[tribuna_da_internet] Resumo 5870

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Feb 24, 2012, 5:00:33 AM2/24/12
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Mensagens neste resumo (5 Mensagens)

Mensagens

1.

Fernando Pessoa e outros, online! Toda a biblioteca no site da Casa

Enviado por: "MVMeireles" mvmei...@uol.com.br   mcmeireles

Qui, 23 de Fev de 2012 8:32 am




De: Rede Castorphoto
De: Vanderley
De: Alberto Cosme Gonçalves

Sent: quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Subject: Fernando Pessoa e outros, online! Toda a biblioteca no site da Casa Fernando Pessoa.

Toda a biblioteca de Fernando Pessoa online....
Os livros da Biblioteca Particular de Fernando Pessoa estão disponíveis gratuitamente online no site da Casa Fernando Pessoa.
Até agora, só uma visita à Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, permitia consultar este acervo que é "riquíssimo", mas com o site, bilingue (português e inglês), e disponível em qualquer lugar do mundo, com uma ligação à Internet, é possível consultar, página a página, os cerca de 1140 volumes da biblioteca, mais as anotações - incluindo poemas – que Fernando Pessoa foi fazendo nas páginas dos livros.
http://casafernandopessoa.cm-lisboa.pt

_______________________________________________
Respeitamos seu direito de privacidade na internet, caso não queira continuar recebendo nossas mensagens, basta responder este e-mail com o assunto: REMOVER

2.

Após crise, países não serão mais os mesmos, diz o econo

Enviado por: "MVM<==>News" mvmei...@uol.com.br   mcmeireles

Qui, 23 de Fev de 2012 8:49 am



18/02/2012
Jornal do Brasil - Economia -
Apuração: Carolina Mazzi

Após crise, países não serão mais os mesmos, diz o economista Fernando Sarti

Três anos após a falência de diversos bancos americanos determinando o início da crise do Subprime, o mundo permanece cheio de incertezas. Na Europa, países como a Grécia ainda sofrem para controlar as contas nacionais e aliviar o déficit na economia. E apenas agora os Estados Unidos apresentam indícios de uma retomada no crescimento, embora ainda tímido.

A única certeza é a de que o mundo não será mais o mesmo. É o que acredita o economista Fernando Sarti, diretor da Escola de Economia da Universidade de Campinas (Unicamp). Para Sarti, as relações comerciais e econômicas que aconteceram nos últimos 30 anos foram determinantes para uma mudança estrutural no planeta.

“Independentemente da crise, os países emergentes passaram a ser também protagonistas nas relações mundiais, e isso não mudará mais. A crise é parte desta mudança, assim como uma evidência clara de que ela aconteceu”, analisa.

Neste tempo, principalmente países como a Coreia e outros asiáticos já vinham desempenhando um papel importante nas relações econômicas, como produtores que ofereciam condições competitivas para as grandes multinacionais.

“As empresas norte-americanas, então, migraram para estes locais mais ‘periféricos’. Porém, o produto final voltava para os centros urbanos dos desenvolvidos, que eram os grandes consumidores”, afirma o economista.

A transferência dessas multinacionais para os emergentes determinou a entrada, principalmente da China, na cadeia econômica mundial. Com isso, a “periferia” também passou a consumir.

“E não foi só um consumo das famílias, mas uma demanda por investimento e capital também, um consumo geral”, relembra Sarti.

Com essa mudança, que, segundo o economista, condicionou uma nova dinâmica no mercado, as consequências da crise ainda são difíceis de prever.

“O que é certo é que tanto a Europa quanto os Estados Unidos sairão mais injustos e desiguais do que entraram”, afirma.

A União Europeia, que já sofre com as diferenças estruturais de cada país membro, deve esquecer o sonho de um “padrão europeu” para todos, acredita Sarti.

O economista diz que, se a infra-estrutura dos países já era desigual, agora essas diferenças ficarão mais claras.

“Além disso, fica evidente que a rede de proteção social destes países será fragilizada. Com o corte de gastos acontecendo na Grécia, Portugal e Espanha para conter o déficit nas contas públicas, a estrutura social será muito afetada e os países sairão da crise menos iguais”, analisa.

Com uma economia dinâmica, um forte mercado interno, uma indústria de alta competitividade e demanda para a exportação, a Alemanha é a única exceção do bloco e deverá continuar "firme e forte", afirma Sarti.

EUA

Os Estados Unidos começam a engatinhar rumo a uma recuperação econômica. Porém, a nova estrutura do mundo não permitirá que o país recupere a força que um dia já teve.

“Com certeza, eles saíram muito mais desiguais e injustos do que quando entraram na crise. Apesar do dinamismo e da força que a economia americana ainda sustenta, com grande capacidade de inovação, falta ao país um setor para liderar a geração de empregos”, afirma.

O problema da desigualdade social e de renda se agrava com a falta de uma rede de proteção social para as camadas mais vulneráveis da população.

“E tem uma questão cultural também, imposta, em que eles ignoram as diferenças de oportunidades da camada mais excluída da população, que não terá a mesma força de competição dos demais”, analisa.

No Brasil, as possibilidades são quase tão grandes quanto as incertezas. Segundo Sarti, o pré-sal e o agronegócio se colocam como boas oportunidades para o crescimento e desenvolvimento do país.

“A oportunidade só será ótima se soubermos aproveitar a demanda que a exploração deste petróleo vai trazer. Não adianta ter demanda para consumir máquinas, se não consumirmos dentro do país, gerando competitividade e desenvolvimento no Brasil. Tanto o agronegócio quanto o pré-sal demandam uma cadeia de fornecimento e consumo que podem ser grandes oportunidades”, acredita.

Para o professor, é preciso que as políticas industriais, tecnológicas e de produção foquem na construção de uma economia abrangente e dinâmica e não se prendam completamente a questões financeiras e de pressão inflacionária, por exemplo.

“Temos excelentes chances a nossa frente, mas depende de como vamos agir em relação a elas. Vamos capturar as oportunidades que surgirem? É uma pergunta para reflexão”, conclui Sarti.

De: http://www.jb.com.br/economia/noticias/2012/02/18/apos-crise-paises-nao-serao-mais-os-mesmos-diz-economista/
3.

China e o novo centro dinâmico - Por Marcio Pochmann -

Enviado por: "MVM<==>News" mvmei...@uol.com.br   mcmeireles

Qui, 23 de Fev de 2012 9:02 am



20 de Fevereiro de 2012 -
Portal Vermelho - Fonte: Revista Fórum -
Marcio Pochmann -

China e o novo centro dinâmico

O sucesso do milagre econômico chinês apresentou ao mundo uma novidade quase não imaginada frente à inconteste hegemonia estadunidense. Seja na evolução do comércio externo ou na presença crescente dos investimentos externos, a China se posiciona de forma cada vez mais sólida como eixo integrador da dinâmica mundial.

Por Marcio Pochmann*

Antes da crise do capitalismo global, a economia estadunidense apresentava sinais de certa decadência frente ao seu esvaziamento produtivo e da relativa perda de importância do dólar. Mas, a partir de 2008, a perda de influência norte-americana tornou-se cada vez mais evidente, sobretudo quando se considera o sucesso transformista chinês.

Para piorar, os Estados Unidos passam a apresentar sinais crescentes de subdesenvolvimento, como no caso da concentração de renda. Nas últimas três décadas, por exemplo, o segmento constituído pela faixa do 1% mais rico da população teve a sua renda aumentada em 256%, enquanto o rendimento dos pobres subiu somente 11%. Como resultado disso, os EUA voltaram a deter um padrão de desigualdade de renda somente verificado antes da Depressão de 1929.

Diante do descenso estadunidense e do auge chinês, os governos têm a oportunidade de rever estrategicamente o posicionamento de suas economias. Do contrário, a trajetória das relações comerciais e de investimento com a China tende cada vez mais a aprofundar as características históricas já notabilizadas, especialmente durante a antiga ordem internacional estabelecida a partir da Inglaterra.

Como a China atual, o Reino Unido dependia fortemente de produtos primários, enquanto se mantinha como forte produtor e exportador de produtos manufaturados. Ou seja, dava-se o estabelecimento de uma convergência internacional para a produção e exportação de produtos primários e simultânea dependência da dinâmica local à internacionalização dos seus parques produtivos segundo a lógica inglesa.

Em geral, a China passa a deter não somente relações comerciais como presença de investimento superiores às dos EUA. Por meio da globalização financeira, não obstante os sinais de certo esvaziamento do seu papel monetário (fim do padrão ouro-dólar nos anos 1970) e de enfraquecimento relativo de sua produção e difusão tecnológica, os Estados Unidos se transformavam praticamente num império unipolar. Tanto assim que prevaleceu a concepção de pensamento único e visão de fim da História, com predomínio da democracia liberal e do livre mercado.

Nos dias de hoje, com o esgotamento do movimento de globalização financeira, registrado por várias crises de dimensão internacional, o milagre chinês ascendeu rapidamente. Assim, a expansão da economia do país possibilitou que em apenas dez anos a sua produção fosse triplicada, contrastando com a realidade estadunidense. Somente entre 1999 e 2010, por exemplo, a variação acumulada do Produto Interno Bruto dos Estados Unidos foi equivalente a apenas 1/8 da verificada na China.

No mesmo sentido, o país asiático responde cada vez mais por uma maior parcela da produção de manufaturados do mundo; em 2009, representou 18% do valor agregado industrial mundial. A participação chinesa no valor adicionado mundial na indústria de transformação de alta tecnologia também saltou de 4%, em 2000, para 18%, em 2009. Atualmente, a China assume a condição de segunda nação mais importante na produção de material de escritório e informática do mundo, na produção de material de rádio, TV e comunicação, e a primeira na produção de veículos automotores e nos investimentos na indústria aeroespacial, de supercomputadores e de núcleos eletrônicos, entre outras posições estratégicas mundiais.

Por conta disso, a China deve ultrapassar a posição dos EUA durante a segunda década do século 21, embora isso não signifique necessariamente o desaparecimento das centralidades dinâmicas das economias pertencentes à União Europeia e aos Estados Unidos, mas o que se destaca é o aparecimento de um mundo multipolar. Além da Ásia – especialmente a China e Índia – há um espaço regional capaz de gerar uma nova centralidade dinâmica no sul do continente americano, com forte importância para a economia brasileira.

Em síntese, o Brasil passa a ter maior relevância num novo contexto mundial multipolarizado, bem distinto daquele verificado durante o momento de sua constituição, em que os Estados Unidos exerciam uma centralidade unipolar. Mas o seu reposicionamento deve partir de um olhar de mais longo prazo, uma vez que as alternativas estão postas.

O deslocamento do centro dinâmico estabelece oportunidades inequívocas de reforço da pujança econômica brasileira. Mas isso pode ocorrer tanto pelo lado da Fazenda, Mineração e Maquiladora dos Produtos Manufaturados (FAMA), como pela via do encadeamento dos sistemas produtivos a partir de maior agregação do Valor Agregado e Conhecimento (VACO).

As alternativas estão postas, com a China presente no novo centro dinâmico mundial. Ao Brasil, cabe uma decisão clara e objetiva em torno do papel que deseja desempenhar neste novo contexto internacional.

*Marcio Pochmann é presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), professor licenciado do Instituto de Economia e do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

De: http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=176136&id_secao=10

4.

Gaste menos combustível

Enviado por: "Div CB" div...@gmail.com   divcb5

Qui, 23 de Fev de 2012 3:38 pm



Caro(a) sr.(a)

Quanto você gasta com combustível para seu veículo em um mês?
Você já pensou na possibilidade de economizar, pelo menos, 10 a 15% deste
gasto, usando hidrogênio como aditivo para o combustível?

Colocamos à sua disposição um kit para produzir hidrogênio sob demanda,
simples de instalar, e você poderá ter uma boa economia no final do mes.
Pense nisso e acesse nosso site para maiores informações ou envie e-mail
para *geradorhidrogen@gmail.com*.

Há décadas grandes empresas têm pesquisado veículos que funcionem somente
com hidrogênio, sem grandes resultados práticos. Isso é o que você já deve
ser visto na TV ou em alguma reportagem de revista.

O que não te contaram é que, desde a década de 30 já existem projetos
perfeitamente funcionais de veículos movidos a água. O problema com as
pesquisas recentes é que a indústria não quer que você coloque simplesmente
água no seu tanque de combustível e saia por aí rodando o quanto quiser. A
indústria quer ter você como escravo(a), tendo que comprar combustível o
tempo todo para poder rodar com seu veículo, e principalmente, poder
controlar o preço desse combustível a bel prazer.

Não se deixe mais enganar.
Veja algumas matérias interessantes sobre o assunto em nosso site:

- Carro movido a hidrogênio percorre 3.000 km
(2004)<http://geradorhidrogenio.wordpress.com/2012/02/23/carro-movido-a-hidrogenio-percorre-3-000-km-2004/>
- Inventor de garagem constrói carro movido a água
(2008)<http://geradorhidrogenio.wordpress.com/2012/02/23/inventor-de-garagem-constroi-carro-movido-a-agua-2008/>
- O carro movido a água
(1972)<http://geradorhidrogenio.wordpress.com/2012/02/23/o-carro-movido-a-agua-1972/>
- O carro movido a água
(2006)<http://geradorhidrogenio.wordpress.com/2012/02/23/o-carro-movido-a-agua-2006/>
- Abasteça o seu carro com água do
mar<http://geradorhidrogenio.wordpress.com/2012/02/23/abasteca-o-seu-carro-com-agua-do-mar/>
- Carro hidrogenado<http://geradorhidrogenio.wordpress.com/2012/02/23/carro-hidrogenado/>
- Projeto Chambrin
(1980)<http://geradorhidrogenio.wordpress.com/2012/02/23/projeto-chambrin-1980/>
- Carro movido a água já existe
(2008)<http://geradorhidrogenio.wordpress.com/2012/02/23/carro-movido-a-agua-ja-existe-2008/>
- Carro movido a água e gasolina
(1903)<http://geradorhidrogenio.wordpress.com/2012/02/23/carro-movido-a-agua-e-gasolina/>
5.

Navios de guerra iranianos rumo à Síria [21/2/2012, MK Bhadrak

Enviado por: "MVMeireles" mvmei...@uol.com.br   mcmeireles

Qui, 23 de Fev de 2012 6:21 pm




From: Vila Vudu

Sent: quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Subject: Navios de guerra iranianos rumo à Síria [21/2/2012, MK Bhadrakumar, Asia Times Online (traduzido)]

Navios de guerra iranianos rumo à Síria

21/2/2012, M K Bhadrakumar, Asia Times Online
http://www.atimes.com/atimes/Middle_East/NB22Ak02.html

Uma flotilha de navios de guerra iranianos atravessou o Canal de Suez e atracou no porto sírio de Tartus, no sábado. O ministro da Defesa do Irã, Ahmad Vahidi, disse que a missão é mostra da “potência” do Irã, apesar de 30 anos de incansáveis sanções.

Toda a 18ª Frota da Marinha do Irã, já atracada em Tartus, participará de exercícios e dará treinamento “às forças navais sírias, nos termos de um acordo assinado há um ano entre Teerã e Damasco”.

Hossein Ebrahimi, clérigo influente e vice-presidente da Comissão de Segurança Nacional e Política Exterior do Majlis (parlamento) do Irã, declarou:

A presença de flotilhas do Irã e da Rússia ao longo do litoral da Líbia é mensagem clara contra qualquer possível aventureirismo dos EUA. No caso de os EUA cometerem qualquer erro estratégico na Síria, há real possibilidade de que o Irã, a Rússia e vários outros países imponham resposta esmagadora aos EUA.

As atividades dos navios de guerra iranianos em Tartus (porto também usado pela Marinha russa) serão observadas de perto pelos países da região – Turquia, Jordânia, Qatar e Arábia Saudita, em especial. Notícias não confirmadas surgidas recentemente dizem que veteranos da Força Qods do Irã (uma unidade especial do Corpo dos Guardas Islâmicos Revolucionários) pode ser enviada à Síria, para auxiliar o governo.

Em termos simples, a mensagem do Irã à Turquia e seus aliados árabes (que estão armando e apoiando a oposição síria) será: “Irmãos, se continuarem a armar os seus, armaremos os nossos”. Há muito assunto aí sobre o qual todos esses países devem refletir, sobretudo as monarquias do petróleo – que se reunirão no próximo domingo, para o primeiro encontro dos “Amigos da Síria”.

Para a Turquia, os navios de guerra iranianos chegaram à Síria em má hora. O jornal israelense Ha'aretz noticiou que o exército sírio capturou 40 agentes da inteligência turca envolvidos em atividades subversivas; e que, ao longo da semana passada, Ankara trabalhou “em intensas negociações” com Damasco, tentando libertá-los. Mas Damasco insiste que, em troca, a Turquia ponha fim à transferência de armas e infiltrações, e, além disso, quer que o Irã seja o mediador. Ha'aretz registrou:

Oficiais ocidentais temem que a presença militar iraniana, além da ajuda russa, convertam a Síria em centro internacional de atrito ainda mais grave que a luta interna na Síria. Temem que uma ‘parceria’ russo-iraniana venha a assumir o controle sobre ações na Síria, o que excluiria a União Europeia e a Turquia (...)”[1]

Tempos de testes

Mas Teerã também está testando as águas. Sob a lei internacional, o Irã tem direito de passagem para seus navios, pelo Mar Vermelho e o Canal de Suez. Mas as equações do Egito para o Irã continuam ambivalentes.

O Egito jamais antes permitiu que navios iranianos cruzassem o Canal de Suez, até fevereiro do ano passado, depois da queda do regime de Hosni Mubarak, quando, indiferente à pressão diplomática dos EUA e aos gritos de ameaça de Israel, o Cairo permitiu a passagem de um destróier. Para Israel, foi “provocação”.

Mas desde então o Egito está em torvelinho, e o entusiasmo inicial para a normalização de relações com Teerã diminuiu muito, com o Egito tornando-se dependente da ajuda financeira da Arábia Saudita e de outras monarquias árabes sunitas do Golfo Persa.

Assim sendo, a permissão para que uma flotilha iraniana inteira passasse por Suez no final de semana significa não só que o Egito começa a movimentar-se na direção de apoiar o Irã, mas também que novas complexidades e imprevisibilidades surgem no caminho das relações entre EUA e Egito.

São tempos de testes para as relações EUA-Egito. Questão potencialmente séria já surgiu com o ataque, pelas autoridades egípcias, a várias dúzias de trabalhadores de organizações não governamentais (ONGs), entre os quais 19 cidadãos norte-americanos. Número ainda não revelado de cidadãos norte-americanos procuraram abrigo na Embaixada dos EUA no Cairo.

O Cairo anunciou no sábado, que 43 dos presos acusados de atividades suspeitas, entre os quais há estrangeiros (norte-americanos, sérvios, alemães, noruegueses, jordanianos e palestinos) e egípcios serão julgados no próximo domingo, 26/2, acusados de “estabelecer filiais não autorizadas de organizações internacionais e de aceitar financiamento estrangeiro para fazer funcionar essas filiais, comportamento que agride a soberania do estado egípcio”[2].

Washington alertou o Cairo de que o ataque às ONGs poderia ferir laços bilaterais e ameaçou cortar a ajuda militar anual que chega a US$1,3 trilhão. Washington sabe que qualquer julgamento público pode expor a escala da interferência dos EUA nos em assuntos internos do Egito. Dez importantes organizações civis norte-americanas que operam no Egito foram invadidas, dentre elas o National Democratic Institute, o International Republican Institute e a Freedom House, que recebem financiamento do governo dos EUA.

O Conselho Supremo das Forças Armadas no Cairo culpa “mão estrangeiras” pela agitação que não arrefece no Egito. A colorida ministra de Cooperação Internacional do Egito, Fayza Abul-Naga (um dos poucos nomes do regime de Mubarak que não perdeu o lugar que tinha no Gabinete) está chefiando a campanha contra o financiamento estrangeiro para ONGs no Egito. E a Fraternidade Muçulmana ameaçou revisar o tratado de paz entre Egito e Israel, de 1979, caso os EUA cortem a ajuda ao Egito.

Desafio estratégico

Isso dito, Teerã avaliou corretamente o melhor momento para testar as ideias egípcias. A decisão egípcia de permitir a passagem da flotilha iraniana por Suez ajuda a sublinhar a ideia de que o Egito preserva sua autonomia estratégica e que, se assim desejar, poderá reatar relações como Irã. (O ministro das Relações Exteriores do Irã Ali Akbar Salehi elogiou publicamente a decisão do Egito.) Aí há mais que simples ‘sinal’, dirigido a Washington.

Ambas as capitais, Cairo e Teerã têm chamado a atenção para as extraordinárias mudanças pelas quais o Oriente Médio está passando; e têm dito que as coisas nunca mais voltarão a ser como antes. A evidência mais espantosa dessas mudanças é que Egito e Irã não têm posições sequer próximas entre si, sobre a crise na Síria; mas, mesmo assim, o Cairo abriu passagem para os navios iranianos, na viagem para Tartus.

Por sua vez, a mensagem mais importante que o Irã está encaminhando hoje é que nem o persistente impasse com os EUA nem a avalanche de ameaças israelenses conseguiram fazer curvar a espinha dorsal dos iranianos, e não abalaram nem o desejo nem a capacidade do Irã para ajudar seu aliado sírio.

O perigo de confrontação real com os EUA, por causa da Síria, é muito, muito reduzido, de fato; e Teerã não crê que o governo Barack Obama esteja sendo arrastado para uma intervenção à moda líbia, na Síria. Teerã mantém-se bem informada sobre a situação em campo na Síria; e não acredita que o presidente Bashar al-Assad corra qualquer grave perigo.

Contudo, a demonstração de ‘força’ no Mediterrâneo oriental lançará sua sombra sobre a política regional. No sábado, o Hezbollah e o Movimento Amal, em declaração conjunta, reiteraram a aliança com o Irã. Declararam que os eventos na Síria são parte dos “desesperados esforços dos inimigos” para desestabilizar o país, destruir sua unidade nacional e minar o firme apoio que a Síria dá à resistência palestina.

(Seyed Hassan Nasrallah, secretário-geral do Hezbollah, disse esse mês que “O Hezbollah recebe do Irã apoio moral, político e financeiro, de todas as formas, desde 1982. Esse apoio honra a República Islâmica”. Disse que “a mais importante vitória árabe” contra Israel, vitória do Hezbollah, não teria sido possível sem o apoio dos iranianos e que também “a Síria teve papel importante naquela vitória”.[3])

Seja como for, a demonstração de “força” no Mediterrâneo – historicamente “um lago ocidental” – terá ressonâncias também dentro do Irã. Esses gestos apelam ao senso de honra nacional dos iranianos e contribuem para consolidar a opinião pública, o que é especialmente importante para o regime, em momento em que o país aproxima-se de eleições parlamentares crucialmente importantes, em março, nas quais se estima que mude a equação do poder e que a alquimia do Majlis (parlamento) altere-se decisivamente.

[1] 15/2/2012, Haaretz, em http://www.haaretz.com/news/middle-east/report-u-s-drones-flying-over-syria-to-monitor-crackdown-1.413348
[2] 23/2/2012, Al-Arabiya, http://english.alarabiya.net/articles/2012/02/18/195431.html
[3] 8/2/2012, “Sayyed Nasrallah: ‘O verdadeiro alvo é a Resistência, o apoio do Irã é um orgulho para nós’”, Al-Manar TV, Beirute, em http://redecastorphoto.blogspot.com/2012/02/sayyed-nasrallah-o-verdadeiro-alvo-e.html [NTs].

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