Militares criticaram o que chamaram de "postura
revanchista" de Maria do Rosário e afirmaram que, dificilmente, o prognóstico da
ministra será cumprido devido a empecilhos jurídicos. Generais da ativa ouvidos
pelo Correio acreditam que a confirmação da Lei de Anistia, pela Justiça, é uma
barreira jurídica intransponível a processos que objetivem punir crimes
cometidos no período. "O Brasil não é revanchista", afirmou um general. Mesmo
assim, eles consideraram a declaração "preocupante".
Se os oficiais da ativa preferiram contemporizar,
os da reserva reagiram duramente às palavras de Maria do Rosário. O general Luiz
Eduardo Rocha Paiva externou a apreensão da classe com as declarações: "O poder
modifica o direito e a verdade. É aí que os revanchistas estão investindo". O
general defende que a Comissão da Verdade deveria investigar também crimes
cometidos por guerrilheiros. "A investigação unilateral pela comissão vai
satanizar os agentes do Estado, tenham ou não violado direitos humanos, e
endeusar os assassinos, terroristas e sequestradores", aponta.
Na semana passada, a Presidência do Clube
Militar, que reúne os oficiais da reserva, enviou um manifesto aos membros da
entidade. O texto, assinado pelos presidentes dos clubes Naval, Militar e da
Aeronáutica, cita a reportagem do Correio, a nomeação de Eleonora Menicucci para
a Secretaria de Políticas para as Mulheres e uma das resoluções políticas do PT
em seu aniversário de 32 anos, sobre o empenho no resgate da memória da luta
pela democracia durante o período da ditadura militar.