| De saída, Gabrielli diz que Petrobras contraria interesses |
Ao deixar o posto de presidente da Petrobras nesta segunda-feira, José Sergio Gabrielli afirmou que a construção de bens da indústria petrolífera no Brasil "contraria interesses de alguns".
Gabrielli transmitiu o cargo para Maria das Graças Foster, que assume a estatal sob a premissa de manter a política de conteúdo nacional determinada pelo ex-presidente Lula e mantida pela presidente Dilma Rousseff, como ela mesma fez questão de frisar em discurso.
"Não abriremos mão de nossa decisão de garantir percentuais de conteúdo local nas compras da Petrobras", disse Dilma durante solenidade de posse de Graças Foster, a quem chamou de "graciosa" ao final do discurso.
Gabrielli não especificou quem são os contrariados com o avanço da indústria naval nacional, que tem crescido nos últimos anos depois que a Petrobras reduziu drasticamente importações de plataformas, petroleiros e, mais recentemente, sondas de perfuração, para construir tais equipamentos no Brasil.
Fontes consultadas pela Reuters disseram que o executivo se referiu a estaleiros asiáticos, que acabaram por perder mercado para a indústria brasileira de construção naval.
A Transpetro encomendou 49 navios a estaleiros nacionais em programa de renovação da frota da Petrobras.
A estatal também passou a exigir conteúdo local mínimo elevado nas licitações de plataformas.
Na semana passada, a estatal concluiu a maior licitação da sua história ao contratar 26 sondas de perfuração, com conteúdo local exigido variando de 55 a 65 por cento.
Fonte: Reuters Brasil / Sabrina Lorenzi e Leila Coimbra
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| Na Petrobras, Dilma defende política de privilegiar fornecedores nacionais |
Na presença da presidenta Dilma Rousseff e de vários ministros e governadores, a nova presidenta da Petrobras, Maria das Graças Foster, afirmou ao tomar posse nesta segunda-feira (13) que sua gestão será marcada pela continuidade e pelo aprofundamento das diretrizes e metas que têm norteado a atuação da empresa nos últimos noves anos. “Minha gestão será de continuidade. Temos um Plano de Negócios (2011-2015) em vigor cujas metas são claras e precisas. Sabemos para onde vamos, como vamos e quando vamos chegar”, disse.
Graça Foster, como é mais conhecida, ressaltou o bom momento vivido pela Petrobras. “Temos uma empresa capitalizada, com excelente quadro técnico e com excepcionais descobertas de petróleo e gás que garantem o crescimento futuro da companhia. Nossa gestão continuará pautada pelo diálogo de prosperidade junto ao acionista controlador e pela defesa dos interesses dos acionistas minoritários.” Até 2015, a Petrobras vai investir US$ 220 bilhões em exploração e produção de óleo e gás, petroquímica, refino, transporte e comercialização. Graça também assumiu o compromisso de “manter sempre o foco na disciplina de capital e no cumprimento de metas e prazos, sem descuidar um só instante dos aspectos de segurança operacional e ambiental”.
A cerimônia de transmissão do cargo de presidente da Petrobras ocorreu na sede da empresa no Rio de Janeiro e atraiu diversas autoridades. Estiveram presentes os ministros Guido Mantega (Fazenda, presidente do Conselho de Administração da Petrobras), Edison Lobão (Minas e Energia), Miriam Belchior (Planejamento), Ana de Hollanda (Cultura), Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) e Garibaldi Alves (Previdência Social). Também foram prestigiar a posse de Graça Foster os governadores Sérgio Cabral (RJ), Jacques Wagner (BA), Antonio Anastasia (MG), Eduardo Campos (PE), Cid Gomes (CE), Rosalba Ciarlini (RN), Marcelo Déda (SE) e Renato Casagrande (ES).
A presidenta Dilma, a quem a nova presidenta da Petrobras prometeu “fidelidade incondicional”, afirmou “ter a certeza de que a Graça é a pessoa indicada para liderar a Petrobras rumo a um futuro ainda mais promissor”. Dilma ressaltou que a brasileira é “a primeira mulher na presidência de uma empresa desse porte, no setor de petróleo e gás, em todo o mundo” e comparou o feito a sua própria chegada à Presidência da República no ano passado.
“A Petrobras estará em boas mãos. Eu conheço bem a seriedade com que a Graça se dedica não só a essa empresa, mas a tudo o que faz em sua vida profissional. Ela saberá dar continuidade às conquistas alcançadas na gestão anterior, que esteve à frente da companhia em um dos períodos mais profícuos de sua existência”, disse a presidenta.
Dilma fez menção ao passado de aspirações de privatização da empresa e lembrou a ligação afetiva dos brasileiros com a corporação. "A Petrobras é poderosa em escala mundial e é estratégica dentro do Brasil. Felizmente, sobreviveu a todos os ventos privatistas e persistiu como empresa brasileira, sob controle do povo brasileiro, e hoje exerce papel fundamental em nosso modelo de desenvolvimento. Todos nós temos certeza de que a Petrobras é uma parte do esforço deste país, talvez uma das partes mais relevantes, de se constituir uma grande nação.”
Balanço
As muitas homenagens ao ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, e ao ex-diretor de Exploração e Produção, Guilherme Estrella, que irão deixar a empresa, foram outra marca da cerimônia. Em seu discurso de despedida, Gabrielli citou o que considera as principais realizações de sua gestão. “A conquista da autossuficiência em petróleo, o retorno à atividade petroquímica, a consolidação do setor de gás e energia, a criação da Petrobras Biocombustível, a aprovação do marco regulatório do pré-sal, os investimentos em tecnologia e sistemas de pesquisa e desenvolvimento, a ampliação dos patrocínios públicos, sociais e ambientais, a realização da maior capitalização da história da empresa e a conquista do grau de investimento (investment-grade) no mercado internacional."
Gabrielli confirmou que vai ocupar um cargo no governo da Bahia, a convite do governador Jaques Wagner: “Saio com a sensação de dever cumprido e com vontade de levar para minha terra os aprendizados que tive aqui na Petrobras”. Momentos antes, o ex-presidente da empresa agradeceu a Dilma, ao seu antecessor no cargo, José Eduardo Dutra, e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, “que acreditou em um economista baiano para ser diretor da Petrobras”.
Mudanças
Para o lugar de Graça Foster na diretoria de Gás e Energia da Petrobras irá o atual gerente-executivo de Operações e Participações em Energia, José Alcides Santoro Martins, engenheiro civil que trabalha há 32 anos na empresa, onde já exerceu diversas funções gerenciais. Para o lugar de Guilherme Estrella na diretoria de Exploração e Produção foi indicado o atual gerente do setor para o pré-sal, José Formigli Filho, também engenheiro civil e com experiência de 29 anos na Petrobras.
Graça Foster, por sua vez, trabalha há 31 anos na Petrobras. Antes de ocupar a diretoria de Gás e Energia, onde ficou quatro anos, ela foi presidente da Petroquisa e da BR Distribuidora, sempre com atuações elogiadas por sua capacidade de gestão e conhecimento técnico das atividades do setor. Graduada em Engenharia Química, com pós-graduação em Engenharia Nuclear, Graça também atuou no governo Lula, entre 2003 e 2005, no posto de secretária de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis do Ministério das Minas e Energia, à época sob o comando de Dilma Rousseff.
Após receber o crachá de presidente das mãos de Gabrielli, repetindo uma tradição da Petrobras, Graça aumentou o nível de emoção da cerimônia ao reafirmar sua identificação com a empresa. “Sou a Graça, filha da dona Therezinha. Meu crachá da Petrobras é meu documento de identidade há 30 anos. Eu e a Petrobras temos praticamente a mesma idade”, disse, antes de convocar toda a empresa a continuar trabalhando. “Esse cargo de presidente que passo a ocupar expressa o trabalho de todos vocês que estiveram ao meu lado.”
Fonte: Rede Brasil Atual
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