Coluna semanal do Blog Juntos Somos Fortes)
Terça-feira, 21 de Fevereiro de 2012 10:51
A SEMANA
COM CARNAVAL E TUDO – “AI QUE SAPUCA!”
Laerte Braga
Imagino
que Narcisa Tamborindeguy deve ter sido socorrida por um batalhão de
especialistas após “produzir” o seu bordão para o carnaval deste ano –
“Ai que Sacupa!”. O esforço mental deve ter poluído toda a Baía de
Guanabara. Em anos passados, chamada a participar de uma novela da GLOBO
– é amiga do diretor do BBB – viveu dois ou três segundos de fama por
outro bordão – “Ai que loucura”.
Fora
isso e além de ser rica, a senhora em tela fazia parte – ou faz, não
se sei se continua – da turma que jogava água suja em pessoas que
passavam na calçada de uma das ruas de Copacabana, definindo-as – ao
seu talante – se eram “dignas” ou apenas “prostitutas”.
Em
sua defesa, depois de denunciado o fato e confirmada a presença de
Narcisa, Boninho e outros mais, alegou que em determinados momentos
jogava rosas sobre os “pobres que iam para o trabalho”.
Consta
que em algumas áreas próximas ao sambódromo foram encontrados dejetos
semelhantes a um cérebro. Vão se prestar a estudos sobre o posar nua ou
não posar “por dinheiro nenhum do mundo”. É um tema que vai tomar
conta dos debates do reality show de uma das redes nacionais de tevê
brasileiras, no caso a BANDEIRANTES. O reality é sobre mulheres ricas.
De
inestimável valor cultural e suma importância para os telespectadores
no processo “hei de ser Narcisa um dia”. A legião de zumbis.
Joãozinho
Trinta foi um dos destaques do desfile de escolas de samba no Rio de
Janeiro. O extraordinário caráter apoteótico do carnavalesco surgiu
pelas mãos de Fernando Pamplona no Salgueiro – foi assistente de
Pamplona –, Transformou a revolução que Pamplona promoveu nos desfiles
de escolas em algo feérico e o fez com incrível capacidade de assombrar
pela extraordinária e rica imaginação.
Nada a ver com Narcisa Tamborindeguy.
A
América Latina por conta de um tratado internacional é considerada
zona livre de armas nucleares. A antiga Grã Bretanha – hoje é colônia
dos EUA – construiu e mantém nas ilhas Malvinas (território argentino)
uma base militar com armas nucleares. É apoiada pelos norte-americanos.
Uma espécie de “prevenção” para eventuais “necessidades” do complexo
terrorista ISRAEL/EUA TERRORISMO S/A nessa parte do mundo.
Daí a resistência dos britânicos em discutir a devolução das Malvinas aos argentinos e a absoluta omissão dos EUA no assunto.
É
uma situação de extrema gravidade para toda a América Latina,
particularmente os países da América do Sul. As Malvinas deixam de ser
um problema exclusivamente entre a Argentina e a Grã Bretanha para
ganhar uma dimensão bem mais ampla. É de toda a América Latina. A
Argentina e argentinos somos todos nós.
Típico
caso de sanções contra a Grã Bretanha. Não vão acontecer. O mundo
globalizado pela força do terror capitalista – “globalitarizado” – tem
mão única no entender das potências que controlam os arsenais nucleares.
A
Grã Bretanha – Mini Bretanha – não é mais um império, nem propriamente
uma potência, mas a mais importante colônia dos EUA na Europa. Não
importa que partido esteja no governo. Sejam os trabalhistas, ou os
conservadores. Os liberais são adereço, pelo menos por enquanto.
O
Brasil, neste momento, tem uma política externa dúbia, há recuos
lamentáveis do governo Dilma Roussef em relação ao governo Lula. Os
caminhos próprios que falam que a presidente quer trilhar parecem não
ter nada a ver com os compromissos de campanha, mas com a estrada para a
reeleição em 2014. O viés é neoliberal.
A
propósito, a escola de samba Gaviões da Fiel – a maior e melhor
organizada torcida do Corinthians, um dos grandes clubes de massa no
Brasil – decidiu homenagear o ex-presidente Lula.
Foi
patética a transmissão da GLOBO. Os carros alegóricos que falavam da
ditadura militar foram chamados de “carros do período dos governos
militares”. Sobre prisões nada além de comentários insossos e sobre
tortura nem uma palavra. Sobre o ex-presidente o mínimo de comentários
que pudessem destacar a figura de Lula. Nos bastidores uma pressão sobre
autoridades paulistas e jurados para que a escola não venha a ser a
ganhadora do carnaval neste ano. Se foi ou não, escrevo antes de ser
divulgado o resultado do desfile, não sei.
Quando
era governador do Rio de Janeiro Leonel Brizola abriu as transmissões
do desfile de escolas de samba no sambódromo – construído em seu
governo – a todas as redes de tevê que o quisessem. A afirmação de
Brizola para justificar sua decisão foi simples – “é um espetáculo
público, tem dinheiro público envolvido e por isso pertence a todos,
não pode ser monopólio de uma só rede”.
Imaginar
que Geraldo Alckimin ou Gilberto Kassab possam tomar uma atitude desse
porte é demais. O máximo que os caras fazem a andar joelhos quando se
trata da máfia dos Marinhos. Via de regra deitam-se para a família não
se veja obrigada a pisar em poças d’água enquanto caminha. E de quebra
contratos milionários de publicidade.
A
mais importante rival de Narcisa Tamborindeguy, a socialite Val
Marchiori, alvo da atenção de alguns foliões do bloco os FILHOS DE
GANDHI (deram vários colares à senhora referida), no camarote da REDE
BANDEIRANTES em Salvador, depois de desfilar por uma escola de São
Paulo, assediada por tentativas de beijos, resolveu retirar as pulseiras
Chanel que usava e jogou-as para o público.
Ato
contínuo desceu até a rua – cercada por uma legião de seguranças – e
bebeu champanhe para ganhar uma aposta feita com Adriane Galisteu,
“apresentadora” da mesma rede de tevê.
Segundo
disse a jornalistas “dei uma secadinha para entrar em forma, estão
todos elogiando a minha forma”. Ao contrário de sua rival no reality
show – Narcisa Tamborindeguy – está disposta a posar nua para provar que
sua forma não se restringe ao que vem mostrando. Há segredos
guardados.
Deve ser propaganda de algum cirurgião plástico.
O
problema não é ser rica e nem posar nua, ou deixar de posar, o que
pega nesse tipo de “transmissão do carnaval pelo Brasil” é o absoluto
vazio que preenche as redes de tevê numa festa popular que ainda
sobrevive a todas as tentativas de transformá-la num evento para
turistas, uma espécie de arena para mulheres ricas, palco para grandes
empresas entreterem seus clientes e assim por diante.
Um
site desses de nada, está sugerindo aos seus leitores que falem direto
com as figuras que estão no camarote de determinada marca de cerveja e
bebidas outras.
O
distinto cidadão, ou cidadã vai lá e digita um “helloooooo”, palavra
de ordem de Val Marchiori, recebe outro “hellooooooo” e pronto, “falei
com a Val”.
O
tema do Big Brother Brasil nesse ano deixou de ser implícito e
escancarou – NINGUÉM É DE NINGUÉM. Tentativa desesperada de salvar o
programa, manter pelo menos a perspectiva de mais três ou quatro
edições. A fábrica de heróis.
De
quebra o carnaval virou dor de cabeça para um bando de políticos com a
vigência da lei da FICHA LIMPA já nas eleições municipais deste ano.
Nem choro e nem vela, a despeito do esforço de Gilmar Mendes e Tófoli
para manter intocados os fichas sujas.
A
semana registrou o incêndio num presídio em Honduras, nas imediações
de Tegucigalpa, a capital. Perto de 400 mortos. Segundo o “presidente”
Pepe Lobo, espécie de capataz dos norte-americanos, presos comuns,
episódio lamentável, “vou apurar os fatos e punir os responsáveis”.
Segundo autoridades católicas do país, entidades de direitos humanos e
dos movimentos de resistência à ditadura/democracia naquele país, presos
políticos misturados a presos comuns, incêndio conveniente para um
regime brutal e ilegítimo, produto de um golpe tramado em Washington e
executado pelos militares hondurenhos, quer dizer, militares a soldos
dos EUA.
No
Espírito Santo um estudante que protestava contra o aumento das
tarifas de transportes coletivos urbanos foi preso acusado de portar
explosivos, levado para um presídio de segurança máxima e uma semana
depois, diante de imensa pressão de vários setores, solto com a
explicação que era inocente. Foi o preso político do governo fantoche de
Renato Casagrande, banana que ocupa o palácio, enquanto o criminoso
Paulo Hartung comanda, manda e desmanda no estado.
É
por ai que figuras como Narcisa Tamborindeguy, vazia, sem a menor
percepção da vida e seu sentido é jogada para as manchetes no afã que a
mídia cumpre de desinformar e alienar. De vender o modelo boneca de
vento cheia de dinheiro oriundo da corrupção (o pai era ou é empresário
de transportes coletivos urbanos em cidades do grande Rio, a mãe foi
deputada e as acusações são inúmeras)
“AI QUE SAPUCA!” É isso, a coisa tentando ser gente.E o processo de transformação de gente em coisa.