livre: R$ 250,00 em 2 parcelas de R$ 125,00 (ato e 30 dias).
Não associados ao Sindicato dos Jornalistas de São Paulo nem às entidades organizadoras do Fórum Social Internacional Palestina Livre: R$ 300,00 em 2 parcelas de R$ 150,00 (ato e 30 dias).
Aceitam-se cartões de crédito e cheques.
Atenção: os associados às entidades organizadoras do Fórum Social Internacional Palestina Livre devem procurar sua própria organização e fazer a inscrição lá. As associações encaminharão os nomes dos interessados para o Sindicato dos Jornalistas (cur...@sjsp.org.br ou 3217-6299, Cursos, com Marlene, à tarde, ou Fábio, manhã), que se encarregará dos demais procedimentos.
Número mínimo de alunos para a realização do curso: 10.
Se esse número não for atingindo, o curso será cancelado e o dinheiro de quem já tiver feito o pagamento, devolvido.
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